ABNT 9653-2005 Detonação

ABNT 9653-2005 Detonação

(Parte 1 de 2)

Sede: Rio de Janeiro Av. Treze de Maio, 13 28º andar CEP 20003-900 – Caixa Postal 1680 Rio de Janeiro – RJ Tel.: PABX (021) 210-3122 Fax: (021) 220-1762/220-6436 Endereço eletrônico: w.abnt.org.br

ABNT – Associação Brasileira de

Normas Técnicas

Copyright © 1999, ABNT–Associação Brasileira de Normas Técnicas Printed in Brazil/ Impresso no Brasil Todos os direitos reservados

ICS 13.220.60 SET 2005 NBR 9653

Guia para avaliação dos efeitos provocados pelo uso de explosivos nas minerações em áreas urbanas – Procedimento

Origem: NBR 9653:1986 ABNT/CB-18: Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados CE 18:205.02 – Comissão de Estudo de Desmonte de Rochas com o Uso de Explosivos NBR 9653:2005 - Guide for the evaluation of effects of the use of explosives in minning and quarrying near urban areas – Proceedings Descriptors: Explosives. Vibrations. Airblast. Flyrock. É previsto para cancelar e substituir a NBR 9653:1986.

Palavra(s)-chave: Explosivos. Vibrações. Pressão Acústica. Ultralançamentos.

Detonações

10 páginas

Sumário

Prefácio 1 Objetivo 2 Referências normativas 3 Definições 4 Critérios de Avaliação 5 Procedimentos de avaliação 6 Recomendações gerais Anexo A (Informativo) – Modelos de cadastro de detonação Anexo B (Informativo) – Bibliografia

Prefácio

A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (ABNT/CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros).

Os Projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos ABNT/CB e ONS circulam para Consulta Pública entre os associados da ABNT e demais interessados.

1 Objetivo

1.1 Esta Norma fixa a metodologia para reduzir os riscos inerentes ao desmonte de rocha com uso de explosivos em minerações, estabelecendo parâmetros a um grau compatível com a tecnologia disponível para a segurança das populações vizinhas, referindo-se a danos estruturais e procedimentos recomendados quanto ao conforto ambiental.

1.2 Esta Norma se aplica somente às emissões de ruídos impulsivos, vibrações pelo terreno e ultralançamentos decorrentes do desmonte de rocha por explosivos.

1.3 É facultativa a aplicação desta Norma nas minerações localizadas em áreas não urbanas. Para situações que envolvam riscos semelhantes a Norma deve ser aplicada.

2 Referências normativas

As normas relacionadas a seguir contém disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma Brasileira. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das normas brasileiras em vigor em um dado momento.

NBR 7497:1982 Vibrações mecânicas e choques – Terminologia IEC 61672-1:2002 Electroacoustics – Sound level meters – Part 1: Specifications IEC 61672-2:2003 Electroacoustics – Sound level meters – Part 2: Pattern evaluation tests 3 Definições

Para os efeitos desta Norma são adotados as definições de 3.1 a 3.10, complementadas pelos termos definidos na NBR 7497.

3.1 pressão acústica

É aquela provocada por uma onda de choque aérea com componentes na faixa audível (20 Hz a 20 0 Hz) e não audível, com duração menor do que um segundo.

3.2 desmonte de rocha com uso de explosivos

Operação de arrancamento, fragmentação, deslocamento e lançamento de rocha mediante aplicação de cargas explosivas.

3.3 área de operação

Área compreendida pela união da área de licenciamento ambiental mais a área de propriedade da empresa de mineração.

3.4 ultralançamento

Arremesso de fragmentos de rocha decorrente do desmonte com uso de explosivos, além da área de operação.

3.5 pico da componente de velocidade de vibração de partícula

Máximo valor de qualquer uma das três componentes ortogonais de velocidade de vibração de partícula medido durante um dado intervalo de tempo.

NOTA: Enquanto que uma perturbação ocasionada por uma fonte de vibrações se propaga a partir desta com uma dada velocidade de onda, as partículas do terreno oscilam com uma velocidade de partícula variável. A uma dada localização ao longo do percurso de propagação, o movimento pode ser definido em termos de três componentes mutuamente perpendiculares (geralmente vertical, transversal e longitudinal ou radial). Para garantir que a velocidade de vibração de partícula de pico seja medida corretamente, as três componentes devem ser medidas simultaneamente.

3.6 velocidade de vibração de partícula de pico

Máximo valor instantâneo da velocidade de uma partícula em um ponto durante um determinado intervalo de tempo, considerado como sendo o maior valor dentre os valores de pico das componentes de velocidade de vibração de partícula para o mesmo intervalo de tempo.

3.7 velocidade de vibração de partícula resultante de pico (VR)

Máximo valor obtido pela soma vetorial das três componentes ortogonais simultâneas de velocidade de vibração de partícula, considerado ao longo de um determinado intervalo de tempo.

3.8 freqüência de vibração de partícula

Número de oscilações por segundo em que o terreno vibra conforme energia sísmica criada pela detonação de explosivos que passa por um ponto determinado, obtido a partir da análise do registro de velocidade de vibração de partícula, dada em hertz (1Hz é igual a uma oscilação por segundo).

3.9 deslocamento de partícula de pico

Máxima distância na qual a partícula se desloca quando colocada em movimento por uma onda sísmica criada pela detonação de explosivos, segundo as direções das três componentes ortogonais.

3.10 distância escalonada (DE) ou distância reduzida Calculada através da seguinte equação e usada para estimar a vibração do terreno: DE = D/Q0,5 onde:

D é a distância horizontal entre o ponto de medição e o ponto mais próximo da detonação, em metros; Q é a carga máxima de explosivos a ser detonado por espera, em quilogramas. 4 Critérios de avaliação e limites recomendáveis de segurança

Em operações de desmonte de rocha por explosivos devem ser observadas as condições estabelecidas de 4.1 a 4.3.

4.1 Ultralançamento

O ultralançamento não deve ocorrer além da área de operação do empreendimento, respeitadas as normas internas de segurança referentes à operação de desmonte.

4.2 Pressão acústica

A pressão acústica, medida além da área de operação, não deve ultrapassar o valor de 100Pa, o que corresponde a um nível de pressão acústica de 134 dBL pico.

4.3 Velocidade de vibração de partícula de pico

4.3.1 Os riscos de ocorrência de danos induzidos por vibrações do terreno devem ser avaliados levando-se em consideração a magnitude e a freqüência de vibração de partícula.

4.3.2 Os limites para velocidade de vibração de partícula de pico acima dos quais podem ocorrer danos induzidos por vibrações do terreno são apresentados numericamente na Tabela 1 e graficamente na Figura 1.

Tabela 1 - Limites de velocidade de vibração de partícula de pico por faixas de freqüência

Faixa de Freqüência Limite de Velocidade de vibração de partícula de pico 4 Hz a 15 Hz Iniciando em 15 m/s aumenta linearmente até 20 m/s 15 Hz a 40 Hz Acima de 20 m/s aumenta linearmente até 50 m/s Acima de 40 Hz 50 m/s

NOTA -Para valores de freqüência abaixo de 4 Hz deve ser utilizado como limite o critério de deslocamento de partícula de pico de no máximo 0,6 m (de zero a pico)

Figura 1 – Representação gráfica dos limites de velocidade de vibração de partícula de pico por faixas de freqüência

5 Procedimentos de avaliação 5.1 Ultralançamento

A verificação do ultralançamento deve ser efetuada em ambiente externo à área de operação da mina, observado o disposto em 4.1.

5.2 Pressão acústica

Para verificação do critério estabelecido em 4.2, devem ser seguidos os procedimentos de 5.2.1 a 5.2.5.

5.2.1 O sensor deve ser instalado:

y junto à estrutura mais próxima do desmonte onde se presume que sejam atingidos os maiores valores de pressão acústica, e y na parte externa da estrutura ou da edificação, preferencialmente a uma distância superior a 3,0 m e a uma altura de 1,0 m do solo ou conforme a especificação do equipamento.

Nota: Recomenda-se o uso de protetor de vento nos sensores durante as medições.

5.2.2 Instalar os sensores em pontos onde não haja obstáculo natural ou artificial entre o local de detonação e o ponto de registro. No entanto, se isso não puder ser evitado, recomenda-se que a distância horizontal entre o sensor e o obstáculo seja maior que a altura deste acima do sensor.

5.2.3 O aparelho de medida deve obedecer à norma IEC 61672 (Partes 1 e 2) ou equivalente, no que se refere ao equipamento do tipo I.

5.2.4 Os relatórios de medição devem conter, além do tipo de aparelho, os valores de freqüência e intensidade registrados na medição efetuada. Devem ser descritos os métodos de medição e cálculo.

5.2.5 Os aparelhos de registro devem ser calibrados de acordo com as recomendações dos seus fabricantes, no máximo a cada 2 anos, com equipamentos rastreáveis, preferencialmente na RBC (Rede Brasileira de Calibração).

5.3 Velocidade de vibração de partícula

Para verificação do critério estabelecido em 4.3, devem ser seguidos os procedimentos de 5.3.1 a 5.3.4. 5.3.1 Posicionamento de transdutores e equipamentos

5.3.1.1 Quando a medição for executada junto ao limite da área de operação da mina, instalar os transdutores em pontos onde presumivelmente devem ser atingidos os maiores valores de velocidade de vibração de partícula de pico.

5.3.1.2 Quando a medição for executada em locais onde existam edificações, instalar os transdutores de modo preferencial no mesmo terreno no qual as estruturas ou edificações estejam construídas, junto a pilares e cantos de construção.

5.3.1.3 O transdutor de velocidade de vibração de partícula deve ser fixado rigidamente ao terreno objeto da medição. Na impossibilidade de fixação em solo pode ser fixado à estrutura. Deve ser observado o estabelecido a seguir:

a) no caso de superfície rígida, deve-se utilizar gesso ou outro material adesivo que torne o transdutor o mais perfeitamente solidário ao meio de propagação (rocha e, eventualmente, estrutura); b) no caso de solo, deve-se preferencialmente enterrar o transdutor a uma profundidade nunca inferior a 10cm e nunca superior a 30cm. Alternativamente, pode-se utilizar cravos de comprimento máximo de 20cm, desde que o sistema não fique em balanço.

5.3.1.4 Os geofones contendo os transdutores devem ser nivelados e orientados conforme a direção da detonação.

5.3.2 Características dos equipamentos 5.3.2.1 Sismógrafo

O aparelho de medição, sismógrafo de engenharia, deve: a) possuir sistema de verificação interna da calibração por pulso eletrônico (autochecagem); b) dispor de capacidade de armazenamento de eventos sísmicos (memória); c) estar preparado para efetuar medições em temperaturas compreendidas na faixa de –12o C a +55o C; d) de modo preferencial, registrar instantaneamente os valores máximos de velocidade de vibração de partícula em três direções mutuamente perpendiculares, sendo os valores expressos em milímetros por segundo (m/s).

Os aparelhos de registro devem ser calibrados de acordo com as recomendações dos seus fabricantes, no máximo a cada 2 anos, com equipamentos rastreáveis, preferencialmente na RBC (Rede Brasileira de Calibração).

5.3.2.2 Transdutores de velocidade Os transdutores de velocidade devem apresentar, como mínimo:

a) resposta plana linear na faixa de freqüências 4Hz a 125Hz; b) realizar medição de intensidade de velocidade de vibração de partícula no intervalo de 0,5mm/s a 100mm/s na faixa de freqüência de 2Hz a 250Hz; c) resolução de 0,25mm/s; d) precisão de ±5% ou ± 0,5mm/s, o que for maior; A taxa de amostragem mínima deve ser de 1 0 pontos por segundo por canal, para eventos de até 5s de duração.

5.3.3 Relatórios sismográficos Os relatórios sismográficos de cada medição devem conter:

y data e hora da medição; y identificação do local de monitoramento; y identificação do local de detonação; y registros sismográficos das intensidades no tempo (onda sísmica); y valores de pico da velocidade de vibração de partícula para cada uma das três componentes (L,T e V); y valores de pico da aceleração de partícula para cada uma das três componentes (L,T e V); y valores de pico do deslocamento de partícula para cada uma das três componentes (L,T e V); y valores da freqüência associada ao pico da velocidade para cada componente tri-ortogonal; y máximo valor da velocidade de vibração de partícula resultante de pico; Adicionalmente os relatórios podem conter, entre outras, as seguintes informações: y distância entre o local de detonação e o local de monitoramento; y carga explosiva máxima por espera detonada; y intervalos da seqüência detonante; y carga explosiva total detonada; y condições atmosféricas.

6 Recomendações Gerais 6.1 Conforto Ambiental

Com relação ao conforto das populações vizinhas às minerações são recomendáveis os seguintes procedimentos:

a) implantação de um sistema de informação à população quanto às atividades de desmonte, envolvendo aspectos tais como: sinalização, horário de detonação, procedimentos de segurança adotados e outros; b) estabelecimento de um registro de reclamações em formulário adequado, contendo pelo menos: nome e endereço do reclamante, horário, tipo de incômodo verificado, quais as providências tomadas pela empresa para minimizar os aspectos relativos ao objeto de reclamação e outras providencias eventuais; c) estabelecimento, de comum acordo com a comunidade, de horários determinados de detonação com sinal sonoro audível que não gere desconforto adicional; d) uso de insumos, na operação de desmonte, de modo a minimizar os impactos ambientais, especialmente os propagados pela atmosfera na forma de ruído e poeiras (ex.; cordel detonante substituído por tubo de choque ou espoleta eletrônica); e) implantação de um único canal de comunicação com a comunidade, através de agente tecnicamente habilitado e familiarizado com as operações de produção; f) implantação de uma sistemática de treinamento para os operadores vinculados às tarefas de desmonte, visando habilitá-los na minimização dos impactos ambientais; g) manutenção do registro de todos os planos de fogo realizados, por um período mínimo de um ano, para eventual verificação do órgão fiscalizador local; h) estabelecimento de um plano de monitoramento das detonações compatível com as necessidades específicas de cada unidade mineradora em operação .

6.2 Situações Excepcionais

Quando, por motivos excepcionais, houver o impedimento da realização do monitoramento sismográfico, pode ser considerada atendida esta norma com relação ao item 4.3, se for obedecida uma distância escalonada que cumpra com as seguintes exigências:

para D ≤ 300 m

Anexo A (Informativo) Modelos de cadastro de detonação

1.1.1.1 Cadastro de detonação tipo 1

(Parte 1 de 2)

Comentários