Ministério da Educação

Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA

Instituto de Saúde e Produção Animal - ISPA

Disciplina: Zoologia Agrícola

Profª: Andréa Bezerra de Castro

RELAÇÃO DOS INSETOS

COM A AGRICULTURA

Belém-Pará

2010

CARACTERIZAÇÃO DE ORDENS DE INSETOS DE MAI0R IMPORTÂNCIA AGRÍCOLA

ORTHOPTERA (orthos = reta; pteron = asa)

Inclui insetos comumente conhecidos como gafanhotos, grilos, paquinhas e esperanças. O tamanho é variável de 5 a mais de l00 mm. Aparelho bucal mastigador; pernas posteriores saltatoriais. exceto quando as anteriores forem fossoriais; adultos com asas anteriores sub-retangulares e planas, pergamináceas (tégminas); posteriores membranosas e, quando, em repouso, mantidas sob as anteriores, dobradas longitudinalmente em leque. Desenvolvem-se por paurometabolia. Existem cerca de 150 mil espécies descritas distribuídas em duas subordens:

Caelifera (caelum = cinzel; fero = trazer, ter): ortópteros com antenas curtas, tímpanos no primeiro uromero e ovipositor pouco aparente. Exemplo: gafanhotos.

Ensifera (ensis – espada; feros = ter): ortópteros com antena longas, geralmeme maiores que o corpo; timpanos quando presemes situados nas tíbias anteriores: ovipositor quase sempre muito desenvolvido emforma de espada ou estilete. Quando com antenas curtas ou ovipositor oculto, as pernas anteriores são fossoriais e as posteriores ambulatoriais Inclui as esperanças, grilos e cachorrinhos-da-terra ou paquinhas.

Algumas espécies de ortópteros de interesse agrícola

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas

Danos

Gryllus assimilis

grilo

hortaliças, sementeiras, viveiros, raízes e plântulas de algodoeiro, arroz, milho, batata e tomateiro

alimentam-se das folhas, ramos e raizes

Neocurtilla hexadactila

cachorrinhos-da-terra, paquinhas, grilo

hortas em geral, sementeiras e viveiros

se alimentam das raízes

Rhammatocerus schistocercoides

gafanhoto crioulo

diversas culturas

se alimentara das folhas e outras partes aéreas das plantas

Scapteriscus sp.

cachorrinhos-da--terra, paquinhas, grilo

Schistocerca

americana

gafanhoto migratório sul-americano,

diversas culturas

comem folhas e outras partes aéreas das plantas

ISOPTERA (isos = igual; pteron = asa)

Esta ordem inclui insetos conhecidos como cupins ou térmitas. O comprimento é variável: até 15cm (fêmeas fisogástricas). São insetos sociais, diferenciando-se em castas de indivíduos estéreis e ápteros (soldados e operários) e formas reprodutivas, incluindo reprodutores de substituição (ápteros ou com asas encurtadas) e casais primários. Estes últimos, após revoada, perdem as asas e aos pares, constróem novas sociedades (cupinzeiros ou termiteiros).

Possuem aparelho bucal mastigador, antenas moniliformes; abdome aderente ao tórax em toda sua largura, ou seja, não existe constrição entre tórax e abdome. As formas aladas possuem dois pares de asas membranosas e sub-iguais. dotadas de uma sutura transversa basal, que permite a fácil perda das mesmas, após a revoada. Desenvolvem-se por paurometabolia. São conhecidas mais de 2000 espécies. A importância agrícola reside na presença de espécies rizófagas e xilófagas.

Algumas espécies de cupins de interesse agrícola

Espécie

Principais cultura atacadas e danos

Amitermes sp.

Atacam raízes de eucalipto

Cornitermes cumulans

Nausitermes sp.

Neocapritermes opacus

Procornitermes striatus

Atacam raízes de abacaxi, aspargo, cafeeiro, cana-de-açúcar e mudas novas de eucalipto

DERMAPTERA (derma = pele; peteron =asas)

São conhecidos popularmente como tesouras, tesourinhas, iacraias ou lacrainhas. Possuem aparelho bucal mastigador. As antenas podem ser filiformes ou moniliformes. Tetrápteros. sendo as anteriores do tipo tégmina e as posteriores membranosas. O ápice do abdome possui cercos em forma de pinça. Inclui espécies predadoras de lagartas e pulgões, merece destaque a espécie Doru luteipes, predadora da lagarta-do-cartucho-do-milho.

Possui cerca de 1200 espécies em 3 subordens:

Arixeniina: Com apenas duas espécies, que vivem nos habitats de morcegos e não são necessariamente seus ectoparasitos. Encontrados na Indonésia, Malásia e Filipinas. Os cercos são pequenos e não em forma de pinça. São ápteros e vivíparos

Hemimerina: Com 10 espécies ectoparasitas de ratos do sul da África. São ápteros e os cercos são pequenos e não em forma de pinça.

Forficulina: É a única subordem das Américas e que contém o maior número de espécies

THYSANOPTERA (thysanos = franja; pteron = asa)

São conhecidos como tripés ou trips. Comprimento variável entre 0,5 a 14mm. Aparelho bucal picador-sugador, representado por uma estrutura cônica que contém três estiletes. Possuem dois pares de asas membranosas. muito estreitas e com longos pêlos marginais. O desenvolvimento é por paurometabolia. A maioria das espécies são fitófagas. Existem cerca de 5.000 espécies descritas. Distribuídas em duas subordens:

Terebrantia (terebro = eu furo): fêmeas com ovipositor em forma de sabre (terebra); asas com pêlos microscópicos, as anteriores com pelo menos duas nervuras longitudinais; último urômero cônico.

Tubulifera (tubus = tubo: fero = trazer): fêmeas sem ovipositor. asas sem pêlos microscópicos, as anteriores com uma só nervura: último urômero comumente tubuliforme.

Algumas espécies de tripés fitófagos

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Caliothrips bicintus

tripés

ataca as folhas e botões florais da bananeira

Frankliniella scultzei

tripés

transmissor do vírus do "vira-cabeça" ao tomateiro

Gynaikothrips ficorum

"lacerdinha"

ataca cerca-viva

Holopothrips ananasi

tripés

ataca abacaxi

Thrips tabaci

tripé

ataca algodoeiro, alho, cebola, ervilha, feijão, fumo, etc

HEMÍPTERA (hemi =- metade-; pteron = usa)

Caracterizam-se pelo aparelho bucal picador-sugador. com lábio articulado e pernas com no máximo três tarsômeros.

SUB BORDEM HOMOPTERA (homo = mesma; pteron = asa)

Este grupo abarca as cigarrinhas, cigarras, cochonilhas, pulgões e outras formas menos conhecidas. Tratam-se de insetos heterogêneos morfologicamente, apresentando, porém, pelo menos dois aspectos gerais: aparelho bucal picador-sugador e regime alimentar exclusivamente fitófago. O tamanho varia de 0,3 a 70mm de comprimento. O desenvolvimento é por paurometabolia ou hipometabolia. Existem cerca de 36 mil espécies descritas incluídas em uma das duas Infraordens:

  • Auchenorryncha (auchen = pescoço; rhynchos = tromba): inclui as cigarras e cigarrinhas: rostro emergindo da região póstero-inferior da cabeça; dois pares de asas membranosas ou o primeiro par do tipo tegmina.

  • Sternorryncha (sternon = esterno; rhynchos = tromba): inclui as cochonilhas, pulgões, psilídeos e "moscas-brancas", O rostro emerge entre o primeiro par de pernas ou mais para trás; exceto para cochonilhas; que os adultos possuem dois pares de asas membranosas.

Algumas espécies de homopteros de interesse agrícola

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Acrogonia sp.

Dilobopterus costalimai

Bucephalogonia xanthopsis

Plesiommata facilais

Oncometapia facilais

cigarrinhas vetoras da CVC

são vetoras da bactéria Xylella fastidiosa causadora da Clorose Variegada dos Citros (CVC). Sintomas: clorose amarelada nas folhas, frutos reduzidos eamarelecem prematuros

Aethalion reticulatum,

cigarrinha-das-frutíferas

suga a seiva de citros, café, figueira, jaca, mangueira, etc... provocando o secamento dos ramos e queda dos fruto

Aleurothrixus floccosus

mosca-branca

devido à sucção contínua de seiva, a planta pode definhar e morrer. Ataca principalmente citros

Aonidiella aurantii

cochonilha

devido à sucção contínua de seiva, a planta pode definhar e morrer. Ataca principalmente citros

Aphis gossypii

pulgão

Causam encarquilhamento das folhas e deformação oos brotos. Ataca algodoeiro, cajueiro, cucurbitaceas, quiabeiro, etc..

Bemisia tabaci

mosca-branca

os insetos tem ação toxicogênica, sendo que os maiores prejuízos são devido a transmissão de viroses. Atacam feijoeiro, soja. ervilha, fava

Ceroplastes spp.

cochonilha-de-cera

suga a seiva de diversas plantas

Chrysomphalus ficus

cochonilha cabeça de prego

Idem a A. floccusus

Deois flavopicta

Zulia entreriana

Cigarrinha das pastagens

a ninfa suga os perfilhos, o adulto ao sugar a seiva, inocula toxinas que causam a "queima-do-capim"

Dysmicoccus brevipes

Piolho farinheiro

ao sugarem a seiva, inoculam toxinas, causa;»' a "murcha-do-abacaxi"

Empoasca sp.

Cigarrinha verde

tanto a ninfa quanto adulto sugam a seiva e injetam toxina na planta, provocando, um amarelecimento dos bordos da tolha e secamento: a planta fica “enfezada” e os folíolos enrugado. ataca batata, amendoim, feijoeiro, soja ctc..

Eriosoma lanigerum

Pulgão lanígero da macieira

ataca o tronco, ramos novos, brotos, raízes, e as vezes, os frutos, cansam em alta infestações nodosídades na planta, podendo !evar a morte. Ataca principalmente madeira, pereira e marmeleiro.

Euthizoccocus brasiliensis

perola-da-terra

suga a seiva das raízes principalmente da videira

Gyropsylla spegazzinianna

âmpola-da-erva-mate

causa deformações rãs folhas de erva-mate

Mahanarva spp.

çigarrinha-da-cana

sugam a seiva de cana-de-açúcar

Lepidosalphes becki

escama-vírgula

idem A. floccosus

Toxoptera citricidus

pulgão-preto-dos-citros

causam o encarquilhamemo das folhas e deformação dos brotos

Unaspis citri

cochonilha escama-farinha

a sucção de seiva e introdução de toxinas, provocam fendas longitudinais no tronco e galhos de citros, facilitando a penetração de microorganismos

SUBORDEM HETEROPTERA (hetero = diferente; pteron = asas)

Esta ordem inclui as baratas d'água e percevejos. O tamanho é variável de 1,5 a mais de l00 mm de comprimento. O aparelho bucal é picador-sugador, que se articula à região anterior da cabeça, sempre diante dos olhos. Os adultos possuem dois pares de asas, sendo as anteriores do tipo hemiélitro e as posteriores membranosas. A maioria das espécies são fitófagas, existindo várias zoófagas e algumas hematófagas. O desenvolvimento pós embrionário ocorre por paurometabolia. Existem aproximadamente 45 mil espécies conhecidas, agrupadas em dois grupos:

Cryptocerata (cryptos = escondido; ceras = antena): agrupa hemípteros de antenas muito curtas, invisíveis por vista dorsal, tais como percevejos aquáticos e baratas d"água. São todos zoófagos.

Gymnocerata (gimnos = nu: ceras = antena) hemípteros de antenas bem visíveis dorsalmente; a grande maioria é terrestre com hábito alimentar variado. Todavia, existem exemplos de percevejos importantes para controle biológico: Zelus spp. predadores de diversos insetos em plantas frutíferas

Algumas espécies de percevejos de interesse agrícola

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Corecoris dentiventris

percevejo-cinzento-do-fumo

atacam partes verdes causando murchamento

Diactor bilineatus

percevejo-do-maracujá

ninfas e adullos sugam caule, frutas e folhas, botões florais e flores que murcham e caem.

Holymenia clavigera

Percevejo das frutas

Idem a D. Bilineatus, atacando, também goiabeiro

Nezara viridula

Percevejo verde

quando atacam a soja na floração diminuem a produção de sementes: quando na frutificação, a planta interrompe a fase reprodutiva, ocorrendo um aumento na fase vegetativa, permanecendo as plantas verdes (soja louca). ataca também outras leguminosas.

Peizodorus guildinii

percevejo-verde-pequeno-da-soja

Idem a Nezara viridula

Oebalus poecilus

percevejo-do-arroz

ataca as panículas. Sugando o grão durante a

casca do arroz branca e a panicula fica mais creta. Ao sugar os grãos na fase de maturação, deixa a casca com uma pontuação marrom e o grão torna-se gessado e quebradiço, no beneficiamento.

Scaptocoris castanea

percevejo-castanho

adultos e ninfas sugam a seiva das raízes, provocando o amarelecimento da planta e posterior secamento. Atacam algodoeiro. cana-de-açúcar alfafa, amendoim, milho. feijoeiro, sorgo, etc..

percevejo-marrom-do-arroz e percevejo da haste

atacando a planta na fase vegetativa; suga o colmo e provoca o sintoma de "coração morto", o que leva a pianta a morte; na fase reprodutiva, suga a haste que sustenta a panícula, causando "a panícula branca" do arroz, islo é, o chochamento de todo cacho, em consequência a casco do arroz adquire uma coloração esbranquiçada sem a formar o grão

Thyanta perditor

percevejo-do-trigo

suga a seiva dos grãos em formação, reduzindo a produção e afetando o poder germinativo das sementes.

Para a distinção do hábito alimentar dos percevejos é conveniente observar a chave dicotômica a seguir:

1. rostro longo, dividido em quatro artículos;

delgado, quando em repouso forma um ângulo

reto agudo com a superfície do corpo ........................................percevejo fitófago

2. rostro curto, dividido em três artículos......................................................................3

3. rostro quando em repouso apresenta

acentuada curvatura formando um ângulo

curvilíneo com a superfície inferior do corpo;

rostro robusto...................................................................................percevejo predador

4. rostro quando em repouso forma um ângulo

agudo com a superfície inferior do corpo;

rostro reto......................................................................................percevejo hematófago

NEUROPTERA (neuron = nervura; pteron = asa)

Inclui cerca es 4500 espécies, com tamanhos variáveis entre 1,2 e 6,3mm de comprimento. Algumas espécies com envergadura superior a 150mm. Aparelho bucal mastigador. Os adultos são providos de quatro asas membranosas, com grande número de veias longitudinais e transversais, formando um retículo um tanto complexo. São holometabólicos. As larvas, em geral, são terrestres, todavia existem aquáticas, sempre com hábitos predadores, de onde reside a importância dessa ordem. No Brasil o crisopídeo Chrysoperla externa destaca-se como o principal predador de homópteros.

LEPIDOPTERA (lépido = escama; pteron = asa)

Ordem constituída por insetos conhecidos como borboletas e mariposas. O comprimento pode atingir até 80mm, a envergadura varia de 3 280mm. O aparelho bucal é sugador em forma de tubo, que é mantido enrolado soba cabeça quando em repouso, denominado de espiritromba. Os adultos apresentam dois pares de asas membranosas recobertas de escamas minúsculas. Desenvolvem-se por holometabolia. recebendo as larvas a denominação de lagartas e as pupas de crisálidas. A importância dessa ordem decorre das lagartas que possuem aparelho bucal mastigador. comportando-se principalmente como filófagas (ver tabela). Existem cerca de 150 mil espécies de lepidópteros descritos, incluídos em uma das três subordens:

Jugatae: asas anteriores com jugo. São as formas mais plesiomóficas, e menos encontradas em nosso país.

Frenatae: asas posteriores geralmente com frênulos ou com área umeral ampliada, encontram-se antenas de diversos tipos. Inclui as mariposas.

Rhopalocera: asas posteriores sem frênulo, porém com área umeral ampliada. As antenas são sempre clavadas. Inclui as borboletas

Algumas espécies de lepidópteros de interesse agrícola

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Agraulis vanilae vanilae

lagarta-do-maracujazeiro

provoca o desfolhamento

Agrotis ipsilon

lagarta-rosca

corta plantas novas e destrói tubérculos. Ataca algodoeiro, amendoim, arroz, feijoeiro, fumo, girassol, milho. soja. tomateiro, etc..

Alabama argillacea

cururquerê-do-algodão

provoca o desfolhamento

Anagasta kueniela

traça

ataca grãos armazenados

Anticarsia gemmatalis

lagarta-da-soja

provoca o desfolhamento

Ascia monust orneis

lagarta-da -couve

alimentam-se das folhas

Diatraea sacharalis

broca-da-cana

broqueia o colmo, causa prejuízos diretos e indíretos. Ataca ainda arroz, milho, cana-de-acúcar, trigo, sorgo, aveia e capins

Dione juno juno

lagarta-do-maracujazeiro

provoca o desfolhamento

Elasmopalpus lignosellus

lagarta-elasmo; broca-do-colo

causa nas gramíneas o sintoma do "coração morto" e em leguminosas o secamemo de plantas novas

Erinnyis ello

maranduvá-da-mandioca

provoca o desfolhamento

Grapholita molesta

broca-dos-ponteiros--das-rosáceas

as lagartas perfuram as extremidades dos galhos novos, abrindo galerias descendentes e causando a morte da parte atingida: podem penetrar também nos frutos. Atacam principalmente pessegueiro e ameixeira

Hilicoverpa zae

lagarta-da-espiga-do-milho

destrói os grãos das espigas do milho frutos em tomateiro

Heliothis virescens

lagarta-da-maçã-do-

algodoeiro

Ataca as maçãs

Manduca sexta palphus

Manduvá do fumo

provoca o desfolhamento

Mocis latipes

Lagarta dos capinzais

Alimenta-se do limbo foliar, deixando apenas as nervuras centrais, ataca, gramíneas, principalmente millho, sorgo, arroz e pastagens.

Oiketicus kirbyi

bicho-do-cesto

provoca o desfolhamento de cafeeiro goiabeira. eucaliptos, etc..

Heraclides thoas

brasiliensis

lagarta-das-folhas-dos-citros

alimentam-se das folhas

Perileucoptera coffeella

bicho-mineiro-do-café

provoca minas nas folhas de café

Plodia interpunctela

traça

ataca grãos, farelos e farinhas armazenados

Pseudalatia sequax

lagarta-do-trigo

provoca o desfolhamento

Phyllocnistis citrella

lagarta-minadora-dos-citros

causa minas nas folhas de cirtos, diminuindo a capacidade fotossintética da planta

Rachiplusia nu

falsa-medideira-da-soja

provoca o desfolhamento

Scrobipalpuloides absoluta

traça-do-tomateiro

abre galerias nas folhas, ramos, gemas e frutos

Silotroga cerealella

traça

ataca grãos armazenados

Trichoplusia ni

falsa-medideira

provoca o desfolhamento de hortaliças, leguminosas, algodoeiro e tomateiro

Sprodoptera frugiperda

lagarta-do-cartucho-milho

destroi o cartucho

DIPTERA (di = dois; pteron = asa)

Inclui as moscas, mosquitos e mutucas, O comprimento varia de 0,5 a 60mm. O aparelho bucal é sugador ou picador-sugador, em alguns é atrofiado. Possuem apenas um par de asas mesotorácicas, haja vista que as metatorácicas transfonnaram-se em órgão utilizado para o equilíbrio durante o voo, denominado de balancins ou halteres. Estes insetos desenvolvem-se por holometabolia.

A importância agrícola dessa ordem é bem diversificada, pois existem espécies carpófagas, minadoras ou brocas, além de espécies predadoras e parasitas que auxiliam no controle de pragas ou, ainda, como polinizadoras.

Cerca de 85 mil espécies já foram descritas e encontram-se distribuídas em três subordens:

Nematocera: (nema = fio; cera = antena): dipteros de antenas longas, geralmente maiores que otórax, inclui os mosquitos.

Brachycera (brachy = curto; cera = antena): dipterosque, em geral, apresentam antenas com três artículos, via de regra, com estilo terminal; sem lúnula. Emergência da pupária através de uma abertura em forma de "T". Inclui algumas moscas e as mutucas.

Cyclorrapha (cyclos = círculo; rhaphé = costura): antenas geralmente com três artículos, com arista dorsal; com lúnula; emergência da puparia através de uma abertura circular apical. Inclui a maioria das moscas.

Algumas espécies de dípteros de interesse agrícola

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Anastrepha fraterculus

mosca-sulamericana

as larvas causam o apodrecimento prematuro das frutas

Anastrepha obliqua

mosca-da-fruta

Anastrepha pseudoparallela

mosca-do-maracujá

Anastrepha grandis

mosca-da-abóbora

Ceratitis capitata

mosca-do-mediterrâneo

Contarinia sorghicola

mosca-do-sorgo

alimentam-se do ovário floral, afetando a produção dos grãos

Euxesta sp.

mosca-da-espiga

atacam a espiga do milho causando apodrecimento

Jatrophobia brasiliensis

mosca-da-galha

causam galhas nas folhas de mandioca, impedindo o desenvolvimento normal da planta

Liriomyza sp.

mosca-minadora

fazem minas nas folhas de: batata, couve, feijoeiro, tomateiros, etc,.

Entretanto, existem várias espécies que funcionam como agentes de controle biológico, como por exemplo: larvas de Allograpta e Pseudodorus, predadoras de pulgões; Eutrichopodopsis nitens parasitóide de percevejos-da-soja, Lixophaga diatraeae, Metagonisilum minense, Paratheresia claripalpis parasitóides da broca-da-cana., Xanthozona meianopyga parasitóide de lagartas-das-palmeiras, etc..

COLEOPTERA (koleos = estojo: pteron = asa)

Conhecidos como cascudos ou besouros, estes insetos tem um comprimento variável entre 0,25 e 200mm. Caracterizam-se pela dureza do exoesqueleto e pelas asas anteriores, de consistência coriácea e não funcionais, denominadas élitros, que em repouso, protegem as posteriores membranosas. O aparelho bucal é mastigador. Desenvolvem-se por holometabolia. São fitófagos, na maioria, durante uma das fases do desenvolvimento, adulta ou larval, ou em ambas; todavia algumas espécies são predadoras e importantes inimigas de pragas.

Esta é a maior ordem da classe, com cerca de 300 mil espécies descritas, distribuídas em duas subordens;

Adephaga (adephagos = voraz): coleópteros cujo primeiro urosternito é dividido pelas cavidades coxais posteriores. Todos são predadores, destaca-se Calosama spp., cujos adultos e larvas são predadores de lagartas, principalmente em soja e trigo; e Lebia concina que preda pequenas lagartas.

Polyphaga (poly = muitos; phagos = comer): coleópteros: cujo primeiro urosternito não é dividido pelas cavidades coxais posteriores. A maioria das espécies é fitófaga.

Algumas espécies ae besouros

Espécie

Nome popular:

Principais culturas atacadas e danos

Acanthoscelides obtectus

carunchu-do feijão

Danificam grãos armazenados

Agriotis spp.

larva-arame: verme-arame

a larva destrói as raízes das plantas, tornando-as amareladas, podendo até secar; quando ataca as sementes, causa as falhas nas plantações. Perfura os tubérculos de batata. Ataca ainda arroz, milho, sorgo e hortaliças

Anthonomus grandis

bicudo-do-algodoeiro

provoca a queda anormal dos botões florais, flores e maçãs

Cerotoma sp.

Vaquinha preta e amarela

o adulto ataca as folhas mais tenras, abrindo grande quantidade de buracos em soja, feijoeiro, alfafa, etc..

Conoderus spp.

larva-arame; verme-arame

Idem a Agriotis

Diabrotica speciosa

vaquinha-verde-e-amarela: patriota, brasilerinho; larva-alfinete

o dano realizado pelo adulto é idêntico ao de Cerotoma: as larvas perfuram os tubérculos de batatinha e atacam as raízes de diversas espécies de gramíneas

Diloboderus abderus

coró, capitão, bicho-bolo

as larvas atacam as raízes causando o secamento e morte das plantas gramíneas e hortaliças

Diploschema rotundicolle

broca-do-ramo-dos-citros

as larva abre galerias nos ramos, provocando secamento

Epicauta atomaria

burrinho-das-solanáceas

o adulto causa o desfolhamento de soianáceas, leguminosas, altata. batata doce, etc.

Epilachna cacica

joaninha, vaquinha

adultos e larvas atacam as folhas de cucurbitácea.

Epitrix spp.

pulga-do-fumo

adulto causa o desfolhamento principalmente de solanáceas.

Euetheola humilis

Coró, capitão, bicho-bolo

Idem a D. abderus

Faustinus sp.

bicho-da-tromba-de-elefante.

Os adultos alimentam-se de plântulas e ramos mais novos, as larvas abrem galerias na base do caule e nas raízes do fumo.

Hedypates betulinus

broca-da-erva-mate

Idem a Diploschema rotundicolle

Hypotemus hampei

broca-do-café

adultos e larvas atacam as sementes do café. afetando a produção pela destruição das sementes

Lagria villosa

idiamin

provoca o desfolhamento em diversas leguminosas

Lasiodeerma serricone

caruncho

danificam grãos armazenados

Naupactus sp.

carneirinho (adulto): broca-da-raiz( larva)

os adultos comem as folhas, deixando as bordas sarrilhadas, podem matar plantas de café. citros. soja e alfafa pela destruição de brotos, as larvas atacam as raízes de citros e cana-de- açúcar

Oryphagus oryzae

bicheira-da-raiz-do-arroz

as larvas alimentam-se da raiz do arroz irrigado, deixando inicialmente as plantas cloróticas, que depois secam e morrem, os adultos se alimentam das folhas perfurando-as

Pantomorus sp.

carneirinho

Idem a Naupactus

Sithophilus spp.

caruncho

danificam grãos armazenados

Trachyderes thoracicus

broca

Idem a D. rotundicolle

Tribolium spp,

caruncho

danificam grãos armazenados

HYMENOPTERA (hymen = membrana; pteron = asa)

Insetos popularmenle conhecidos como abelhas, formigas. marimbondos e vespas abrigam-se nessa ordem, além de outros menos conhecidos, como por exemplo, os microimenópteros. O tamanho varia de 0,21 a 60mm de comprimento. O aparelho bucal é mastigador, exceto nas abelhas, que é lambedor. Adultos geralmente com dois pares de asas membranosas sendo as posteriores menores, contudo existem formas ápteras.

São holometabólicos. A importância agrícola da ordem está relacionada com a polinização, com o controle biológico e com espécies fitófagas. Existem cerca de 120 mil espécies descritas agrupadas em uma das duas subordens:

Symphyta (syn = com; phyton = planta): himenópteros com abdome aderente ou séssil, asas posteriores com três células basais. A espécie de maior importância agrícola é Sirex noctilio, a vespa-da-madeira, praga de florestas de pinus no sul do Brasil, e em especial no Estado de Santa Catarina.

Apócrita (apo = separado; critus = separado): himenópteros com abdome pedunculado ou peciolado, asas posteriores com menos de três células basais.

Algumas espécies de himenópteros fitófagos

Espécie

Nome popular

Principais culturas atacadas e danos

Acromyrmex spp.

Quenquéns

Cortam folhas de diversas espécies de plantas

Atta capiguara

Saúva parda

Atta leavigata

Saúva de vidro ou cabeça de vidro

Atta sexdens rubropilosa

Saúva limão

Atta sexdens piriventris

Saúva limão sulina

Sirex noctilo

Vespa da madeira

A larva forma galerias no tronco e ramos de Pinus

Trigona spinipes

Irapuá, abelha cachorro

O adulto destrói flores, folhas, frutos, hastes e ramos de diversas espécies de planta.

Algumas espécies de microimenopteros parasitóides

Espécie

Forma que atua no controle biológico

Aganaspis pelleranoi

Pachycrepoideus vindemmiae

Microimenopteros parasitóides de pupas de moscas das frutas

Aphidius spp., Ephedrus spp., Praon spp.

Microimenopteros parasitóides de pulgões

Doryctobracon brasiliensis

Microimenopteros parasitóides de pupas de moscas das frutas

Doryctobracon areolatus

Microimenopteros parasitóides de pupas de moscas das frutas

Opius bellus

Microimenopteros parasitóides de pupas de moscas das frutas

Cotesia sp.

Microimenopteros parasitóides de lagartas

Polistes sp.

Vespas predadoras de lagartas

Trichogramma spp.

Microimenopteros parasitóides de ovos de mariposas

Trissolcus basalides

Microimenopteros parasitóides de percevejos

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