Apostila de Economia

Apostila de Economia

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Adam Smith (1723-1790)

Em sua visão harmônica do mundo real, acreditava que, se deixasse atuar a livre concorrência, uma “mão invisível” levaria a sociedade à perfeição. Afirmou que todos os agentes, em sua busca de lucrar o máximo, acabam promovendo o bem-estar de toda a comunidade e que a defesa do mercado, como regulador das decisões econômicas de uma nação, traria muitos benefícios para a coletividade, independentemente da ação do Estado. É o princípio do liberalismo.

Considerado o precursor da moderna teoria econômica, colocada como um conjunto científico sistematizado, com um corpo teórico próprio, já era um renomado professor quando publicou sua obra A riqueza das nações, em 1976. O livro é um tratado muito abrangente sobre questões econômicas, que vão desde as leis de mercado e aspectos monetários até a distribuição do rendimento da terra (VASCONCELLOS; GARCIA, 2003).

Para ele, a causa da riqueza das nações é o trabalho humano, a qual denominava teoria do valor-trabalho, que tem, como fator preponderante para aumentar a produção, a divisão do trabalho, ou seja, os trabalhadores deveriam se especializar em algumas tarefas. Atribui-se à aplicação desse princípio o aumento da destreza pessoal, economia de tempo e condições para o aperfeiçoamento e o invento de novas máquinas e técnicas (VASCONCELLOS; GARCIA, 2003).

DicionárioDicionário

Liberalismo: doutrina que afirma que o melhor sistema econômico é o que garante o livre jogo das iniciativas individuais dos agentes econômicos.

Fonte: http://www.economiabr.net/dicionario.

Irma Filomena Lobosco

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David Ricardo (1772-1823)

Pode ser considerado outro expoente do período clássico, tendo desenvolvido alguns modelos econômicos com grande potencial analítico. Aprimora a tese de que todos os custos se reduzem a custos do trabalho e mostra como a acumulação do capital, acompanhada de aumentos populacionais, provoca uma elevação da renda da terra, até que os rendimentos decrescentes diminuam de tal forma os lucros que a poupança se torne nula, atingindo-se uma economia estacionária, com salários de subsistência e sem nenhum crescimento. Sua análise de distribuição do rendimento da terra foi um trabalho seminal de muitas ideias do chamado período neoclássico.

Discute a renda auferida pelos proprietários de terras mais férteis. Em virtude de a terra ser limitada, quando a terra de menor qualidade é utilizada no cultivo, surge imediatamente a renda sobre aquela de primeira qualidade, ou seja, a renda da terra é determinada pela produtividade das terras mais pobres. Analisou, ainda, por que as nações comerciavam entre si, se é melhor para elas comerciarem e quais produtos devem ser comerciados. A sua resposta constitui um importante item da teoria do comércio internacional, chamada de teoria das vantagens comparativas. O comércio entre países dependeria das dotações relativas de fatores de produção.

A maioria dos estudiosos considera que os estudos de Ricardo deram origem a duas correntes antagônicas: a neoclássica, por suas abstrações simplificadoras, e a marxista, pela ênfase dada à questão distributiva e aos aspectos sociais na repartição da renda da terra.

John Stuart Mill (1806-1873)

Seu trabalho foi o principal texto utilizado para o ensino de Economia no fim do período clássico e no início do período neoclássico. Sua obra consolidou o exposto por seus antecessores e avançou, por incorporar mais elementos institucionais, definindo melhor as restrições, vantagens e funcionamento de uma economia de mercado.

Jean Baptiste Say (1768-1834)

Retomou a obra de Adam Smith, ampliando-a. Subordinou o problema das trocas de mercadorias à sua produção e popularizou a chama Lei de Say: “a oferta cria sua própria procura”, ou seja, o aumento da produção transformar-se-ia em renda dos trabalhadores e empresários, que seria gasta na compra de outras mercadorias e serviços.

Thomas Malthus (1766-1834)

Seu trabalho sistematizou uma teoria geral sobre a população, ao assinalar que o crescimento da população dependia rigidamente da oferta de alimentos, apoiando a teoria dos salários de subsistência.

AtençãoAtenção

Para Thomas Malthus, a causa de todos os males da sociedade residia no excesso populacional: enquanto a população crescia em Progressão Geométrica (PG), a produção de alimentos seguia uma Progressão Aritmética (PA).

População: PG = 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256... Produção: PA = 1, 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16...

Para esse economista, o potencial da população excederia em muito o potencial da terra na produção de alimentos. Entretanto, Malthus não previu o ritmo e o impacto do progresso tecnológico, nem as técnicas de limitação da fertilidade humana que se seguiram.

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Trata-se do período que teve início na década de 1870 e desenvolveu-se até as primeiras décadas do século X.

Destacam-se os aspectos microeconômicos da teoria, pois a crença na economia de mercado e em sua capacidade autorreguladora fez com que não se preocupassem tanto com a política e o planejamento macroeconômico.

Os neoclássicos sedimentaram o raciocínio matemático explícito inaugurado por David Ricardo, procurando isolar os fatos econômicos de outros aspectos da realidade social (VASCONCELLOS; GARCIA, 2003).

Alfred Marshall (1842-1924)

Autor do livro Princípios de economia, publicado em 1890, que serviu como livro-texto básico até a metade deste século. Nesse período, outros economistas se destacaram, como, por exemplo: William Jevons, Léon Walras, Eugene Böhm-Bawerk, Joseph Alois Schumpeter, Vilfredo Pareto, Arthur Pigou e Francis Edgeworth.

Esse período marca a formalização da análise econômica, com destaque para a microecono-

2.5 Teoria Neoclássica mia. O comportamento do consumidor é analisado em profundidade; o desejo do consumidor de maximizar sua utilidade (satisfação no consumo) e o do produtor de maximizar seu lucro são a base para a elaboração de um sofisticado aparato teórico. Por meio do estudo de funções ou curvas de utilidade (que pretendem medir o grau de satisfação do consumidor) e de produção, considerando restrições de fatores e restrições orçamentárias, é possível deduzir o equilíbrio de mercado. Como o resultado depende, basicamente, dos conceitos marginais (receita marginal, custo marginal etc.), é também chamada teoria marginalista.

Segundo Vasconcellos e Garcia (2003, p. 18) “a análise marginalista é muito rica e variada”. Apesar de questões microeconômicas ocuparem o centro das atenções, houve uma produção rica em outros aspectos da teoria econômica, como a teoria do desenvolvimento econômico de Schumpeter e a teoria do capital e dos juros de Böhm-Bawerk. Ainda segundo o mesmo autor, deve-se destacar, também, a análise monetária, com a criação da teoria quantitativa da moeda, que relaciona a quantidade de dinheiro com os níveis gerais de atividade econômica e de preços.

2.6 A Era Keynesiana

Iniciou-se com a publicação da teoria geral do emprego, dos juros e da moeda, de John Maynard Keynes (1936). Para entender o impacto da obra de Keynes, é preciso considerar a economia mundial da década de 1930, em crise, que ficou conhecida como a Grande Depressão, conforme já descrito anteriormente. A realidade dos fatos relacionados à situação conjuntural da economia dos principais países capitalistas era crítica, relacionada com o número de desempregados.

A teoria econômica vigente acreditava que se tratava de um problema temporário. Já a teoria geral consegue mostrar que a combinação das políticas econômicas adotadas até então não funcionava adequadamente e aponta para soluções que poderiam tirar o mundo da recessão.

Seus argumentos influenciaram muito a política econômica dos países capitalistas. De modo geral, essas políticas revelaram-se eficientes e apresentaram resultados positivos no período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial.

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Seguiu-se um desenvolvimento expressivo da teoria econômica. Por um lado, incorporaram- -se os modelos por meio do instrumental estatístico e matemático, que contribuiu para formalizar ainda mais a ciência econômica. Por outro, alguns economistas trabalharam na agenda de pesquisa aberta pela obra de Keynes.

Destacaram-se três grupos de economistas no debate sobre os aspectos do trabalho de Keynes, que dura até hoje: os monetaristas, os fiscalistas e os pós-keynesianos. É possível fazer algumas generalizações, embora não exista entre os grupos um pensamento homogêneo.

Os monetaristas estão associados à Universidade de Chicago e têm como economista de maior destaque Milton Friedman. De maneira geral, privilegiam o controle da moeda e um baixo grau de intervenção do Estado.

Os fiscalistas têm seus maiores expoentes em James Tobin, da Universidade de Yale, e Paul Anthony Samuelson, de Harvard e do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Estes recomendam o uso de políticas fiscais ativas e um acentuado grau de intervenção do Estado.

Os pós-keynesianos realizaram uma releitura da obra de Keynes, visando a mostrar que ele não negligenciou o papel da moeda e da política monetária. Enfatizam o papel da especulação financeira e, como Keynes, defendem um papel ativo do Estado na condução da atividade econômica. Além da economista Joan Robinson, outros economistas desta corrente são Hyman Minsky, Paul Davison e Alessandro Vercelli.

É necessário ressaltar que, apesar das diferenças entre as várias correntes, há consenso nos pontos fundamentais da teoria, já que são baseados no trabalho de Keynes.

2.7 O Período Recente

A partir dos anos 1970, a teoria econômica veio apresentando algumas transformações, após as duas crises do petróleo. Três características marcam esse período: uma consciência maior das limitações e possibilidades de aplicações da teoria; avanço no conteúdo empírico da economia; e o desenvolvimento da informática, que permitiu um processamento de informações em volume e precisão sem precedentes.

É possível que a análise econômica englobe quase todos os aspectos da vida humana, sendo que o impacto desses estudos na melhoria do padrão de vida e do bem-estar de nossa sociedade é considerável. O controle e o planejamento macroeconômico nos permitem antecipar muitos problemas e evitar algumas flutuações desnecessárias.

Consequentemente, a teoria econômica caminha em muitas direções, a exemplo da área de finanças empresariais, que era basicamente descritiva, com um baixo conteúdo empírico. A incorporação de algumas técnicas, econometrias, conceitos de equilíbrio de mercados e hipóteses sobre o comportamento dos agentes econômicos revolucionou a teoria de finanças e essa revolução se fez sentir também nos mercados financeiros, com a explosão recente dos chamados mercados futuros e de derivativos.

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