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- Exemplo de ativação do retorno

- Amplificadores Philips

- Considerações finais

OBJETIVOS

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ÀS REDES HFC

dessas redes
INTRODUÇÃO

Este documento tem pôr objetivo introduzir aos técnicos, noções básicas de redes HFC utilizadas pelas operadoras de cabo. Além disso, são apresentados todos os passos para a construção

As primeiras redes de TV a Cabo foram construídas no final de década de 40. Em seus primórdios sua finalidade era fornecer canais de TV para comunidades localizadas em regiões onde o sinal via ar não chegava com boa qualidade, pois essas comunidades estavam localizadas em regiões que sofriam de pelo menos uma das limitações descritas a seguir: grande distância entre a antena receptora e a estação transmissora, presença de barreiras físicas entre elas, e características geográficas do terreno desfavoráveis.

Logo, uma antena construída em um ponto privilegiado, poderia receber os sinais e distribuílos através de cabos para essa comunidade. Dessa maneira, no início as CATV (Community Antenna Television) eram antenas comunitárias, ou seja, várias pessoas faziam uso dela para receber sinais de televisão.

Com o amadurecimento da tecnologia e o surgimento de novos serviços, as redes de TV a cabo se modernizaram, e hoje elas não funcionam apenas para atender cidades ou regiões aonde o sinal de TV aberta é fraco ou ruim. Hoje, as operadoras de cabo oferecem diversos programas fechados, sendo uma opção de entretenimento para muitas pessoas, além de oferecer serviços de banda larga e telefonia.

No entanto, para que fosse possível oferecer todos esses serviços aos clientes, as operadoras de cabo tiveram que se modernizar. Um dos grandes passos foi adoção da arquitetura hibrida. A palavra hibrida advêm devido a utilização de enlaces ópticos e cabos coaxiais para a distribuição do sinal. A figura 1 ilustra de maneira simplificada uma rede HFC (Hybrid Fiber Coax). É importante notar que o enlace óptico transporta o sinal por longas distâncias, do headend até o nó óptico. O nó óptico converte a luz em sinal de RF, e dessa maneira a planta coaxial distribui o sinal localmente.

Fig 1. Rede hibrida de TV a cabo SINAIS__________________________________________________________________________

Nesta seção apresentaremos os tipos de sinais que trafegam nas redes hibridas de TV a cabo, e o primeiro deles é os canais analógicos de televisão. Um sistema pode transportar vários canais analógicos em seus cabos, e cada um é transmitido em uma freqüência diferente. Dessa maneira, eles são transportados através do sistema sem que ocorra interferência entre eles.

O funcionamento é similar a das rádios FM. Duas estações diferentes não se misturam porque estão em freqüências diferentes. É claro que se dois canais forem “jogados” na mesma freqüência, haverá interferência entre eles.

Outros tipos de sinais surgiram juntamente com a internet, e são eles o downstream e upstream. O downstream é o sinal que o assinante “puxa” do headend, e isso ocorre quando algum arquivo é baixado da internet ou quando algum site é acessado. Resumindo, o downstream é o fluxo de dados que vai do headend até o assinante.

Já o upstream é o sinal que o assinante envia ao headend, e isso pode ocorrer durante uma conversa em uma sala de bate papo, ou programas e jogos interativos, em geral quando uma resposta do assinante é requerida.

Novamente, cada um desses sinais está em freqüências diferentes. Abaixo é apresentada uma ilustração com os sinais e suas freqüências.

HEADEND

Fig 2. Espectro na rede de TV a cabo

Antes de iniciar qualquer discussão sobre a construção de redes, faz-se necessário uma breve descrição do headend. O headend é o ponto de recebimento e distribuição dos sinais de TV a cabo, e sua localização deve ser em local com boa recepção dos sinais de TV local aberta, e dos sinais provenientes dos satélites. Após o recebimento desses sinais, equipamentos localizados no headend tratam, codificam e distribuem esses sinais através das fibras ópticas, até chegar aos nodes das redes coaxiais.

Abaixo são apresentadas algumas fotos, e a discrição de cada uma delas segue: A) foto de um headend. Como é possível observar, há várias antenas para a recepção dos canais de TV local aberta e canais de satélites. A localização do headend deve ser em local com boa recepção dos sinais de TV aberta e satélites. B) Foto de decodificadores e moduladores dos canais de satélite. Todos esses equipamentos são instalados em racks dentro do headend. C) Foto ilustrando três antenas alinhadas a três satélites diferentes.

ETAPAS DO PROCESSO

Fonte: http://cable.doit.wisc.edu/resources/cable101/HFC-C%20HE%20example%20of%20HFC.pdf

A construção de redes pode ser dividida em várias etapas, e cada uma delas envolve profissionais de diversos departamentos e áreas. O trabalho em conjunto permite que a elaboração do projeto e sua execução sejam feitas sempre da melhor maneira. A seguir são apresentadas as etapas da elaboração e execução de um projeto de rede hibrida de TV a cabo.

LEVANTAMENTO DE CAMPO

O levantamento de campo é um dos primeiros passos para a construção de uma rede coaxial.

Nesse estágio o técnico deverá coletar os dados necessários para que o projeto possa ser feito pelo departamento de projetos. As informações que o técnico deve levantar são: Topografia da região através do equipamento de GPS, os postes da companhia de energia local e a demanda e sua classe social. Com esses dados em mãos, o departamento de projetos poderá projetar uma rede coaxial capaz de atender a todas as demandas levantadas.

Na figura abaixo é mostrado um mapa gerado através das informações coletadas no levantamento de campo. É possível observar no mapa abaixo as seguintes informações: nomes das ruas, postes, demandas e classe social de cada um deles, distâncias entre os postes, etc.

Fig 3. Mapa gerado com os dados coletados no levantamento de campo

Geralmente o levantamento de demanda é feito após o levantamento dos postes. Portanto, o técnico deverá “correr”, com o mapa já pronto, toda a rede. Abaixo é apresentada a tabela que o técnico deverá preencher durante o levantamento de demanda.

Node: Pág: Qnt. Apto. / Total

Poste Número Classe / Tipo Endereço

Nome Edifício Andar Andar Apto. Complemento

PROJETO DA REDE COAXIAL

Com o levantamento de campo finalizado, é iniciado no departamento de projetos o projeto da rede coaxial. Baseado nos equipamentos e cabos especificados pelo cliente, o projetista realiza um estudo para atender 100% da demanda levantada pelo técnico.

Normalmente o projeto é feito para atender até 2000 demandas por node, e cada um desses nodes possui um nó óptico alimentado por um cabo óptico. A figura abaixo demonstra uma área divida em 2 nodes, um deles está representado em vermelho e outro em azul, sendo que a demanda em cada um deles é de 869 e 875, respectivamente.

Durante o projeto, o projetista procura sempre balancear os nodes, ou seja, os números de demandas em cada um deles devem ser aproximadamente iguais, conforme o esquema abaixo.

Fig 4. Planet – software desenvolvido pela Tele Design para auxilio no projeto das redes coaxiais

Após o planejamento das áreas, o projetista pode partir para o projeto de cada um delas.

Durante o processo são utilizadas ferramentas com o Lode Data e Drawnet. O resultado final é um mapa contendo todos os equipamentos ativos e passivos da rede, bem como os níveis de final de linha projetado e a localização das fontes. A lista de materiais de cada node é gerada também pelo departamento de projetos. A figura abaixo ilustra um mapa pronto.

Fig 5. Projeto de rede coaxial Finalmente, esse mapa com a rede coaxial é plotado e enviado ao técnico responsável pela construção da área. Toda e qualquer alteração realizada em campo deve ser anotada no mapa, para que assim o departamento de projetos possa fazer o As built da região construída.

PROJETO ÓPTICO

Após definido os nodes a construir, bem como as localizações dos nós ópticos desses nodes, o planejamento das rotas dos cabos ópticos é realizado. Durante o planejamento das rotas para atendimento dos nós ópticos, o projetista procura analisar diversos caminhos. Geralmente a melhor opção é o caminho mais curto e com menos curvas. A fibra óptica é a responsável por transportar o sinal do headend até o nó óptico, e vice versa.

Abaixo é mostrado um cabo de fibra óptica atendendo alguns nós ópticos. Os nodes estão delimitados por linhas pretas, e a fibra óptica está representada por uma linha azul.

Fig 6. Fibra saindo do headend para atender quatro nodes

Os blocos com inscrição CX denotam as caixas de emendas. Essas caixas são utilizadas para acomodar os pontos da rede em que houve fusões, que é o acoplamento de entre duas fibras através do seu aquecimento.

Para realizar a fusão, o técnico deve obedecer todas as orientações de como manipular a fibra, e proceder de maneira correta para que a emenda realizada seja de boa . A figura abaixo ilustra a máquina de fusões

CONSTRUÇÃO DA REDE COAXIAL

Fig 7. Máquina de fusão

Com os projetos ópticos e coaxiais em mãos, e os materiais fornecidos pela operadora, o técnico poderá iniciar a construção da rede. Inicialmente, deverá haver uma adequação dos postes,

que é a instalação de ferragens (BAP, BRP, Isoladores) que sustentarão a cordoalha que será lançada posteriormente.

Após o lançamento da cordoalha é feito o aterramento nos pontos que estão localizados os ativos (amplificadores) e os finais de cordoalha, que são as pontas da rede.

Fig 8. Lançamento da cordoalha

LANÇAMENTO DE CABOS ÓPTICOS E COAXIAIS

Fig 9. Detalhe das ferragens

Após o lançamento da cordoalha, é realizado o lançamento de cabos coaxiais de acordo com as orientações do fabricante, evitando que o cabo seja danificado. O lançamento deve ser feito com os projetos em mãos, e todas as curvas de expansão devem ser respeitadas.

As curvas de expansão devem ser feitas, pois durante períodos de temperatura mais baixas, o cabo tende a se comprimir. Logo, se não houvesse essa curva de expansão, o cabo poderia comprimir até soltar-se do equipamento e do conector. Com a curva de expansão há uma folga para cabo expandir e contrair sem o risco de desconexão do mesmo. O lançamento dos cabos ópticos só é realizado depois do lançamento dos cabos coaxiais.

Fig 10. Detalha da curva de expansão

Além da curva de expansão, o técnico deverá estar atento quanto às especificações de altura mínima da rede em travessias, a faixa de ocupação, o posicionamento e identificação dos cabos, face de instalação e os problemas que podem ocorrer. A explicação de cada um desses itens é dada a seguir.

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