Cocos Gram Positivos

Cocos Gram Positivos

UNIVESC – CENTRO UNIVERSITÁRIO CATARINENSE

CURSO DE FARMÁCIA

ALEX BASTOS BORGES

DANIELA RAMOS CARBONI

JESSICA CAMARGO

JESSICA MACEDO

LUCIANA LOCATELLI PIANGERS

VIVIANE APARECIDA LAMPERT

COCOS GRAM POSITIVOS

LAGES

2012

INTRODUÇÃO

No Reino Monera considera-se inclusos os organismos vivos procariontes, ou seja: sem carioteca. Outras diferenças entre procariontes e eucariontes consistem nos primeiros possuírem um simples cromossomo, constituído por uma única molécula circular de DNA, sendo o genoma organizado neste. 

Bactérias são representadas por bactérias, cianobactérias, rickéttsias (parasitas intracelulares minúsculos!) e micoplasmas (os menores organismos capazes de se autorreplicar). Quanto às bactérias, a membrana plasmática é recoberta pela parede celular e, em algumas espécies, há a presença de uma cápsula. A parede celular é que auxilia na classificação das Bactérias, uma vez que são responsáveis pela suscetibilidade a doenças e coloração pelo método de Gram. As Gram-positivas são sensíveis à sulfa e possuem parede formada basicamente de uma só camada, colorando de cor violeta na Coloração de Gram; as Gram-negativas são sensíveis à penicilina, possuem parede formada de duas camadas e ficam com cor rosa ao serem coradas. Essas últimas são consideradas mais perigosas, uma vez que suas paredes são menos permeáveis a antibióticos. 

Bactérias são organismos microscópicos formados por uma única célula (unicelulares). Existem bactérias por todo o planeta, seja na água, no solo ou em habitats altamente hostis, como lixo radioativo, em áreas profundas da crosta terrestre ou no pH altamente ácido do nosso estômago. A maioria das bactérias não causa doenças, porém, um pequeno número é responsável por infecções comuns na prática clínica.

Cada bactéria é transmitida de uma maneira diferente. Doenças como meningite, tuberculose e coqueluche são transmitidas através de secreções respiratórias, como tosse ou perdigotos. Doenças sexualmente transmissíveis, como a gonorreia e a sífilis são, como o próprio nome diz, transmitidas pelo ato sexual. Há ainda as bactérias adquiridas através de alimentos mal conservados, causando intoxicação alimentar, como nos casos da Salmonela e da Shigella.

A maioria das bactérias são heterotróficas, isto é, não conseguem produzir sua própria comida e precisam obtê-la no ambiente ou em outros organismos. Existem também bactérias autotróficas, que conseguem produzir sua própria comida, geralmente por meio da fotossíntese. 

O método mais simples de classificação das bactérias é através da sua forma. Existem 3 grandes grupos:

Cocos: bactérias em formato esférico que apresentam tendência a se agrupar.Existem diferentes gêneros de cocos, classificados de acordo com a forma que se agrupam.

Quando os cocos se agrupam em pares damos o nome de diplococos;

Os cocos do gênero Estafilococos (Staphylococcus) se agrupam em cachos; 

Estreptococos (Streptococcus) são um gênero de cocos que geralmente se agrupam em fileira.

As bactérias Gram-positivas, especialmente os cocos, estão entre os microrganimos mais freqüentemente isolados de amostras biológicas humanas em laboratórios de microbiologia.

Bactérias são seres procariontes, que possuem como principais estruturas morfológicas:

- Cápsula: revestimento importante na prevenção da fagocitose bacteriana e no auxílio da aderência das bactérias aos tecidos. É reserva de água e nutrientes, aumenta a capacidade invasiva de bactérias patogênicas e lhes dá resistência.

- Parede celular: manutenção da forma bacteriana, proteção contra rupturas causadas pela elevada pressão osmótica e local de determinantes antigênicos (diferenciam microorganismos).

- Membrana citoplasmática: separa o meio exterior e o meio interior da bactéria, realizando o transporte de elétrons e solutos.

- Citoplasma: local onde ocorrem muitos processos metabólicos.

- Polirribossomos: síntese de proteínas. - Inclusão / grânulo: acúmulo de alimentos.

- Plasmídeo: contém informações genéticas (DNA) independente do núcleóide.

- Mesossomos: provável concentração de enzimas respiratórias.

- Nucleóide: contém informações genéticas (DNA ou ADN).

- Fímbrias: auxiliam na adesão das bactérias às células-alvo e facilitam a troca de DNA na hora da conjugação bacteriana.

- Flagelos: atuam na motilidade bacteriana, que é muito importante.

ESTAFILOCOCCUS

O gênero Staphylococcus é composto de 37 espécies, 17 delas podem ser isoladas de amostras biológicas humanas.

Os estafilococos são geralmente encontrados na pele e mucosas do homem e de outros animais. Muitas espécies são isoladas de partes específicas do corpo humano ou de certos animais, por exemplo: S. auricularis encontrado como parte da microbiota humana do conduto auditivo e S. hyicus causando dermatite infecciosa em suínos. Os estafilococos são cocos Gram-positivos, podem se apresentar isolados ou aos pares, em cadeias curtas ou agrupados. O aspecto macroscópico da colônia em meio sólido, presença de pigmento e hemólise em ágar sangue de carneiro são características auxiliares na identificação destes microrganismos. São imóveis, anaeróbios facultativos, não formadores de esporos e produtores de catalase.

Rotineiramente, o teste da catalase é utilizado para diferenciar os estafilococos (catalase positiva) dos estreptococos (catalase negativa). Entretanto, existem relatos na literatura de Staphylococcus aureus catalase negativa relacionados a processos infecciosos, embora raros, descritos em vários países, inclusive no Brasil. A catalase constitui um mecanismo de defesa para a bactéria contra células fagocitárias, porém não é um fator essencial para a sobrevivência do S. aureus.

identificação da espécie de estafilococos é baseada em uma variedade de características fenotípicas convencionais. As espécies mais importantes do ponto de vista clínico podem ser identificadas com algumas provas específicas, como pigmentação da colônia, estafilo-coagulase, “fator clumping” ou “fator de agregação”, prova da desoxiribonuclease, resistência à novobiocina, fermentação do manitol, entre outras. A habilidade de coagular o plasma continua sendo o critério mais aceito e utilizado para identificar estafilococos patogênicos associados com infecções agudas, em geral, S. aureus em humanos e animais e S. intermedius e S. hyicus em animais.

Morfologia da bactéria estafilococus:

  1. Cápsula: Dificultam a fagocitose

  2. Proteína A: presente na parede celular do S. Aureus. Ela prende anticorpos circulantes da classe IgG, pela sua região constante Fc), neutralizando a sua função. Impedindo a adesão de imunoglobulinas, Não deixando assim à ativação do complemento.

  3. Toxina alfa: forma poros na membrana das células destruindo-as. É frequente atacar as células de músculo liso vasculares, mas ataca qualquer tipo de célula, como eritrócitos.

  4. Toxina beta ou esfingomielase C: hidrolisa (degrada) determinados lípidos, como esfingomielina elisofosfatidilcolina, da membrana celular de células. Destrói desta forma muitos tipos de células.

  5. Toxinas esfoliativas: presentes nas estirpes (5-10%) que causam síndromes esfoliativos da pele. Há duas formas ETA e ETB (toxinas esfoliativas A e B). São proteases de serina que destroem os desmossomas que unem as células da pele umas às outras, resultando em perda da camada superior da pele (esfoliação).

  6. Enterotoxinas, resistentes aos sucos agressivos gastrointestinais, são produzidas por 30-50% das estirpes de S.aureus. Provocam ativação imprópria do sistema imune, levando à produção de citocinas, causando danos aos tecidos. A gastroenterite é causada pelo consumo de alimentos contaminados por S.aureus.

  7. Toxina do síndrome de choque: é um super antígeno ou seja ativa de forma não específica os linfócitos, gerando reações imunitárias despropositadas e danosas para o indivíduo.

STAPHYLOCOCCUS AUREUS

O Staphylococcus aureus é uma bactéria esférica do grupo dos cocos gram-positivos (significa que produz enzima catalase), é coagulase (significa que produz enzima coagulase). É um anaeróbio facultativo e patógeno oportunista. Encontrado em pequenos números como microbiota da pele, cerca de 20 a 30% da população humana são portadores do estafilococcus aureus.

É a principal causa de infecções da pele, dos tecidos moles do trato respiratório, dos ossos, das articulações, endovasculares e feridas.

A maioria das espinhas, furúnculos, carbúnculos e terçóis está ligada aos S. aureus, mas que pode provocar doenças que vão desde uma infecção simples, como espinhas e furúnculos, até as mais graves, como pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico e septicemia, entre outras.

Essa bactéria foi uma das primeiras a serem controladas com a descoberta dos antibióticos, mas, devido a sua enorme capacidade de adaptação e resistência, tornou-se uma das espécies de maior importância no quadro das infecções hospitalares e comunitárias. As toxinas são proteínas produzidas e secretadas ou expostas à superfície pela bactéria cuja atividade é destrutiva para as células humanas. É uma das quatro causas mais comuns de infecções nasocomiais, causando infecções nas incisões cirúrgicas.

As cepas do S. aureus produzem inúmeras exotoxinas, incluindo cititoxinas, toxina esfoliativa e leucocidina. Algumas cepas (as que produzem enterotoxina) são causas de intoxicação alimentar estafilocócica , um dos tipos mais comuns de intoxicação. As cepas produzem inúmeras exoenzimas incluindo proteases, lípase e hialuronidase, que destroem tecidos, coagulase causa formação de coágulos e estafiloquinase que dissolve os coágulos.

DOENÇAS CAUSADAS

  • Síndrome de choque tóxico: devido à produção de toxinas de choque tóxico. Ocorre especialmente em mulheres que usam tampões que utilizam fibras sintéticas e produtos químicos que aumentam a absorção durante a menstruação. Esta doença potencialmente mortal (5% dos casos resultam em morte), inicia-se abruptamente, com hipotensãofebreeritemas difusos. Pode haver choque séptico e perda de consciência, seguida de insuficiência de múltiplos órgãos. O tratamento com antibiótico é a única cura e deve ser administrado de emergência.

  • Gastroenterite estafilocócica: devido à presença de enterotoxinas na comida ingerida, e não a uma infecção. Comum em presunto e outras carnes com sal, que não apresentam nenhum sinal ou gosto diferente. Caracteriza-se por aparecimento súbito (após 4h) de vômitos, diarreia aquosa, dores abdominais.

  • Síndrome de pele escaldada estafilocócica: devido a S. aureus produtor da toxina esfoliativa. Caracteriza-se por aparecimento súbito de eritemas (zonas vermelhas dolorosas) que começam em redor da boca e se espalham para o resto do corpo. Formam-se bolhas de líquido claro, e pequenos toques chegam para remover a pele.

  • Impetigo é uma infecção da pele, que toma a forma de uma mácula (pequena mancha vermelha) e progride para pústula cheia de pus. Esta pode romper, e espalhar-se para outras regiões.

  • Foliculite é uma infecção com pus de um folículo piloso. Pode progredir para furunculo com nódulo grande e vermelho e depois para carbúnculo e estender-se para o tecido cutâneo.

  • Em feridas pode causar infecções se houver material estranho onde esteja em reserva alimentando-se do sangue da hemorragia.

  • Endocardite: infecção no coração após circulação pelo sangue (bacteremia). Mortalidade de 50%. Febre, dores no tórax.

  • Osteomielite: infecção da matriz interna óssea.

  • Pneumonia: pode ocorrer por aspiração de comida semi-digerida (vômito, por exemplo).

ESTAFILOCOCCUS EPIDERMIDIS

É uma espécie de bactéria firmicute, caracterizada por ser coagulase negativa e catalase positiva. Pertence ao gênero Staphylococcus. É uma bactéria gram-positiva arranjada em cachos e tétrades.

É uma espécie comensal da pele e mucosas, responsável principalmente por infecções hospitalares, através de catéteres, sondas (material de plástico) bem como próteses, devida sua capacidade de formar biofilmes. Os biofilmes dificultam a chegada de drogas antimicrobianas e até mesmo de células fagocíticas ao foco de infecção.

A espécie não produz toxinas e uma vez que faz parte da microbiota endógena humana, as infecções causadas por esta espécie são geralmente oportunistas e de origem hospitalar.

Identificação da espécie pode ser feito após prova de Catalase e Coagulase com um antibiograma evidenciando a sua sensibilidade a Novobiocina.

Stafilococcus. epidermidis são os principais agentes causadores de infecções associadas a próteses cardíacas (endocardites) e cateteres, portanto são importantes agentes de infecções hospitalares (berçários, UTIs, centros cirúrgicos e enfermarias ou unidades de quimioterapia). Evita-se essas infecções com boa assepsia (raspagem de pelos e uso de álcool iodado), assepsia do cirurgião, e utensílios e ambientes estéreis.

STAFILOCOCCUS SAPROPHYTICUS

É uma bactéria que está presente na microbiota normal da pele, região periuretral e mucosas do trato genito urinário. Sendo depois da Escherichia coli o agente mais comum de infecção urinária em mulheres na faixa de 20 a 40 anos, no homem sua presença torna-se mais evidente a partir dos 50 anos.

A patogenecidade está relacionada com a sua capacidade de poder aderir às células do aparelho urinário devido a presença de proteína com propriedade de adesina/hemaglutinina; E tido como agente patogênico oportunista, principalmente em mulheres jovens, sexualmente ativas

É frequentemente agente de cistites e pielonefrites.

Gram-positiva disposta em cachos, tétrades ou duplas apresenta-se como coagulase negativa e catalase positiva. É resistente à novobiocina (ß-lactâmicos) sendo fator de pesquisa para identificação da espécie.

ESTREPTOCOCCUS

As bactérias do gênero Streptococcus são capazes de causar diversas doenças nos seres humanos. Dentre as mais freqüentes estão as infecções do trato respiratório, pele e tecidos moles, endocardites, sepse e meningites. Streptococcus pneumoniae, o pneumococo, é um dos agentes que mais freqüentemente causam doenças invasivas graves, como meningite e bacteremia.

Os estreptococos, da família Streptococcaceae são caracterizados como cocos Gram-positivos, anaeróbios facultativos, não produtores de catalase e de citocromo-oxidase. Os estreptococos com relevância clínica são homofermentadores, sendo o ácido lático o produto final da fermentação da glicose. Podem produzir hemolisinas, e os tipos de reação hemolítica em meio sólido contendo 5% de sangue de carneiro, descritos a seguir, têm sido utilizados na classificação de estreptococos.

Essas bactérias fazem parte da nossa flora bucal, logo a transmissão é larga. Através do beijo, de um talher, da saliva enfim, por contato direto. E também estão em nosso intestino, trato respiratório e na pele. Entretanto, são facilmente extinguidas quando detergentes são utilizados na assepsia, mas resistem muito bem à desidratação. Algumas poucas espécies causam doenças para os humanos, a maioria não.

Como todo organismo vivo esse grupo de bactérias obedece a uma classificação. Neste caso, o que é levado em consideração é o tipo de morte celular (hemólise) provocado por essas bactérias. Então temos que: se a hemólise for total esse organismo é do tipo beta, se for parcial é do tipo alfa, se não houver hemólise é do tipo gama. Ou ainda podemos classificá-las de acordo com o tipo decarboidratos que possuem em sua cadeia molecular.

Streptococcus viridans: esta espécie normalmente é alfa-hemolítico, estão presente comumente no trato orofaríngeo. Causa danos bucais como abcessos dentários ou endocardite (inflamação da gengiva com sangramento).

 Streptococcus pneumoniae: esta espécie também é conhecida como “pneumococo”, são do tipo alfa. É um anaeróbio facultativo e patógeno oportunista encontrado em pequenos números como na microbiota no trato respiratório superior. A comunidade médica tem uma preocupação substancial com esta espécie, pois causa doenças gravíssimas que podem levar o paciente à óbito. São elas: pneumoniabacteremia; meningite; otitesinusite, entre outras. Muitas cepas são resistentes as penicilinas e algumas são multifarmacos – resistentes.

ENTEROCOCCUS

São um gênero de bactérias do grupo D de Lancefield. As espécies clinicamente importantes são enterococcus faecalis e faecium. Enterococcus gallinarum e o casseliflavus também colonizam o trato gastrintestinal. São anaeróbios facultativos parede celular com antígeno grupo – especifico ( ácido glicerol teóico do grupo D) .

São bactérias gram-positivas, comensal do aparelho digestivo (intestino) e urinário. É bastante resistente à bílis e às soluções com elevadas concentrações de sal. Possui gelatinase (hidroliza a gelatina, o colágeno e a hemoglobina) que permite invadir o epitélio e a corrente sanguínea.

A transmissão de infecções causadas por essas bactérias pode ser de origem endógena, alimentar ou através da água.

PATOLOGIAS

Endocardite - sendo freqüentes nas endocardites nosocomiais; o tratamento antimicrobiano é prolongado sendo de 4 semanas ou 6 se houver próteses valvares ou doença prolongada (por mais de 3 semanas). Como há grande resisitência deles as cefalosporinas, e até há cepas resistentes a vancomicina, opta-se por um binômio de tratamento envolvendo uma penicilina (G cristalina ou ampicilina) ou vancomicina, associada ao aminoglicosídeo - gentamicina. Infecção pélvia e intra-abdominal.infecção urinária,meningite, septicemias, infecções hospitalares ou nosocomiais.

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

Microbiologia para Ciências da Saúde.Burton. G.R.W; Engelkirk, P. G. Editora guanabara Koogan. Ed. 7a. RJ ano 2005.

Microbiologia Conceitos e Aplicações. Pelczar, M. J; Chan, E. C. S; Krieg, N.R.Ed. 2a. Vol. 2 Editora Pearkson Makrom Books. SP ano 2005.

Microbiologia Medica Mueeay, P.R; Rosenthal, K.S; Pfaller, M.A. Tradução da 5a edição. Editora Mosby Elsevier. RJ ano 2006.

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