37527582 - Manual - do - Psicotecnico

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(Parte 1 de 9)

Manual do Psicotécnico

Guia Completo para compreensão dos mais variados testes aplicados em exames psicotécnicos - e aprovação.

Concurseiro Robson 15 de Setembro de 2010

Apresentação

Este manual é um guia completo para a compreensão (e conseqüente aprovação) nos mais variados testes aplicados em concursos públicos – e demais seleções (processos seletivos de empresas, exames para habilitação de dirigir). As informações aqui são fruto de pesquisas e informações confiáveis. Apesar disso, pode haver algum erro. Porém, tenha certeza que com o conhecimento que será apresentado você estará muitos passos a frente para a realização desta importante etapa de seleções. Os erros que possa haver certamente não causarão prejuízo. Porém, lembre-se da maior dica deste material: bom-senso. Acima de qualquer dica, confie em seu bom-senso. E o use para o melhor aproveitamento desse material.

No capítulo 1, faremos uma breve Introdução ao manual. No Capítulo 2, Dicas Gerais para Exames Psicotécnicos, serão apresentadas dicas importantes e gerais para os exames. Seguindo, no Capítulo 3, Características Gerais dos Psicotécnicos, serão apresentadas brevemente as características que são usadas para estudar os testes. O quarto capítulo, A Estrutura de um exame psicotécnico ajuda a entender como são aplicados e avaliados os exames. São usados dois concursos como modelo para este capítulo: o concurso da Polícia Rodoviária de 2002 e o concurso de Escrivão da Polícia Federal de 2009.

Os três próximos capítulos são os mais importantes e detalhados. O capítulo 5, Testes de Personalidade Diretos apresenta os principais testes de personalidade que são aplicados por meio de questionários. São apresentados com detalhes os seguintes testes: NEO PI, Comrey/CPS, Inventário Fatorial de Personalidade – IFP e comentados outros testes dessa classe. No capítulo 6, Testes de Aptidão, são apresentados e resolvidos testes de raciocínio, de atenção e de memória. São exemplos de testes apresentados com detalhes: testes de raciocínio da bateria BPR-5, teste de relógios, teste de atenção dividida e teste de atenção sustentada. O capítulo 7, Testes de Personalidade Indiretos, apresenta testes de personalidade prospectivos e outros que não são claramente apresentados ao candidato como tais. A primeira seção é um detalhamento do teste PMK, que começou a ser aplicado em concursos públicos. Segue-se um capítulo sobre o também conhecido exame palográfico. Fecham o capítulo alguns testes também utilizados em concursos. Estes 3 capítulos formam a base do Manual. Neles são apresentados com detalhamentos, exemplos e figuras os principais testes psicotécnicos aplicados no Brasil.

Fechando o manual, temos alguns capítulos também importantes. No oitavo capítulo,

Dinâmica de Aplicação de um exame psicotécnico, é apresentado passo a passo as diversas etapas na realização de um exame psicotécnico em concursos. Usando como exemplo o concurso da Polícia Federal de 2009, o leitor poderá compreender como se passa o exame. O Capítulo 9, Laudo dos exames psicotécnicos, apresenta laudos oficiais do LabPAM - CESPE/UNB , para que se possa ter uma compreensão de como os testes são aplicados e avaliados. O décimo capítulo, Perfis psicológicos esperados dos candidatos, também mostra outros documentos oficiais, que ajudam a entender a base teórica para as exigências nos psicotécnicos. O capítulo 1, Recursos Administrativos e Judiciais, faz breve reflexão sobre estas etapas para reversão de resultados. E o capítulo 12 é a Conclusão.

Boa leitura!

Índice

8 – Dinâmica de aplicação de um teste psicotécnico376

1 – Introdução

Saudações a todos!

Este manual é resultado dos conhecimentos que adquiri pela participação em exames psicotécnicos em concursos públicos e pelas pesquisas a respeito desse assunto. Possuo o laudo de dois exames psicotécnicos de dois dos mais conhecidos concursos onde temos esta etapa (Agente da Polícia Rodoviária Federal e Escrivão da Polícia Federal) e já participei da entrevista com os psicólogos da banca organizadora de psicotécnicos do CESPE/UnB. Além disso, pesquisei bastante a respeito nos últimos anos e contei com a ajuda do material do Psico Hood.

O objetivo deste material é ajudar aos colegas que farão esta etapa em algum concurso ou seleção. A primeira dica, digna de estar já na apresentação, é contra ao que muitas vezes se ouve por aí. Ao contrário do que muitos podem afirmar, exames psicotécnicos não são “testes mágicos” – capazes de avaliar sua personalidade totalmente, de descobrir se você está respondendo algo que não é necessariamente verdadeiro, feitos para detectar respostas incoerentes e etc. Acreditar nisso é o primeiro principal erro. O segundo é acreditar que basta responder o que seja verdadeiro e você será aprovado com facilidade. Como veremos, há muita subjetividade envolvida em alguns testes – por conta disso, uma interpretação errônea do que está sendo perguntado pode levá-lo à reprovação. Alguns dizem que foram eles mesmos e foram aprovados. Okay, com certeza é possível. Porém, os aprovados dificilmente vão atrás de descobrir como funcionam esses testes – e muitas vezes nem desconfiam de quão perto passaram de ser considerados não-recomendados.

Por acreditar que os exames psicotécnicos, como são aplicados, não são uma forma justa de avaliar a capacidade de alguém para um cargo – ainda mais diante da dificuldade das etapas anteriores, como provas disputadíssimas e testes físicos cada vez mais exigentes – resolvi produzir este material. Espero que aqueles que o leiam tenham bom proveito e sejam capazes de obter a aprovação.

Quanto à forma adequada de avaliar os candidatos, acredito que seria muito mais eficiente o acompanhamento psicológico durante o curso de formação nos concursos policiais ou durante os primeiros meses de exercício do cargo. Até porque a personalidade humana é algo muito complexo para ser resumida a números e percentis – e excluir alguém de seguir adiante em seus sonhos porque não enxergou um animal numa mancha ou porque não riscou uma folha de forma adequada, para mim, esta longe de ser algo justo.

Sem mais delongas, passemos às dicas.

Sucesso a todos! Robson Timoteo Damasceno – Concurseiro Robson

2 – Dicas gerais para exames psicotécnicos

Apresentamos a seguir algumas dicas dos colegas que fizeram o material do site

“Segredos do Psicotécnico” e se identificam como “Psico Hood” . Estas são dicas básicas para a preparação para os exames psicotécnicos:

A - Os testes psicotécnicos geralmente são compostos de testes de personalidade, testes de raciocínio e testes de habilidades específicas. Estude todos, pois é necessário um número mínimo de adequação em cada tipo deles e há uma pontuação mínima geral a ser atingida. Os índices de eliminações nas avaliações psicológicas em geral são de 20% a 40%, dependendo do concurso.

B - Não acredite em lendas do tipo “os psicólogos têm como saber se você está mentido”, “os psicólogos ficarão desconfiados com respostas muito perfeitas”, “os psicólogos irão confirmar ou desmentir o resultado do teste com entrevistas ou outros testes”, etc. Se isso fosse verdade, os psicólogos não fariam esse alerta, eles ficariam quietos para identificar facilmente os candidatos mal intencionados. Realmente existem alguns poucos testes, do tipo questionário, que podem identificar algumas mentiras, mas a armadilha é facilmente contornável. Ela se baseia em perguntas sobre erros que todos os seres humanos cometem e cuja resposta não é agradável de dar. Exemplos: “Você já mentiu?”, “Você já pegou algo que não lhe pertencia?”, etc. Fora isso, não existe mais nenhum tipo de pega-mentiroso. Não fique imaginando que haja cruzamento de dados, levantamentos estatísticos, investigação pessoal, etc.

C - Também não acredite na lenda que: “não existe respostas certas ou erradas; seja autêntico; apenas queremos saber como você é.” Essa historinha serve para você não ficar com medo do bicho papão, relaxar, abrir seu coração e confessar todos os teus problemas (o único que irá valorizar essa tua sinceridade estúpida será Jesus Cristo). Tenha em mente que boas características servem para qualquer emprego; características ruins não servem para emprego algum. O perfil profissional apenas define qual é o mínimo aceitável de cada característica, sem jamais recusar uma característica boa e sem jamais aceitar uma característica ruim. Pessoas inteligentes, persistentes, altruístas, autoconfiantes, flexíveis e objetivas servem para qualquer vaga. Pessoas burras, sem persistência, egoístas, sem autoconfiança, inflexíveis e mentalmente complicadas não servem para vaga alguma.

Aproveitamos para dar os créditos destas dicas e de outras que serão encontradas ao longo deste material ao colega “Psico Hood”. O material completo destas dicas pode ser encontrado na internet como “Segredos do Psicotécnico” por “Psico Hood”. Como a alocação destes materiais muda constantemente, não colocaremos a URL do site, mas procurando no Google é possível encontrar com certa facilidade. Sugerimos a leitura do material, pois é bem interessante.

Além das dicas acima, colocamos mais algumas:

D – Para saber como responder a um exame psicotécnico, é necessário saber o que o teste quer avaliar e como ele avalia. É muito difícil saber isso para todos os testes. Porém, geralmente os testes aplicados são variações uns dos outros. Conhecer bem um dos testes de cada classe já fornece uma grande ajuda para os demais.

E - O candidato não precisa decorar todos os itens de um teste. Muito menos todos os percentis máximos e mínimos dele. Via de regra, as características desejáveis têm apenas um limite mínimo de corte (Ex.: inteligência, iniciativa). Ninguém será eliminado por ser muito próativo, por exemplo. Para as características não desejáveis, que têm apenas um limite máximo de corte (instabilidade emocional, carência afetiva) faz-se o contrário, ou seja, dá-se a resposta que minimiza a pontuação. Agindo assim, o resultado do teste apresentará desempenho próximo a 100% nos itens positivos e próximos a 0% nos itens negativos. Após estudar um pouco os testes, o candidato deduzirá que característica aquele item está medindo e as respostas adequadas serão óbvias.

F – Calma é sempre necessária para um bom teste. Por isso, estude os testes psicotécnicos para ter maior confiança. Quando se entende a dinâmica do que está acontecendo, se tem maior tranqüilidade. É bem diferente de participar de um teste onde parece que se está diante de algo “sobrenatural” ou de psicólogos que avaliam cada movimento seu na cadeira durante a prova.

G – Estude este material com a consciência que foi feito com a melhor das intenções. Porém, não se trata aqui da última palavra em termos de exames psicotécnicos. Adapte as dicas a seu estilo e faça a prova com confiança e tranqüilidade – isto será meio caminho andado para a aprovação.

3 – Características gerais dos exames psicotécnicos

Algumas características são comuns a todos os exames psicotécnicos. Faremos uma breve explanação a seguir:

A – Participantes: os testes podem ser aplicados em grupo ou individualmente. Geralmente, os testes são em grupo, por conta da dificuldade de aplicar testes individuais em tantos candidatos. Porém, há testes individuais, como é o caso do PMK. Há também dinâmicas em grupo em alguns concursos.

B – Materiais: Nos testes de personalidade e na maioria dos outros testes, um caderno de questões, uma grade de respostas e caneta. Em princípio, o candidato não pode fazer qualquer anotação na folha ou caderno de questões; as respostas devem ser marcadas diretamente na grade. Aliás, nem há tempo suficiente para se fazer uma marcação de rascunho para depois se passar a limpo. Em testes de atenção concentrada ou nos de atenção difusa, as marcações são feitas em uma única folha, não há gabarito. Alguns testes usam materiais extras, como a mesa especial usada para o PMK.

C – Tempo do teste: Cada teste tem o seu tempo, o qual é suficiente para se ler todas as questões, escolher uma resposta e marcar a grade com uma velocidade normal de leitura e de raciocínio. Até sobra um tempo para revisar uma ou algumas questões mais difíceis que podem ter ficado sem resposta na primeira passada, porém não há tempo para pensar muito, ficar analisando o teste ou fazer um gabarito preliminar. É ler e marcar. Entretanto, em testes como os de atenção concentrada, atenção difusa e memória visual, deve-se ter especial atenção quanto à velocidade, pois normalmente não há tempo para completá-los e cada segundo pode ser a diferença entre ser aprovado ou não.

D – Forma de avaliação: depende do que o teste quer avaliar. Porém, em linhas gerais, funciona da seguinte maneira: há um programa que compara as respostas dadas a uma tabelapadrão e atribui notas ou percentis ao candidato dentro de várias escalas. Esta tabela-padrão é mantida pela empresa que produz os testes e é baseada em diversas aplicações do teste a amostras controladas. Geralmente, em testes de habilidade a Tabela é baseada na idade e nível/formação dos candidatos. Se o candidato consegue ficar nos percentis adequados, ele é considerado recomendado naquela escala. Não-recomendação em algumas escalas ou em várias delas, dependendo do teste, leva a não-recomendação no teste.

Dito isto, é interessante se entender como o teste psicotécnico em geral é estruturado.

Será nossa próxima tarefa. O modelo do teste psicotécnico apresentado é o aplicado nos concursos da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, mas em geral é assim para outros concursos.

4 – A estrutura de um exame psicotécnico

Em todos os exames psicotécnicos de concursos, são aplicados alguns testes e o candidato deve ser considerado recomendado (ou seja, aprovado) em alguns testes. Para melhor entendimento, dividiremos os testes em 3 classes:

Comrey/CPS para este tipo de testes

A - Testes de Personalidade diretos: são diversas perguntas a respeito do que você pensa a respeito de si mesmo. Por exemplo, lhe apresentam uma afirmação do tipo "Sinto-me bem no meio de multidões" ou "Às vezes sinto que nada em minha vida dará certo" e então apresentam uma escala de pontuação que você deve marcar, dependendo de quanto você concorda ou discorda da afirmação. São testes dessa classe o Comrey/CPS e o NEO-PI, que são os mais usados ultimamente. Dependendo do que você responde, eles lhe darão uma nota dentro de diversas escalas, como Agressividade, Auto-Controle e etc. Existem critérios eliminatórios, do tipo "Agressividade > 80" e você tem um número máximo de critérios que pode extrapolar sem ser eliminado. Por que vale a pena se preparar para isso? Simples. Os testes geralmente são os mesmos ou variações destes testes. Conhecendo qual é a dinâmica e o que estão avaliando, certamente você se sairá muito melhor. Não se trata de mentir em todas as respostas. O que ocorre é que estas afirmações são passíveis de diversas interpretações e além disso você pode estar influenciado pelo momento quando está respondendo. Assim sendo, vale muito mais a pena responder conscientemente do que ir e responder o que acha mais certo para você. Até porque se você fizer estes testes em um dia e um mês depois pode ter certeza que o resultado será diferente em muitos aspectos. Assim sendo, recomendamos fortemente procurar se informar a respeito dos testes NEO-PI e

B - Teste de Personalidade Indiretos: estes são complicados. Teoricamente, avaliam-lhe a personalidade indiretamente, através de como você desenha uma casa, como risca uma folha e etc. Lembra-se daquele teste de riscar a folha sem olhar do exame para tirar Carteira de Motorista (CNH)? Pois então. Aquele é um destes testes - o PMK. Além do PMK, é muito usado o exame palográfico, que consiste em você fazer diversos riscos paralelamente em uma folha, conforme instruções dadas. É difícil se treinar estes testes, mas um conhecimento da dinâmica ajuda. Apresentaremos alguns destes testes assim como comentários sobre a melhor forma de realizar.

C - Testes de Aptidão/Raciocínio/Memória: encaixam-se aqui os demais testes geralmente aplicados: riscar placas de trânsito na ordem numérica quando estas estão espalhadas numa folha, decorar nomes e rostos, descobrir qual figura completa a lógica de outra figura dada, dizer qual palavra completa a lacuna, qual o próximo número da sequência e etc. Aqui, com certeza vale o treino, pois se você já viu o teste antes, fica mais calmo, tem maior chance de resolver o problema e se sai melhor.

Para completar o entendimento, apresento como eram estruturados dois exames psicotécnicos dos quais participei: o da Polícia Rodoviária Federal em 2002 e o de Escrivão da Polícia Federal de 2009. Ambos os exames foram feitos pelo LabPAM, órgão do CESPE/UnB responsável pelos psicotécnicos. A estrutura destes testes é a forma de avaliação será de grande ajuda para entender o funcionamento geral dos testes.

4.1 – Exame Psicotécnico da Polícia Rodoviária Federal 2002

Neste exame foram aplicados 8 testes no total, em dois dias de avaliação. Os testes eram:

A – Escala de Personalidade Comrey/CPS: um clássico teste de personalidade direto. São feitas afirmações do tipo “Sou uma pessoa organizada” e você tem que dizer numa escala de 0 – Discordo totalmente a 5 – Concordo Totalmente quanto ela é adequada a sua personalidade. Não demorarei na explicação aqui, pois adiante falarei com mais detalhes de cada teste citado.

B – Inventário Fatorial de Personalidade Revisado – IFP-R: outro teste de personalidade direito. É parecido com o CPS, mas avalia mais características.

C – Inventário Reduzido dos Cinco Fatores de Personalidade – ICFP-R: mais um teste de personalidade direito. Foram aplicados 3 deles para ter uma avaliação mais extensa. Hoje em dia é comum o uso do NEO-PI-R apenas, que é mais extenso que todos estes do concurso da PRF de 2002.

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