Fundações Teoria e Prática

Fundações Teoria e Prática

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Teoria e prática

Editores Waldemar Hachich, Frederico F. Falconi, José Luiz Saes, Régis G. Q. Frota, Celso S. Carvalho e Sussumu Niyama

Teoria e prática

Editores Waldemar Hachich, Frederico F. Falconi, José Luiz Saes, Régis G. Q. Frota, Celso S. Carvalho e Sussumu Niyama

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação [CIPJ [Câmara Brasileira do Livro, SR Brasil)

Fundações : teoria e prática. — 2. ed. - -São Paulo: Pini, 1998.

Vários autores. Vários editores técnicos

Bibliografia. ISBN 85-7266-098-4

1. Fundações

98-3216 CDD-624.15

índices para catálogo sistemático:

1. Engenharia de fundações 624.15 2. Fundações : Engenharia 624.15

Coordenação dc livros: Raquel Cardoso Reis

Projeto gráfico e serviços editoriais: d'AZ F.ditoração Eletrônica S/C Lida. Paginaçào (24' edição ): Lúcia Lopes Capa: Lúcia Lopes Revisão: Roberto Carlcssi

Editora Pini Ltda. Rua Anhaia. %4 - CEP OI 130-900 São Paulo. SP

1-Vnc:0l I 3352-6400-Fax OI l 3352-7587 Internet: w.piniweb.com- l£-mnil: manuais@pini.com.br

2 edição 9 tiragem: 1 0 exemplares, abr/09

Este livro é fruto dc uma feliz combinação de idéias e estímulos das diretorias dc duas associações: a ABMS, através do Núcleo Regional de São Paulo, e a ABEF.

sem espalhados pelo País. Para complicar, havia seis maestros

Alguns de nós temíamos inicialmente que o empreendimento fosse por demais ambicioso. Afinal, ainda não existia no Brasil um livro completo de Fundações. Reunir as contribuições dc muitos autores era como tentar reger uma orquestra cujos músicos estives-

Antes de mais nada, era necessário conseguir que os editores tivessem uma visão mais ou menos consensual do livro. Em diversas reuniões realizadas na sede da ABMS nacional os regentes conseguiram uniformizar razoavelmente sua visão da obra. O conteúdo deveria ser o estado-da-arte dc concepção, análise, projeto, execução e monitoração de fundações no Brasil; seria um livro com um significativo apelo prático, sem perder de vista a base conceituai teórica. Quanto à forma, deveria ser um texto de referência bastante completo, mas suficientemente articulado para atender também a sua tão necessária utilização como livro didático.

O livro foi organizado em cinco partes e vinte capítulos. A primeira parte é uma síntese dos fundamentos da Mecânica dos Solos, indispensáveis ao exercício de uma boa Engenharia de Fundações. A segunda parte trata das fundações em todas as suas múltiplas facetas. Como obras de fundações são, em geral, acompanhadas de escavações e contenções, a elas foi dedicada a terceira parte. Da mesma forma, as obras complementarcs da quarta parte são por vezes indispensáveis para a execução das fundações. Finalmente, a quinta parte trata de um tema cada vez mais essencial para preservar a competitividade: a qualidade, seus requisitos c procedimentos.

A escolha dos músicos foi, talvez, a parte mais fácil da tarefa, visto que a capacitação disponível no País era até muito maior do que as possibilidades de acomodação no tamanho previsto para o livro. A preocupação de obter colaborações as mais significativas para a obra, viessem elas de onde viessem, levou ao convite a autores das mais diversas regiões, apesar das dificuldades logísticas. Ainda assim, desculpamo-nos pelas inevitáveis omissões.

Nossa preocupação com a qualidade das contribuições nos levou a formar uma orquestra de verdadeiros solistas (não, este não é um abominável trocadilho)! Nessas condições, é evidente que o maestro (maestros, no caso) tem que exercitar plenamente as suas — oxalá existentes! — habilidades no relacionamento humano, posto que os solistas são músicos muito mais graduados e experi- entes do que o próprio maestro, E este livro só foi possível graças à enorme colaboração dos 50 autores que emprestaram seu brilho, enorme talento e a indispensável transpiração para levar a bom termo a tarefa solicitada pelos editores.

Escolhidos os músicos, era necessário transmitir a cada um deles a sua partitura e uma idéia da partitura dos demais, bem como tentar estimular o contato direto entre eles para a troca de idéias sobre a interpretação da obra. Instruções mais ou menos pormenorizadas foram redigidas c diversas reuniões foram promovidas com grupos de autores, na tentativa de discutir com eles o tom da obra. A presença dos autores a essas reuniões foi significativa mas não total, exatamente devido às dificuldades logísticas e às limitações de ordem econômica.

Alguns autores, porém, entusiasmaram-se tanto com o empreendimento que até participaram de várias outras reuniões dos editores, oferecendo desinteressadamente a contribuição valiosa da sua experiência. A eles, os nossos agradecimentos.

Os prazos para entrega dos capítulos foram estabelecidos e começou o que seria o primeiro ensaio. Pretendia-se então que um segundo, tão extenso quanto o primeiro e fundamentado nos resultados deste, ajudasse a eliminar eventuais dissonâncias, descompassos e, se possível, permitisse até mesmo compatibilizar nuances subjetivas dc interpretação.

Alguns poucos autores cumpriram os prazos à risca. Muitos se atrasaram um pouco. Alguns se atrasaram muito! Estávamos preparados para essa situação e procuramos gerenciá-la de forma flexível, pois bem sabíamos que as contribuições dos autores eram fruto exclusivo da sua boa vontade, e que a responsabilidade da obra os obrigava a significativos sacrifícios da sua rotina de trabalho cu de lazer.

Adiamos ao máximo o final da primeira etapa e, em conseqüência. fomos forçados a reduzir ao mínimo indispensável a revisão compatibilizadora dos consultores da Comissão Editorial. Estávamos cientes dc que isso redundaria cm um certo prejuízo para a unidade da obra e para a articulação dos diversos capítulos.

Autores que haviam cumprido os prazos foram forçados a esperar muito até obterem alguma manifestação da Comissão Editorial, que tinha que aguardar a entrega das demais contribuições para tentar promover uma melhor integração. Foi-lhes solicitado, em seguida, que promovessem as alterações sugeridas pela Comissão Editorial cm prazo extremamente exíguo. Em todas as circunstâncias contamos com notável empenho e espírito de colaboração. Se às vezes divergimos deles em algum "pianissimo" ou "staccato", curvamo-nos em geral ao seu virtuosismo.

A obra começava a soar dc forma agradável, mas acima de tudo era indispensável encontrar quem patrocinasse a primeira temporada. Afortunadamente, encontramos um mecenas que, com espírito nobre c grande desprendimento, percebendo o enorme valor do projeto para o meio técnico e para a Engenharia Geotécnica nacional, do alto dos seus quase 80 anos, mais dc 50 dedicados à Engenharia, assumiu o patrocínio. A ele, nosso reconhecimento.

Esta magnífica obra de Engenharia de Fundações, que ora vem a lume, procurou reunir num único tratado, através das contribuições dos nossos maiores especialistas, o que de melhor se pratica no Brasil neste campo.

É portanto um marco da nossa Engenharia.

Para propiciar a fruição de suas excepcionais qualidades, pelo meio técnico nacional e principalmente pelo meio universitário, faziase mister torná-la acessível ao público interessado.

Pelo alentado da obra, bem poucos poderiam adquiri-la, a menos que houvesse um patrocinador que, por amor e dedicação à Engenharia, assumisse os ônus de sua impressão.

Este benemérito surgiu na pessoa do Sr.

Pelerson Soares Penido, diretor-presidente da Serveng Civilsan S/A Empresas Associadas de Engenharia, cujo perfil tentaremos esboçar a seguir:

A personalidade do Dr. Penido se define como a de um homem modesto, corajoso, empreendedor. Enfim, possui as qualidades de um líder.

O seu lema de trabalho é sempre concreto e árduo, jamais utópico. Sempre transforma suas idéias em realizações.

A sua força de líder, obstinado e autoconfiante, arrosta qualquer perigo quando se trata de defender o progresso.

A sua estrela sempre brilha e ilumina o caminho dos que o seguem.

Mas o grande segredo do Dr. Penido, reside em sua larga experiência no campo da Engenharia.

A esse respeito, ele relata estórias interessantíssimas de sua militância, desde a construção dos túneis para a Segurança Nacional e postos de observação dos fortes Jurubatuba,

Santa Cruz e São João no Rio de Janeiro no tempo da Segunda Guerra Mundial, até a construção do Porto do Itaqui, no Maranhão, passando pela reforma da Escola Nacional de Engenharia e construção de seu anfiteatro, da capital de Goiás e da rodovia Anápolis- Tocantins, além de muitas outras.

Ampliou seu campo de ação e hoje também atua no setor imobiliário, no transporte de passageiros, através da Empresa de Ônibus Pássaro Marrom S/A, na pecuária e na comercialização dc veículos.

De 1964 a 1965 ocupou com competência o cargo de Secretário de Obras na Secretaria de Serviços e Obras Públicas do Governo do Estado dc São Paulo.

As pessoas que no futuro tiverem a felk dade de computar esta notável obra de Engenharia dc Fundações certamente haverão de se lembrar que foi graças à bcnemerencia de Pelerson Soares Penido, empresário emérito, que esta magnífica obra pôde ser amplamente divulgada.

ABMS-Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica

Diretoria (1994-1996) Presidente: Secretário: Tesoureiro: Secretário executivo:

Sussumu Niyama Marcus P. Pacheco Artur Rodrigues Quaresma Filho Akira Koshima

Diretoria (1994-1996) do Núcleo Regional de São Paulo (NRSP): Presidente: Vice-presidente: Secretário: Tesoureiro: Secretário executivo:

Waldemar Hachich José Carlos Ângelo Cintra Celso Santos Carvalho Frederico Falconi Régis G. Q. Frota

ABEF-Associaçao Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Gcotecnia Diretoria (1993-1995)

Presidente Vice-Presidcntc Secretário geral Diretor Diretor

José Luiz Saes Roberto Carlos Nahas Núncio Petrella Juvenal O. Miller José Carlos Peçanha

Diretoria (1995-1997) Clovis Salioni Armando Caputo Clovis Ashcar Heitor Manrubia Walter lório

Presidente Vice-Presidente Diretor de eventos Diretor financeiro Diretor de relações com o mercado

Prefaciar um livro dc iniciativa tão corajosa e valiosa constitui um desafio, de lào grave responsabilidade quanto desejadamente útil seja a obra.

Relatar c registrar com crítica construtiva um passado, um acervo tão grande, é indispensável; mormente num País-contincntc, jovem, incumbido de incorporar a solos geologicamente muito diferentes os ensinamentos convencionais teórico-práticos de outras geografias físicas e de idealizações acadêmicas. A falta de um Livro Texto minimamente ajustado e adequado às necessidades locais foise agravando de postergação em postergação, enquanto as pressões imediatistas de construção foram sendo atendidas. Parece chegada uma hora propícia.

Não há Presente confortável nem Futuro fecundo sem conhecimento e reconhecimento respeitoso das lições do Passado. Por outro lado. é necessário enfatizar os males e riscos de uma consignação estática, numa condição de dinâmica acelerada de revisões c avanços por todo lado.

Existe porventura alguma lacuna na Teorizaçào aplicável a Fundações? Existiria porventura uma Teoria de Fundações que viesse a ser diferente e particularizada para o Brasil, que não seja diretamente a mesma de todo o mundo? Não. Portanto, a lacuna dc uma nova, renovada, síntese da Teoria de Fundações c mundial, internacional, devido ao acelerado acúmulo de incrementos de informações provido pelas incontáveis publicações de artigos técnicos. A lacuna peculiar ao Brasil neste aspecto c liminar, da inexistência de um bom livro dc texto, cm síntese crítica abrangente c em nosso idioma.

registro dc obras-tipo c obras notórias (Case Histories), frisemosl>om. neces-
que o que foi feito certopodendo ser (e tendendo a ser) conservativo: portanto,

E quanto às Práticas empregadas c cm emprego atual no Brasil? Quanto ao sário, fácil! Rcsguardcmo-nos, porém, da tendência dc gerar conceituação dc nào no nível mais econômico c no limiar aceitável da eventual impunidade.

Qual. então, a principal lacuna? A mesma que se registra cm todo o mundo de vanguarda, e provavelmente em condição particularizada agravada entre nós. A questão crucial é da INCOMPETÊNCIA DOS ENSAIOS. ÍNDICES E PARÂMETROS. ACOPLADOS ÀS TEORIAS. DE FACULTAREM APRIMORAR AS MÉDIAS E DISPERSÕES DAS PREVISÕES/COMPORTAMENTOS (Prediction vs. Performance). Isto está sendo frustrantemente observado em todo o mundo; e quiçá se descobriria persistir até mais fracativamcnte entre nós?

dos a acatá-las c usá-las com fé e fidelidadeaté que pudessem ser revistas,

Fomos obrigados a aceitar como temporariamente validáveis para uso, dcterministicamente, todo um conjunto dc pseudoverdades nominais de primeiro grau dc aproximação, geradas principalmente nos notáveis centros acadêmicos de Boston, Londres e Escandinávia. Fomos sabiamente educamediante dados aprimorados das realidades cm observação. Nào tivemos condições de estímulo c apoio para questioná-las. revê-las, aprimorá-las, salvo por iniciativas individuais e esporádicas.

Temos que rever duplamente: e por que não de uma só vez, aceitando simultaneamente o DESAFIO de base de gerarmos nossos próprios ensaios e índices? Por que continuaremos a ajustar nossa prática à prática desajustada dos outros? temos proporcionalmente muito maior aversão a ensaios físicos, de campo c de laboratório, em lugar de manipulações computacionais da scrvilidade do computador e programa?

Interessante seria acrescentar dois capítulos, nos quais retrataríamos:

Ca) em Teoria, o que teria sido adotado se o presente livro estivesse sendo escrito há 20 anos, em 1975, e há AO anos, cm 1955 (respectivamente próximos a cada geração engenheiranda);

(b) em Parâmetros empregados (médias e dispersões) que avanços teriam sido consignados e comprovados;

(c) cm Prática, que equipamentos e tecnologias teriam diferenciadamentc constado nos mesmos decursos de anos. O que avançou mais? Não é na falta de avanço colateral que a profissão se ressente da maior lacuna atual?

etcda mercadologia globalizada intensa, que em parte despreza c suprime iden-
difficultiesthe simple and inexpensive apparatus served so much better
and rnoneyWhen one starts already with a complicated, expensive

Estamos no limiar de um novo surto de entrada de equipamentos, técnicas tidades autóctones. Quais é que realmente nos serão úteis? Quanto custearemos até descobrir a real utilidade prática? São tantas as desvantagens de estarmos retardados, que lemos que duplicar esforços no sentido de acertarmos no atalho curto. Fazem-me lembrar como bem pertinentes, para qualquer início, os comentários deTerzaghi <cf INTERNAL REPORTdo Norwegian Geotechnical Institute: TerzaghPs period in Turkey 1916-25) "The inventory of my laboratory included only an empty cigar box, some kitchen ware of the collegc, and some ancient druggist tools that I had bought ai the Bazaar". "AH the essential conclusions arrived through my modest tests were confirmed, the proof for the old fact that the SUCCESS OF A RESEARCH (theoretical) IS NOT DUE TO THE PERFECIION OF THE TES7ING EQUIPMENT BUT IT RATHER DEPENDS ON THE TRUE MERIT OF THE GUIDING IDEA". Em relacionando às enormes lacunas com que ele se defrontou em Istambul com o colapso da Turquia em 1917-18, até 1924, das três VANTAGENS que ele ressalta no meio das vicissitudes, cabe ressaltar "Thirdly, I had the shortage of available means and I was compelled to experiment merely with the remedy of brain work forcing through for my purpose, for I could try several attempts without much loos of time apparatus, HE IS SLAVE OF HIS INSTRUMENT".

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