Artigo Metodologia Ciêntifica - Behaviorismo

Artigo Metodologia Ciêntifica - Behaviorismo

Faculdade Dinâmica das Cataratas

Missão: Formar profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a promoverem as transformações futuras.

O REFORÇO POSITIVO NA EDUCAÇÃO COM BASE NOS CONCEITOS DO BEHAVIORISTA SKINNER

LUCIANA BYHAIN DE OLIVEIRA

Acadêmica de Letras, UDC, Foz do Iguaçu, PR- lucianabyhain@gmail.com

RESUMO: Neste artigo apresentaremos alguns argumentos e apontamentos sobre a importância do reforçamento positivo na aprendizagem escolar, com base nos pressupostos do Behaviorista Skinner. Ao longo de sua vida debruçou-se sobre o mundo dos estudos e das pesquisas, a fim de obter o conhecimento na esfera do comportamento humano, a área da educação ganhou ênfase em suas pesquisas.

Nenhum pensador ou cientista do século XX levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como Skinner. Sua obra é a expressão mais célebre do behaviorismo, corrente que dominou o pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos 1950.

Nos usos que projetou para suas conclusões científicas, em especial na educação, Skinner pregou a eficiência do reforço positivo, sendo, em princípio, contrário a punições e esquemas repressivos, sendo possível dessa forma, modificar o comportamento dos indivíduos através da organização das contingências de reforço, ou seja, através das atribuições de reforços.

PALAVRA CHAVE: Behaviorismo, Skinner, reforço positivo, contingencias de reforçamento, educação, escola, conhecimento, aluno, professor.

ABSTRACT: In this article we present some arguments and notes on the importance of positive reinforcement in school learning, based on the assumptions of the Behaviorist Skinner. Throughout his life focused on the world of studies and surveys in order to obtain knowledge in the sphere of human behavior, the area of education gained emphasis in their research.

        No scientist or thinker of the twentieth century so far led to belief in the possibility of controlling and shaping human behavior as Skinner. His work is the most famous expression of behaviorism, which dominated current thinking and practice of psychology in schools and offices, until the 1950s.

        In the uses that designed for their scientific conclusions, especially in education, Skinner preached the efficiency of positive reinforcement, and, in principle, opposed to punishments and repressive schemes. You can modify the behavior of individuals through the organization of the contingencies of reinforcement, ie, through the powers of reinforcements.

KEYWORS: Behaviorism, Skinner, positive reinforcement, contingencies of reinforcement, education, school, learning, student, teacher.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por finalidade apresentar questões sobre a importância do reforço positivo na aprendizagem escolar, com base nos pressupostos e estudos do psicólogo norte-americano Burrhus Frederc Skinner.

Ao longo de sua vida, Skinner não poupou esforços, voltou sua atenção para o mundo do conhecimento nas mais diversas áreas, uma de suas mais relevantes, foi à área da educação. No primeiro momento, uma das suas linhas de pesquisa foi intitulada “maquina de ensinar”, foi considerada uma questão de contingências de reforço.

Mais que selecionar as respostas, o aluno as compõe” (Skinner, 1983, pg 65).

Skinner propõe também, em um outro momento, explicar as mudanças que convertem uma pessoa não instruída em uma pessoa culta.

O objetivo deste trabalho é realizar alguns apontamentos sobre o reforçamento positivo, a sua importância e contribuição para um excelente resultado na aprendizagem escolar. Com a intenção de obter o interesse de cada aluno e despertar neles a vontade para buscar cada vez mais o conhecimento.

Diligências da Educação

A história da educação no Brasil remonta uma época longínqua, época esta em que ocorreu a descoberta do país. Com a chegada dos primeiros padres jesuítas em 1549, movidos por intenso sentimento religioso de propagação da fé cristã, desembarcaram no Brasil, e trouxeram consigo métodos de ensino, pois sua missão era de catequizar os nativos.

Esses métodos visavam maior segurança, uma vez que a modificação de costumes e hábitos seriam realizados. Portanto, iniciava-se assim, a história da educação no Brasil. Ao longo de 210 anos a frente de toda ação pedagógica, a Companhia de Jesus limitou as discussões em sala de aula, à ausência de pensamentos críticos, que se cumpria respeitar. Sua proposição de ensinamentos foram incoerentes aos interesses da coroa Portuguesa, desse modo, repassaram então, a responsabilidade das escolas a serviço do estado e não mais da fé.

Da problematização

A reflexão sobre problemas educacionais, incontestavelmente caminha a questões de valores. Esses problemas, evidentemente transparece a necessidade de reformular ações, de determinar objetivos e definir prioridades.

A constituição Brasileira de 1988, art. 205, estabelece que a educação é um direito para todos, dever do Estado e da família. Encontramos presente na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em sua 5° edição, Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996; que dispõe Dos Princípios e Fins da Educação Nacional, em seu artigo 3°, inciso IX, que visa a garantia do padrão de qualidade, e o inciso X, a valorização da experiência extra escolar; embasando os estudos de Paulo Freire que afirma que

[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Paulo Freire (2003, p.47).

A afirmação de Freire visa que, o conteúdo não somente precisa ser assimilado, mas também vivenciado por cada aluno, e a valorização do ser enquanto humano, na condição de aluno/aprendiz, que o conhecimento por ele já agregado, precisa ser aproveitado, interagido e enriquecido pelo professor; juntamente com outras questões inteiramente importantes e essenciais, é que irão compor um padrão de qualidade já citado no inciso IX da LDB. Vejamos a seguir, as linhas de pensamentos de Skinner.

Do Conceito

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), psicólogo norte-americano, da cidade de Susquehanna, estado da Pensilvânia, licenciou-se em literatura, amante do conhecimento, debruçou-se sob o mundo das ideias relacionadas ao comportamento humano, dando ênfase, em especial, ao âmbito voltado à educação. Uma de suas primeiras façanhas no quesito educação foi criar a “maquina de ensinar”. Segundo Skinner, o aparelho consistia em uma caixa com uma abertura na sua parte superior onde se podia visualizar os problemas propostos, que vinham impressos em uma tira de papel.

A criança respondia movendo um ou mais dos cursores, onde estavam impressos os dígitos. As respostas eram impressas juntamente com as suas respectivas perguntas. Um botão devia ser girado ao término de cada resposta. Se esta estivesse correta, o botão giraria facilmente. Já se estivesse incorreta, o botão não giraria e o aluno teria que persistir na mesma questão até que conseguisse solucioná-la. Com o uso da máquina de ensinar, os alunos poderiam progredir no seu próprio ritmo de aprendizagem, vencendo os obstáculos a partir das suas próprias tentativas.

Em sua primeira obra intitulada “The Behavior of Organisms, suas pesquisas apontam aspectos do comportamento de crianças, sejam elas em sua fase inicial de vida, ou na vida escolar. Behavior significa comportamento, teoria considerada “influência ambiental” (no meio), conhecida também como teoria ambiental, tudo parte do comportamento.

O behaviorismo é uma teoria da aprendizagem, da personalidade e que também explica o desenvolvimento, estímulo versus resposta.

S R

Stimulus x Responsio

Segundo os conceitos de Skinner, segue algumas descrições:

  • Behaviorismo: dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do indivíduo e ambiente.

  • Comportamento: o comportamento é sempre uma relação ou interação entre eventos ambientais (estímulos) e atividades de um organismo (resposta).

  • Estímulo: qualquer acontecimento, externo ou interno a um organismo, susceptível de ser captado pelos seus receptores e de levar a uma reação.

  • Resposta: unidade de comportamento sob controle de um ou mais estímulos.

  • Reforço: é qualquer evento que aumenta a força de qualquer comportamento operante. O reforço deve ser contingente ao comportamento. A eficácia do reforço está na administração sistemática de recompensas a um organismo, quando queremos que ele apresente certas respostas. Portanto é necessário que se faça o levantamento dos eventos que se reforçam um dado indivíduo ou grupo.

  • Reforço Positivo: quando esse acontecimento comporta uma ocorrência agradável para o sujeito.

  • Reforço Negativo: quando esse acontecimento envolve a remoção ou o afastamento de algo desagradável para o sujeito.

  • Punição: ocorrência de um estímulo nocivo ou aversivo, após uma resposta.

  • Extinção: processo de diminuição da frequência de ocorrência de uma resposta, por supressão do reforço que a mantinha.

Segue quadro demonstrativo:

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Maior probabilidade de ocorrência - Aquisição e manutenção de respostas

fortalecimento da conexão E-R

Positivo

Favorável = Reforço

Negativo

Estímulo Resposta Resultado -----------------------------------------

Extinção (por supressão do reforço)

Desfavorável

Punição

Menor probabilidade de ocorrência

enfraquecimento da conexão E-R Eliminação de respostas

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"Seja inato ou adquirido, o comportamento é selecionado por suas consequências." (Skinner, 1983, p.155).

O conjunto (estímulo-resposta-reforço) chama-se contingências de reforço.

Quando é possível identificar as contingências de reforço, diz-se que o comportamento está sob controle de estímulos (que o antecedem e o sucedem). É possível modificar o comportamento dos indivíduos através da organização das contingências de reforço, ou seja, através da atribuição de reforços (quando se pretende manter comportamentos) ou da supressão de reforços, (quando se pretende eliminar comportamentos). Em qualquer dos casos, é indispensável uma correta definição prévia das contingências de reforço.

Da Práxis

Nos conceitos de Skinner, é o professor quem proporciona as condições “facilitadoras para o aprender”, havendo desse modo uma conciliação no ensinar. O reforço positivo para além das salas de aula vem juntamente com um propósito importantíssimo de somar, dar continuidade ao processo de agregar conhecimentos mesmo depois da vida escolar.

A aprendizagem é o grande foco do Behaviorismo Skinneriano, uma das grandes descobertas da ciência do comportamento foram “Os Princípios da Aprendizagem”, princípios de comportamento que por sua vez podem explicar o aprender, encontrados no Livro Tecnologia do Ensino de Skinner.

As contingencias de reforçamento é uma das lentes do Behaviorista, analisando o conjunto de respostas ou ações, as consequências que essas tiveram e o responder, ou seja, ele analisa um contexto que são os estímulos antecedentes, o responder que são as ações e as consequências dessas ações, são chamadas de contingencias tríplices. Se as consequências forem aversivas ou punitivas, elas decrescem a probabilidade futura da resposta que a antecedeu, muitas vezes aplicadas na educação, gera resultados nada agradáveis. Tendo que levar em conta também que, aquilo que é um reforçador positivo para uma determinada pessoa, para outra pode ser aversivo, sendo necessário a verificação das condições de como fazer, a constatação de que os reforçadores são individuais, cada ser possui um ritmo próprio, e características extremamente individuais.

"A singularidade do indivíduo é incontestável na visão científica." (Skinner, 1959, p.17)

No contexto escolar, aquilo que conhecemos por vazão escolar, uma vez analisada a situação, detectaremos nas crianças que deixaram a vida escolar, uma trajetória de consequências aversivas e punitivas que decresceram todo o repertório comportamental de cada uma delas, como por exemplo, um aluno que obteve uma nota zero e diz que está deixando a escola e não voltará mais a estudar. Outra situação, é de crianças que se mantém indo a escola, sorriem e brincam quando estão lá, fazem perguntas ao professor, isso indica que aquela escola tem um arranjo das suas condições adequadas.

Nós somos sensíveis ao reforçamento positivo, somos movidos pela satisfação, pelo prazer e pelas consequências de nossas ações, se forem punitivas pararemos de fazer o que estávamos fazendo, afirma Skinner.

O objeto de estudo de Skinner é relacional, ele define que ensinar é arranjar contingencias de reforçamento. Para que um aluno aprenda a ler, por exemplo, ele irá precisar de condições contextuais que são as condições facilitadoras para que este ler ocorra, possa ser reforçado positivamente, possa ser incentivado e possa ter consequências naturais.

... todo ser aprende, não há aluno problema, não há professor problema, há uma relação professor aluno, há uma relação das condições de ensino, as características do aluno e as consequências arranjadas para esse ensino (SMITH, Louis M; pg 52),

Skinner defende que o ideal da educação é que se ensine habilidades cujas consequências sejam naturais, pois no momento em que essas consequências naturais ocorrerem forem positivas, as mesmas se encarregarão de naturalmente manter aquele comportamento. É necessário que o professor propicie condições facilitadoras, arranjos de ensino.

O ideal do aprender é que o ser aprenda e tenha consequências naturais deste aprender. (SMITH, Louis M, pg 52).

Conclusão

A palavra “Escola” em Grego SCHOLÉ significa “descanso, folga, ócio”, como era nesses momentos em que as pessoas conversavam e discutiam sobre os mais diversos assuntos, a palavra acabou tendo o significado de “lugar onde se estuda”. Hoje, a escola é mais que um lugar onde acontece a transmissão de conteúdos, é nela onde os primeiros contatos de socialização acontecem, onde passamos a maior parte de nosso tempo e nossas vidas, lugar onde aprendemos a fazer a leitura da realidade, interpretar o mundo e além de tudo intervir nele como sujeito, dessa forma a educação passa a ter um papel fundamental na construção do caráter e valores de uma sociedade, passa a ter um enorme significado nas vidas daqueles que passam pelos bancos escolares, e a relação de arranjos de contingências se torna necessário, para que o agregar valores, saberes e os mais diversos tipos de conhecimento sejam realizados.

"Os homens agem sobre o mundo e o modificam e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação." (Skinner, 1957, p.1)

A escola ideal é aquela em que o aluno é atraído por ela, não por receio ou medo, mas porque nela ele encontra as mais fortes razões para manter-se aprendendo mesmo depois da escola. É necessário que o professor ensine para o aluno e com ele aprenda, precisa haver uma interação, uma troca recíproca e mutua, dentro de uma sala de aula precisa haver o diálogo, a interação entre os alunos com os professores e vise versa, o acompanhamento individualizado por parte do professor, e o mais importante, o professor precisa estar sempre disponível “constantemente”.

"Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente." (Skinner, 1969, p.viii)

Segundo Skinner a educação é a chave de uma sociedade, porque é ela quem faz com que o aprendiz busque habilidades e aprenda habilidades que o tornem independentes, críticos, conscientes e autônomos. E que depois da escola institucionalizada, se mantenha um ser que busque as informações ao longo de sua vida que é a grande estratégia de sobrevivência, uma vida em ascensão de felicidade e sucesso profissional.

"Ensinar é simplesmente o arranjo de contingências de reforçamento." (Skinner, 1968, p.5)

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