Guia Pratico sobre Uso e Dependencia de Drogas

Guia Pratico sobre Uso e Dependencia de Drogas

(Parte 1 de 6)

Guia Prático sobre Uso, Abuso e Dependência de Substâncias Psicotrópicas para Educadores e Profissionais da Saúde

Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool de São Paulo - COMUDA

Rua Líbero Badaró, 119 - 1º andar - Centro - São Paulo - SP

Tel.:3113-9642 / 9644 email: comuda@prefeitura.sp.gov.br Portal: w.prefeitura.sp.gov.br

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Secretaria de Participação e Parceria

Rua Libero Badaró, 119 Tels.:3113-9901 / 9902 participacaoeparceria@prefeitura.sp.gov.br

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Gilberto Kassab PREFEITO

Ricardo Montoro SECRETÁRIO ESPECIAL PARA PARTICIPAÇÃO E PARCERIA

Luiz Alberto Chaves de Oliveira PRESIDENTE DO COMUDA

Órgãos/entidades seguidos de nome do representante:

Secretaria dos Negócios Jurídicos Luiz Alberto Chaves de Oliveira (Dr.Laco)

Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Recreação José Florentino dos Santos Filho

Secretaria Municipal de Educação Luz Marina Moreira Corrêa de Toledo

Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social

Secretaria Municipal da Cultura

Guarda Civil Metropolitana Euclides Conradim

Secretaria Municipal da Saúde

Comissão Extraordinária Permanente de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania Vereador Adilson Amadeu

Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho, oso e Mulher Vereadora Noemi Nonato

Comissão Extraordinária Permanente da Criança e Adolescente Vereadora Marta Costa

Comissão Extraordinária Permanente da Juventude Vereadora Sonia Francine Gaspar Marmo (Soninha)

Sociedade Santos Mártires

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Jorge Artur Canfield Floriani Luiza Aparecida Tonon

Sérgio Dário Seibel

Sérgio Luiz Ferreira Id

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Reciclázaro

Centro de Convivência É de Lei Marina dos Passos Sant’Anna

Centro de Recuperação Humana José Carlos de Oliveira

Veículos de Comunicação - Associação dos Jornais de Bairro de São Paulo José Carlos Gutierrez

Empresários do Município de São Paulo Conselho Regional de Medicina

Conselho Regional de Psicologia Ana Stella Álvares Cruz

Conselho Regional de Farmácia

Ordem dos Advogados do Brasil - SP Oswaldo Buscatti Jr.

Secretaria de Estado da Educação Nivaldo Leal dos Santos

Secretaria de Estado da Saúde Luizemir Wolney Carvalho Lago

Secretaria de Estado da Segurança Pública Edemur Ercílio Lucchiari

Comunidade Acadêmica Científica (2) Prof. Dr. Sérgio Duailibi (UNIAD) Prof. Dr. Vagner Lapate (NIPED)

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Luciene Maria Ribeiro Neto Patrcia Moura Souza

Conselheira Honorária Lucila Pizani Gonçalves

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Dr. Roberto Tambelini Assessor da Presidência da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Profº Dr. Pérsio Ribeiro Gomes de Deus Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie ra. Neliana Buzi Figlie Professora da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas - UNIAD

Conselheiro da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas - ABEAD

Dr. Mário Albanese Presidente da Associação de Defesa da Saúde do Fumante - ADESF

Dr. Sérgio Tamai Diretor Técnico do CAISM da Irmandade da Santa Casa de São Paulo

Dra. Lygia Silveira Médica da Irmandade da Santa Casa de São Paulo

Dra. Luizemir Wolney Carvalho Lago Diretora Geral do Centro de Referencia Tabaco Álcool e Outras Drogas - CRATOD

Dra. Ana Maria Sant’nna Psicóloga do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas - GREA r. Silvio Tonietto Presidente da Associação Mundial Antitabagismo

Dr. Jose Raimundo Sica – Especialista Convidado Médico Sanitarista

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Profª D Prof Dr.Ronaldo Laranjeiraº

Paula Johns Coordenadora da ACT-BR

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A Secretaria Especial para Participação e Parceria, criada em 2005, tem o objetivo de desenvolver políticas públicas e promover a interlocução da Prefeitura com os diferentes segmentos da sociedade através da participação da comunidade e das parcerias com a iniciativa privada e organizações não-governamentais.

A comunidade exerce papel fundamental nas definições de ações prioritárias para aumentar a inclusão social e combater os problemas da cidade através da interlocução com os diferentes órgãos do governo através da Secretaria de Participação e Parceria.

A Secretaria dá suporte ao COMUDA - Conselho Municipal de

Políticas Públicas de Drogas Álcool, que atua junto às administrações públicas municipal, estadual e federal, assim como da sociedade científica e civil na implementação de políticas.

Dados revelados por pesquisas recentes são alarmantes: o total de alcoólatras de idade entre 12 a 65 anos representa 1,2% da população; motoristas da cidade de São Paulo bebem mais que a média internacional; 20% dos motoristas da cidade dirigem com índice de alcoolemia acima do permitido pelo Código Nacional de Trânsito.

O Conselho tem como meta exercer suas atividades para que toda a população paulistana seja atingida pelas ações de prevenção por meio de todas as Subprefeituras, Secretarias e Organizações.

Este guia visa na contribuição para o avanço da resolução da maior parte dos problemas citados.

Ricardo Montoro Secretário Especial para Participação e Parceria

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Organizadores:

Dra. Ana Cecília Petta Roselli Marques,Conselheira, do Conselho Estadual de Entorpecentes de São Paulo, Representante da Comunidade Acadêmico-Científica, e Presidente da Associação Brasileira de Estudos do

Álcool e Outras Drogas - ABEAD

Dr. Marcelo Ribeiro,Diretor Clínico da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP

Março de 2006

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Parcerias:

Prefeitura da Cidade de São Paulo

Secretaria Municipal de Participação e Parceria

Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool de São Paulo - COMUDA e

Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas - ABEAD

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OConselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e

Álcool de São Paulo - COMUDAe a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD) têm a satisfação de fornecer à sociedade o Manual de Prevenção e Tratamento para o Uso Problemático de Substâncias de Abuso.

Aedição desse Manual evidencia, mais uma vez, a importância de estabelecerem-se parcerias no enfrentamento dos problemas sociais, dentre os quais, destaca-se o uso e abuso de drogas ilícitas e, sobretudo, lícitas.

Com efeito, o material que ora se apresenta resulta do esforço conjunto do COMUDAe da ABEAD, esta responsável por sua elaboração científica, aquele por patrocinar a edição.

O intuito é distribuir o material aos profissionais da

Saúde e da Educação , possibilitando multiplicar e disseminar as informações dele constantes.

Não obstante, hodiernamente, crer-se que a questão das drogas deve ser tratada sob a ótica do terror, o COMUDAe a ABEAD têm se dedicado a conscientizar que apenas a informação pode preparar e fortalecer o cidadão, em especial os jovens, conferindo-lhes condições para encontrar prazer sem precisar recorrer a ilusão das drogas.

Apesar de o público alvo da publicação ser os profissionais de saúde e educadores, a linguagem direta o torna acessível a todos aqueles que se interessam por colaborar com sua comunidade, mediante a prevenção.

Dentre as diversas bandeiras defendidas conjuntamente por ABEAD e COMUDA, deve-se destacar o intuito de conscientizar a população e, principalmente, os agentes públicos, de que não só as drogas ilícitas, mas também e, em especial, as lícitas prejudicam a saúde do indivíduo e colocam em risco toda a sociedade.

Com isso, não se pretende advogar a criminalização do uso e abuso das drogas lícitas, mas, de uma vez por todas, convencer as autoridades da necessidade seja por questões de saúde, ou até por questões econômicas e de segurança, de limitar a publicidade do álcool e, principalmente, a promiscuidade que implica permitir a diária associação do álcool a figuras jovens, belas e saudáveis.

Mais que o conteúdo do material, importante destacar, como já salientado, a parceria firmada. Muito se fala acerca do poder do tráfico. No entanto, frente ao poder das empresas que exploram as drogas lícitas somente parcerias sólidas possibilitam continuar trabalhando por um futuro melhor e mais responsável.

Ana Cecília P. Roselli Marques Presidente da ABEAD Luiz Alberto Chaves de Oliveira

Presidente do COMUDA

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O consumo de álcool, tabaco e outras drogas psicotrópicas tornou-se uma preocupação de saúde pública em todo o mundo. Nas últimas décadas, pesquisas no campo biológico, psicológico e sociológico aumentaram o conhecimento sobre o assunto e possibilitaram a elaboração de abordagens e métodos de prevenção e tratamento mais efetivos. Anteriormente, este consumo era visto a partir da idéia do ‘tudo ou nada’. O ‘drogado’, o ‘viciado’ou o ‘alcoólatra’era sempre descrito como um consumidor pesado e absolutamente dependente sem controle da substância, cujo único tratamento era uma prolongada internação. Muita coisa mudou desde então.

Sabe-se hoje, que a intensidade e as complicações do consumo de drogas piscotrópicas variam ao longo de um continuum de gravidade. Desse modo, não existe apenas o dependente de álcool que bebe duas garrafas de pinga por dia, tem tremores matinais e cirrose hepática, mas também aquele que bebe dentro dos padrões considerados normais, mas se acidenta ao dirigir. O manejo destes abusadores é um conceito novo introduzido nos últimos anos. Portanto, não basta olhar para o consumo em si, sem considerar os danos que o mesmo acarreta aos indivíduos e seus grupos de convívio.

De outro lado, é ainda comum encontrar pessoas que acham que o dependente de álcool e outras drogas psicotrópicas precisa ‘ouvir verdades’, ser repreendido e ameaçado. O aparente descaso de alguns dependentes com sua vida, emprego e família gera revolta e preconceito em muitos. Tais comportamentos, porém, não estão restritos apenas à vontade, mas inseridos em uma complexa rede de fatores biológicos, psicológicos e sociais, que subtraem do usuário a liberdade de escolher. Isso torna frases de efeito como “pare agora”, “deixe de usar ou morrerá”, “veja o que fez com sua vida” absolutamente inócuas. Ao contrário, é preciso motivá-lo para a mudança, remover barreiras e ajudá-lo ativamente na busca por um novo estilo de vida.

Antigamente, apenas o especialista era considerado apto para resolver tal questão. Toda pessoa é capaz de mudança e qualquer um é capaz de ajudar. Isso inclui não só os profissionais da saúde especializados, mas também o médico generalista, o assistente social de empresas, os educadores, gerentes de RH, empregadores, agentes carcerários, líderes religiosos e comunitários. Detectar precocemente o surgimento de problemas, motivar para a mudança e saber encaminhar podem ser feitos por qualquer pessoa, dentro de sua área de atuação.

Eis o objetivo do presente manual: apresentar aos educadores e outros profissionais o conceito atual de dependência, substâncias abusivas e auxiliálos na criação e manejo de estratégias de prevenção compreensivas e pragmáticas. Boa vontade, interesse e dedicação são importantes, mas não suficientes. Tais qualidades devem estar associadas a abordagens objetivas e afirmativas, baseadas em evidências científicas e dentro de preceitos éticos e de cidadania. Pretende ser uma ferramenta acessível para a disseminação de conhecimento relativo a questão das drogas, visando a proporcionar aos interessados a tomada de decisão mais adequada possível.

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PARTE 1:

PREVENÇÃO [1] DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIAS DE ABUSO

Adependência é, essencialmente, uma relação alterada entre o usuário e o seu modo de consumo1. Todo o consumo de substâncias psicoativas e psicotrópicas, seja este lícito ou ilícito, é influenciado por uma série de fatores que diminuem ou aumentam o risco de complicações agudas e crônicas (figura 1).

FATORES DE RISCO Ao longo da vida, cada um desenvolve um padrão particular de consumo de substâncias. Tal padrão, é constantemente influenciado por uma série de fatores de proteção e risco de natureza biológica, psicológica e social (quadro 1)1-2.

As ações destes fatores, conforme aparece na figura 1, se influenciam mutuamente. Desse modo, um fator de risco pode comprometer vários campos da vida ao ser potencializado por outros fatores desfavoráveis ou causar nenhum ou poucos danos, ao ser neutralizado por fatores de proteção. Esta interação determina a evolução do consumo de substâncias em andamento. É importante ressaltar que nunca um fator de risco isolado leva à dependência.

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18 • GUIA PRÁTICO

Quadro 1: Fatores de Risco para o Surgimento da Dependência Química

BIOLÓGICOS * Predisposição genética

* Capacidade do cérebro de tolerar presença constante da substância.

* Capacidade do corpo em metabolizar a substância.

* Natureza farmacológica da substância, tais como potencial de toxicidade e dependência, ambas influenciadas pela via de administração escolhida.

PSICOLÓGICOS * Distúrbios do desenvolvimento

* Morbidades psiquiátricas: ansiedade, depressão, déficit de atenção e hiperatividade, transtornos de personalidade. * Problemas / alterações de comportamento.

* Baixa resiliência e limitado repertório de habilidades sociais.

* Expectativa positiva quanto aos efeitos das substâncias de abuso

SOCIAIS * Estrutura familiar disfuncional: violência doméstica, abandono, carências básicas. * Exclusão e violência social.

* Baixa escolaridade.

* Oportunidades e opções de lazer precárias.

* Pressão de grupo para o consumo.

* Ambiente permissivo ou estimulador do consumo de substâncias.

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Figura 1: Fatores de proteção e riscos que influenciam o padrão de consumo de substâncias de abuso.

Individuais

Transtorno depressivo, ansioso, TDHA, bipolar (alienação, desvalia, desânimo, angústia)

Comportamento: transtorno de conduta impulsiva, social isco (descontrole, desadaptado, bizarro)

Capacidade de tolerar frustração: falta de amadurecimento Padrão de relacionamento interpessoal: isolamento/timidez, fobia/ansiedade, desvalia/pessimismo Dificuldades acadêmicas não cuidadas

Atitudes favoráveis ao uso

Uso precoce < 13: aumenta até 4 vezes a chance de continuar usando e desenvolver dependência de álcool; diminui o hipocampo

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