GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

(Parte 1 de 7)

TRABALHO DE AVALIAÇÃO DE
APRENDIZAGEM DE
CIENTÍFICO I

METODOLOGIA DO TRABALHO APRESENTADO A Prof.ª ROGÉRIA

Adriana Oliveira Barbosa, Cleuquia Oliveira Lima Sena,

Ediléia Barbosa de Sousa Alves, Jaíny Lopes de Oliveira e Zilene Duarte Vicente Gomes. 20 de Outubro de 2012

Introdução

A gravidez na adolescência é uma realidade que abrange a todas as classes sociais, agravada pelas sequelas da estrutura familiar; considerado um problema social a ser encarado não só pela família, mas em todas as esferas da sociedade. Embora o número de casos tenha diminuído conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda assim, é uma problemática a ser pensada e direcionada a programas e projetos que visam minimizar essa ocorrência. Em alguns casos a gravidez precoce faz parte de um desejo, mas na maioria das vezes, é uma surpresa inesperada, que gera uma serie de conflitos emocionais, instabilidade familiar, desvio da escola e afastamento do convívio social, uma serie de consequências das quais os jovens não refletem quando decidem dar o primeiro passo para a vida sexual (BOCARDI, 2003).

A presença da família é primordial para o amadurecimento e construção da vida dimensional do adolescente, sendo a primeira referencia desde a infância, a bússola que irá orientar os passos desses jovens para a vida adulta. Conforme Ferrari e Kaloustian (2000, apud Gonçalves, 2001, p.10): “É a família que propicia os acessórios afetivos e sobre todos os materiais necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais” .

São vários os fatores que levam a gravidez precoce, mas todos estão intimamente interligados na estrutura familiar, na importância da presença dos pais, no dialogo construtivo, na compreensão e interesse pela vida dos adolescentes dentro de casa e fora dela, no respeito ao tomar decisões, pois a agressão e proibição sem justas causas atiçam o jovem a rebeldia e transgressão da conduta moral. O apoio e compreensão da família na ocorrência da gravidez na adolescência é essencial na tomada de decisões, na construção afetiva intra familiar, no suporte aos jovens quanto a seus projetos de vida e sonhos. 3

A gravidez na adolescência se deve à desvinculação entre as informações passadas e suas experiências, já que os adolescentes levam em conta suas emoções, suas sensações e seus sentimentos. E é vista como “empecilho e atraso no processo de viver”, o que se explica porque os projetos de vida, tais como os estudos, os novos horizontes, as perspectivas de vida ficam em segundo plano. Sendo que a familia e a escola são as instituições mais apropriadas para se discutir esse assunto.

2. Levantamento de dados

A gravidez na adolescência desde 98 vem aumentando no mundo e, no Brasil, houve um aumento de 7,8%: passou de 515 mil para 533 mil mães adolescentes. Em São Paulo ocorreu uma diminuição de 34% – de 148 mil para 96 mil. É importante lembrar que a gravidez na adolescência de 10 a 14 anos passou no Brasil de 16.0 para 2.0, sendo que o aumento concentrou-se em regiões do Norte e Nordeste. Isso representa no Brasil que, a cada 18 minutos, uma menina de 10 a 14 anos dá à luz uma criança. Uma por minuto, no Brasil, dá à luz entre 10 e 20 anos. O Estado de São Paulo tem o menor índice de gravidez na adolescência, mas o número é de uma a cada 5 minutos, de 10 a 20 anos.

Se os jovens têm acesso à informação, por que ocorrem ainda tantos casos de gravidez? A própria garota diz que usou preservativo e engravidou mesmo assim… Isso é possível?

Todas as pesquisas apontam que cada vez mais os adolescentes têm informação. A informação não garante a mudança de comportamento. A insegurança dificulta a negociação com o parceiro para o uso do preservativo. As pesquisas feitas junto com a OMS – Organização Mundial da Saúde – mostraram que a menina tem insegurança e medo de não agradar o parceiro e o menino tem medo de falhar. A situação de medo e insegurança, aliada ao pouco tempo de vínculo com o parceiro, dificulta a possibilidade de diálogo entre eles. Mais de 90 dos adolescentes conhecem os preservativos e algum método anticoncepcional e 30% usam esses métodos nas primeiras relações sexuais. O uso do preservativo aumentou entre os jovens, mas eles deixam de usá-lo conforme aumenta o tempo de relacionamento. O adolescente tem um tempo diferente do tempo do adulto. Muito tempo pode ser dois meses. Como prova de carinho ou de fidelidade, o adolescente pode deixar de usar o preservativo ou algumas vezes usar e outras não. O que pode levar a uma gravidez é a adolescente ter duas relações na mesma noite ou dia e usar o preservativo em uma só.

Existe um perfil de jovem que engravida cedo? Está relacionado a que fatores?

O perfil da adolescente que engravida é idade entre 15 e 17 anos, que tem mais insegurança, baixa autoestima. Adolescentes filhas de mães adolescentes engravidam mais, filhas de pais separados e adolescentes que têm poucos amigos e não se sentem aceitas na escola, mas principalmente adolescentes que depositam no parceiro toda a necessidade de aprovação, aceitação. Adolescentes que dizem: “Só ele me entende, só ele sabe o que sinto. Ele é o meu número, só penso nele. Sem ele não vivo.” A adolescente que tem pouca inserção em grupos, que não tem diversidade de opções de atividades, que não consegue fazer uma rede e fica algemada ao parceiro. 5

Quando ela tem um grupo da escola, do esporte, de dança ou teatro, ela tem vários movimentos de discussão e trânsito. Vai desenvolvendo o seu juízo crítico, sua capacidade de negociação. Essa é a rede que protege a adolescente. Aquela que só tem um amigo ou namorado, fica presa e corre riscos. Toda gravidez na adolescência é “indesejada” ou existem muitas jovens que engravidam de propósito? Por quê?

É preciso discutir o que é desejo. Muitas adolescentes dizem que desejaram a gravidez num processo de desafio. Quando você pergunta se elas desejam que suas filhas fiquem grávidas na adolescência, elas respondem “De jeito nenhum, quero que engravidem aos 25, 30, porque é muito duro ficar grávida na adolescência”. O que é engravidar de propósito? É muitas vezes não ter opções, um leque de opções para escolher. Então “de propósito” vira “sem querer”, um “acidente”. A gravidez é muito séria para acontecer de forma inesperada. Por isso, mesmo que as adolescentes digam eu quis, eu desejei, é preciso refletir sobre por que as adolescentes desejaram engravidar tão cedo. Desejar algo envolve conhecimento e muitas vezes o conhecimento da gravidez é superficial e mágico. A maior parte das adolescentes diz depois que não sabiam “como era difícil cuidar de uma criança”.

Quais são as consequências emocionais nos jovens pais e mães?

Os jovens pais e mães passam rapidamente da situação de adolescentes, que ainda estão sendo cuidados pela família, para cuidadores de uma criança. As estatísticas mostram que mais da metade das jovens são abandonadas pelo parceiro ainda na gravidez. A adolescente fica insegura e se sente muitas vezes rejeitada, pode perder seu grupo de amigos e tem dificuldade de retornar à escola. O conto de fadas com o namorado e a criança se desfaz. Tudo é muito rápido para que ela possa arrumar uma casa e viver junto com a criança e o namorado. Geralmente ela mora com a mãe ou com os sogros, caso ela fique com o parceiro. Ou tem a ilusão de que ele vai trabalhar para arrumar uma casa. A realidade mostra que em 70% dos casos quem assume a gravidez é a família da menina, o que gera cobranças e conflitos. O menino não está socialmente preparado para assumir a gravidez, ele é poupado e, se economicamente não tem condições, ele pode ser excluído. É difícil para os jovens, agora pais, conciliar cuidar deles e do bebê. Eles necessitam de ajuda.

Qual o perigo de uma segunda gravidez na adolescência? Qual o percentual de meninas adolescentes que engravidam uma vez e acabam engravidando de novo ainda muito jovens? Por que isso acontece? 6

A segunda gravidez na adolescência acontece em torno de dois anos depois da primeira. Se não for feito um trabalho com essa jovem, os números mostram que 40% voltam a engravidar. Existe o mito de que quem engravida na adolescência aprende a lição, mas constata-se que os adolescentes que engravidam ficam mais frágeis, mais inseguras, com baixa autoestima e muitas vezes uma imagem corporal negativa. E se ainda têm um mau relacionamento com o parceiro, elas ficam vulneráveis em um novo relacionamento. Com dificuldades elas tomarão a atitude de se prevenir de uma segunda gravidez. Se o novo namorado se mostrar afetivo e cuidador da criança do outro relacionamento, pode haver um movimento de dar também a ele um filho já que ele cuida do filho do outro. Se há idas e vindas do parceiro antigo, ela não está preparada para se prevenir. A segunda gravidez, portanto, pode acontecer em 60% dos casos com o novo parceiro, mas com menos apoio familiar e com o rótulo “é o destino”. Dificilmente volta para a escola e sua única opção será ser mãe.

com a família na casa do adolescente?

Em geral, como reagem os pais das adolescentes grávidas? Existe um trabalho também

Houve uma mudança: hoje raramente expulsam as filhas de casa. Num primeiro momento ficam bravos, criticam e, depois, mantêm uma cobrança contínua. Apesar de “aceitarem” isso não garante que os pais sejam parceiros nessa gravidez. O trabalho que é feito na casa do dolescente com a família é justamente discutir o processo de gravidez na adolescência, como será esse apoio, preparar os pais para que eles não culpem e cobrem os adolescentes, mas que ajudem nessa fase. É discutida a importância de voltar à escola, de facilitar que os adolescentes tenham um grupo de amigos, possam fazer atividades, dividam as tarefas e não fiquem o tempo todo sendo rotulados. Isto vai fazer com que a adolescente se sinta segura, possa exercer suas atividades de mãe, previna uma segunda gravidez e possa se relacionar com ela e com o mundo numa perspectiva de um futuro feliz.

Na sua opinião, os problemas dos adolescentes são causados mais por fatores externos, como a sociedade e o meio, ou mais por fatores pessoais e familiares?

A sociedade gera uma cultura de desafios para o adolescente em relação ao mundo adulto.

e participação. Se os adolescentes têm tendência grupal e gostam de viver em grupo, 7

Se a sociedade que impõe esses desafios e riscos não gera uma rede de proteção, estímulos e perspectivas, os adolescentes se sentirão abandonados e as famílias sozinhas não poderão enfrentar as situações de conflitos. Os adolescentes são vítimas e não culpados pelo mundo em que vivem. Eles podem ter uma grande força de mudança. Para isso é preciso gerar uma cultura de acolhimento cabe à sociedade, ao país, estimular serviços, leis, espaços que possam acolher, atender e promover a participação dos adolescentes.

Que conselhos você dá para os pais que têm problemas de relação com seus filhos adolescentes?

Os pais precisam exercer cada vez mais a linguagem do afeto. Olhar nos olhos, mostrar que amam seus filhos. Dar receitas do que não pode acaba afastando os adolescentes. Eles não querem mais ouvir falar, por exemplo, de camisinha e DST. Eles acham que já sabem tudo. Os pais têm hoje que ser sensíveis, falar mais do cotidiano, exercer atividades prazerosas com os adolescentes, ter atividades conjuntas, como caminhar, cozinhar junto, ler o jornal juntos uma vez por semana. Hoje os pais conversam com os filhos para criticar. E os filhos já esperam isso e já se fecham para qualquer entendimento. Fazer rituais como o almoço do domingo, o futebol, uma caminhada semanal, mexer no jardim e ler jornal promovem intimidade e é o aquecimento para possíveis conversas. Favorece o estabelecimento de limites, tarefas conjuntas e de disciplina. Mais do que discursos, as ações e gestos mostram parceria e integração. O adolescente vai aprender no ritual da família a respeitar os rituais dos outros grupos.

sociais e familiares de controle sobre sexualidade dos jovens.”

Vitiello,(Nelson,Pais&Teens,ano2 nº3),resalta que dentro os inúmeros fatores que contribuem pra essa situação, há de se destacar o uso e abuso da sensualidade nos meios de comunicação de massa. A aceleração também contribuiu para a mudança nos hábitos e na estrutura e dinâmica das famílias. Afrouxaram-se nas grandes cidades, os tradicionais meios

Segundo Vitiello o atual uso e abuso da sensualidade em novelas, filmes e anúncios comerciais seguramente tomou conta dos meios de comunicação , pois a humanidade se cansa de qualquer coisa que lhe seja oferecida em excesso. Então para inovar ou atrair mais público a mídia busca sempre de forma explícita, apresentar o novo modismo, o que faz com que os jovens e adolescentes adquiram essa moda de que a idade de inocência já passou e ser virgem no tempo em que vivemos já é considerado moda de tempos passados, o que acaba quebrando uma estrutura e uns conceitos estabelecidos pelos pais.

2.1 Breve histórico

De acordo levantamento de dados realizados na comunidade de Batinga - BA Distrito de Itanhém-BA, de cada 10 garotas mães, 2 são adolescentes. Neste ano de 2012 o índice subiu cerca de 50%, atualmente a cada 10 gestantes 4 são adolescentes entre 15 a 19 anos. Dados fornecidos pelo PSF (Programa de Saúde da Família). Dentro dessa realidade, no desenvolvimento da pesquisa concluímos que a maioria das adolescentes não tinha informações claras sobre sexo e prevenções e nem intimidade familiar para discutir esse assunto. Poucas faziam uso de pílula anticoncepcional e seus parceiros preservativos. Consequentemente a evasão escolar se deu por vergonha do olhar discriminador dos colegas, perca do interesse e por falta de conciliação do tempo entre o filho e a escola.

“Não conseguia dividir meu tempo com a escola e o filho” (Caso G, 13 Anos).

“Não tinha mais vontade de estudar” (Caso I, 19Anos).

Os dados foram colhidos no período de Setembro de 2012. A quantidade de entrevistas realizadas foi definida no processo do trabalho de campo, demonstrando a suficiência do material coletado para alcançar o objetivo estabelecido. Como instrumento para coleta de dados, foi utilizado uma entrevista. O roteiro da entrevista foi composto por questões relativas ao momento da descoberta da gravidez para a família, mudanças no convívio familiar, a vivência da gravidez para a família e a possibilidade de mudar algo em relação a esse processo.

9 3. O diagnóstico do ambiente

3.1 Análise Swot (Sthregts, Weaknesses, opportunities and threats)

Ambiente Interno

Pontos fortes: (Força) são os fatores que podem influenciar e considerados um ponto positivo.

- O esporte e lazer. - Participação religiosa.

- Programas sociais, como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Pró- Jovem.

- Discussões de temas relacionados sobre sexo na escola.

- Acesso as informações através da mídia, internet, televisão e revistas.

Pontos fracos: (Fraqueza) são fatores negativos que possuem influência direta. Por conta de problemas e comunicação. São as desvantagens.

- Diminuição da idade da menarca. - Iniciação sexual cada vez mais precoce.

- Inadequação das informações sobre sexualidade e métodos contraceptivos.

- Baixo acesso aos serviços de saúde.

- Não utilização de métodos por receios que seus pais descubram que estão tendo relações sexuais.

- Pensamento mágico ( isto nunca vai acontecer comigo).

- Histórico e presença de conflitos familiares.

- Abuso de drogas principalmente bebidas alcoólicas.

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