MANUAL DE MICROBIOLOGIA

MANUAL DE MICROBIOLOGIA

(Parte 1 de 9)

DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA
CURSO DE MEDICINACURSO DE MEDICINACURSO DE MEDICINACURSO DE MEDICINA
BÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICABÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICABÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICABÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICA

MANUAL MANUAL MANUAL MANUAL TEÓRICOTEÓRICOTEÓRICOTEÓRICO----PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS 3ª EDIÇÃO

REALIZAÇÃREALIZAÇÃREALIZAÇÃREALIZAÇÃOOOO
ProfessorProfessorProfessorProfessoraaaa::::Drª Cristina Leise Bastos Monteiro (Coordenadora)
ProfessoraProfessoraProfessoraProfessora::::Drª Laura Lúcia Cogo
ProfessoraProfessoraProfessoraProfessora::::Drª Izabel Galarda
AcadêmicoAcadêmicoAcadêmicoAcadêmico::::Fernando Carlos Bortolozzi Filho
A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE
BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA3
INTRODUÇÃO5
CAPÍTULO 1: CONTROLE DE MICRORGANISMOS13
CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E
GRUPAMENTOS BACTERIANOS29
CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL35
CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS
NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO37
CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS39
CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA52
CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS5
CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS58
CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO69
CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO
ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE AGENTES ETIOLÓGICOS79
- PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS79
- OROFARINGE8
- TRATO GÊNITO URINÁRIO106
- INTESTINAIS113
- FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE126
- TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS131
CAPÍTULO 1: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS136
CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES152
CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE170
CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES178
CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS199
BACTERIOLOGIABACTERIOLOGIABACTERIOLOGIABACTERIOLOGIA E MICOLOGIA E MICOLOGIA E MICOLOGIA E MICOLOGIA

“A segurança de todos depende dos cuidados individuais dos alunos e dos professores.”

Seguem-se as orientações para os alunos executarem as tarefas dentro dos parâmetros de biosegurança médica:

1. É obrigatório o uso de avental (ou jaleco, guarda-pó, etc.) fechado na frente e de mangas compridas, para proteger a roupa e a pele dos braços. 2. É expressamente proibido comer, beber ou fumar dentro do laboratório. 3. Não usar anéis e pulseiras. 4. Prender o cabelo comprido. 5. Lavar as mãos antes e depois dos procedimentos. Após a lavagem das mãos utilizar álcool 70% para otimizar a desinfecção. 6. Evitar o contato da pele e mucosas com materiais clínicos tais como sangue, pus, escarro, fezes, urina, outras secreções e exsudatos. Tratar sempre todas as amostras como potencialmente infectantes, sendo que os maiores perigos estão relacionados com o vírus da hepatite B, HIV, bacilos da tuberculose e salmonelas. Observação: cada mL de sangue pode conter 100 milhões de vírus de hepatite B e uma só partícula provoca a hepatite. Caso ocorram respingos pelo material contaminado sobre a pele, fazer imediatamente a antissepsia do local. O avental respingado deve ser colocado em cartucho plástico para não contaminar outros objetos. 7. Não trabalhar nas proximidades de cadernos, mochilas e livros. As mochilas devem ser colocadas no fundo dos laboratórios no início das aulas práticas. 8. Só utilizar pipeta quando esta tiver mecha de algodão no bocal. A mecha tem dois objetivos: proteger o operador do risco de contaminação com material patológico ou culturas de microrganismos e preservar o material manipulado da contaminação pela saliva do operador (aerossóis). 9. Jamais colocar o tampão de algodão dos tubos ou frascos sobre a mesa. Durante os procedimentos o tampão deve ser segurado com o dedo mínimo.

10. Jamais colocar a pipeta usada sobre a bancada ou mesa de trabalho. Ela deve ser colocada em recipientes que contêm desinfetantes (Lisoform, hipoclorito de sódio a 2%, etc.), bem como algodão para vidro (para não quebrar a ponta da pipeta) disponível em cada mesa. 1. Evitar a formação de aerossóis, que são micropartículas que contém uma quantidade extremamente pequena de líquido (água, saliva, etc.) e algumas partículas infectantes (vírus, esporos bacterianos, etc.). Estes aerossóis podem cair sobre a mesa contaminando-a, ou ainda ficarem suspensos no ar e serem inalados, promovendo um possível ciclo de infecção. Tais partículas podem se formar em procedimentos como flambagem da alça metálica, flambagem de pinças, abertura brusca de tubos ou frascos com tampa de pressão, agitação de tubos com as mãos, centrifugação de tubos abertos, manipulação incorreta de seringas, homogeneizadores, etc. 12. Ao término do trabalho: a) Desinfetar a bancada com um desinfetante disponível (hipoclorito, álcool 70%, clorexedine, álcool iodado, etc.). b) Lavar as mãos e antebraços com água e sabonete líquido. Em seguida utilizar, de preferência, solução degermante à base de polivinilpirrolidona-iodo (PVPI) a 10%. Enxugar com toalha descartável. Em seguida aplicar álcool 70% nas mãos para dar continuidade à desinfecção.

Observação: em caso de acidente, como de pipetas contaminadas, placas e frascos com material patológico ou cultura de microrganismos é obrigatório: a) Derramar sobre o material quebrado um desinfetante (por exemplo álcool 70% ou clorexedine). b) Cobrir com toalha de papel. c) Deixar em contato, no mínimo, por uma hora antes de remover o vidro com uma pinça e com a mão enluvada absorver o líquido com papel toalha, acondicionar em sacos apropriados e a seguir autoclavar.

(Concentrado de obras que não estão disponíveis nas bibliotecas da Universidade, por isso esse texto é disponibilizado aos alunos).

INTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃO

Micróbio: termo usado em 1878 por Charles Emmanocl Sedillot (cirurgião francês).

Microbiologia: é a ciência que estuda os microrganismos (seres pequenos, geralmente microscópicos) e suas atividades. São os protozoários, fungos, algas, vírus e bactérias. Os microrganismos constituem um grande grupo heterogêneo, apresentando características variadas, tendo, no entanto, em comum o fato de conservarem ao longo do curso de evolução biológica, uma estrutura simples e indiferenciada, ou seja, possuem estrutura primitiva não apresentando tecidos ou órgãos especializados.

O estudo dos microrganismos compreende o conhecimento de suas formas, estruturas, reprodução, metabolismo e identificação. Trata ainda da sua distribuição na natureza e as relações entre si e com os demais seres vivos. Estudam-se também as transformações físicas e químicas exercidas nos seus habitats, das quais resultam efeitos prejudiciais ou proveitosos para outros seres vivos.

Em última análise os fenômenos chamados doenças infecciosas, do ponto de vista biológico, são simplesmente interações destrutivas entre vegetais e animais.

A microbiologia pode ser estudada como ciência autônoma, mas também como instrumento de outras áreas biológicas. Foram os microrganismos que serviram, e servem cada vez mais, de modelos para as ciências modernas como: bioquímica, genética, biologia molecular, engenharia genética, etc. Para o estudo destas ciências é preciso estar familiarizado com os microrganismos. Os microrganismos possuem muitas características que os tornam seres ideais para a investigação dos fenômenos biológicos. Pode-se cultiválos facilmente em tubos (recipientes pequenos) o que requer menor espaço para manutenção do que plantas e animais. Crescem rapidamente e se reproduzem a um ritmo extraordinariamente elevado. Algumas espécies bacterianas produzem cerca de 100 gerações num período de 24 horas. A cada 15 minutos surge uma nova geração e de cada célula resultam 2 células filhas em uma progressão geométrica sendo que no final de 24 horas teremos milhões de descendentes, o que não acontece com animais e plantas.

Áreas de aplicação da microbiologia

O microbiólogo, de uma maneira geral, pode se especializar no estudo de certos microrganismos. Estritamente falando, bacteriologia é o estudo das bactérias (muitas vezes o termo é usado como sinônimo de microbiologia), micologia estuda os fungos, virologia estuda os vírus e ficologia estuda as algas.

É freqüente a especialização em algum aspecto da microbiologia: citologia bacteriana, genética bacteriana, fisiologia dos fungos, etc. Existem numerosas áreas onde a Microbiologia aplicada tem grande significado. Microbiologia médica: os microrganismos muito estudados são os que causam doenças em humanos e são chamados de patogênicos. Este ramo da microbiologia também estuda a prevenção e controle de doenças, imunização, imunologia e os métodos diagnósticos. O microbiólogo também busca estudar os microrganismos em ambientes particulares: solo, ar, água, esgotos, etc.

A educação de um microbiólogo abrange um conhecimento geral da maioria das subdivisões. Entretanto devido ao tremendo acúmulo de informações em cada especialização, o microbiólogo deve se limitar a um ou poucos ramos selecionados da microbiologia.

Distribuição na natureza (habitat)

Os microrganismos são encontrados praticamente em todos os ambientes, desde o solo e as massas de água (mares, rios), ar, até as superfícies internas e externas de humanos e outros animais, bem como de plantas. Aparecem em maior abundância onde encontram condições favoráveis, como substâncias nutritivas, umidade e temperatura adequada ao seu desenvolvimento.

Os microrganismos, que são favorecidos pelas mesmas condições que a população humana, podem produzir modificações devido ao seu metabolismo, o que os torna patogênicos para o homem. Felizmente a maioria é inócua e habita a superfície do nosso corpo, trato digestório, boca, nariz, e outras cavidades naturais. Dispomos de meios para resistir à invasão daqueles que são potencialmente patogênicos.

Posição entre os seres vivos

Após a descoberta dos microrganismos, ficou claro que eles mostravam todas as combinações possíveis das propriedades dos vegetais e animais, os dois reinos de seres vivos admitidos na época, aparecendo vários absurdos como por exemplo, os fungos foram classificados como vegetais porque eram imóveis, quase não apresentando outras propriedades dos mesmos sendo também que nenhum fungo possui clorofila.

Para evitar a distribuição arbitrária dos grupos intermediários (entre plantas e animais), o cientista alemão Ernest Haeckel, discípulo de Charles Darwin em 1866, propôs o estabelecimento de um terceiro reino, para eliminar a confusão existente em relação à posição dos microrganismos e para lhes proporcionar uma posição no mundo vivente. Este terceiro reino foi chamado Protista (da palavra grega que significa primitivo ou primeiro).

O Reino Protista compreendeu as algas, protozoários, fungos e bactérias. .Algumas vezes os seres classificados em protistas eram denominados Protistas superiores e Protistas inferiores fundamentando-se em sua estrutura celular. Os superiores possuem célula eucariótica, como os protozoários, fungos e algas, com exceção das algas azulesverdeadas. Os protistas inferiores são procarióticos: 'bactérias e algas azul-esverdeadas.

Desde o conceito original deste terceiro reino de seres vivos têm sido desenvolvidos numerosos critérios para determinar mais adequadamente onde classificar estas microvidas.

Uma abordagem a respeito da classificação microbiana foi oferecida por Stanier e

Van Niel em 1941. Eles propuseram outra designação para outro reino chamado Monera, que deveria conter algas azul-esverdeadas e as bactérias. As outras algas e protozoários deveriam permanecer como pertencentes ao reino Protista. Os vírus, no entanto, ainda permaneciam como um enigma.

Em 1969 foi proposto por Whittaker um outro sistema classificatório de seres vivos, compatível com os recentes estudos ultraestruturais, bioquímicos, genéticos e os principais modos de nutrição: fotossíntese, absorção e ingestão. Os cinco reinos de Whittaker são: Plantae, Fungi, Animmalia, Protista e Monera. Os microrganismos são encontrados em três dos reinos:

• Monera (bactérias e algas azuis esverdeadas);

• Protistas (outras algas e protozoários);

• Fungi (fungos: leveduras e bolores).

Classificação dos microrganismos

A classificação dos seres vivos serve a vários propósitos, entre eles a de estabelecer critérios necessários para a identificação e acima de tudo, eliminar confusões. A classificação dos microrganismos apresenta problemas peculiares podendo se basear em muitas características. De uma maneira geral as classificações podem ser: Naturais ou Filogenéticas e Artificiais ou Chaves.

Nas Chaves as características descritivas são organizadas de tal forma que um organismo em estudo será prontamente identificado. Os organismos agrupados numa chave não precisam necessariamente apresentar relação filogenética; eles são listados juntos porque apresentam algumas características em comum, facilmente identificáveis. Será perfeitamente razoável, por exemplo, colocar numa chave um grupo de bactérias formadoras de pigmento vermelho, tais como Serraria marcescens e as Sulfobactérias púrpuras. Todavia, este agrupamento será de muita utilidade, pois um pesquisador com a responsabilidade de identificar uma cultura com pigmento vermelho, imediatamente terá seu trabalho reduzido a poucos tipos bacterianos.

Na classificação filogenética, agrupa-se tipos aparentados, isto é, aqueles que tem um ancestral em comum.

Durante os 100 anos da microbiologia como ciência, têm surgido muitas classificações. Infelizmente não existe um sistema classificatório inteiramente aceitável para todos os microrganismos, principalmente para as bactérias. Dependendo da autoridade consultada, são observadas várias inconsistências. De tempos em tempos são propostos novos sistemas não aceitos em sua totalidade internacionalmente.

Classificação atual dos microrganismos

Uma classificação proposta atualmente poderia ser a seguinte: 1. Monera: células procarióticas. a) Bactérias b) Cianobactérias c) Arqueobactérias

2. Protistas: Deve-se utilizar a terminologia moderna e mais amplamente aceita. O termo “protista” atualmente é empregado apenas para microrganismos eucarióticos.

a) Algas b) Protozoários c) Fungos

Elementos diferenciais entre as células

1. NÚCLEO Procarióticos Eucarióticos Membrana Nuclear Ausente Presente Cromossomos Um, circular Um ou mais, lineares Aparelho mitótico Ausente Presentes Histonas Ausente Presentes Genes Agrupados Não agrupados

2. NATUREZA E ESTRUTURA CITOPLASMÁTICA Procarióticos Eucarióticos

Correntes citoplasmáticas Ausentes Presentes

Pinocitose Ausente Presentes Mesossomos Presentes Ausentes

Ribossomos Dispersos no citoplasma

Dispostos em membranas, retículos endoplasmáticos e cloroplastos

Mitocôndrias Ausentes Presentes Cloroplastos Ausentes Podem estar presentes Complexo de Golgi Ausentes Presentes

Vacúolos limitados por membranas Ausentes Presentes

3. ESTRUTURAS

CELULARES EXTERNAS Procarióticos Eucarióticos

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