Apostila Centro Cirurgico

Apostila Centro Cirurgico

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Prof. Nádia R. G. de Andrade Prof. Nádia R. G. de Andrade

O Centro-cirúrgico (C) pode ser considerado uma das unidades mais complexas do hospital, pela constante presença de agente estressores, devido às possibilidades de risco à saúde que os pacientes estão sujeitos ao serem submetidos à intervenção cirúrgica. Trata-se de um setor de alto custo, tanto pela construção, que deve ser executada de acordo com normas técnicas e assépticas. Nele são realizadas técnicas estéreis para garantir a segurança do cliente quanto ao controle de infecção.

Conceito – Ministério da Saúde Conjunto de elementos destinados às atividades cirúrgicas, bem como a recuperação anestésica e pós operatória imediata

Conceitos – Lamb (2000) “ É o conjunto de ambientes, devidamente localizados, dimensionados, inter-relacionados e dotados de instalações e equipamentos, com pessoal qualificado e treinado para a realização de procedimentos cirúrgicos, de forma a oferecer o máximo de segurança aos pacientes e às melhores condições de trabalho para equipe técnica”

Sendo um setor de circulação restrita, destacam-se, entre suas finalidades:

Realizar procedimentos cirúrgicos e devolver os pacientes às suas unidades de origem nas melhores condições possíveis de integridade;

Servir de campo de estágio para a formação, treinamento e desenvolvimento de recursos humanos;

Servir de local para desenvolver programas e projetos de pesquisa voltados para o desenvolvimento científico e especialmente para o aprimoramento de novas técnicas cirúrgicas e assépticas.

O centro cirúrgico deve estar localizado em área de fácil acesso para pacientes críticos e próximo às áreas de suporte. ( unidades de internação cirúrgica, pronto socorro e UTI).

Local de pouco ruído para reduzir os estímulos sonoros que possam interferir na concentração da equipe cirúrgica e desencadear estresse do paciente;

O C deve estar localizado em uma área do hospital que ofereça a segurança necessária às técnicas assépticas, portanto distante de locais de grande circulação de pessoas, de ruído e de poeira.

O principal e mais importante aspecto físico a ser considerado na localização do

C.C não é o seu local, e sim, a circulação geral interna, que deve ser livre para pessoas internas e totalmente bloqueada para pessoal de fora.

O acesso ao C.C deve estar interligado de acordo com os profissionais que fazem parte dele:

Pacientes: deve ter acesso pela porta/ entrada principal.

Pessoal/equipe: deve ter acesso pela entrada dos vestuários que devem estar interligadas ao C.C.

Serviço de apoio: devem ter entradas auxiliares para roupas limpas, roupas sujas, equipamentos, exames, material contaminados.

É de extrema importância que o fluxo interno seja perfeito, evitando que “cruze” material e/ ou roupas.

Organização do fluxo Para efeito de controle asséptico, o C se divide em:

Área restrita: Tem limites definidos para circulação de pessoal e equipamentos com rotinas próprias para o controle e manutenção da assepsia; Uso de touca e gorro além das roupas próprias são obrigatórias; = SO, SRPA, lavabos, CME, corredor interno.

Área semi-restrita: Permite a circulação de pessoal e equipamentos de modo a não interferir nas rotinas de controle e manutenção da assepsia; = Expurgo, copa, sala de estar, sala de preparo de materiais.

Área não restrita: Área de livre circulação no ambiente interno do C. Uso de roupas próprias. = Vestiários, secretaria, e corredor de entrada.

Planta Física: Planejamento Físico Deve ser planejada em equipe: arquitetos, engenheiros, enfermeiros, médicos e administradores Considerar: Número de leitos Número de cirurgias/dia Horário de utilização Taxa de ocupação especialidades. Um Centro Cirúrgico deve dispor das seguintes dependências:

Vestiários masculinos e femininos: Devem oferecer acesso externo ( por fora das instalações do Centro Cirúrgico) e interno ( pelo corredor cirúrgico). É importante que eles disponham de sanitários e chuveiros ( para uso das equipes) e armários ( para a guarda de uniformes, roupas e outros pertences).

Posto de enfermagem: Local destinado à chefia e à secretaria, que exercem o controle administrativo da unidade.

Copa: Área reservada ao pessoal do centro cirúrgico, para lanches rápidos.

Sala de estar: Deve ficar localizada próximo aos vestiários e à copa, sempre que possível, servindo de área de descanso para a equipe do centro cirúrgico.

Área de baldeação ou troca-macas: Localizada à entrada do Centro

Cirúrgico, onde se dá a transferência do paciente da maca em que veio para a maca privativa do centro.

Sala de material cirúrgico ou de estocagem de material esterilizado: Destina-se à recepção, guarda e redistribuição de todo o material limpo e esterilizado a ser usado no Centro Cirúrgico.

Lavabos: Destinados à lavagem e anti-sepsia das mãos e ante-braços, antes da operação. Por isso, devem ser equipados com recipientes para Antissépticos e torneiras que possam ser manobradas sem o uso das mãos.

Sala de expurgo: Local equipado com tanque para o despejo de sangue, secreções e outros líquidos provenientes da operação. Na sala de expurgo também de depositam, inicialmente, instrumentos, roupas usadas e outros materiais, para posterior lavagem. É considerada, portanto, área suja.

Sala de material de limpeza: Área para a reserva de materiais e de utensílios usados na limpeza do Centro Cirúrgico.

Sala guarde equipamentos: área usada para guardar aparelhos como os de anestesia, bisturi elétrico, aspiradores, focos portáteis, suportes de soro, mesas auxiliares e materiais que, eventualmente, não estejam em uso. O aparelho de raio X móvel poderá também ser guardado nessa sala, caso não haja local específico para ele.

Rouparia: Local destinado à guarda da roupa limpa não-estéril. Muitas vezes é representada apenas por um armário.

Posto de enfermagem: Local destinado à chefia e à secretaria, que exercem o controle administrativo da unidade.

Farmácia: A Farmácia Hospitalar é um órgão de abrangência assistencial, técnico-científica e administrativa, onde se desenvolvem atividades ligadas à produção, armazenamento, controle, dispensação e distribuição de medicamentos e correlatos às unidades hospitalares.

Sala de guarda de materiais estéreis e descartáveis: Local onde se armazenam materiais descartáveis como seringas e agulhas, equipos de soro, fios de sutura, frasco de soro, entre outros. Modelo atualizado de farmácia satélite.

Elementos de apoio técnico ADM.: O Centro-cirúrgico conta com o apoio imprescindível de alguns setores ligados direta ou indiretamente a ele e que deve estar prontamente preparados para atendê-lo para seu funcionamento, tais como: banco de sangue, raio-x, laboratório e anatomia patológica, serviço de engenharia clínica e de manutenção, farmácia, segurança e secretaria, e agendamento.

Sala DML: Área para a reserva de materiais e de utensílios usados na limpeza do Centro Cirúrgico.

Portas: As portas das salas de cirurgia devem ser largas para facilitar a passagem de macas e equipamentos cirúrgicos. Devem possuir metal na altura da maca para evitar seu estrago, ser lavável. É indicado o uso de portas do tipo vaivém que impeçam o uso das mãos para abrila. Que tenha visor de separação dos ambientes.

sem fendas ou fissuras, realçar a sujeira, não refletir a luz, impermeável

Piso: Deve ser de superfície lisa, não porosa, resistentes a agentes químicos,

Paredes: Devem ser revestidas de material liso, resistente, lavável, antiacústico e não refletor de luz. É proibido o uso de cimento sem nenhum aditivo antiabsorvente para rejunte de peças cerâmicas ou similares tanto nas paredes quanto nos pisos. Devem ser utilizados cantos arredondados nas paredes.

Teto: Deve ser de material resistente, lavável, não deve conter ranhuras e não deve ser poroso, para facilitar a limpeza e impedir a retenção de microorganismos. Deve ser contínuo, não sendo permitido a utilização de forro falso-removível. É recomendado um espaço útil de no mínimo 80 cm de altura livre entre a laje do forro e o piso do pavimento superior, possibilitando assim a instalação de novos equipamentos e a entrada do pessoal do serviço de manutenção.

Devido ao grande risco de incêndio, pelo elevado número de materiais de fácil combustão, a sala cirúrgica, além de contar com os equipamentos de combate a incêndio do centro-cirúrgico (extintores e mangueiras) a sala de cirurgia deve contar com um sistema de segurança que, através da elevação da temperatura, produz fortes borrifos de água no ambiente.

Sala operatória: Dependência do Centro Cirúrgico destinada à realização das intervenções cirúrgicas. Por isso, o trânsito a ela é restrito e a limpeza é feita com o máximo rigor, pois deve ser a área mais limpa do centro.

Tamanho da sala: Depende dos equipamentos necessários aos tipos de cirurgias a serem realizadas; seu formato deve ser retangular ou oval.

Uma sala para cada 50 leitos gerais Uma sala para cada 25 leitos clínica cirúrgica uma sala para cada 15 leitos cirúrgicos

Dimensionamento das Salas: Segundo a RDC 307/2002,

Cirurgias Cirurgia Geral: mínimo de 25m² Cirurgia especializada (neurocirurgia, cirurgia ortopédica, cardiovascular): mínimo de 36m² Cirurgia de pequeno porte: Oftalmo, OTR, endoscopia: 20m²

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