LIÇÃO 4 – RENOVAÇÃO DA MENTE (RM 12.1-2)

UMA DEFINIÇÃO — O SERVIÇO RACIONAL

 

[1]          REVISÃO

a.      Apresentar-se: viver na presença de Deus.

b.      Sacrifício: atitude de oferecer-se a Deus por meio de Cristo.

               i.Sacerdote: eu mesmo —  “vós sois... sacerdócio real” (1Pe 2.9).

             ii.Oferta: eu mesmo — “os vossos corpos como sacrifício” (Rm 12.1).

           iii.Instrumento: “a palavra de Deus é... mais cortante do que [adaga]” (Hb 4.12).

            iv.Objetivo: agradar a Deus, viver a vida cristã — santificação.

 

[2]          SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL

a.      Sacrifício: é vivo pela vida de Cristo, santo pela santidade de Cristo e aceitável pela perfeição de Cristo.

b.      Sacrifício: os sacrifícios no AT eram chamados de aceitáveis; a lei ensinava como oferecer sacrifícios aceitáveis e quais sacrifícios eram inaceitáveis (Lv 22.17).

c.      “Vivo, santo e agradável”: qualifica o tipo de sacrifício que agrada a Deus — o culto de coração e não de ritos: “Fazer justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício” (Pv 21.3; Sl 69.30,31).

d.      Dois tipos de sacrifício:

               i.Expiatório: o sacrifício pelos pecados foi oferecido voluntariamente por Cristo a Deus; ele era o único qualificado para oferecer o sacrifício, mas também o único não obrigado a prestar qualquer sacrifício pelo pecado, porque é santo; o sacrifício expiatório é entre Deus Pai e Deus Filho, do Santo para o Santo; nenhum ser humano se qualificaria para oferecer este sacrifício pelos pecados.

             ii.Voluntário: sacrifício oferecido a Deus em louvor por alguma bênção.

           iii.Conclusão: as misericórdias de Deus se expressaram concretamente pelo sacrifício expiatório de Cristo e nos tornou completamente aceitáveis a Deus; agora, o que nos resta? Apenas nos oferecermos a nós mesmos a Deus.

 

[3]          SACRIFÍCIO VIVO

a.      Sacrifício vivo: uma aparente contradição de termos; contraste com sacrifício de animais mortos do AT; oferecer a própria vida em adoração a Deus;

b.      Comunhão: viver em Cristo pela fé (Gl 2.20).

c.      Sacrifício ambulante: sacrifício vivo pode ser entendido como “viver o sacrifício” — estilo de vida do novo homem.

               i.“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15).

             ii.“a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus” (1Pe 2.5).

d.      Vida/Morte: o contraste expresso por “sacrifício vivo” pode ser visto na proposição de Cristo sobre o impulso de viver que resulta em morte e a disposição de morrer que resulta em vida.

               i.“quem quiser salvar a sua vida, perde-a; mas quem perder a sua vida, salva-a” (citação livre de Mc 8.34-38);

             ii.“Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24).

 

 

[4]          SACRIFÍCIO SANTO

a.      Sacrifício santosacrofacere (latim) ou ‘fazer santo’; o corpo oferecido em sacrifício santo é o templo do Espírito Santo (1Co 6.19; Ef 2.21; 1Ts 4.4).

               i.“Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês? Se alguém destrói o templo de DeusDeus o destruiráPois o templo de Deus é santo, e essetemplo são vocês” (! Co 3.16-17).

             ii.A vontade de Deus é que vivam consagrados a ele ..., que cada um saiba usar o próprio corpo na santidade e no respeito” (1Ts 4.4, Edição Pastoral).

b.      Santidade alheia: o cristão é declarado santo por sua posição em Cristo, pela habitação do Espírito Santo; é a santidade de outro que nos torna santos.

               i.Pelo contrário, assim como é santo o Deus que os chamou, também vocês  tornem-se santos em todo o comportamento, porque a Escritura diz: sejam santos porque eu sou santo (1Pe 1.15-16)

             ii.“... amados por Deus e chamados à santidade” (Rm 1.7).

           iii.“Deus não nos chamou para a imoralidade, mas para a santidade” (1Ts 4.7).

c.      Fogo estranho: os judeus eram proibidos de trazer ao Senhor fogo estranho; (ver Nm 3.3); somente o que é santificado por Deus pode ser oferecido a ele.

               i.“São vocês que desprezam o meu nome! Trazendo comida impura ao meu altar! Na hora de trazerem animais cegos para sacrificar... Na hora de trazerem animais aleijados e doentes como oferta...Não tenho prazer em vocês” (Ml 1.6-10)

d.      Conclusão: nós fomos colocados em uma posição de santidade em Cristo diante de Deus; agora devemos nos oferecer a ele como santos, para sermos santificados plenamente até o último dia.

               i.“Deus, porém, nos corrige para o nosso bem, a fim de que sejamos participantes da sua própria santidade” (Hb 12.10).

             ii.“Progridam na santidade, porque sem ela ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

 

[5]          SACRIFÍCIO AGRADÁVEL

a.      Sacrifício agradável: ou aceitável (mesma palavra do v.2 — “agradável vontade de Deus”); agradar, dar prazer; a condição para ser aceitável é santidade;

               i.ver 1Pe 2.5 — “oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”.

             ii.quem agrada a Deus? Apenas o Filho — “Este é o meu Filho amado em quem tenho todo o meu prazer” (Mt 3.17; 12.18; 17.5; Mc 1.11; 9.7; 12.6; Lc 3.22; 9.35).

b.      Obra de Deus: Deus já nos fez agradáveis/aceitáveis a si mesmo por meio de Cristo (Ef 1.6); agora, nós devemos andar de modo agradável a Deus; o próprio Deus opera em nós o que lhe agrada (Hb 13.21).

c.      Compare:

               i.Paulo recebe a oferta da igreja de Filipo “como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Fp 4.18).

             ii.“no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus” (Rm 7.22); “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8); ver Is 65.12; 66.4.

 

[6]          CULTO RACIONAL — O QUE NÃO É

a.      culto na igreja: este é apenas uma pequena parte; a celebração festiva.

b.      culto formal: liturgia séria e inteligente, “com decência e ordem” (1Co 14.40);

c.      culto tradicional: sem manifestação emocional e espontânea.

d.      ativismo: exercício de dons, ministérios e cargos; compromissos com a igreja.

e.      tempo/espaço: não é uma atividade religiosa realizada em um certo lugar (templo) e em determinados horários do dia, ou um dia por semana.

 

[7]          CULTO RACIONAL — O QUE É 

a.      Definição: “que é o vosso culto racional” — o sentido simples do texto é que “apresentar-se a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável” —  apresentação  contínua de si mesmo a Deus é prestar o culto racional.

b.      Expressão: culto racional — logikên latreian — ocorre apenas em Rm 12.1; mas era popular entre os filósofos gregos; contraste com rituais externos e liturgia.

c.      Estudo dos termos

               i.Culto: latreia (grego), mesma palavra usada para se referir ao serviço dos sacerdotes no templo; "adoração oferecida pela razão, ou pela alma” (Thayer); traduzida como ‘culto’ (Jo 16:2; Rm 9:4; 12:1) e ‘serviço sagrado’ (Hb 9:1,6); não se refere estritamente ao culto litúrgico, mas a todo ato de obediência a Deus.

             ii.Racional: refere-se ao papel da mente renovada do cristão em contraste com os ritos e sacrifícios de animais; traduzido como espiritual em 1 Pe 2:2; sentido de integral, com entendimento e apropriado.

1. logikos (adj, grego) lógica; modo de pensar;

2. logos (subst, grego): significa palavra, ensino, verbo, raciocínio etc; relativo a mente, entendimento, raciocínio; palavra de uso comum na filosofia grega; designa racionalidade em comparação com os animais irracionais.

           iii.Compare: com os ímpios descritos em Rm 1.18-32 que rejeitam a revelação natural e se tornam tolos em seus pensamentos; os cristãos que reconhecem a Deus devem adorá-lo de modo integral e apropriado..

d.      Conclusão: Paulo evoca a figura do serviço religioso do templo e acrescenta uma qualificação — racional, ou seja, espiritual, integral; o sacerdócio cristão não á a oferta de alguma coisa, em certo tempo e espaço, mas a oferta de si mesmo a Deus o tempo todo e em todo lugar. Ver João 4.21-24:

               i.“Está chegando a hora, em que vocês não adorarão o Pai, nem sobre esta montanha nem em Jerusalém... está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade” (Ed Pastoral).

 

[8]          PARA REFLETIR

a.      Deus: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).

b.      Sacrifício: adote o hábito de oferecer-se a si mesmo a Deus diariamente; ofereça seu tempo, seus talentos, oportunidades, relacionamentos e o que mais servir para agradar a vontade de Deus.

               i.“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).

             ii.“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou... E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.14-17)

c.      Culto Racional: exercite o conceito de oficiar como sacerdote-sacrifício diante de Deus, oferecendo a si mesmo ao Senhor em todo tempo e todo lugar.

               i.“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).

             ii.“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

d.      Oração: experimente orar a Deus oferecendo-se para agradá-lo e pedindo sabedoria para saber agradá-lo em tudo:

               i.“Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu” (Sl 40.8).

             ii.“Aqui estou; vim para fazer a tua vontade” (Hb 10.9).

Comentários