Introdução à Análise Experimental do Comportamento

Introdução à Análise Experimental do Comportamento

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As equipes a quem este material interessar poderão contar com mais informações através da internet ou correspondência, temos o maior interesse em fornecer informações adicionais e receber críticas e sugestões.

Está incluído neste material um Plano de Curso, semelhante ao que efetivamente tem sido adotado na UFPA. Esse Plano (no caso específico o utilizado no segundo semestre letivo do ano 2000) pode servir de referência para a elaboração de Planos de Curso adequados para as condições das instituições em que essa disciplina ou semelhante esteja sendo oferecida.

Olavo de Faria Galvão – ofg@cpgp.ufpa.br – Doutor em Psicologia Experimental pela USP/SP – Professor Adjunto IV do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade Federal do Pará.

Romariz da Silva Barros – rsb@cpgp.ufpa.br - Doutor em Psicologia Experimental pela USP/SP – Professor Adjunto I do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade Federal do Pará.

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Olavo de Faria Galvão e Romariz da Silva Barros

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Título: Curso de Introdução à Análise Experimental do Comportamento Autor: Olavo de Faria Galvão e Romariz da Silva Barros Editora: CopyMarket.com, 2001

Passo 1 – Descrição de Eventos Ambientais e Comportamentais Olavo de Faria Galvão1

Objetivos: definir, identificar e dar exemplos de: 1) Eventos ambientais: públicos e privados; internos e externos; físicos e sociais; antecedentes e conseqüentes. 2) Eventos comportamentais públicos e privados.

Atualmente a definição mais conhecida de Psicologia é a de que ela é o "estudo do comportamento". Essa não seria uma definição adequada, entretanto, para a Psicologia que se fazia há tempos atrás, e mesmo para toda a Psicologia científica de hoje. A “Psicologia”, que etimologicamente significa “estudo da psique ou da mente”, passou a se interessar cada vez mais pelo comportamento, porque o “processamento mental”, o funcionamento da “mente”, só pode ser inferido3, não pode ser diretamente observado.

{©Por algum tempo, estudar o comportamento era apenas uma alternativa para a obtenção de dados que permitiam inferir sobre o objeto de estudo da Psicologia (a mente). Em outras palavras, observava-se o comportamento para inferir sobre a mente e, a partir de então, explicar o comportamento. Com o tempo, o comportamento assumiu um valor intrínseco, tornando-se, pelo menos para uma parte dos psicólogos, o próprio objeto de estudo da Psicologia, até mesmo porque uma parte do que tem sido chamado de mente (o pensamento, por exemplo), apesar de não ser observável para todos, é comportamento tanto quanto as ações publicamente observáveis. Outra parte dos psicólogos, contudo, continua a estudar o comportamento como uma forma de inferir o funcionamento da mente.

Para muitos psicólogos, portanto, as teorias psicológicas são modelos de como funciona a mente e de como ela produz eventos mentais, como a consciência e a memória, e comportamentais, como a agressão, a fala etc. É interessante ressaltar que, mesmo pensando que as teorias psicológicas explicam como a mente produz eventos psicológicos e comportamentais (teorias internalistas4 ou mentalistas), esses psicólogos dependem da observação do comportamento e de sua interpretação para, indiretamente, verificar se as teorias estão corretas.

Os analistas do comportamento procuram explicar a ocorrência dos eventos comportamentais (João beijou Maria; Roberta levantou-se cedo) verificando que relações esses eventos mantém com as alterações nos eventos ambientais com os quais o organismo em questão mantém intercâmbio (exatamente por isso, podemos dizer que ela é uma abordagem externalista). Nesse contexto: 1) uma parte da atividade que é tida em outras áreas como atividade mental, para os analistas do comportamento pode ser considerada enquanto processamento cerebral, fisiológico, e, portanto, deve ser estudado pela neuropsicologia; 2) outra parte pode ser analisada enquanto eventos (comportamento ou ambiente) encobertos (ou seja acessíveis apenas para o sujeito “onde” eles ocorrem). Quando faço um cálculo “de cabeça” ou “mentalmente”, estou me comportando tanto quanto se tivesse feito esse cálculo de maneira aberta a outros observadores, usando papel e caneta. Isso quer dizer que, mesmo quando pensamos algo ou cantarolamos uma música de maneira inaudível para os outros, estamos nos comportando e este comportamento não tem uma natureza diferente de outros comportamentos observáveis

1 Professor Adjunto IV do Departamento de Psicologia Experimental – UFPA – ofg@cpgp.ufpa.br

2 Professor Adjunto I do Departamento de Psicologia Experimental – UFPA – rsb@cpgp.ufpa.br 3 Inferir é supor, com base em fatos observados, a ocorrência de um fato não observado. Maria verificou que João estava deitado no sofá, imóvel e com os olhos fechados. Ela inferiu que João estava dormindo. Apesar da inferência fazer parte da atividade científica (na formulação de hipóteses, por exemplo), a construção de conhecimento científico requer verificação. Uma parte do conhecimento da Psicologia é constituído de inferências a respeito de “instâncias psíqicas” (como Id, Ego, Superego) formuladas a partir da observação de comportamentos.

Conflitos entre o Id e o Superego jamais foram observados. Eles são inferências. 4 Essas teorias podem ser denominadas de internalistas porque consideram os eventos mentais ou internos como causa dos comportamentos observáveis, o que é uma visão radicamente diferente da defendida pelos analistas do comportamento.

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Olavo de Faria Galvão e Romariz da Silva Barros para os outros, eles diferem apenas em relação à possibilidade de acesso a observação. Neste caso, enquanto comportamento, os fenômenos psicológicos encobertos não explicam o comportamento visível, mas precisam também ser explicados.

Sobre essa questão, De Rose (1997) afirmou que, “Infelizmente, em nossa cultura, inventou-se, para explicar a ocorrência de comportamentos encobertos, uma entidade imaterial denominada mente. Esta noção nos levou a perder de vista o fato de que comportamentos encobertos são operantes (ou seja, são explicáveis como parte de um conjunto de ações que alteram o ambiente e também podem ser entendidos como eventos comportamentais que mantêm intercâmbio com eventos ambientais) do mesmo modo que os comportamentos visíveis. Pior, esta entidade inventada, que denominamos mente, passou a ser tomada como explicação dos comportamentos visíveis e, deste modo, as causas reais destes comportamentos têm passado desapercebidas” (p.80. O trecho entre parênteses foi incluído).

Para os analistas do comportamento, explicar significa estabelecer relações entre eventos. Assim, tanto o comportamento visível quanto os eventos psicológicos não-observáveis devem ser compreendidos através de suas relações com os eventos ambientais.

Cotidianamente podemos observar a curiosidade das pessoas pelo que elas mesmas ou outras pessoas fazem. Freqüentemente nos interessa saber o que alguém fez, o que fará amanhã ou o que faria em uma situação específica. Raramente, entretanto, nos perguntamos por quê nós mesmos, ou outras pessoas, fazemos isso ou aquilo. Em outras palavras, raramente tentamos estabelecer relação entre o que estamos fazendo (comportamento) e os eventos ambientais (antecedentes5 ou conseqüentes ao nosso comportamento) que nos afetam. Por falar nisso, por que será que você está lendo este texto agora? Se você se empenhar um pouco em responder a essa pergunta provavelmente poderá identificar algumas relações entre o que você está fazendo e eventos ambientais antecedentes e conseqüentes. Em outras palavras, você estará iniciando uma análise de seu próprio comportamento.

Analisar o comportamento é, portanto, selecionar um desempenho de um organismo em particular e procurar suas relações com o ambiente imediato (físico e social), levando em consideração variáveis históricas, como por exemplo a “experiência” que o organismo já teve com aquele tipo de situação em particular e com situações similares. Ao analisarmos o comportamento é, portanto, fundamental identificar as INTERAÇÕES que ocorrem, num determinado período de tempo, entre um organismo e seu ambiente. A palavra INTERAÇÃO é muito importante aqui porque estamos falando de uma dupla influência: mudanças no ambiente produzindo mudanças de comportamento e o comportamento dos organismos produzindo mudanças no ambiente que podem novamente repercutir sobre o comportamento. Assim, o comportamento de um organismo não só é afetado por alterações que ocorrem nesse ambiente mas também altera as condições do ambiente.

Do ponto de vista da ciência, não existe nada absolutamente isolado e sem relação com o que esteja em volta. Cada parte da natureza é um elemento, ou um sub-sistema, inserido em um sistema envolvente. Mas é impossível estudar cientificamente a natureza inteira. Só é possível estudá-la por partes, porque temos sempre que focalizar os eventos a serem observados, e cujas transformações são medidas e relacionadas com outros eventos.

Você já deve estar se perguntando o que está sendo aqui chamado de evento ambiental e evento comportamental. De fato, a esta altura, já se faz mais do que necessário apresentar algumas definições.

Eventos Ambientais e Eventos Comportamentais

As duas classes mais amplas de eventos de interesse da análise do comportamento são a classe dos EVENTOS AMBIENTAIS e a classe dos EVENTOS COMPORTAMENTAIS. Os eventos ambientais são as alterações que ocorrem no ambiente. O escurecimento ou iluminação de uma sala, som de uma campainha, o cheiro de uma flor, pessoas trabalhando, uma dor de cabeça etc são exemplos de eventos ambientais. Eles antecedem e/ou seguem os eventos comportamentais no tempo e no espaço. Os eventos comportamentais são as ações promovidas pelo organismo cujo comportamento estamos analisando/observando; são os eventos comportamentais que nós queremos explicar.

5 Os eventos ligados ao comportamento e que ocorrem antes dele são denominados de "eventos antecedentes" e os eventos ligados ao comportamento e que ocorrem após são denominados de "eventos conseqüentes".

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Um mesmo evento pode ser considerado ambiental ou comportamental, dependendo de qual organismo (sujeito) está sob análise. Para que fique mais claro, considere o seguinte exemplo.

“Um grupo de colegas de classe estava reunido em frente ao Laboratório de Psicologia. Pedro contou uma piada. Todos riram ruidosamente.”

Se estivermos analisando o comportamento de Pedro, podemos dizer que o grupo reunido é um evento ambiental (antecedente) ao evento comportamental “contar uma piada”, e que os risos são um evento ambiental (conseqüente) ao evento comportamental promovido por Pedro. Se resolvermos analisar o comportamento de outro membro do grupo, a piada contada por Pedro passa a ser um evento ambiental antecedente ao evento comportamental “rir”, promovido por todos os membro do grupo.

Perceba, contudo, que há uma parte dos eventos ambientais que afetam o comportamento do sujeito que estamos analisando e outra parte que não afeta. Por exemplo, este texto é provavelmente o evento ambiental que mais está afetando o seu comportamento agora. Neste momento, entretanto, o sinal de trânsito da esquina da José Bonifácio com a Barão de Igarapé Mirim deve estar vermelho. Esse evento ambiental, entretanto, não está tendo qualquer efeito sobre o seu comportamento. Aos eventos ambientais que efetivamente estão mantendo intercâmbio com o comportamento do sujeito sob análise damos o nome de “estímulos”. Não há eventos ambientais visuais que afetem o comportamento de um cego, por exemplo. Podemos dizer que o comportamento do cego não é afetado por estímulos visuais. Contudo, há uma diversidade muito grande de eventos ambientais auditivos, táteis, olfativos e gustativos que podem funcionar como estímulo para ele (ou seja, podem manter intercâmbio ou podem alterar seu o comportamento).

Para os interesses da análise científica do comportamento, os eventos podem ser classificados em função da sua localização, ou em função da sua disponibilidade à observação ou, ainda, quanto à sua natureza.

Quanto à sua localização, os eventos podem ser externos ou internos, conforme ocorram dentro ou fora do corpo do indivíduo cujo comportamento está em estudo. É possível que um exemplo seja esclarecedor. “Considere o comportamento de Mariana. Ela está tomando remédios para gastrite, de acordo com uma receita médica. Às cinco horas da tarde, o despertador tocou (evento ambiental antecedente externo). Ela, então, tomou um comprimido (evento comportamental) e sua mãe a elogiou pelo auto-cuidado (evento ambiental conseqüente externo). Juliana também está fazendo um tratamento para gastrite mas freqüentemente deixa de tomar os remédios na hora certa. Um dia, ela estava assistindo a um filme na TV quando de alguma maneira detectou excesso de acidez no seu estômago (evento ambiental antecedente interno). Ela tomou o remédio (evento comportamental) e a acidez começou a diminuir e finalmente acabou (evento ambiental conseqüente interno). Observe, contudo que, apesar da acidez estomacal ser um evento interno ela é acessível a outros observadores através de uma endoscopia, por exemplo. Esse detalhe é importante para compreender o próximo item deste texto.

Quanto ao acesso à observação, os eventos podem ser públicos, quando mais de um observador pode ter acesso a eles, ou privados, quando não podem ser observados por outros. Apesar do dentista poder observar o nervo inflamado no dente de Maria, apenas Maria pode experimentar a dor decorrente da inflamação. A dor de dente de Maria é, portanto, um evento ambiental privado. Eventos comportamentais podem ser públicos e privados também. Podemos, por exemplo, falar em silêncio de tal maneira que ninguém possa ter acesso a essa nossa ação (evento comportamental privado). É possível que mais um exemplo seja útil.

“Dona Evanilde experimentou um conjunto de reações emocionais que podemos resumir sob o nome de ansiedade quando o barco em que viajava para Macapá balançou intensamente (evento ambiental). Esse evento ambiental, o balançar do barco, provocou um conjunto de eventos comportamentais do qual uma parte eram privados, as respostas de ansiedade, as quais, por sua vez, também tinham propriedades de estímulo (uma vez que D Evanilde podia interagir com esse evento, a ansiedade). E assim o fez. Ela rezou em silêncio (evento comportamental privado). Aos poucos a ansiedade foi passando (evento ambiental privado).

Vale ressaltar que, de acordo com essas definições que você acaba de conhecer, “publico” não corresponde a “externo” e nem “privado” corresponde a “interno”. Existem eventos internos que são publicamente observáveis e eventos externos que dificilmente podem ser observados. Uma alteração na taxa cardíaca, apesar de ser normalmente sentida apenas pelo indivíduo no qual ela ocorreu, pode ser observada por outro indivíduo, através do ouvido encostado no tórax, ou colocando o polegar sobre o pulso (retorne também ao exemplo da

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Olavo de Faria Galvão e Romariz da Silva Barros acidez estomacal, acima apresentado). Hoje existem técnicas de registro da atividade cerebral que permitem a observação de que partes do cérebro ficam mais ativas quando certas atividades são executadas. Dessa forma, mesmo o pensamento, nossa atividade mais privativa, já pode, de certa forma, ser acompanhado, apesar de ainda não poder ser considerada um evento público. É evidente que o que se observa é a atividade de certas partes do cérebro, não o pensamento propriamente dito, da mesma forma que ocorre com a dor de dentes, que ela mesma não pode ser vista, mas sim a inflamação correspondente.

Quanto à natureza, os eventos podem ser físicos ou sociais. Assim, a função dos eventos sobre o comportamento pode decorrer estritamente de suas características físicas ou pode decorrer de aspectos sociais e culturais envolvidos no evento em questão. Se um golpe atinge alguém, a reação imediata resulta das características físicas do golpe: se for uma rasteira a pessoa pode levar um tombo, se for um murro na barriga a pessoa pode se curvar para a frente e perder a respiração por algum tempo. Assim, às vezes nos interessa a relação das propriedades físicas intrínsecas dos eventos ambientais com o comportamento. Um outro exemplo de evento cujo efeito sobre o comportamento pode decorrer de suas características físicas é o escurecimento ou iluminação da sala de aula, quando estamos interessados em evidenciar a função da luminosidade, intrínseca da energia luminosa, sobre o comportamento (como os movimentos dos músculos da íris, abrindo e fechando a pupila). O som da campainha de um telefone pode, também, afetar o comportamento em função de suas características físicas, quando, por exemplo, nos ajuda a nos orientar no escuro. O ruído de um motor, um relâmpago, o perfume de uma flor etc são também eventos cujas características físicas afetam, ou podem afetar, o comportamento.

Mas também é possível que o efeito dos eventos sobre o comportamento resulte não apenas de suas propriedades físicas mas também do “significado” que esse evento tem num contexto histórico e cultural, ou seja, alguns eventos podem exercer funções sociais. Os eventos sociais são uma categoria de eventos físicos que são produzidos pelo comportamento de outras pessoas (que não o sujeito sob análise) e cujo efeito sobre o comportamento do sujeito não resulta apenas de suas propriedades físicas, mas de convenções estabelecidas pelos grupos sociais. Uma luz de sinal de trânsito, vermelha, não pára os carros por sua intensidade (ou por qualquer outra propriedade física intrínseca), mas por convenção social. Assim, não é qualquer propriedade física da luz vermelha que pára os carros numa esquina sinalizada mas sim contingências socialmente estabelecidas. Apesar da luz ser um evento físico como qualquer outro, o que faz os motoristas pararem seus carros na presença desse evento é um conjunto de convenções que compõem as regras de trânsito.

Veja outro exemplo: uma professora se aproxima de um grupo de crianças e diz: "Quem quer ouvir uma história?". As crianças saem pulando e gritando: "Eu! Eu! Eu!". Podemos considerar que o efeito do “ruído vocal” da professora sobre o comportamento das crianças (elas pularam e gritaram) resultou do significado que aquele ruído assumiu num contexto lingüístico convencionado pela sociedade. A energia despendida pela professora para emitir a frase foi ínfima, e não explica, sozinha, o fato das crianças saírem pulando e gritando. A função do evento "Quem quer ouvir uma história?" decorre da história de interação dos indivíduos na sociedade em que vivem, e não apenas da energia intrínseca desse evento.

Os eventos sociais são, portanto um tipo especial de eventos físicos. Para encerrar, vamos a mais dois exemplos: a incidência de raios solares sobre a pele das pessoas pode ser um evento ambiental que tem efeito sobre o comportamento das pessoas que estão à espera de um ônibus em um ponto de parada. Esse evento ambiental pode determinar que algumas pessoas se abriguem. Os aspectos estritamente físicos da incidência dos raios solares sobre a pele das pessoas são suficientes para explicar porque elas se abrigam. Estamos falando de um evento físico simplesmente. Consideremos agora o comportamento do motorista do ônibus. Ele está conduzindo o veículo por uma via, quando um pedestre, parado em um ponto de ônibus, estende o braço horizontalmente e faz sinal em direção ao ônibus. O motorista pára o ônibus. Neste caso, o sinal feito pelo pedestre é que foi o evento antecedente que determinou que o motorista parasse o ônibus. Entretanto, os aspectos estritamente físicos do gesto do pedestre não explicam porque o motorista parou o ônibus. Se você não considerasse que “por trás” daquele gesto do pedestre há uma convenção social jamais seria possível explicar porque o motorista parou o ônibus. O sinal do pedestre é um evento físico social para o motorista.

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Bibliografia Complementar

Catania, C. A (1999). Aprendizagem: Comportamento, Linguagem e Cognição. Porto Alegre: ArtMed. Trad. Deisy de Souza.

Dana, M. F. & Matos, M. A. (1982). Ensinando observação: Uma introdução. São Paulo: EDICON.

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