As fases do desenvolvimento da criança

As fases do desenvolvimento da criança

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AS FASES DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

DE 0 A 06 ANOS

Revisão de literatura

Maria De Fátima Barboza Vasconcellos. Graduada Em Fisioterapia – 2005/Universidade Vale Do Rio Verde – Três Corações – Campus Betim Mg. Cursos De Extensão: Como Estruturar Uma Monografia – 2005/Universidade Vale Do Rio Verde – Três Corações – Campus Betim Mg. Especialista Em Fisioterapia Hospitalar- 2006/Universidade Presidente Antônio Carlos – Centro De Educação Continuada – Unipac – Campus De Belo Horizonte Mg. Aprimoramento Em Fisioterapia Hospitalar Respiratória Com Ênfase Em Oncologia – 2006 / Hospital Luxemburgo – Belo Horizonte – Mg. Curso Em Saúde Pública 2007/ Sind-Saúde/Mg/Núcleo Betim. Curso De Homeopatia – 2009/ Portal Da Educação– Associação Brasileira De Educação A Distância - Abed. Pós Graduanda Em Saúde Pública E Educação- 2009 A 2011/ Universidade José Do Rosário Vellano-Unifenas, Campus De Belo Horizonte. Graduanda Em Serviço Social 2008 A 2011 / Centro Universitário Interativo Coc/ Uniseb.

RESUMO

Este trabalho é um estudo de revisão literária qualitativo de cunho descritivo, tem como tema as fases do desenvolvimento da criança de 0(zero) a 06(seis) anos, Com objetivo de verificar como se desenvolve as crianças nesta faixa-etária. Abordando o aspecto cognitivo, físico e motor desde a sua fase embrionária, nascimento até a sua infância. Nessa visão, os objetivos foram identificar e compreender como a aprendizagem na educação infantil pode ser estimulada, em cada fase de desenvolvimento da criança. Objetivando esclarecer aos docentes os desígnios de suas atividades na educação infantil. A pesquisa foi desenvolvida com base em livros referentes ao assunto, literaturas publicadas em revistas pedagógicas, e sites das redes eletrônicas, Google acadêmico, biblioteca publica da Secretaria de Educação da cidade de Betim. Portanto para este trabalho foi realizado a leitura e fichamento dos textos extraídos de 34 referencias que estão relacionadas no final do trabalho. Ao finalizar é respeitável destacar o quanto os estudos colaboraram para percepção das diversas fases do desenvolvimento infantil.

Palavras-Chave: “Criança, desenvolvimento, fases”.

ABSTRACT

This study is a qualitative study of a literature review of a descriptive, has the theme stages of child development from 0 (zero) to 06 (six) years, In order to verify how it develops children in this age group. Addressing the cognitive, physical and motor from its embryonic stage, birth to her childhood. In this view, the objectives were to identify and understand how learning in early childhood education can be encouraged at each stage of child development. Aiming to clarify for teachers the designs of their activities in early childhood education. The survey was developed based on books about the subject, teaching literature published in magazines, websites and electronic networks, Google Scholar, Public Library of Education Department of the city of Betim. So for this study was the reading of texts and BOOK REPORT extracted from 34 references listed at the end of the work. When you finish a respectable highlight how the studies contributed to the perception of the various stages of child development.

Keywords : "Child development stages. "

O DESENVOLVIMENTO INFANTIL DE 0 A 6 ANOS

INTRODUÇÃO

Desenvolvimento humano é um processo de crescimento e mudança a nível físico, do comportamento, cognitivo e emocional ao longo da vida. Em cada fase surgem características específicas. As linhas orientadoras de desenvolvimento aplicam-se a grande parte das crianças em cada fase de desenvolvimento. No entanto, cada criança é um indivíduo e pode atingir estas fases de desenvolvimento mais cedo ou mais tarde do que outras crianças da mesma idade, sem se falar, propriamente, de problemáticas.

O conceito de criança e infância é uma noção mutável ao longo da história. Várias sociedades possuem sua idéia do que vem a ser criança. Este conhecimento depende de fatores como: classe social, religiosidade, cultura e educação. Um país de proporções continentais como o Brasil reflete este posicionamento, devido as suas diferenças de regiões e classes econômicas. Uma criança pode ser considerada como trabalhadora que auxilia na renda familiar, uma criança da mesma idade é tratada com total diferença.

As crianças desde bebês necessitam ter uma rotina bem planejada, estruturada e organizada para o seu melhor desenvolvimento por lhe proporcionado conforto, segurança, maior facilidade de organização, espaço temporal, e a liberta do sentimento de estresse que uma rotina desestruturada pode causar a criança.

A criança conquista através da percepção todo o universo que a cerca, sente necessidade de explorar o espaço, porque é o momento em que o desenvolvimento da habilidade “andar” está no auge e a fala atinge uma verdadeira importância. Neste estágio o termo projetivo está relacionado ao funcionamento mental que está florescendo na criança. E um período em que se utilizam atos motores para auxiliar a exteriorização do pensamento.

Porém, as instituições de ensino infantil precisam ser um espaço aconchegante e seguro proporcionando à criança uma infância mais voltada para o agora e não pensando nela como “adultos em miniaturas”.

Toda criança precisa ser estimulada em seu desenvolvimento, no sentido da aquisição de habilidades motoras, mentais e sociais básicas, como engatinhar, sorrir, piscar os olhos, andar, reconhecer cores e sons, entre outras.

Portanto este trabalho justifica na importância de cada fase do desenvolvimento da criança de crianças de zero (0) a seis (06) anos. Nesse sentido o objetivo geral desta pesquisa foi de verificar como se dá o processo de desenvolvimento das crianças, abordando o aspecto cognitivo, físico e motor desde o nascimento até a sua infância. Nesse cenário, os objetivos específicos se traduziram em identificar e compreender como a aprendizagem na educação infantil pode ser estimulada através do lúdico, em cada fase de desenvolvimento. A fim de elucidar aos educadores os objetivos de suas atividades na educação infantil.

De tal modo a metodologia adotada nesse trabalho foi revisão literária, uma pesquisa descritiva de cunho qualitativa e bibliográfica de autores estudiosos no assunto.

Assim, esse trabalho foi desenvolvido através dos seguintes passos metodológicos: inicialmente aconteceu a seleção bibliográfica; classificando os livros e outros textos e artigos por assunto; em seguida foi realizado o fichamento dos livros, textos, artigos, revistas, periódicos, entre outros; por fim a análise de todas as informações.

Em um segundo momento foi elaborado textos em forma de capítulos de forma a elucidar todos os dados obtidos durante análise dos documentos em estudo.

Sendo assim, com este trabalho de revisão literária pretende-se trazer contribuições aos educadores de educação infantil, que desenvolvem trabalhos nas escolas públicas e particulares, com crianças de 0 a 06 anos. Pretende difundir para os educadores que a criança não é um adulto em miniatura, que a mesma apresenta características próprias de sua idade, compreender isso é perceber a seriedade do estudo do desenvolvimento humano.

As pesquisas nos mostram a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento humano. A escola precisa estar bem estruturada porque exerce papel relevante na formação da vida futura, no convívio com outras pessoas é que a criança adquire experiência, evolui no seu desenvolvimento e aprendizagem, experimentar, comparar, inventar, registrar, descobrir, perguntar, trocar informações reformular hipóteses, ela vai construindo o seu conhecimento sobre o mundo e desenvolvendo sua inteligência. Esse processo diz respeito à totalidade da criança e a forma como ela se insere no mundo.

CAPÍTULO I

1 ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL

A primeira infância, fase do desenvolvimento que abrange entre 0 e 6 anos de idade, tem sido cada vez mais abordada e debatida por conhecedores de distintas áreas como psicólogos, sociólogos, e entre outros que adentraram num amplo consenso quanto ao desenvolvimento da primeira infância. Defendem essa fase, como primordial, na qual a criança arquitetará uma base que a favorecerá por toda a existência, (UNESCO, 2007).

Com base nos escritos dos referidos autores que grandes personalidades de abordagem corporal como Reich, Lowen, Baker e Navarro em nosso próprio conhecimento e experiência, que organizamos na seqüência, as etapas do desenvolvimento, ( REICH 1995, LOWEN 1982, BAKER 1980, NAVARRO 1995).

Muito longe de querer ser um mero instrumento para fazer diagnóstico classificatório, toda essa organização é base para a compreensão do ser humano, através de seus traumas, conflitos internos, atitudes e movimento energético.Desenvolver significa crescer conforme a criança vai crescendo, se desenvolvendo,vai apreendendo novos experimentos que permanecem armazenados na memória em forma de marcas, ou como registros.

As etapas do desenvolvimento emocional pelas quais uma criança passa desde a sua concepção até seis anos é algo extremamente fascinante. De acordo com Leloup; as etapas representam período de passagem que levam ao agrupamento de experiências vividas. Cada etapa é marcada por acontecimentos particulares que desde o início trazem consigo, na bagagem genética da célula, valores biofisiológicos, emocionais, afetuosos e intelectuais. E são esses valores que serão impressos para todas as demais células do corpo durante todo o processo de desenvolvimento e que, aos poucos, irão sendo acrescidos das experiências que a criança vivenciar. O corpo armazena todos os fatos vividos durante a vida, sobretudo aqueles acontecidos na primeira infância, quando as formas que acham para se defender ainda são hipotéticas. Esses episódios, quando estressantes e traumáticos, muitas vezes deixam no corpo marcas profundas e irreversíveis, (LELOUP 1998).

1.1 ETAPA DE SUSTENTAÇÃO

É a primeira etapa do desenvolvimento que tem seu início na fecundação e se distende durante todo o tempo de aleitamento materno, ou seja, até o nono mês de vida.

O útero é o primeiro recinto em que se localiza o bebê durante seu desenvolvimento físico, energético e emocional, onde a relação se dá com a mãe por meio de suas paredes e do cordão umbilical, que irá alimentar e manter o bebê não apenas de forma fisiológica, mas também emocional e energética para que possa prosseguir sendo gerado.

É um contato não exclusivamente corpóreo, mas também de energia e afeto entre a mãe e o bebê em concepção. É importante destacar que o nível de energia do embrião será determinado pelo nível de energia do útero da mãe, (REICH, 1987). Durante essa primeira etapa, o bebê atravessa três fases: segmentação, embrionária e fetal.

a) Fase de segmentação

É a partir da fecundação que ocorre o princípio da concepção da vida. Assim sendo, essa primeira fase tem começo na ocasião da concepção e se estende até o período em que ocorre a sustentação, momento em que, na fase de blástula, o embrião fixa-se no endométrio (nidação), é fixação do zigoto nas paredes uterinas, por volta do quinto ao sétimo dia de gravidez. Nessa fase, ocorre a divisão do zigoto em várias outras células, sendo cada uma delas chamada blastômero.

b) Fase embrionária

A partir do momento em que ocorreu a nidação do zigoto nas paredes do útero, o bebê entra na segunda fase, que se estende até o final do segundo mês de gestação. Nessa fase há uma predominância biológica endócrina, na qual a célula prossegue a se multiplicar para formar o embrião e continua consumindo muita energia (ATP) que ainda é autógena, (da própria célula), mas que com a formação do cordão umbilical, que sustenta o embrião nas paredes do útero da mãe, vai se organizando para passar a ser trofo-umbilical.

É importante considerar que qualquer situação tomada pela mãe como estressante é capaz de ativar os mecanismos endócrinos maternos e interferir no desenvolvimento físico e energético do bebê, às vezes comprometendo a sustentação, uma situação que pode ser sentida pelo bebê como uma ameaça de aborto e até mesmo provocar a alteração das informações genéticas que são transmitidas de célula à célula por meio do DNA.

Mesmo que não ocorra o aborto ou a alteração do DNA, esses registros de estresse ficarão armazenados na memória, resultando posteriormente na possibilidade de gerar sérios comprometimentos de ordem física, energética e/ou emocional (NAVARRO, 1996).

c) Fase fetal

Essa fase tem início no terceiro mês de gestação e se estende até nascimento, mais especificamente até o décimo primeiro dia de vida. Em temos energéticos, como a placenta já se formou, a energia que o bebê recebe vem da própria mãe, através do cordão umbilical. É também a fase em que se pode presenciar a formação do cérebro e do sistema neurovegetativo.

Para Piontelli; existem várias situações, decorrentes do estresse sofrido pela mãe e/ou pela criança que podem comprometer a sustentação e o desenvolvimento do bebê nessa primeira etapa do desenvolvimento. Isso não significa, porém, que todas as crianças que passam pelas mesmas situações terão os mesmos comprometimentos, porque tudo irá depender da etapa em que ocorreu o estresse, da sua intensidade, da freqüência e outros fatores.

Da mesma forma que cada criança tem também um funcionamento fisiológico próprio, e uma resistência ao estresse que é particular, só dela. Piontelli faz referência que umas são mais resistentes que outras. Nessa fase do desenvolvimento, o bebê já é capaz de reagir aos estímulos auditivos, luminosos, gustativos, táteis e até mesmo olfativos. Durante muito tempo acreditava-se que o feto vivia num mundo isolado, fechado e intransitável ao ambiente fora do útero da mãe. Pesquisas contemporâneas divulgam que o feto é capaz de sentir tudo aquilo que é sentido pela mãe, respondendo por meio de agitação e descargas hormonais (PIONTELLI, 1995).

Há pouco tempo também se descobriu a existência de um pequeno órgão oro-nasal chamado de órgão de Jacobson que, no homem, desaparece logo após o nascimento. O nome jacobson neste caso se refere ao pesquisador dinamarquês ludwig levin jacobson. Esse órgão, no ventre materno, tem a função de perceber o sabor do ambiente líquido, geralmente alterado pela liberação de endorfinas pela mãe que, estando na corrente sangüínea, chegam até o liquido amniótico alterando o sabor do mesmo. Daí pode-se deduzir o que é percebido pelo feto quando uma mãe agitada, ansiosa e estressada descarrega em sua corrente sangüínea os hormônios com sabor desagradável. Isso nos mostra a importância de uma gravidez em estado de bem-estar, (JACOBSON, 1783-1843).

A presença do pai durante a gestação também é fundamental, uma vez que o afeto que ele demonstra, por intermédio da mãe, também chega até o bebê em formação. Se nenhum tipo de dano severo ocorrer durante a gestação, o recém-nascido trará consigo “um sistema energético enormemente produtivo e adaptável que, por seus próprios recursos fará contato com seu meio ambiente e começará a dar forma a este meio ambiente de acordo com suas necessidades”, (REICH, 1987, p. 30) e será capaz de demonstrar toda a riqueza da plasticidade e do desenvolvimento natural.

1.2) ETAPA DE INCORPORAÇÃO

Esta etapa tem início logo após o nascimento e finda com o desmame, que deverá acontecer por volta do nono mês de vida, quando o bebê já tem dentes auto-suficientes para fragmentar sua própria alimentação. Nessa etapa, o bebê repudia o útero para se ligar ao seio da mãe, introjetando tudo o que vier do mundo externo, iniciando pelo bico do seio ereto e disponível, experimentando o paladar delicioso do leite, pelo perfume da mãe, pela disponibilidade da mãe em amamentá-lo, pelos olhos vigilantes e receptivos, pelas mãos calorosas e afáveis e pelo contato epidérmico que envolve o bebê, da mesma forma que ele foi envolvido pelo útero. Não devemos esquecer que “a pele é a ponte sensível do contato com o mundo... É o nosso órgão mais extenso, é o nosso código mais intenso, um lar de profundas memórias” (LELOUP, 1998).

É significante assinalar que uma mãe agitada e apreensiva descarrega na corrente sanguínea a bile, líquida presente na vesícula biliar, que chega até o leite deixando-o com um sabor amargo. É por isso que muitas crianças não querem ser amamentadas ao seio. É também importante saber que até o nono ou décimo dia de vida, o bebê não produz lágrimas. Como os olhos eram lubrificados pelo líquido amniótico, o bebê precisa agora de um tempo para que suas glândulas lacrimais possam entrar em funcionamento.

Deste modo, é preciso evitar que ele chore de forma estressante nesse período, para que não ocorra um ressecamento dos olhos e um posterior comprometimento da visão. O astigmatismo, por exemplo, decorre de um estresse nessa fase do desenvolvimento. O bebê é apto para regular sua própria fome, demonstrando-a por meio da choradeira, balbucios e agitação. Isso exprime que não se deve intervir nessa agitação. É o bebê quem sabe o momento que está com fome e não nós, com nossa psicose de impor hora pra tudo. Limites são importantes, mas têm seu tempo para serem aprendidos e vivenciados. Implica então, que o organismo da criança possa por si mesmo manifestar-se de acordo com as suas próprias necessidades.

1.3) ETAPA DE PRODUÇÃO

A etapa de produção se inicia com o desmame e se estende até o final do terceiro ano de vida ou para algumas crianças, pode até mesmo advir um pouco antes. Nessa fase, a vigor da criança está diretamente volvida à construção de pensamentos, de gestos, de brincadeiras, de jogos, de relacionamentos, etc.

Sobrevém o desenvolvimento da autoconsciência, o que lhe permite desenvolver a habilidade de adiantar os eventos, como, por exemplo, não se sentir desamparada pelos pais quando eles saem, porque sabe que eles irão voltar. É também nessa etapa que a criança imita os pais em busca de modelos. É curiosa e busca desvendar tudo o que está à sua volta, rejeitando ser ajudada. É importante tomar cuidado com as inquietações excessivas, sobretudo com a ordem e/ou higiene e procurar não exigir que a criança reprima suas necessidades fisiológicas de xixi e cocô antes de completar 18 meses. Ela deve ser ensinada gradativamente.

Segundo Wallon, o estágio impulsivo emocional inicia no primeiro ano de vida e está ligado fortemente à emoção e a afetividade com as pessoas e a interação com o meio. Afirma também que o estágio sensório-motor, que se estende até o terceiro ano, se volta para exploração sensória motora do mundo físico, (WALLON 1994).

A frustração e o receio do castigo nessa etapa bloqueiam a espontaneidade da criança, deixa-a numa posição de submissão ao genitor que a frustra e limita às rotinas cotidianas.

Outra característica dessa etapa é a evolução do brincar simples e repetitivo para brincá-lo construtivo. A criança demonstra interesse pelos jogos imaginativos e mais tarde, o interesse se volta para os jogos mais formais, com regras. É comum o surgimento de amigos imaginários, principalmente em primogênitos e filhos únicos. Mas isso não é motivo de preocupação porque a criança também já é capaz de distinguir a fantasia da realidade.

1.4) ETAPA DE IDENTIFICAÇÃO

É a partir do quarto ano de vida que se inicia a etapa que a criança está hábil a fazer identificações. Esta etapa se estende até o final do quinto ano de vida. É a etapa em que a energia volta-se para a descoberta dos genitais e a criança passa a distinguir a diferença entre menino e menina e a ter um conceito seguro quanto ao sexo que pertence.

É aí que brotam as primeiras interrogações sobre o tamanho dos genitais e pêlos dos pais e sobre o sexo dos animais, ao mesmo período em que a criança tem curiosidade para ver tudo o que a isso diz respeito. Acontecem as primeiras masturbações, mas como mera esfregação do genital, sem nenhum intuito ou fantasia, o que deve ser encarado com naturalidade e sem punições. Nessa etapa, a criança também passa por momentos de individualidade. Quer brincar sozinha, não quer mais ficar no colo dos pais, quer desmontar os brinquedos para montar de outra forma, etc. Aos poucos, aprende a compartilhar, saindo do campo familiar e voltando-se cada vez mais para o campo social.

Mais tarde, na próxima etapa, a criança irá realizar a chamada constância ou conservação de gênero, ou seja, passa a ter consciência de que seu sexo será sempre o mesmo e, depois disso, assumir seu papel sexual.

1.5) ETAPA DE ESTRUTURAÇÃO E FORMAÇÃO DO CARÁTER

Essa etapa tem início aos cinco anos de vida e se estende durante toda a puberdade, até o início da adolescência. É a etapa em que a formação da estrutura básica de caráter se completa.

O desenvolvimento neste período depende das oportunidades que lhes forem oferecidas, aonde o indivíduo vai se constituindo como ser humano, portanto, é imprescindível valorizar todos os estímulos possíveis, inclusive o motor para que as crianças construam tais habilidades desde os primeiros meses de vida e que serão fundamentais para um crescimento saudável.

Segundo Piaget; o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento (inatismo), nem como resultado do simples registro de percepções e informações (empirismo). Resulta justamente das ações e interação do sujeito com o ambiente onde vive para ele o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborados desde a infância através de interações do sujeito com os objetos que procura conhecer, seja eles do mundo físico ou cultural, (PIAGET, 1971).

Neste artigo, não tive a pretensão de esgotar o assunto, tão rico e amplo, mas busquei agregar trabalhos que exploram diversos lados das fases do desenvolvimento da criança de 0 a 06 anos. Ao pensar em desenvolvimento da criança, pude sentir que todas as fases motoras, cognitivas e lingüísticas estão envolvidas, e negligenciar uma deles seria perder a oportunidade de ver como a criança se desenvolve.

O intuito de abordar a faixa etária de 0 a 06 anos reflete o desejo de poder atuar precocemente, antes da entrada no ensino formal, onde as demandas são maiores e maior será o tempo a ser resgatado. Dois aspectos que ainda merecem ser discutidos são o desenvolvimento da narrativa e a aquisição da linguagem figurada, já que fazem parte de todo o processo e são de extrema relevância para a aprendizagem. Por serem menos explorados, merecem artigos à parte.

CAPÍTULO II

2. DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL DA CRIANÇA DE 0 A 06 ANOS

A criança é um sujeito, como todo ser humano, que está inserida em uma sociedade, deve ter assegurado uma infância enriquecedora no sentido de seu desenvolvimento, seja psicomotor, afetivo ou cognitivo(Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 De 13 de Julho de 1990, Artigo 2, parágrafo único).

A principal instituição social para a criança é a família, portanto este grupo deve receber condições básicas para a formação das crianças. É também muito influenciada pelo meio social e cultural em que se situa. As crianças possuem suas características próprias e observam o mundo e o comportamento das pessoas que a cerca de uma maneira muito distinta. Aprendem através da acumulação de conhecimentos, da criação de hipóteses e de experiências vividas, (VYGOTSKY,1994).

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