Relatório de Inspeção - Barragem Paranoá

Relatório de Inspeção - Barragem Paranoá

RELATÓRIO DE INSPEÇÃO

Data da visita: 22.11.12

                1. 1. Identificação

Curso: Inspeção e Segurança de Barragens

Instrutor: Glauco Dias

Alunos: Caio Portela – Engenheiro Sanitarista e Ambiental

Lígia Viveiros Gurgel – Engenheira Ambiental

Eloneide França Arruda – Engenheira Civil

Tácito Cunha – Engenheiro Geotécnico

Local da inspeção: Usina Hidrelétrica Paranoá / Barragem Paranoá

Município: Brasília / DF

  1. Objetivo da Visita Técnica:

Inspecionar a Barragem Paranoá identificando as principais anomalias com o intuito de avaliar o nível de segurança da barragem.

2. Caracterização do Empreendimento/

A usina hidrelétrica (UHE) Paranoá iniciou a sua operação no ano de 1962, cinco anos após o início das obras de construção (1957). Inicialmente a usina operava com apenas 1 máquina excitatriz do tipo FRANCIS com capacidade nominal de 10 MW. No ano de 1967 foram instaladas mais 2 máquinas de 10 MW cada, complementando a capacidade total de geração em 30 MW. No intuito de melhorar a potência da usina, em 1999 foi feita a substituição do rotor da 1ª máquina excitatriz almejando-se alcançar 11 MW. Entretanto essa potência raramente é alcançada devido a idade dos equipamentos de geração.

Apesar do relevo pouco acidentado do planalto central, a região do barramento foi estrategicamente escolhida devido a topografia irregular do local, o que favorece ao aproveitamento hidrelétrico. O terreno natural garantiu à barragem uma altura de queda de 105 metros. O barramento é constituído por um núcleo argiloso homogêneo com paramento de montante protegido por estrutura do tipo rip-rap.

A usina é composta por uma estrutura de adução com cerca de 2 km de extensão e um conduto forçado com alguns metros utilizado para garantir a geração. O conduto forçado está conectado a uma chaminé de equilíbrio com cerca de 20 m de altura. As cotas mínima e máxima do lago são, respectivamente, 999,80 m e 1000,80 m acima do nível do mar. No ato da inspeção observou-se, com o auxílio de uma régua de medição instalada a jusante do barramento, que o lago está na cota 1000,25 m.

A barragem é composta por 3 vertedores de soleira controlada por comportas curvas de acionamento automatizado. Para a rotina operacional de abertura das comportas dos vertedores são necessárias 6 horas. Esse tempo é para garantir que os órgãos competentes (Defesa Civil e Corpo de Bombeiros) sejam acionados e posteriormente dispara-se a sirene de alerta da barragem.

A vazão ambiental (ecológica) que visa garantir a manutenção dos processos ambientais à jusante do barramento é mantida pelas nascentes do rio.

Por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a operação da usina é feita por uma empresa diferente da distribuidora de energia. Portanto, a operação é feita pela Companhia Elétrica de Brasília (CEB Energia) pertencente a um conglomerado de empresas denominado CEB Holding, que opera ainda outras 4 usinas.

A energia gerada na UHE Paranoá corresponde a 3% de toda energia consumida em Brasília. A maior parcela que abastece a cidade vem das linhas de transmissão da usina de Furnas.

                1. 3. Observações de Campo

Devido à presença de água e a dificuldade de acesso, não foi possível inspecionar todas as estruturas que compõem o barramento. Visto isso, segue a identificação dos itens inspecionados bem como as anomalias identificadas na inspeção.

  1. INFRAESTRUTURA OPERACIONAL

  1. BARRAGEM

    1. Talude de Montante

- Não existem anomalias significativas que comprometem a segurança da barragem. No entanto foi constatada a presença de entulho (resíduos sólidos diversos) junto ao talude.

- Observou-se carreamento do material fino de solo sob a estrutura de proteção do paramento de montante (rip-rap) na ombreira direita e consequente aparecimento de vegetação sobre o material.

- Observou-se ainda carreamento pouco significativo de finos nos pontos de entrada d’água da drenagem superficial do coroamento

    1. Coroamento

- Coroamento com revestimento asfáltico sem anomalias visíveis, com a presença pontual de buracos no asfalto, por provável tráfego de veículos.

    1. Talude de Jusante

- Não foram identificadas erosões, escorregamentos e/ou afundamentos significativos.

- Verificou-se pequena erosão laminar de solo carreado para as canaletas.

- Foram observadas falhas na proteção vegetal, pela presença de espécies invasoras no local.

- Presença de buracos de animais e casa de insetos.

- As canaletas de drenagem apresentam, em alguns trechos, defeitos nas estruturas possivelmente provocados pelas raízes das espécies arbustivas presentes no local. Algumas espécies invadem toda a seção da canaleta podendo, no futuro, obstruir o fluxo de água drenada.

- Surgência de água observada na meia-encosta do talude na ombreira direita. Essa anomalia pode ser atribuída ao mau funcionamento do sistema de drenagem interna do maciço ou a percolação da água pela ombreira direita. – Recomendação sobre monitoramento.

    1. Região a Jusante da Barragem

- Observada fuga d’água devido a provável surgência pelo maciço e fundação.

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- Observada fuga d’água na região a jusante da barragem indicando local de provável contribuição principal de percolação proveniente da ombreira direita.

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- Observada falta de manutenção na faixa de dez metros do pé do talude devido a presença de árvores e arbustos.

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    1. Instrumentação

- Segundo informações do Engenheiro responsável local, há 21 piezômetros e apenas 18 em operação, porém não identificados.

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  1. SANGRADOURO / VERTEDOURO

    1. Canais de Aproximação e Restituição

- Não foram identificadas anomalias na parte inspecionada.

    1. Estrutura de Fixação da Soleira

- Não foi inspecionada.

    1. Rápido / Bacia Amortecedora

- Identificou-se fissura na superfície do concreto do rápido, não comprometendo a estrutura do rápido.

- Não existe ocorrência de buracos e erosões na soleira do rápido.

- Não existe bacia de dissipação, o escoamento se dá por canal natural escavado em rocha.

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    1. Muros Laterais

- Pelo tempo de existência da estrutura (desde 1962) continua em boa conservação, apenas com pequenas infiltrações e aparentes manchas de carbonatação.

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    1. Comportas do Vertedouro

- Não foi inspecionada esta estrutura. Apenas visualizou-se identificando bom estado de conservação da mesma.

  1. RESERVATÓRIO

- Existe assoreamento principalmente na embocadura das drenagens naturais existentes. No entanto, este item não foi inspecionado.

  1. TORRE DA TOMADA D’ÁGUA

    1. Entrada

- Não foi inspecionada esta estrutura, devido a mesma encontrar-se submersa.

    1. Acionamento

- Não foi inspecionada.

    1. Comportas

- Não foi inspecionada.

    1. Estrutura

- Não foi inspecionada.

  1. CAIXA DE MONTANTE (BOCA DE ENTRADA E “STOP-LOG”)

- Não foi inspecionada.

  1. GALERIA

- Não foram encontrados indícios de deformação ou desalinhamento do conduto forçado. As demais estruturas da galeria não foram inspecionadas.

  1. ESTRUTURA DE SAÍDA

- Não foram identificados vazamentos ou corrosão na tubulação.

- Não existe deficiência nas instruções de operação, conforme informação da equipe de operação local.

- Não existem surgências de água no concreto e precariedades de acesso às estruturas.

- Existem uma construção irregular (restaurante) na ombreira esquerda da barragem.

- São feitas manutenções periódicas nas estruturas, conforme relatos da equipe de operação.

  1. MEDIDOR DE VAZÃO

- Não foram identificados defeitos no concreto da estrutura de medição, as demais observações da ficha não se aplicam, pois o instrumento de medição é automatizado.

4. Recomendações

No entanto, algumas ações de manutenção

  1. 5. Data/Responsabilidade Técnica

Data: ___/___/_____

  1. Elaboração

Assinatura

7. Anexos

ANEXO I - ARQUIVO FOTOGRÁFICO

FOTOS DO DIA DA VISITA

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