Saúde da criança na Atenção Básica

Saúde da criança na Atenção Básica

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CADERNOS de

CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 3 – SAÚDE DA CRIANÇA: CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

Cadernos de Atenção Básica, n° 3

Brasília – DF 2012

© 2012 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: <http://w.saude.gov.br/bvs>.

Tiragem: 1ª edição – 2012 – 50.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica SAF Sul, Quadra 2, lotes 5/6, Edifício Premium, bloco I, subsolo CEP: 70070-600 – Brasília/DF Tels.: (61) 3315-9090 / 3315-9044 Site: <http://w.saude.gov.br/dab> E-mail: <dab@saude.gov.br>

Editor geral Hêider Aurélio Pinto

Coordenação técnica geral Aristides Vitorino de Oliveira Neto Patrícia Sampaio Chueiri Paulo Bonilha

Autores Agda Henk Aline Gerlach Ana Cristina Capellari Ana Lúcia da Costa Maciel Ananyr Porto Fajardo André Klafke de Lima Camila Guedes Henn Caren Bavaresco Carmem Lucia de Simoni Carla Berger Celso Gutfreind Charleni Inês Scherer Cíntia Furcht Elineide Camillo Élem Cristina Cruz Sampaio Elisabeth Susana Wartchow Elsa Regina Justo Giugliani Gisele Bortolini Idiana Luvison Janilce Guedes de Lima Jaqueline Misturini Karla Livi Lena Azeredo de Lima Letícia Wolff Garcez Lisiane Devinar Perico Lúcia Takimi Marcos Antônio Trajano

Margaret Ivanir Schneider Maria Amália Vidal Maria de Lurdes Magalhães Maristela C. Tamborindeguy França Maria Lucia Medeiros Lenz Rosmére Lasta Rui Flores Simone Bertoni Silvia Maria Franco Freire

Colaboradora Paulynne Cavalcanti

Coordenação editorial Antônio Sérgio de Freitas Ferreira Marco Aurélio Santana da Silva

Revisão técnica geral Lysiane de Medeiros Marcello Dala Bernardina Dalla Patrícia Sampaio Chueiri

Normalização Marjorie Fernandes Gonçalves – MS

Editora MS Coordenação de Gestão Editorial SIA, Trecho 4, lotes 540/610 CEP: 71200-040 – Brasília/DF Tels.: (61) 3315-7790 / 3315-7794 Fax: (61) 3233-9558 Site: <http://w.saude.gov.br/editora> E-mail: <editora.ms@saude.gov.br>

Revisão: Paulo Henrique de Castro e Faria Normalização: Cláudio Oliveira Diagramação e arte-final: Kátia Barbosa de Oliveira Supervisão técnica: Mara Soares Pamplona Marcia Medrado Abrantes

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Saúde da criança : crescimento e desenvolvimento / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção

272 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, nº 3)
ISBN x
1. Atenção Básica. 2. Atenção à Saúde. 3. Saúde da Criança. 4. Promoção da Saúde. I. Título.

Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012. CDU 614-053.2

Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2012/0247

Títulos para indexação Em inglês: Child health: growth and development Em espanhol: Salud infantil: crecimiento y desarrollo

Figura 1 – Representação dos testes de Barlow e Ortolani64
e no estado nutricional147

Figura 2 – Mediadores comportamentais de semelhança familiar no hábito alimentar

adolescência151
Figura 4 – Linha de cuidado: dimensões do cuidado como prática de saúde207
Figura 5 – Tao – Yin / Yang240
Figura 6 – Teoria dos 5 elementos / ciclos240
Figura 7 – Os meridianos (visão anterior, posterior e lateral do campo)240

Figura 3 – Alvos potenciais para a prevenção da obesidade na infância e na Figura 8 – Conceito de Trimembração .................................................................................. 245

Quadro 1 – Tópicos do exame físico na primeira consulta do recém-nascido [D]45
Quadro 2 – Testes de Trendelenburg positivo e marcha anserina64
Quadro 3 – Classificação da pressão arterial em menores de 18 anos69
para anemia e a conduta diante da necessidade de suplementação e rastreamento [D]81

Quadro 4 – Classificação das crianças conforme a idade, a presença de fatores de risco

Nacional de Imunizações/PNI)90
Quadro 6 – Vacinas complementares indicadas por doença ou condição especial94
Quadro 7 – Calendário de imunizações para crianças infectadas pelo HIV97

Quadro 5 – Calendário de vacinação de rotina do Ministério da Saúde (Programa

imunológica e as regiões de risco102

Quadro 8 – Recomendações para a vacinação contra febre amarela em crianças menores de 13 anos de idade infectadas pelo HIV, de acordo com a alteração

linfócitos T CD4 e as regiões de risco103
Quadro 10 – Aspectos do desenvolvimento da criança de zero a 10 anos123
Quadro 1 – Avaliação do desenvolvimento: orientação para tomada de decisão126

Quadro 9 – Recomendações para a vacinação contra febre amarela em adolescentes com 13 e mais anos de idade infectados pelo HIV, de acordo com o número de

materno após o consumo de drogas de abuso138
Quadro 13 – Esquema alimentar para crianças amamentadas143
Quadro 14 – Esquema alimentar para crianças não amamentadas143
Quadro 15 – Grupos de alimentos144
Quadro 16 – Dez passos para uma alimentação saudável144

Quadro 12 – Recomendação quanto ao tempo de interrupção do aleitamento Quadro 17 – Dimensão epidemiológica dos acidentes .......................................................186

acidentes190

Quadro 19 – Cuidados para garantir a segurança das crianças, a fim de evitar

Quadro 20 – Sinais físicos e comportamentais e os sentimentos decorrentes da violência sexual* ................................................................................................................... 206

da Saúde (OMS)37
Tabela 2 – Frequência cardíaca normal65
Tabela 3 – Frequência respiratória normal, segundo a OMS65

Tabela 1 – Frequência respiratória normal, segundo a Organização Mundial

de 5 a 19 anos, conforme o sexo e a faixa etária83
Tabela 5 – Pontos de corte de peso para a idade para crianças menores de 10 anos110

Tabela 4 – Distribuição dos valores normais de lipídios e lipoproteínas em indivíduos

crianças menores de 10 anos110
Tabela 7 – Pontos de corte de IMC por idade para menores de 10 anos110

Tabela 6 – Pontos de corte de comprimento/altura para a idade para

de acordo com a idade141

Tabela 8 – Volume e frequência da refeição láctea para crianças não amamentadas,

Apresentação15
1 A Chegada da Criança à Família23
1.1 A família de uma criança recém-nascida25
1.2 A formação do vínculo/apego26
1.3 O desenvolvimento da função parental27
1.4 A participação paterna27
1.5 Dificuldades comuns da fase28
1.6 O nascimento de um segundo filho29
1.7 Estímulo à formação de uma rede de apoio mais ampla30
1.8 Conclusão sobre a atenção à família no dado momento30
Referências31
2 Visita Domiciliar para a Família do Recém-Nascido3
Referências39
3 A Primeira Consulta do Recém-Nascido41
3.1 A época ideal para a primeira consulta43
3.2 O conteúdo da consulta4
3.2.1 Anamnese4
3.2.2 Exame físico completo4
3.3 Avaliações e orientações50
3.3.1 Avalie a presença de situações de risco e vulnerabilidade à saúde do recém-nascido50

Sumário

sobre a necessidade de procurar atendimento de emergência51

3.3.2 Avalie e oriente os pais sobre os sinais de perigo na criança com menos de 2 meses e

fortalecimento do vínculo entre os pais e o bebê51
3.3.4 Orientações gerais sobre os cuidados com o recém-nascido53
3.3.7 Orientações para o calendário de imunizações5
3.3.8 Combine o calendário de consultas5
Referências56
4.1 A frequência de consultas por faixa etária61
4.2 Anamnese62
4.3 Exame físico62
4.3.1 Dados antropométricos63
4.3.2 Rastreamento para displasia evolutiva do quadril63
4.3.3 Ausculta cardíaca65
4.3.4 Avaliação da visão65
4.3.5 Avaliação da audição6
4.3.6 Aferição da pressão arterial68
4.3.7 Rastreamento para criptorquidia69
4.4 Aconselhamento antecipado69
4.4.1 Posição para dormir70
4.4.2 Prevenção de infecção viral respiratória70
4.4.3 Aconselhamento para realizar atividade física70
4.4.4 Aconselhamento para não haver ingestão de bebidas alcoólicas71
4.4.5 Aconselhamento em relação aos hábitos alimentares71
4.4.6 Aconselhamento e prevenção de lesões não intencionais71
Referências72
5 Solicitação de Exames Complementares em Crianças Assintomáticas7
5.1 Hemograma80
“eas” ou “equ”)82
5.3 Perfil lipídico82
Referências84
6 Imunizações87
6.1 Calendário de vacinação no Brasil89
6.4 Descrição e conduta diante de alguns eventos adversos comuns a vários imunobiológicos103
Referências104
7 Monitorização do Crescimento105
7.1 O crescimento da criança e aspectos epidemiológicos da criança brasileira107
7.2 Monitorização e avaliação do crescimento108
7.3 Condutas recomendadas para algumas situações de desvio no crescimento1
7.4 Particularidades da criança prematura ou com restrição do crescimento intrauterino112
Referências114
8 Acompanhamento do Desenvolvimento119
8.1 Acompanhamento e avaliação do desenvolvimento infantil122
8.2 Distúrbios no desenvolvimento125
8.3 Orientações aos pais127
8.3.1 O controle de esfíncteres127
8.3.2 Padrão de sono e dificuldades para dormir127
8.3.3 Comportamento128
Referências129
9 Alimentação Saudável131
9.1 Aleitamento materno e aspectos epidemiológicos do aleitamento materno no Brasil133
9.1.1 Aconselhamento em amamentação135
9.1.2 Benefícios do aleitamento materno136
9.1.3 Contraindicações para a amamentação137
praticado ou é praticado parcialmente140
9.2 Alimentação da criança de 6 meses a 2 anos142
9.2.1 Prevenindo a anemia145
9.3 Alimentação de crianças de 2 a 6 anos147
9.4 Alimentação de crianças de 7 a 10 anos149
9.4.1 Recomendações gerais para crianças de 7 a 10 anos149
9.5 Prevenção da obesidade em crianças150
10.1 Suplementação de ferro159
10.2 Suplementação de vitamina A162
10.3 Suplementação de vitamina D163
10.4 Suplementação de vitamina K ao nascer164
10.5 Suplementação de zinco165
Referências166
1 A Saúde Bucal da Criança169
1.1 Recomendações para crianças de zero a 3 anos172
1.1.1 Amamentação172
1.1.2 Alimentação173
1.1.3 Higiene bucal173
1.1.4 Uso de bicos e chupetas174
1.1.5 Uso de fluoretos174
1.2 Recomendações para crianças de 3 a 6 anos175
1.2.1 Alimentação175
1.2.2 Higiene bucal175
1.2.3 Uso de fluoretos175
1.3 Recomendações para crianças de 6 a 9 anos176
1.3.1 Alimentação176
1.3.2 Higiene bucal177
1.3.3 Uso de fluoretos177
1.4 Recomendações para crianças de 9 a 10 anos177
1.4.1 Alimentação178
Referências179
12 Prevenção de Acidentes183
12.1 Os diferentes momentos de se fazer prevenção186
12.2 Fatores de risco e de vulnerabilidade para acidentes187
12.3 Atitudes promotoras de segurança em determinados contextos e espaços sociais188
12.4 Orientações aos familiares e às crianças para evitar e prevenir acidentes189
13.1 Tipos e natureza das violências200
13.1.1 Natureza da violência201
13.2 Formas e manifestações da violência sexual201
13.3 Outras formas de violência contra crianças202
13.4 Alerta para os sinais e sintomas da violência203
13.4.1 Sinais de violência física204
13.4.2 Sinais de violência sexual205
13.5 Cuidados com a criança em situações de violência207
13.5.1 O acolhimento e vínculo208
13.5.2 O atendimento, o diagnóstico, o tratamento e o cuidado208
13.5.3 Notificação como instrumento de proteção e garantia de direitos209
13.5.4 Seguimento do caso na rede de cuidado e de proteção social210
13.6 Prevenção de violências e promoção da cultura da paz213
13.6.1 Situações protetoras para o bebê e a criança213
13.6.2 Fatores de vulnerabilidade para a violência contra crianças215
13.6.3 Fatores de vulnerabilidade para a violência na gestação e no puerpério216
Referências217
14 Rede de Cuidado e de Proteção Social221
14.1 Rede de saúde224
14.2 Rede intersetorial226
Referências228
15 Promoção, Narração, Brincadeira e Imaginação em Saúde229
Referências236
16 Práticas Integrativas e Complementares na Saúde da Criança237
16.1 Medicina Tradicional Chinesa (MTC)239
16.2 Homeopatia241
16.3 Medicina antroposófica243
16.4 Plantas medicinais e fitoterapia247
Anexo A – Atribuições dos profissionais da atenção básica em relação à saúde da criança255
Anexo B – Técnica para aferição da pressão arterial259
o percentil de estatura262

Anexo C – Valores de pressão arterial para meninas ou meninos de 1 a 17 anos, de acordo com Anexo D – Orientações para a identificação e o manejo de efeitos adversos a imunobiológicos ........264

Apresentação Apresentação

A taxa de mortalidade infantil (referente às crianças menores de um ano) caiu muito nas últimas décadas no Brasil. Graças às ações de diminuição da pobreza, ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família e a outros fatores, os óbitos infantis diminuíram de 47,1 a cada mil nascidos vivos, em 1990, para 19 em 2008. Entretanto, a meta de garantir a toda criança brasileira o direito à vida e à saúde ainda não foi alcançada, pois persistem desigualdades regionais e sociais inaceitáveis. Além disso, 70% das mortes de crianças com menos de um ano acontecem no período neonatal (até 27 dias de vida), sendo a maioria no primeiro dia de vida. Assim, um número expressivo de mortes por causas evitáveis por ações dos serviços de saúde – tais como a atenção pré-natal, ao parto e ao recém-nascido (RN) – faz parte da realidade social e sanitária de nosso País.

Inúmeras ações (programas e políticas) foram criadas, desde a década de 1980, com o objetivo de intervir nesta realidade a partir da mudança do modelo tecnoassistencial, representada pela ampliação do acesso aos serviços de saúde, pela desfragmentação da assistência e pela mudança na forma como o cuidado às gestantes e aos recém-nascidos estava sendo realizado. Apesar da ênfase na gestante, tais iniciativas abrangiam o binômio materno-infantil.

Neste contexto, foi lançado, em 1983, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher

(Paism), “que propõe ações voltadas à sua integralidade, equidade e abordagem global em todas as fases do seu ciclo vital” (CARDOSO, 2008, p. 147).

Em 2000, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento

(PHPN), que objetivava, principalmente, reorganizar a assistência e vincular formalmente o prénatal ao parto e ao puerpério, ampliar o acesso das mulheres aos serviços de saúde e garantir a qualidade da assistência (SERRUYA, 2003).

Em 2004, o Ministério da Saúde elaborou o documento da Política Nacional de Atenção

Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes (PNAISM), que reflete o compromisso com a implementação de ações em saúde da mulher, garantindo seus direitos e reduzindo agravos por causas preveníveis e evitáveis.

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