LIÇÃO 02 – RENOVAÇÃO DA MENTE

UMA EXORTAÇÃO – APRESENTAR-SE A DEUS (Rm 12.1)

 

Texto devocional: “Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso...  seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus” (1Co 3.21-23).

 

[1]          INTRODUÇÃO

a.      Direito/posse da herança: na aula anterior falamos que tudo que é de Deus se tornou nossa herança por meio de Cristo Jesus; que somos co-herdeiros com Cristo (Rm 8.15). Ver ainda 1Co 3.21)

               i.Pergunta: quanto de Cristo nós possuímos?

b.      Propriedade de Deus: agora vamos pensar que tudo que eu sou e possuo se tornou, por duplo direito (de criação /de redenção), propriedade de Deus mediante o sacrifício de Cristo (1Co 1.30; 3.23;1Pe 1.18,19; 2.8-9; Ap 5.9; At 20.28; ).

               i.Pergunta: quanto de nós Deus possui? Deus tem direitos sobre nós, mas não invade ou violenta a nossa integridade.

 

[2]          ESTRUTURA DO TEXTO

a.      Exortação: apresentar-se a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável.

b.      Ordem negativa: não se conformar com o sistema do mundo.

c.      Ordem positiva: transformar-se pela renovação da mente.

d.      Propósito: para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

 

[3]          EXORTAÇÃO

a.      Exortação: “rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus” (Rm 12.1); “pois” — conjunção conclusiva; à luz de tudo que foi exposto, ‘apresentai-vos a Deus’. 

b.      Rogar: no original parakaleo (grego), a mesma palavra para designar o Espírito Santo; é como se Paulo rogasse pelo próprio Espírito para que o cristão se ofereça a Deus (ver 2Co 5.20; 6.1); é o mesmo chamado de Jesus quanto ao discipulado.

               i.Arrependimento: é uma ordem — “arrependei-vos” (Mc 1.15).

             ii.Discipulado: é condicional “Se alguém quer ser meu discípulo, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).

c.      “misericórdias”: oikitirmos (grego); a misericórdia de Deus é a base da consagração do cristão; tudo foi provido por Deus para a nossa vida plena; por meio de Cristo, Deus fez pelos homens o que lhes era impossível, isto é, removeu a culpa e promoveu a reconciliação; com base neste ato divino, o cristão deve reagir oferecendo-se a Deus;

               i.“... pelo seu [de Deus] divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade...” (2 Pe 1.3)

             ii.“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou... deu nos vida juntamente com Cristo” (Ef 2.4,5).

 

[4]          APRESENTAR-SE A DEUS

a.      “apresenteis”: paristêmi (gr.) tempo verbal indica “ato feito uma vez para sempre”; ficar perto, perante, ao lado; à disposição; render-se, submeter-se; oferecer; tem o sentido de apresentar-se diante de alguém e de andar sob os olhos de alguém.

               i.“Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados” Hb 9.28);

             ii.“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15; Ef 5.27; Cl 1.22).

           iii.“...mas deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós...” (2Co 8.5).

            iv.Deus: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).

              v.“guiar-te-ei com os meus olhos” (Sl 32.8).

b.      Apresentar-se como sacrifício implica não apenas evitar pecados, mas servir a Deus e buscar a sua glória; “glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.20).

c.      O que podemos dar a Deus? NADA. “Porque tudo vem de ti, e das tua mãos to damos” (1 Cr 29.14b). Na verdade nós damos a Deus o que já é dele; isto significa reconhecer o governo de Deus sobre si mesmo.

d.      Citações:

 

não fazer

fazer

      i.  

“nem ofereçais cada um os membros do vosso corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade...” (Rm 6.13a)

“mas oferecei-vos a Deus como ressurrectos dentre os mortos e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça.” (Rm 6.13b)

     ii.  

“... oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade...” (Rm 6.19a)

“... assim oferecei agora os vossos membros para servirem a justiça para a santificação.” (Rm 6.19b)

 

[5]          SACRIFÍCIO

a.      Pergunta: se Cristo ofereceu sacrifício perfeito por nós, de que sacrifício Paulo está falando aqui?

b.      Resposta: Não se trata de sacrifício penitencial ou de qualquer sacrifício complementar à obra de Cristo, mas de sacrifício voluntário (ver Hb 13.15).

c.      Tipos de sacrifício: havia sacrifícios de expiação e de gratidão (Henry):

               i.Expiatório: oferta pelo pecado; Cristo ofereceu de uma vez por todas, o único sacrifício de expiação; nenhum de nós poderia resolver o drama da malignidade do pecado humano em relação a absoluta santidade de Deus.

             ii.Voluntário: oferta voluntária a Deus; no Novo Testamento este é o sacrifício que os filhos de Deus prestam ao seu louvor (Hb 13.15).

           iii.palavra de Deus: “... é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer [faca] de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

            iv.faca: alusão ao trabalho do sacerdote durante os sacrifícios — ele usava uma faca para abrir o animal, tirar o couro e cortar as partes.

              v.santificação: o cristão se apresenta a Deus como sacerdote e se oferece a si mesmo a Deus em sacrifício vivo e vai sendo transformado pela palavra de Deus; neste processo, o Espírito Santo maneja a palavra para santificar e transformar o cristão; santificação não iniciativa de fazer algo, mas de entregar a si mesmo.

d.       “os vossos corpos como sacrifício”: idéia de consagração — tornar sagrado mediante oferecimento a Deus; dedicar a Deus; fazer novo; separado para Deus.

e.      Corpos: Deus não está pedindo nada que já não seja dele; o cristão foi comprado pelo sangue de Jesus para ser templo do Espírito Santo e casa de Deus.

f.        Corpo / templo: compare os versículos:

               i.“o corpo... [é]... para o Senhor e o Senhor para o corpo” (1Co 6.13).

             ii.“... não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo... e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço” (1Co 6.19-20).

           iii.“Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos” (1Cr 29.14).

            iv.Pergunta: que consciência nós temos desta realidade: o nosso corpo (isto é, nosso ser inteiro) pertence a Deus; é propriedade adquirida por preço elevado.

g.      Consagração: não começa com vida; não é fazer algo para Deus; consagração começa com o sacrifício de mim mesmo para o prazer de Deus.

h.      Pano de fundo: os sacrifícios de animais da antiga aliança —

               i.o ofertante apresentava o animal perante o Senhor, colocava a mão sobre a cabeça do animal e o oferecia para sacrifício;

             ii.o sacerdote examinava e matava o animal, esfolava (por dentro e por fora), partia ao meio e o lavava com água.

i.        Reflexão:

               i.a relação de poder se revela pela obediência que prestamos seja ao “pecado  para a morte”, ou à obediência para a justiça”.

             ii.Quem é o sacerdote hoje? Nós somos o sacerdórcio real (1Pe 2.9).

           iii.Qual é a oferta hoje? Nós mesmos em sacrifício voluntário (Rm 12.1).

            iv.Que faca é usada no sacrifício? A palavra de Deus (Hb 4.12).

 

[6]          PARA REFLETIR

a.      Cruz diária: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23).

b.      Modo de vida da Trindade: o alvo de Deus é formar em nós o modo de vida da Trindade, que é não viver para si mesmo, mas para o outro.

c.      Sacrifício: o novo homem deve se apresentar a Deus continuamente para ser transformado à imagem de Cristo. “Deus se coloca no lugar de tudo que ele tira de nossa vida.” (Romeu Cordeiro)[i]

d.      Relacionamento: no contexto do relacionamento de amor entre Deus e o novo homem sacrificado ocorre a revelação da palavra de Deus e a transformação da mente.

e.      Consagração: a base é a misericórdia de Deus; o motivo é o amor a Deus; o resultado é a transformação.

“Quem muito é perdoado, muito ama” (Jo 7.36-45): se a base da consagração é a misericórdia, o cristão somente se oferecerá ao Senhor na medida de sua compreensão da misericórdia de Deus.

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