Educaçao ambiental e o CJOB de Buritizeiro-MG

Educaçao ambiental e o CJOB de Buritizeiro-MG

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24 – 27 de outubro de 2012

Danniella Carvalho dos Santos

Cursando Geografia pela Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES danniellacarvalho@gmail.com

Sara Moreira Santos

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB biologasarah@hotmail.com

Samuel Ferreira da Fonseca

Cursando Geografia pela Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES samuelfuturoprofessor@yahoo.com.br

RESUMO A Sociedade passa por um momento de conflito quanto às questões ambientais, visto que o desenvolvimento a nível mundial tem sido entendido de forma ambientalmente insustentável. Pois, ignoram os recursos finitos e a cada ano aumentam os investimentos em tecnologias avançadas e de curta duração. Atitude que tem gerado grande quantidade de lixo em suas diversas configurações, poluindo as mais variadas fontes de recursos naturais e produzindo, de certa forma, o aumento de algumas doenças. Desse modo a educação ambiental tem sido assunto de muitas pesquisas, discussões e perspectivas no mundo atual devido ao surgimento da chamada consciência ambiental. Fator que muitas vezes tem conduzido a contradições entre os mais diversos atores sociais. Seja na abordagem das ciências naturais, humanas ou sociais essa tem gerado conflitos. Nesse sentido, esse trabalho apresenta algumas reflexões sob o olhar ecológico, geográfico e interdisciplinar junto às perspectivas do Grupo Coletivo Jovem de Buritizeiro/MG. Grupo que a mais de oito anos busca transmitir os ideais de preservação ambiental com ações, práticas e palestras sobre o tema. O caminho metodológico para elaboração deste trabalho envolveu revisão de bibliografia e pesquisa documental junto aos organizadores do Grupo Coletivo Jovem de Buritizeiro/MG e seus participantes. Os resultados apresentados mostram a eficácia do referido projeto e suas expectativas dentro do contexto da educação ambiental na conscientização da juventude alcançada pelo mesmo. De forma que o trabalho destes evidencia a expansão dos saberes do grupo para a comunidade e uma formação exercitada no dia-a-dia.

Palavras-chave Educação Ambiental, Coletivo Jovem, Meio Ambiente.

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A educação ambiental tem adquirido vasta importância devido ao surgimento de questões a respeito da situação do planeta que permeiam os meios de comunicações formais e informais. Sejam aquelas voltadas as mudanças climáticas, ou mesmo as dúvidas emergentes no cotidiano quanto a qualidade de vida e bem estar socioambiental.

próprio

De acordo com Gomes, (1988) é necessário reconhecer as causas que sustentam o desequilíbrio entre o homem e a natureza e ainda agir de forma a assumir posturas inovadoras para construir uma vivência respeitosa ao meio ambiente e a si

acadêmicas e alcançar a população em suas mais variadas esferas

Portanto, cabe pensar na educação ambiental sob diversos ângulos: desde uma visão que busca condições mais dignas e ambientalmente sustentáveis à abordagem geossistêmica. Cientes de que, essa temática necessita transcender as discussões

Uma vez que, esse tema tem sido motivo de diversas contradições, as quais, vez por outra, podem confundir a realidade dos fatos com a intenção meramente política de seus autores. Portanto, ao pensar no referido assunto devemos considerar sua interdisciplinaridade, contexto e forma de abordagem para evitar equívocos apresentando visões embasadas em políticas intelectuais e sem teor de cientificidade.

ineficácia dos programas ambientais nacionais no momento

Pelegrini e Vlach, (2011) aferem que as discussões a respeito da educação ambiental no Brasil raramente têm alcançado os níveis, fundamental e médio do ensino, causando certa distância entre a universidade e a escola básica. Assim notamos a

Deste modo, percebe-se a necessidade de melhor compreensão da referida temática, uma vez que a Educação Ambiental é de caráter interdisciplinar. Essa precisa ser compreendida por todas as esferas sociais, desde a escola aos espaços da educação informal.

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Todavia, cabe aos educadores ambientais (sejam esses formais ou informais), abordar o tema de forma que haja emancipação de suas práticas pelos diversos atores inseridos nos ambientes sociais envolvidos.

Nesse sentido Jacobi, (2003) acrescenta que, além de formal e informal a

Educação Ambiental precisa ser elaborada de forma crítica e inovadora. Fatores que, a nosso ver, o Coletivo Jovem de Buritizeiro/MG abrange sem dificuldades. Buscando difundir de forma holística os saberes básicos que constituem o alicerce da Educação Ambiental. Por meio de palestras, reuniões e simpósios que tratam do assunto mencionado cujo foco é estender o conhecimento das causas e consequências das atitudes concernentes ao meio ambiente.

Nessa direção, esse trabalho apresenta algumas reflexões sobre a constante supracitada, sob olhar ecológico, geográfico e interdisciplinar junto às perspectivas do Grupo mencionado acima. Este que, a mais de oito anos busca transmitir os ideais de preservação ambiental com ações, práticas e palestras sobre o tema.

Falar de educação ambiental é poder repensar um pouco sobre uma das áreas da Biologia, a Ecologia, que está em pleno desenvolvimento e tem se tornado de grande importância por causa da interferência humana sobre os ecossistemas.

Uma estratégia didática para melhor se estudar o meio ambiente consiste em se identificarem elementos que constituem seus subsistemas ou partes deles. Assim se distinguem, por exemplo, os elementos naturais e construídos, urbanos e rurais ou físicos e sociais do meio ambiente (PCNs, 1997.) Diferenciando aqueles elementos que são “como a natureza os fez”, sem a intervenção direta do homem: desde cada recurso natural presente num sistema, até conjuntos de plantas e animais nativos, silvestres; paisagens mantidas quase sem nenhuma intervenção humana; nascentes, rios e lagos não atingido pela ação humana dos espaços e das paisagens alteradas fisicamente.

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objetivos do Coletivo Jovem de Buritizeiro/MG

Dessa forma, para a legislação brasileira, “conservar” implica manejar, usar com cuidado, manter; enquanto “preservar” é mais restritivo: significa não usar ou não permitir qualquer intervenção humana significativa. Um dos valores que passa a ser reconhecido como essencial para a sustentabilidade da vida na Terra é o da conservação da diversidade biológica (biodiversidade). Este conceito, que, por meio da educação ambiental, formal e informal, pode alcançar públicos variados, sendo esse um dos

No Brasil há várias leis estabelecendo Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que são espaços do território brasileiro, assim definidos e delimitados pelo poder público (União, Estado ou Município), cuja proteção se faz necessária para garantir o bem-estar das populações presentes e futuras e o meio ambiente ecologicamente equilibrado (PCNs, 1997).

Percebemos no cotidiano uma urgente necessidade de transformações para a superação das injustiças ambientais, da desigualdade social, da apropriação da natureza e da própria humanidade como objetos de exploração e consumo. Vivemos em uma cultura de risco, com efeitos que muitas vezes escapam à nossa capacidade de percepção, mas aumentam consideravelmente as evidências de que eles podem atingir não só a vida de quem os produz, mas as de outras pessoas, espécies e até gerações.

Os níveis de destruição ambiental são alarmantes que as gerações futuras poderão ter um futuro sombrio caso não aprendermos a valorizar e usar de forma racional os recursos naturais. À Educação Ambiental cabe a tarefa de desenvolver nos indivíduos o sentimento de pertencimento. Segundo Morin, (2000) educar para a identidade terrena é um dos sete saberes fundamentais de toda educação do futuro. É necessário aprendermos a ser terrenos, a estar no planeta e a nos comunicarmos com ele de forma dialógica. Assim sendo, ao refletir sobre os ideais do Coletivo Jovem de Buritizeiro, podemos enxergar tal perspectiva nos integrantes do mesmo.

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No que concerne à integração da Ecologia com outras áreas constata-se o estreitamento de relações entre as ciências naturais e sociais, uma vez que os grandes problemas da humanidade são de natureza ecológica.

Esses problemas podem ser evitados somente quando se conhece a estruturas e a forma como os ecossistemas funcionam, dando assim suporte para elaboração de estratégias e procedimentos racionais para utilização sustentável desses recursos naturais.

A história da educação ambiental sem dúvida é uma resposta daqueles interessados em inovar suas relações com o meio, mediante ao devastador momento em que o mundo vive. Situação imposta pelo capitalismo em suas mais variadas vertentes, aflorando muito mais os valores econômicos que a ética e compromisso social ou socioambiental.

crítica e holística no que diz respeito ao meio ambiente além da participação de todos

Assim sendo Pedrini, (1997) apresenta as conferências internacionais como ponto de partida para a elaboração dos pressupostos da Educação Ambiental como a enxergamos hoje, destacando Estocolmo, Belgrado, Tbilisi na década de 1970, a conferência de Moscou em 1987 e por último o encontro no Rio de Janeiro em 1992, onde se originou a Agenda 21. Considerando em todas as conferências a importância dos saberes técnicos e rudimentares como enlaçados para a geração de uma consciência

Nesse sentido, Quadros, (2007) afirma que: a questão ambiental no Brasil surge a partir de sua invasão do território pelos portugueses em 1500, que utilizaram dos recursos naturais de forma irracional. Iniciando a história do país, (ou melhor, da invasão do país) por meio de violentos massacres de pessoas e devastação exploradora dos recursos aqui encontrados.

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A Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental ocorrida em

ambiental auxiliada pelo uso das ciências e tecnologias (BUSTOS, 2003)

Tbilisi na Geórgia, em 1977 marcou o crescimento das questões relacionadas ao homem e a natureza, momento em que se pensava em metodologias inovadoras para a educação

motivos é a ausência de Educação Ambiental, (PEDRINI, 1997)

Todavia, Pedrini, (1997) ratifica que a Educação Ambiental no Brasil não traçou um caminho linear. Para o referido autor, em nosso país, mesmo antes de Estocolmo, a mesma já existia, porém com outra roupagem, pois, surge mencionada em decreto legislativo de 1948. No entanto, são os avanços nas formas de ocupação espacial do país e a crescente preocupação com a escassez dos recursos naturais que a colocam em evidência. Uma vez que, a causa da degradação ambiental, dentre outros

Destarte em documentos oficiais como ProNEA – Programa Nacional de

Educação Ambiental, (2005) e Brasil, (2007) que tratam da temática estudada e seu contexto histórico a nível nacional, são mencionadas as conferências internacionais, expostas em Pedrini, (1997) como marco para o desenvolvimento de políticas publicas de Educação Ambiental no Brasil. Todavia, Brasil, (2007) enfatiza Estocolmo como um momento de inserção da mesma na agenda internacional.

No entanto existe um consenso entre a bibliografia consultada sobre o surgimento e institucionalização do tema abordado. Aparecendo em 1970 por meio de organização da sociedade civil, prefeituras e governos estaduais os quais buscavam melhor qualidade ambiental, e ocorrendo o aparecimento de especializações em Educação Ambiental, (BRASIL, 2007). Entretanto em 1988 na constituição surge um artigo o qual oficializa a necessidade de promoção da mesma em todos os níveis de ensino.

Os órgãos federais e estaduais se responsabilizam por gerir os temas da

Educação Ambiental no Brasil, porém a manifestação da população em relação a referida temática tem aumentado nos últimos anos.

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A idéia de preservação ambiental tem sido difundida nas escolas por meio dos temas transversais expostos nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), cujo objetivo é a formação crítica e participativa de todos os atores sociais.

Nesse sentido o Brasil tem buscado divulgar os pressupostos que podem auxiliar na criação de uma sociedade sustentável cuja relação homem-meio seja gerida de melhor forma. Além de pequenos grupos isolados do estado que se formam e buscam de suas mais variadas maneiras preservarem o meio ambiente e divulgar os ideais de preservação ambiental. Sendo o Coletivo Jovem de Buritizeiro/MG um exemplo a ser copiado e divulgado, a nosso ver, devido suas formas de trabalho e envolvimento com a natureza.

O coletivo jovem de Buritizeiro/MG- CJOB, é um grupo informal de jovens voluntários que se interessam em desenvolver ações socioambientais no município supracitado. Segundo Jacobi (2003, pag.1):

Atualmente o desafio de fortalecer uma educação ambiental convergente e multirreferencial é prioritário para viabilizar uma prática educativa que articule de forma incisiva a necessidade de se enfrentar concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais.

O autor chama a nossa atenção para o desafio de tornar a educação ambiental um elo entre sociedade e meio ambiente de forma que ambos através da constante interação homem-natureza formem o campo de atuação da educação ambiental, que utiliza ferramentas como o Coletivo Jovem para disseminar suas idéias e formar uma consciência ecologicamente correta.

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