Introdução a Geomorfologia

Introdução a Geomorfologia

Geomorfologia

  • Lucimar Marques da Costa

Geo-morfo-logia

  • Geo – Terra

  • Morfo – Forma

  • Logia – Estudo

  • Estudo das formas da Terra

Objeto de Estudo : Escala Planetária

Continental

Segundo Penteado(1983)

  • Didaticamente falando, Geomorfologia é uma ciência que se ocupa das formas que a Terra possui.

  • Estuda: Gênese e evolução

Gênese - morfoestrutura

PRINCIPAIS PLACAS TECTÔNICAS

O QUE ACONTECEU

Evolução - morfoescultura

Porque estudar o relevo?

  • Processo de ocupação

  • É preciso analisar:

  • Ab’Sáber coloca 3 níveis de abordagens:

  • 1- Compartimentação morfológica;

  • 2- Estrutura Superficial;

  • 3- Fisiologia da Paisagem.

Inserção do HOMEM

  • Sujeito modificador

Concepções geológicas – Séc. XVIII – Gilbert

  • Tendência naturalista, subjugada aos interesses do sistema capitalista em desenvolvimento.

  • Ponto de partida: rios, navegação, capacidade de aplainamento ( processo de sedimentação)

Final séc. XVIII - Davis

  • Garantir o enriquecimento da metrópole;

  • Estratégia de guerra: “ A formação natural da região é o melhor aliado do soldado.”

  • Segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo de produção coletiva, geração de lucro e acúmulo de capital.

Processo histórico

  • O desenvolvimento das ciências sociais à base da observação dos fatos;

  • Empirismo;

  • O progresso das ciências experimentais prestigiou o positivismo;

  • Demarcação de fronteiras;

Síntese Evolutiva do Postulados Geomorfológicos

  • O estudo das formas do relevo deriva substancialmente das concepções geológicas do século XVIII, que representaram a tendência naturalista, voltada aos interesses do sistema de produção

Surgimento das escolas

  • A escola geomorfológica alemã encabeçada por Penck, defensora de uma concepção integradora dos elementos que compõem a superfície terrestre;

  • A escola de W. Davis, fundamentada na noção de ciclo, tida como “finalista”.

  • Evidencia-se, portanto, o nascimento de duas escolas geomorfológicas distintas.

Escolas

  • Anglo-americana: relações entre Inglaterra e França com os Estados unidos; Fundamentada na 2ª guerra mundial – Davis – Ciclo - estrutural

  • Germânica: russos e poloneses – Gilbert - perspectiva climática.

Sistemas de referência em geomorfologia

  • A linhagem epistemológica anglo-americana fundamenta-se, praticamente até a Segunda Guerra Mundial, nos paradigmas propostos por Davis (1899), através de sua teoria denominada de Geographical Cycle . Para ele, o relevo se definia em função da estrutura geológica, dos processos operantes e do tempo.

Considerações davisiniana

  • Davis considerava a morfologia em função da estrutura geológica

  • A geomorfologia davisiana praticamente não tinha qualquer articulação com uma visão processual mais ampla, como a incorporação de componentes da climatologia ou da biogeografia, amplamente integradas na geomorfologia alemã

Junção das teorias

  • No final da década de 30 do Século XX, os norte-americanos se interessaram pelas críticas de W. Penck à teoria davisiana

  • . A interpretação de Penck (1924) ao ciclo geográfico, divulgada durante o Simpósio de Chicago (1939), foi incorporada pelos seguidores de Davis, criando novos paradigmas.

Influência para o Brasil

  • Deve-se acrescentar que a escola francesa, que exerceu posteriormente grande influência no desenvolvimento da geografia e geomorfologia brasileiras, se caracterizava pela reprodução do conhecimento científico anglo-americano.

Espaço X Tempo

  • Progressivamente, os autores americanos assumem uma atitude mais crítica, contribuindo sobremaneira para a elaboração de outros paradigmas, como o do “espaço”, enquanto Davis valorizava o “tempo”.

Tempo e Espaço se completam

  • Assim, enquanto a escola germânica valorizava as relações processuais e reflexos no modelado da paisagem, a anglo-americana, tendo Davis como principal representante, tinha o fator temporal como determinante da evolução do modelado, evidenciado pela antropomorfismo do relevo.

Teoria Geral dos Sistemas e as novas tecnologias

  • A partir da década de 40 até a de 60, a quantificação, a teoria dos sistemas e fluxos e o uso da cibernética assumem a vanguarda nos estudos geomorfológicos.

  • Ao mesmo tempo novas posturas começam a surgir.

Postura anglo-saxônica e germânica

  • Deve-se acrescentar que a preocupação com o espaço encontra-se vinculada a uma Geografia político-estatística, onde a unidade regional é priorizada

Estrutura e condicionantes da natureza

  • Davis, que se utilizou do referencial teorizante, apoiado em posturas geológicas.

  • A escola germânica por sua vez, fundamenta-se na concepção naturalista( atribui tudo a natureza como princípio) Visão de mundo sem a ação do homem

Humboldt

  • Principal naturalista da primeira metade do século XIX, um dos pais da geografia moderna

  • realizou expedições científicas em busca de um maior conhecimento das ciências naturais

  • Após seu

  • retorno ao continente europeu dedicou décadas a escrever sobre a natureza da América

Unidade regional – visão política

  • Deve-se acrescentar que a preocupação com o espaço encontra-se vinculada a uma Geografia político-estatística, onde a unidade regional é priorizada.

Processo evolutivo do relevo

  • Com o intuito de resgatar a construção do processo histórico do pensamento geomorfológico, apresentam-se as principais teorias ou sistemas que contribuíam para a compreensão do processo evolutivo do relevo.

O Sistema de William M. Davis

  • Fundamentado no conceito de nível de base;

  • Soerguimento em relação ao nível de base geral, o sistema fluvial produz forte entalhamento dos talvegues;

  • A idéia mais importante é a de que os rios não podem erodir abaixo do seu nível de base.

Sistema de Davis

  • Incisão vertical do sistema fluvial desaparece com o estabelecimento do perfil de equilíbrio, quando a denudação inicia o rebaixamento dos interflúvios, marcando o fim da juventude e o começo da maturidade;

Processo denudacional

  • O processo denudacional que individualiza a maturidade, para Davis, caracteriza-se pelo rebaixamento do relevo de cima para baixo ( wearing-down : desgastar para baixo), o que torna necessário admitir a continuidade da estabilidade tectônica, bem como dos processos de erosão

  • (para Davis a meandração significava a senilidade do sistema fluvial),

Para Davis a meandração significava a senilidade do sistema fluvial

Ver a características de cada parte do planeta.

  • O processo de soerguimento não pode estar dissociado dos efeitos denudacionais, ou seja, ao mesmo tempo em que o relevo encontra-se em ascensão por esforço tectônico, os processos morfogenéticos estarão atuando por ajustamento isostático.

Tempo condicionante de mudança

  • Para Davis, seriam necessários de 20 a 200 milhões de anos para o aplainamento das cadeias de montanhas, como as falhas de Utah, tempo mais que suficiente para manifestações de natureza tectodinâmica.

Falhas de Utah

Davis, o geólogo.

  • Davis, por ser geólogo, fundamen­tou sua análise evolutiva no comportamento estrutural ao longo do tempo, sendo, portanto, o componente responsável pela definição dos diferentes estágios

Meandros incisos, como os da foto abaixo, normalmente indicam o soerguimento regional acompanhado do “rejuvenescimento” do relevo.

O Sistema de Walther Penck

  • Penck foi um dos principais críticos do sistema de Davis, sobretudo ao afirmar que a emersão e a denudação aconteciam ao mesmo tempo

BC, AB, B’C, AB’

  • Para Davis, a denudação (BC) só teria início após o término do soerguimento (AB), enquanto que para Penck a denudação (B´C) é concomitante ao soerguimento (AB´), com intensidade diferenciada pela ação da tectônica

BC, AB, B’C, AB’

Incisão do talvegue aceleração dos efeitos denudacionais em razão do aumento do gradiente da vertente

Em suma, enquanto a forma convexa implica período de crescente intensidade de erosão ( Fig. 1.7.1 ), a forma côncava é prova de enfraquecimento erosivo ou de intensidade de erosão decrescen­te

Davis afirmava que o relevo evoluía de cima para baixo ( wearing-down, Penck acreditava no recuo paralelo das vertentes ( wearing-back , ou desgaste lateral da vertente.

Parei aqui

  • Próxima aula

. O Sistema de Lester C. King

  • # Ajustamento por compensação isostática e considera o recuo paralelo das vertentes

  • # Erosão decorrente do recuo promove o entalhamento das áreas depressionárias, originando os denominados pedimentos

King

  • A evolução do recuo por um período de tempo de relativa estabilidade tectônica permitiria o desenvolvimento de extensos pediplanos, razão pela qual a referida teoria ficou conhecida como pediplanação

king

  • Recuo paralelo das vertentes

  • Pedimentos

  • Pediplanos - pediplanação

  • Inselbergs

  • Superfície de cimeira

  • Bajadas

Teoria associada a um tipo de clima

  • Clima úmido = verticalização do relevo

  • Clima seco = horizontalização

  • Desagregação mecânica responsável pelo recuo paralelo das vertentes

Formação do pediplano

Interessante

  • Os plateaus, mesas, mesetas, butes e pináculos são formas de relevo geradas em camadas horizontais com a progressão da erosão. Os esquemas acima mostram a progressão da erosão em uma região com camadas horizontais até a formação de uma paisagem final.

O Sistema de John T. Hack

  • “equilíbrio dinâmico''

  • Esse conceito fundamenta-se na teoria geral dos sistemas, vinculado à linhagem anglo-americana pós-davisiana

  • O princípio básico da teoria é o de que o relevo é um sistema aberto, mantendo constante troca de energia e matéria com os demais sistemas terrestres, estando vinculado à resistência litológica.

Na teoria do equilíbrio dinâmico as formas não são estáticas

  • as formas de relevo e os depósitos superficiais possuem uma íntima relação com a estrutura geológica

Hack

  • Competição entre a resistência dos materiais e o potencial das forças de inundação

  • Processo uniforme – comportamento balanceado

  • Declividade diminui com aumento do rio

Observação

  • Deve-se observar que a estrutura geológica apresenta­rá comportamento diferente segundo condições climáticas, permitin­do maior ou menor intensidade denudacional. O quartzito, por exemplo, apresenta maior resistência ao intemperismo químico (clima úmido) se comparado à sua reação frente à ação morfogenética mecânica (clima seco), num comportamento oposto ao dos arenitos e calcários.

Relevo é dinâmico

  • é necessário entender o relevo como algo dinâmico, em constante evolução, muito embora certas relações ou resultados não possam ser observados na escala de tempo histórica.

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