Orto Desenvolvimento da oclusão

Orto Desenvolvimento da oclusão

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Desenvolvimento da Oclusão Dentária. Ortodontia

Quando a criança faz a sucção no peito, ela desenvolve duas atividades primordiais: a respiração nasal porque como ela vai ter bridas vedando a periferia, ela não consegue respirar pela boca durante a sucção. Ela vai se forçar a respirar pelo nariz. Outra coisa é que ela vai desenvolver a deglutição normal.

A lactação vai funcionar como a primeira matriz funcional (onde a função estimula o crescimento e desenvolvimento ósseo.

Quando a criança começa a fazer a sucção, ela vai se obrigar a respirar pelo nariz e isso é uma matriz funcional que elimina a possibilidade de respiração bucal. Ela vai trabalhar muito mais na respiração nasal.

Na etiologia das maloclusões, a respiração bucal é extremamente danosa no crescimento e desenvolvimento crânio facial.

A alimentação leva a essa respiração nasal, então ela começa a treinar e praticar respirar pelo nariz que é o que é fisiologicamente aceitável. E ela começa a treinar a deglutição. A mandíbula tá bem retro posicionada em relação a maxila. Quando ela vai mamar, ela projeta a mandíbula pra frente. Quando ela tenciona a mandíbula, ela estimula a atividade osteoblástica e com isso a mandíbula começa a crescer.

A amamentação funciona como a primeira matriz funcional porque a criança se vê obrigada a projetar a mandíbula a frente. Quando ela leva a mandíbula pra frente, essa tensão no osso mandibular estimula a atividade osteoblástica e essa mandíbula cresce. Isso não é visto na amamentação artificial. A criança vai receber a mamadeira com o bico, então ela não precisa forçar, ela não precisa fazer protração mandibular, ela faz somente a sucção.

Primeira matriz funcional: favorece a respiração pelo nariz por causa das bridas acessórias.

Segunda: estimula o crescimento mandibular, uma vez que a criança deve projetar a mandíbula pra frente pra prender a porção inferior do peito da mãe.

Terceira matriz funcional: a postura neonatal da língua ( a língua forma uma cunha). Quando a criança suga o peito da mãe, o leite cai diretamente sobre a cunha, então a criança deve levar o leite para a orofaringe então ela começa a desenvolver o movimento da ponta da língua, encostar na papila incisiva, fazer os movimentos peristálticos da língua e levar esse leite para a orofaringe. Com isso ela começa a aprender e desenvolver a deglutição normal.

Com a amamentação fisiológica temos a respiração normal, a deglutição normal e o crescimento mandibular.

Na amamentação artificial a criança vai receber a mamadeira com um bico. O bico convencional por ser muito grande, quando a criança coloca o bico dentro da cavidade bucal, ele passa do terço da cavidade bucal pra dentro. Como ele é grande, a língua vai abaixar pra poder a criança receber o bico na boca. Ao invés dela fazer a deglutição jogando a ponta da língua no palato, o leite vai cair direto na língua e vai escorrer direto pra orofaringe. A criança não exercita e não aprende a deglutição normal porque o bico abaixa a postura da língua. A criança nessa situação pode desenvolver uma deglutição atípica, ela pode permanecer com essa postura neonatal da língua.

Essa postura neonatal da língua é importante até os 6 meses de vida, mas com a erupção dos incisivos, depois que a criança já exercitou a deglutição normal, o ideal é que ela comece a carregar o leite diretamente na orofaringe. Na amamentação artificial eu não tenho o movimento de deglutição normal da língua porque o bico abaixa a língua.

Segundo: as bridas acessórias não são suficientes para vedar a periferia do bico da mamadeira. Então quando ela mama, entra ar. Então ela vai começar a respirar pela boca. Então isso pode favorecer a respiração bucal.

O terceiro ponto negativo é que não há estímulo para o crescimento da mandíbula.

Com a amamentação natural, a criança melhora a imunidade, ganha anticorpos e também é extremamente importante como a primeira matriz funcional do desenvolvimento crânio facial.

A criança que teve amamentação artificial pode ter vários problemas agregados: respiração bucal, deglutição atípica e hipodesenvolvimento mandibular. Ela vai precisar absorver mais leite, então vai dar uma sobrecarga estomacal e também uma diminuição na resistência orgânica porque o leite materno é carregado dos anticorpos da mãe para o filho.

Essa criança pode também desenvolver doenças sistêmicas pros primeiros seis meses de vida.

Se a criança se alimentar somente no peito, ao final dos seis meses de vida a mandíbula vai estar praticamente no mesmo plano da maxila porque a amamentação estimulou o crescimento mandibular. Quando a criança nasce, a mandíbula está retroposicionada 6 mm em relação a maxila. Ao final do sexto mês de vida, essa mandíbula está 3, 4 mm naturalmente se essa criança teve uma amamentação natural. Se ela teve amamentação artificial , provavelmente a mandíbula vai permanecer estática, sem crescer de forma adequada. Deve permanecer com esse retro posicionamento o que pode levar no futuro a uma classe II por deficiência de crescimento mandibular .

No período pré-dental tem duas situações que podem atrapalhar a amamentação: os dentes natais (presentes por ocasião do nascimento) ou os dentes neonatais (aqueles que erupcionam até o primeiro mês de vida pós-natal). O grande problema é pra mãe. Depois que a criança faz a sucção, ela vai morder. Vai machucar o peito e a mãe vai descontinuar a amamentação natural. Essas são situações que contraindicam o processo de amamentação.

O ideal é que a mãe amamente sentada.

Se você puxar o lábio da criança com seis meses de vida, você consegue observar as coroas dos dentes se formando. Quando a criança nasce, a maioria dos dentes decíduos já está formada, ou em término de processo de formação. Esses seis meses que vou precisar para terminar a maturação do pré-eruptivo e para que esses dentes possam começar os seus movimentos eruptivos. Nos seis meses subsequentes, ocorrem todas as alterações nos roletes gengivais para que os dentes possam erupcionar.

Quando erupcionam os primeiros dentes decíduos, eu saio do período pré-dental e entro no terceiro período que é o da dentição decídua.

O período de dentição decídua é um período que vai do 6o mês ao 6o ano de vida pós-natal .

A característica é a presença de vinte dentes decíduos. A dentição decídua vai começar por volta do sexto mês e ela está completa normalmente aos 30 meses de vida. Ou seja, com dois anos e meio de idade, todos os dentes decíduos já devem estar na cavidade bucal.

A dentição decídua vai ser dividida em quatro períodos que se caracterizam pela erupção de grupos dentários.

  • Primeiro período:

Vai dos seis aos oito meses de vida normalmente. É aquele período que ocorre a erupção dos incisivos.

Sequencia de erupção: Incisivos centrais decíduos inferiores (normalmente por volta do 6o mês)

Incisivos centrais decíduos superiores (6,5 a 7 meses)

Incisivos laterais decíduos inferiores (7,5 meses)

Incisivos laterais decíduos superiores (8 meses)

No primeiro período nós vamos ter um transpasse vertical acentuado. Até o oitavo mês, as crianças normalmente tem mordida profunda sobre um transpasse vertical acentuado. Normalmente não tem nenhum sentido na oclusão, a criança faz apenas movimento de abrir e fechar a boca. A ATM é extremamente rasa, então não tem movimentos de lateralidade, de protrusão de mandíbula.

Nessa fase é bom que sejam inseridos outros alimentos (pastosos) além do leite materno pra criança começar a desenvolver o hábito da mastigação.

  • Segunda fase:

Entre 1 ano e um ano e dois meses.

Aparece com a erupção dos primeiros molares decíduos. (Molares decíduos inferiores seguidos dos superiores).

A sequência de erupção é molares decíduos inferiores (erupcionam por volta dos 12 meses) seguido dos primeiros molares decíduos superiores (12,5 a 13 meses).

Quando erupcionam os molares decíduos, temos o início do sentido da oclusão. Além da criança abrir e fechar, ela começa a fazer lateralidade, começa a fazer protrusão e retrusão. Com esses movimentos bordejantes da mandíbula, defini-se a ATM.

A cavidade glenóide começa a se aprofundar, então a criança começa a mastigar de maneira mais satisfatória. Nesse momento pode começar a dar alimentos mais sólidos para que ela comece a triturar esses alimentos.

Além disso, com a erupção dos primeiros molares, há um levante de mordida. Quando os 1os molares erupcionam na região posterior, a mandíbula vai rotacionar no sentido horário e aquele transpasse vertical vai diminuir.

  • Terceira fase:

Entre 16 e 18 meses de vida.

Se dá pela erupção dos caninos inferiores seguido dos caninos superiores. Nessa fase há o estabelecimento da guia de caninos.

A oclusão e desoclusão devem ser feitas com guia de canino.

Também há o estabelecimento dos espaços primários que são espaços necessários para que eu tenha diâmetro mesio-distal suficiente no rebordo alveolar para favorecer a erupção dos incisivos permanentes. Esses espaços são importantes para prover espaço satisfatório para que os incisivos centrais e laterais superiores e inferiores permanentes possam erupcionar de forma mais satisfatória.

Esses espaços são pontuais: entre lateral e canino superior e entre canino e primeiro molar inferior.

  • Quarta fase:

Acontece entre dois anos, dois anos e meio com a erupção dos segundos molares decíduos inferiores seguidos dos superiores.

Essa fase é importante porque as relações distais dos segundos molares decíduos atuam como guias eruptivos para os primeiros molares permanentes.

O desenvolvimento e o crescimento dos ossos alveolares depende dos movimentos dos dentes. O crescimento do osso alveolar é secundário a erupção dentária. Ele vai aumentar de tamanho na troca dos dentes decíduos para os permanentes. A dimensão vertical posterior começa a aumentar.

Fatores importantes para a oclusão da dentição decídua: pressão muscular (se a língua, o lábio e as bochechas estão trabalhando a favor ou contra).

A criança que tem deglutição atípica permaneceu com a postura neonatal da língua ou seja, a língua sobressaindo entre a porção anterior dos roletes gengivais. Só que agora a língua vai ficar posicionada entre incisivos superiores e inferiores. Com isso, vai impedir o crescimento do osso alveolar no sentido vertical e ai que a criança vai permanecer com a mordida aberta anterior.

A pressão inadequada de grupos musculares pode alterar o eixo eruptivo dos dentes decíduos causando má oclusões na dentição decídua.

Se a criança tem deglutição atípica, além dela projetar a porção anterior da língua, a porção posterior abaixa desenvolvento mordida cruzada posterior.

Quando a gente engole, o bucinador contrai e ele força os dentes superiores para lingual, só que a porção posterior da língua quando a gente engole, permanece tocando o bordo lingual dos dentes superiores. Então quando o bucinador contrai, a língua mantém então eu não tenho mordida cruzada.

Quando a língua abaixa, o bucinador contrai e não tem ninguém pra se contrapor, os dentes vão lingualizar e com isso tenho o desenvolvimento da mordida cruzada posterior. Ou seja, uma alteração da postura muscular leva a um desenvolvimento de má oclusões já na dentição decídua.

Com 3 anos a criança já está com a dentição decídua completa. Ai começa a formação das coroas dos dentes permanentes até que os primeiros molares erupcionem e ai eu saio da dentição decídua e entro na dentição mista.

Características da dentição Decídua.

Dentição decídua como período que vai dos seis meses aos seis anos de idade.

Dentadura decídua quando falo das características.

A primeira característica da dentadura decídua é ausência de inclinação axial. Os dentes decíduos não tem inclinação vestíbulo-lingual ou angulações mésio-distais. Eles formam planos oclusais em ângulos retos de 90 graus. E angulação entre si de quase 180 graus, na dentição decídua não tem nem a curva de spee e nem a curva de Wilson porque não tem inclinação nem angulação.

É normal que tanto o transpasse vertical quanto o transpasse horizontal sejam quase O devido a ausência de inclinações axiais.

A segunda característica da dentição decídua seria a relação distal dos segundos molares decíduos. A guia eruptiva pode ser de 3 maneiras: Plano terminal reto, o Degrau mesial pra mandíbula e o Degrau distal para mandíbula.

O Plano terminal reto acontece em 76% das crianças. O Degrau mesial para mandíbula em 14% das crianças e o Degrau distal em 10% das crianças.

Esses planos terminais vão influenciar diretamente a erupção dos primeiros molares permanentes.

OBS: a relação do molar normal ( Chave de molar) na oclusão é :A cúspide mesio-vestibular do primeiro molar superior permanente ocluindo com o sulco mesio-vestibular do primeiro molar inferior.

Quando eu falo dos segundos molares decíduos, também tenho chave de molar: A cúspide mésio-vestibular do 2o molar decíduo superior oclua no sulco mésio-vestibular do 2o molar decíduo inferior. Isso é o normal.

O problema é que o 2o molar decíduo superior mésio distalmente é menor que o 2o molar decíduo inferior, normalmente o plano terminal é reto. Quando eu tenho um plano terminal reto, os primeiros molares permanentes erupcionam numa relação de topo(cúspide ocluindo com cúspide). Eles não erupcionam em chave de oclusão molar.

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