Apostila - de - enxertia em citrus

Apostila - de - enxertia em citrus

(Parte 2 de 3)

Figura 3- Modo de ação da incompatibilidade localizada. Fonte: Biasi, 2009.

b) Incompatibilidade Translocada.

Essa incompatibilidade causa degeneração do floema (casca), caracterizada pela formação de uma linha escura ou de uma zona necrotica na região do córtex. Isso dificulta o transporte de carboidratos, que se acumulam acima da região degenerada, com conseqüente redução do teor abaixo dessa região. Esse tipo de incompatibilidade não pode ser superado com o uso de um enxerto intermediário. Exemplos: Ex: - Pêssego enxertado sobre ameixeira ‘Mariana’ - (Se enxertar ‘Mariana’ sobre pessegueiro é compatível).

Figura 4- Modo de ação da incompatibilidade translocada. Fonte: Biasi, 2009. Os principais sintomas de incompatibilidade são:

local de enxertia;

Falta de união entre as partes enxertadas, que pode induzir ao rompimento no

excessivo abaixo, acima ou no ponto de união;

Diferenças no crescimento ou no vigor das partes enxertadas e do porta- enxerto, resultando em diferenças entre os diâmetros dos mesmos, com desenvolvimento

Diferença entre enxerto e porta- enxerto com relação ao início e final do período vegetativo;

Amarelecimento das folhas, seguido de desfolhamento precoce;

Crescimento vegetativo reduzido;

Morte prematura da copa enxertada;

A capacidade de uma planta enxertada em outra em conseguir com êxito uma união e desenvolver-se como uma planta única pode ser considerada como compatibilidade. Por outro lado, a falta total ou parcial de sobrevivência de mudas enxertadas pode ser atribuída à incompatibilidade, (CAÑIZARES, et al, 2003).

De acordo com Hartmann et al. (1997), o conhecimento da relação entre porta-enxerto e copa é vital para a produção de uma muda sem problemas de compatibilidade, pois a incorreta escolha do porta-enxerto pode conduzir o insucesso da enxertia, apresentando crescimento e qualidade reduzidos, tornando-se a causa substancial do baixo rendimento.

As peroxidases estão envolvidas em muitas reações metabólicas e processos fisiológicos dos tecidos vegetais, influenciando o crescimento das plantas desde a fase de germinação até sua senescência e nas respostas às condições de estresses (PASSARDI et al., 2005). Essa enzima participa da síntese de lignina que é de fundamental importância no desenvolvimento das plantas frutíferas e na compatibilidade da enxertia (FLURKEY & JEN, 1978; MUSACCHI, 1994). Além disso, as peroxidases atuam na biossíntese do etileno, na lignificação, além da destruição das auxinas, devido ao fato dessas se apresentarem em muitas formas moleculares, participando de diferentes reações bioquímicas (DENCHEVA & KLISURKA, 1982; PASSARDI et al., 2005). Os compostos fenólicos regulam a síntese de Peroxidase, mais precisamente o ácido p-cumárico, precursor da lignina, a qual por sua vez é a substância orgânica mais abundante em plantas, que apresentam funções primárias e secundárias (TAIZ & ZEIGER, 2004).

FIGURA 5- Rota metabólica da síntese de ligna. Fonte: ERREA, 1998.

FIGURA 6- Sintoma de incompatibilidade - Laranja doce com vírus da tristeza enxertada sobre laranja azeda. Fonte: CLEMSON UNIVERSITY – USDA, 2008.

FIGURA 7- Exemplos de plantas com sintomas de incompatibilidade. Fonte: BIASI, 2009.

8- CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Temperatura: A temperatura durante e após a enxertia tem um grande efeito sobre a produção do tecido do calo. A formação do calo é essencial para a cicatrização da união do enxerto. Durante essa formação, nas hortaliças, é recomendado manter os enxertos em torno dos 26°C a 28°C, dependendo da espécie, pois quanto mais próximo dessa temperatura ficarem as mudas em processo de enxertia, maior será a taxa de formação de calo. Temperaturas inferiores a 15°C ou superiores a 32°C são prejudiciais. Em temperaturas baixas, o desenvolvimento do calo é lento e escasso. Já em altas temperaturas, ocorre atraso na formação do calo, chegando à morte quando a temperatura ficar perto de 40°C. Após a enxertia, o ideal é manter as mudas numa temperatura entre 20° e 25°C para solanánoas principalmente nos primeiros três dias. Porém, mudas recém enxertadas toleram temperaturas compreendidas entre 15°e 3ü°C,(CAÑlZARES, et al, 2003).

Umidade: A umidade do ar durante e principalmente após a enxertia deve ser cuidadosamente observada. Os enxertos devem ser mantidos em umidade relativa elevada.

Oxigênio: Durante a divisão e alongamento das células, há uma intensa atividade respiratória. O material utilizado para proteger o enxerto (fitas plásticas ou outras) deverá permitir as trocas gasosas.

Luminosidade: Se intensa pode causar dessecação rápida do enxerto. Recomenda-:

se fazer enxertia em dias de baixa luminosidade, (CABEL, 2003).

Vento: Pode provocar a ruptura do enxerto no ponto da união, além de acelerar o processo de desidratação.

9- INFLUÊNCIA DO PORTA- ENXERTO

Mudas usadas como porta-enxertos cultivadas a partir de sementes poderão produzir árvores com tamanhos diferentes, pois são mudas com constituição genética diferente, apresentando diferentes fenótipos no sistema radicular, influenciados pelo ambiente; podem influenciar também no sabor dos frutos e no tempo de amadurecimento. Plantas obtidas por enxertia de mudas produzidas a partir de estacas enraizadas são mais precoces, pois tanto o cavaleiro como o porta-enxerto são partes de plantas adultas e já passaram pela fase juvenil. Mudas de caramboleira obtidas através da enxertia apresentam maior taxa de crescimento e, conseqüentemente, maior vigor. Entretanto, as mudas obtidas por estaquia apresentam produção precoce de frutos, (BASTOS, et ai, 2005).

10- SUPERFÍCIE DE CONTATO

A pouca área de contato pode dificultar o movimento da água e dos nutrientes, embora a região da enxertia tenha apresentado boa cicatrização no início do crescimento. O êxito da enxertia está em fazer coincidir o câmbio do enxerto com o câmbio do porta- enxerto para que as células do parênquima possam entrelaçar-se e que a superfície de contato se mantenha limpa e livre de patógenos, (CAÑIZARES, et al,

Técnica da enxertia e habilidade do enxertador

Uma técnica mal utilizada muitas vezes pode causar problemas na cicatrização do enxerto. O uso inadequado da técnica resulta em pequenas áreas de contato entre os câmbios de enxerto e do porta- enxerto, cortes desuniformes, amarração errada ou demorada, danos mecânicos na retirada da gema, desidratação dos ramos fornecedores e ferramentas pouco afiada ou contaminadas, etc. (CABEL, 2003).

Brotações no porta-enxerto

Novos ramos podem surgir a partir do cavalo, produzindo ramos indesejáveis por ser genotipicamente diferentes do clone da copa;enfraquecem a copa por desviarem nutrientes da produção principal e podem até dominar esuperar a copa; devem ser vistoriados periodicamente e eliminados (ASSUMPÇÃO et al,2005).

1- DESVANTAGENS DA ENXERTIA

A enxertia, segundo alguns autores, é o melhor método de propagação, porém, podem ocorrer alguns problemas, como:

Incompatibilidade entre o porta- enxerto e enxerto; esta limitação determina a variedade e as espécies que podem ser enxertadas num determinado porta- enxerto;

A união do enxerto pode ser extremamente frágil e sujeita a danos devido ao frio rigoroso ou a fortes ventos;

Muitos portas- enxertos iniciam a brotação de ramos vigorosos que devem ser eliminados frequentemente para que não suplantem o vigor do porta- enxerto;

Dificuldade no posicionamento dos tecidos: o câmbio é a porção de crescimento ativo do ramo e situa-se logo abaixo da casca. Estas camadas do câmbio, tanto no porta- enxerto devem posicionar-se de modo a ficarem absolutamente em correspondência uma com a outra;

A necessidade de isolar o ponto de enxertia com fitas isolantes e ceras para evitar a perda de água e a penetração de patógenos e favorecer a manutenção de elevada temperatura.

12- TÉCNICAS DE ENXERTIA As técnicas da enxertia podem ser:

Borbulhia ou enxerto de gema

A borbulhia é o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta- enxerto enraizado, ( SIMÃO, 1998). A época de enxertia para esse tipo de multiplicação, é de primavera- verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa.

Os principais tipos de enxerto em bobulhia podem ser: T normal; T invertido; Janela aberta; d) Janela fechada e em anel.

a) T normal

Fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular, de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado, segurando-se o ramo em posição invertida. Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo.

FIGURA 8- Esquema da borbulha em T normal. Fonte: JACOMINO, 2008.

b) T invertido

Procede-se de modo semelhante ao anterior. Difere apenas na posição normal do ramo para a retirada da borbulha e do modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, bem como a amarração é feita de baixo para cima.

Esse tipo apresenta a vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração da água e também por ser mais fácil de manejar.

FIGURA 9- Esquema da borbulha em T invertido. Fonte: JACOMINO, 2008.

c) Janela aberta

São realizadas no porta- enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de modo a liberar a região a ser ocupada pela borbulha. A borbulha é retirada do garfo praticando-se duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo, de modo a obter um escudo idêntica à parte retirada do cavalo. A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado.

d) Janela fechada

O porta- enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é obtida e maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com canivete, introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se com amarrilho.

FIGURA 10- Esquema da borbulha em Janela. Fonte: JACOMINO, 2008

e) Em anel

Para esse tipo de enxertia faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel.

No garfo procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja contato entre as camadas cambiais. A seguir amarra-se.

FIGURA 1- Esquema da borbulha em anel. Fonte: JACOMINO, 2008.

13- FORÇAMENTO DO ENXERTO

Para adiantar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constatado seu pegamento, faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, devido à curvatura, tende a reduzir sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, comunicando-lhe grande vigor. Por esse meio consegue-se em algumas espécies adiantar o desenvolvimento de dois a três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamento praticados na região abaixo dele.

14- GARFAGEM

A garfagem é o processo que consiste em soldar um pedaço de ramo destacado (garfo) sobre outro vegetal (cavalo), de maneira a permitir seu desenvolvimento. A garfagem difere da borbulhia, por possuir normalmente mais de uma gema, ( SIMÃO, 1998).

A época normal para garfagem, para plantas de folhas caducas, se dá no período de repouso vegetativo (inverno), e nas folhas persistentes, dependendo da espécie, na primavera, no verão ou no outono.

Os principais tipos de garfagem são os seguintes: meia-fenda cheia; meia- fenda esvaziada; fenda incrustada; fenda completa; dupla garfagem; inglês simples e inglês complicado.

Em todos os tipos citados, o porta- enxerto tem a sua parte superior decapitada. O enxerto de garfagem é feito 20 cm, aproximadamente, acima do nível do solo ou abaixo dele, na raiz, na região do coleto. A região do ramo podada com a tesoura é a seguir alisada com o canivete. Para o sucesso da enxertia, é essencial que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do cavalo.

a) Meia-fenda cheia

Faz-se o cavalo numa fenda, no sentido do raio, até atingir a medula. A fenda estende-se por 2 a 3 cm, no sentido do comprimento do cavalo. O garfo é preparado na forma de bisel e introduzido na incisão. O bisel deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral.

b) Meia-fenda esvaziada

A incisão do cavalo é semelhante ao anterior, dele diferindo por praticar duas incisões convergentes, de modo a retirar uma cunha de madeira, esvaziando a incisão. O garfo é preparado do mesmo modo que o anterior. É um tipo mais aconselhável para espécie de lenho duro.

c) Fenda inscrustada

Difere da anterior por não atingir a medula. É utilizada quando os garfos são de pequeno diâmetro. O cavalo e o garfo são preparados à semelhança da meia-fenda esvaziada.

FIGURA 12- Esquema da garfagem em fenda incrustada. Fonte: JACOMINO, 2008 d) Fenda completa

Podado o cavalo, alisado o corte, faz-se com o canivete uma fenda perpendicular, no sentido do diâmetro, até aprofundar-se 2 a 3 cm. A fenda completa pode ser cheia ou esvaziada. O garfo, que deve ter o mesmo diâmetro do cavalo, é preparado na forma de cunha e introduzido na fenda.

FIGURA 13- Esquema da garfagem em fenda completa. Fonte: JACOMINO, 2008 e) Dupla garfagem

É utilizado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. Usam-se dois garfos, cada um introduzido em uma das extremidades. O método é igual ao da fenda completa.

FIGURA 14- Esquema da dupla garfagem. Fonte: JACOMINO, 2008 f) Inglês simples

Para a prática desse tipo de enxerto, é necessário que o cavalo e o cavaleiro apresentem o mesmo diâmetro. A operação é bastante fácil e consiste tão-somente no corte em bisel do cavalo e no cavaleiro. Unem-se as partes e em seguir amarram-se.

FIGURA 15- Esquema da garfagem em ingles simples. Fonte: JACOMINO, 2008 g) Inglês Complicado

A operação é semelhante ao inglês simples, mas, neste tipo, faz-se uma incisão longitudinal em ambas as partes a unir. A incisão será feita no terço inferior do garfo, se a do cavalo for feita no terço superior, para que haja perfeito encaixe entre as fendas.

O inglês complicado dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra, e, portanto, maior fixação.

FIGURA 16- Esquema da garfagem em ingles complicado. Fonte: JACOMINO, 2008

15- ENCOSTIA

Também chamada de enxertia de aproximação, consiste na união lateral de duas plantas com sistemas radiculares independentes, de modo que o enxerto e o porta- enxerto sejam mantidos por seus sistemas radiculares até que a união esteja completamente formada.

É método mais simples de enxertia, porém é muito pouco utilizado comercialmente, (TELLES, et ai, 2004).

Os principais tipos de encostia podem ser resumidos em lateral e no topo. Tanto lateralmente e no topo. Tanto lateralmente como no topo, a encostia pode ser simples ou inglesa e inarching, (SIMÃO, 1998).

a) Lateral simples e inglesa

Pratica-se no cavalo e no ramo-enxerto um entalhe, retirando-se parte do alburno.

Aproximam-se as duas partes, ajustando as superfícies. Fixam-se as partes com amarrilhos, no caso da lateral simples.

Na lateral inglesa, procede-se da mesma maneira, porém, sobre o entalhe do cavalo e do cavaleiro, faz-se uma incisão oblíqua. Abre-se o entalhe, unindo-se as partes. A seguir, amarra-se.

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