Sistema de Produção Fordista

Sistema de Produção Fordista

Universidade Federal de Minas Gerais – COLTEC Tecnologia de Projetos

Nome: Aline da Silva Rodarte Turma: 101

Belo Horizonte 2011

Introdução

Pode-se observar que a sociedade em geral convive em um complexo sistema onde o controle é exercido pelo capital. Esta configuração da vivência humana edificou-se a partir do desenvolvimento da produção, ocorrido na Revolução Industrial.

O modo de produção fabril proporcionava uma produção em larga escala, movimentando o mercado consumidor e proporcionando uma grande lucratividade. Entretanto, em um mercado regido pela lei da oferta e procura, buscava-se um aumento na eficiência da produção e consequentemente, na elevação do montante empresarial.

O fordismo, criado pelo engenheiro norte-americano Henry Ford, veio a ser uma forma de organização do trabalho que visava atender tais objetivos. Inseriu-se nas indústrias o sistema de linhas de montagem, em que uma esteira transporta as peças enquanto os trabalhadores permanecem em postos fixos, realizando sequencialmente uma tarefa repetitiva e simples. Tal forma de confecção permitiu que se produzisse mais em menos tempo, ocasionando uma extraordinária diminuição do preço da mercadoria e a elevação das vendas e dos lucros.

Entretanto, o trabalhador foi privado da necessidade de pensar em seu emprego. Realizava o serviço de forma semelhante a uma máquina. Além de imerso em uma vivência alienada, o proletário ainda convive com a redução mínima de seus movimentos. A qualidade de vida do indivíduo reduz drasticamente, tanto pela falta de estímulos criativos e insatisfação cotidiana quanto pelo sedentarismo.

Charles Chaplin satiriza essa situação no filme “Tempos Modernos”, em que incorpora um trabalhador fabril que aperta parafusos em uma linha de montagem. A personagem vive uma situação de ignorância tão complexa que, após o fechamento da fábrica em que trabalha, ela tenta cometer algum delito, para poder viver na prisão, onde possuía uma vida confortável. Além disso, no filme é também incluso um momento em que o trabalhador tem uma crise nervosa, devido ao repetitivo trabalho.

Outra obra que também se refere ao fordismo é o documentário “A Batida do Sistema”.

Nele, é descrita com detalhes a forma de produção elaborada por Henry Ford e também é construída uma análise do sistema que se edificou com essa forma de organização fabril. Pode-se notar a existência de idéias do fordismo até mesmo na produção alimentícia de fast-food e em aeroportos. Além disso, o documentário apresenta o taylorismo, forma de organização do trabalho que incluía a cronometragem do serviço e o controle dos movimentos dos empregados.

Neste trabalho, serão analisados variados aspectos acerca do sistema de produção fordista, abordando, juntamente, a sua influência na atual forma de organização social e produtiva.

Desenvolvimento

1. Mecanização e a Dimensão Humana da Vida

Qbserva-se que a idéia de consumo que se tem atualmente foi construída pela elevação da produção, causada pela mecanização da organização fabril. A excessiva oferta e o apelo ao consumo integraram na sociedade o pensamento de que a aquisição de bens materiais é necessária para se obter satisfação pessoal. Assim, indiretamente, a mecanização foi um fator que impulsionou o surgimento desta mentalidade atual.

A máquina, elaborada para fazer o trabalho humano eliminando as dificuldades que os indivíduos em geral apresentam, é superiorizada em relação ao homem e até mesmo o salário dos funcionários demonstra a desvalorização dos mesmos. Isso provoca insatisfação e baixa autoestima na mão-de-obra fabril, tornando-a mais suscetível à manipulação.

Além disso, proletário é inserido em um trabalho que o priva da manifestação criativa e onde deve realizar ações sempre repetitivas. Assim, ele se vê em um serviço maçante, apenas para obter sustento e sua subjetividade, suas vontades, sonhos, são desvalorizados. O trabalhador passa a se sentir pouco importante, pois não exerce atividades que realmente estimulam suas capacidades. Ele nem mesmo tem a oportunidade de participar de toda a confecção do produto e de contemplar o serviço concluído.

Acrescenta-se que a mecanização inseriu alterações profundas no modo de vivência dos indivíduos em geral, trazendo praticidade e desenvolvimento tecnológico. Entretanto, ela traz juntamente aspectos problemáticos, como o aumento do consumo energético e o desemprego ocasionado pela substituição da mão-de-obra humana pela máquina.

2. O Sistema de Controle

A uniformização do processo produtivo objetiva a manutenção da estabilidade do capitalismo e do desenvolvimento financeiro. No documentário “A Batida do Sistema”, é mencionado que Henry Ford tendia a uma obsessão pelo controle, chegando a criar uma comissão encarregada de investigar a vida particular dos funcionários.

Cita-se ainda que, na mesma fonte, é abordada uma forma de controle bastante sutil que não está inserida no ambiente industrial, mas que também é obtida através da mecanização. Em um aeroporto, foram colocadas esteiras que guiavam as pessoas dos estacionamentos ao local de embarque.

Pode-se notar que é uma forma prática de orientar o cliente, entretanto, estimula-o a um comportamento padronizado. Cada indivíduo pode ter uma maneira característica de caminhar, mas ali, naquele local, naquele sistema, ele age como todas as pessoas.

A padronização funciona aliada a uma discriminação daquele que não a segue, estimulando a maioria a seguir as normas da mesma.

A grande vantagem é que uma uniformidade facilita a transmissão de informação. O ambiente escolar é um grande exemplo disso. Nas salas de aula, os alunos sentam-se em mesas iguais, e recebem atividades semelhantes. Muitas vezes utilizam uniformes e recebem uma mesma explicação da matéria, apesar de terem formas diferentes de aprender. È interessante observar que nessa situação a padronização estimula uma característica fundamental aos indivíduos: a capacidade de se adaptar. Com diferentes professores, o aluno cria formas variadas de assimilar o conteúdo. Ele pode estudar sozinho em casa, conversar com o mestre, pesquisar

a diversidade e a criatividade, o que é bastante diferente do que ocorre no ambiente industrial

em livros, participar de grupos de estudo. Nesse caso, O sistema padronizado acaba por estimular

A questão em si não é a padronização, pois em muitos casos ela é necessária. O problema está na intensidade com que ela é aplicada. Nas escolas, as atividades podem ser dadas de forma semelhante, mas os professores em geral permitem que os alunos as façam com o raciocínio que lhes é preferível. Já na fábrica fordista, queria se controlar até mesmo os movimentos e a velocidade do funcionário.

entretanto, existem diferenças, como a diversificação das atividades para cada trabalhadora

Ao se observar o trabalho das funcionárias da escola na lanchonete do colégio, pode-se notar que as tarefas são divididas, entretanto, as trabalhadoras variam suas posições e atividades várias vezes. Essa configuração assemelha-se com o fordismo no aspecto da divisão das tarefas,

É interessante que até mesmo o controle dos horários é inserido a partir desse sistema. O filme de Charles Chaplin traz um momento em que o protagonista está trabalhando como auxiliar de um reparador de máquinas. Devido à ocorrência de alguns problemas, o reparador cai dentro da máquina e a personagem de Chaplin tenta retirá-lo do local. Quanto toca a campainha que avisa sobre o início do horário de almoço, o protagonista pára de tentar retirar o consertador de máquinas das engrenagens do equipamento, servindo o lanche para si mesmo e para o companheiro, mesmo que o último estivesse em uma posição quase impossível para comer. Ou seja, as personagens comem porque está no horário da refeição e não porque sentem fome. Até mesmo sobre sensações fisiológicas passa a se exercer um controle através do novo sistema.

3. Sistema de Produção Fordista e Tecnologia

econômicas e sociais

O ideal de aumento da produção revela-se como um dos maiores propulsores de desenvolvimento tecnológico, resultando na busca constante de inovação nesse ramo. A realidade atual envolve o lançamento diário de novas tecnologias, sendo que o desenvolvimento da tecnologia pode ser tomado como um dos maiores fatores de transformação das relações pessoais,

Percebe-se que no mundo atual, os países desenvolvidos são os que mais utilizam e desenvolvem tecnologias. Além de velocidade, tais recursos possibilitam facilidades e crescimento econômico. Entretanto, a utilização extrema de tecnologia vem atingindo o meio ambiente, e só recentemente a consciência ambiental começou a integrar o sistema.

A utilização de tecnologia, que teve crescimento com as idéias do fordismo, revela-se como um agente de modificações em escala planetária. Tais transformações podem desencadear em conseqüências positivas ou negativas, cabendo aos indivíduos em geral esta decisão.

Conclusão

As transformações proporcionadas pelo fordismo revelam-se em proporções imensuráveis. O desenvolvimento tecnológico e o aumento da produção repercutiram em modificações nos pilares da vivência humana.

Utilizando a padronização como ferramenta chave, o fordismo desafiou a subjetividade do homem, pois os indivíduos são completamente diferentes entre si.

Muitas vantagens são obtidas nesse sistema, como o aumento da produtividade e acessibilidade aos produtos e movimentação do mercado financeiro.

Entretanto surgem também aspectos negativos, como a redução da qualidade de vida do funcionário fabril e a construção de uma postura completamente consumista, que o planeta não consegue suportar.

As heranças do fordismo ainda se revelam em traços característicos da sociedade.

Entretanto, a humanidade vive uma era de informação e diversidade, onde a própria tecnologia, que antes mantinha um sistema de padronização, agora estimula a variedade e as manifestações criativas. O homem se abre diariamente ao surgimento um novo sistema, onde ele é o construtor e transformador de sua própria vivência.

Referências Bibliográficas

Documentário “A Batida do Sistema” Filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin

Livro: “Geografia, Pesquisa e Ação”, de Ângela Corrêa Krajewski, Raul Borges Guimarães e Wagner Costa Ribeiro. Editora Moderna. São Paulo. 2005

Comentários