Vida e Obra de Pablo Picasso

Vida e Obra de Pablo Picasso

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UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP

PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO E AÇÃO COMUNITÁRIA

CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

DEYRIANE LIMA MONTEIRO

NATHÁLIA LAURINDO DA SILVA

PATRÍCIA BATISTA SOARES WANDERLEY DE MACÊDO

VIDA E OBRA DE PABLO PICASSO

NATAL

2012

DEYRIANE LIMA MONTEIRO

NATHÁLIA LAURINDO DA SILVA

PATRÍCIA BATISTA SOARES WANDERLEY DE MACÊDO

VIDA E OBRA DE PABLO PICASSO

Relatório apresentado à Universidade Potiguar – UnP, como parte dos requisitos à aprovação na disciplina de História da Arte.

PROFESSOR: Rosanne Albuquerque.

NATAL

2012

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.....................................................................................................4

VIDA E OBRA DE PABLO PICASSO.................................................................5

FASE AZUL...............................................................................................7

FASE ROSA..............................................................................................9

PERÍODO AFRICANO............................................................................11

CUBISMO...............................................................................................13

CONCLUSÃO...................................................................................................19

REFERÊNCIAS.................................................................................................20

INTRODUÇÃO

O início do século XX experimentava ainda a grande transformação ocasionada pela Revolução Industrial do século XVIII. Os sentimentos de inferioridade, alienação do trabalhador e o profundo estado de miséria em que viviam as pessoas foram abarcados pelo movimento expressionista.

Pablo Picasso, grande ícone deste movimento, se comprazia em dar à sua obra um aspecto além da realidade, pois abandonou a pretensão de representar as coisas tal como são vistas aos olhos.

Desta feita, encontraremos em sua arte grande apelação a geometria, uniformidade e realismo que este trabalho procura explanar a partir da demonstração de algumas obras de Picasso.

VIDA E OBRA DE PABLO PICASSO

Picasso (1881 – 1973) nasceu na Espanha na cidade de Málaga,  filho de María Picasso y López e José Ruiz Blasco. Seu pai era professor da Escola de Arte de Barcelona e foi incentivador para que seu filho se tornasse um grande artista.

Sobre o seu nascimento há várias lendas, algumas até instigadas por ele. A mais famosa, publicada inclusive em muitas de suas biografias, é a história de que Picasso havia nascido morto, mas o seu médico soprou fumo na sua face, o que fez com que o bebê chorasse.

Com apenas oito anos, pintou seu primeiro quadro: O Toureiro, pintura esta que Pablo tinha grande apego. Obra em óleo sobre madeira. Em 1895 entrou para a escola de arte La Lonja. Com louvor consegue equiparar-se a outros grandes artistas e o seu quadro Primeira Comunhão é exposto na célebre exposição de Barcelona.

O quadro é pintado quando Picasso tem então 15 anos. Retrata a primeira comunhão de sua irmã Lola. A obra é uma crítica ao convencionalismo, apesar do realismo utilizado. Ainda que fizesse menção a um tema religioso, tratava-se de um acontecimento privativo, pois abrange o âmbito familiar.

Primeira Comunhão, 1896.

Após estes acontecimentos, o pai de Picasso se encarregara de alugar um pequeno atelier para que o artista pudesse pintar um quadro para ser apresentado à Exposição Nacional de Belas Artes de Madrid. Surge então a obra Ciência e Caridade.

Como o pintor não tinha recursos para pagar modelos profissionais, valeu-se dos que tinha ao seu alcance. A freira é um amigo que Pablo vestiu para este fim. O médico é o pai de Picasso e a mulher acamada e a criança ao colo da freira são mendigos que receberam poucas pesetas em troca pousarem para o quadro. Esta obra capta o sentimento de dor, morte e impotência. Com este trabalho, recebeu seu primeiro prêmio.

Ciência e Caridade, 1897.

Sua estadia em Madrid é interrompida pela escarlatina, que fez o artista mudar-se para Barcelona a fim de curar-se da doença. Reestabelecido, instala-se em Paris. O eixo Barcelona – Paris, faz nascer no pintor a Fase Azul (1901 – 1904).

Recebe essa intitulação em referência ao predomínio do pigmento utilizado levando a uma pintura quase monocromática. Nesta fase, Picasso pintou a angústia, a solidão, a morte e o abandono e também o erotismo. Eram imagens depressivas, melancólicas, que retratavam mendigos, prostitutas, doentes, mães com criança. A obra clama por justiça social.

A fase azul faz jus ao período em que se encontrava o artista: dificuldades econômicas, frio e desespero. Muitos de seus desenhos tiveram de ser queimados para servirem de combustível para aquecer o quarto. O suicídio do seu amigo Carlos Casagenas, aos 21 anos, contribuíu veementemente para esta fase.

The Old Jew, 1903.

As figuras alongadas fazem referência a El Grego, pintor maneirista. O velho é um judeu e o menino vive na rua. Possivelmente fazem alusão a Dom José e ao próprio Picasso. A cegueira que aparece nessa e em outras imagens demonstram a preocupação com a perda de visão do pai.

O Velho Guitarrista, 1903.

Essa obra foi desencadeada pela morte precoce do seu amigo (comentada anteriormente). É dotada de uma paleta de tons azuis e verdes escuros e retrata as emoções complexas, extrema melancolia.

La Vie, 1903.

Considerada a grande criação de Picasso nesta fase, o quadro retrata contrastes e simbolismos. Foi interpretado como a alegria do amor sagrado (mãe que segura a criança) e também a alegria do amor profano (casal despido à esquerda). Ao fundo, entre os protagonistas da pintura, há uma pessoa curvada com a cabeça sobre os joelhos e mais acima, um casal abraçado. Acredita-se que essa obra mescla o ciclo de vida do próprio pintor e marque a transição da fase azul para a rosa.

Após três anos pincelando sobre mendigos, desvalidos, solidão e melancolia, Picasso mudou o tema dos seus trabalhos. Em 1904 tem início a sua Fase Rosa, quando se apaixona por Fernande Oliver.

Assim como a antiga fase transparecia o momento vivenciado pelo artista, este novo período também. Picasso havia se mudado para Paris, onde inaugurou o seu novo atelier em Montmartre. Fez uma exposição e vendeu muitos quadros a colecionadores, o que fez com que sua situação financeira melhorasse.

Neste período, o artista passa a utilizar uma coloração vermelha, laranja e rósea para pintar arlequins e acrobatas, figuras de circo, mulheres e erotismo.

Boy With a Pippe, 1905.

O quadro mostra um menino desconhecido trajando uma roupa azul e segurando um cachimbo para fumar ópio. Ao fundo, um céu cor-de-rosa e muitas flores combinam com o adorno na cabeça do personagem. As pernas são longas e grossas, desproporcionais aos braços. Questinona-se se foi displicência do autor ou apenas uma nova maneira de enxergar a perspectiva. A figura andrógena despertou o interesse de Picasso por adolescentes. O quadro foi vendido por $ 104.000.000.

Las Famille de Saltibanques, 1905.

A imagem está em perfeito equilíbrio apesar da divisão entre os personagens. Há predominância das cores primárias, branco e preto. Os saltimbancos, que são a classe mais baixa dos acrobatas, foram representados na obra de Picasso como um grupo de artistas de rua.

Conseguintemente a uma estadia em Andorra, as pinturas de Pablo Picasso mudam novamente de fase. Desta vez, através da influência da arte grega, ibérica e africana, inaugura-se a fase do protocubismo ou Período Africano.

Gertrude Stein, 1906.

Esse célebre retrato foi pintado em Paris, ainda na fase rosa do artista. Picasso não estava satisfeito com o quadro, apagou e refez inúmeras vezes. Insatisfeito com o trabalho apagou o rosto da imagem e largou o trabalho abruptamente. E após a sua temporada em Andorra, recebeu infindas influências das esculturas ibéricas arcaicas e românicas. De volta a Paris, continuou a pintar o retrato inacabado. É extremamente perceptível a mudança radical: enquanto as mãos eram suaves, o rosto tinha evoluído para um novo conceito de abstração. Stein tem em suas próprias memórias que, quando viu o quadro, exclamou confusa: “Eu não sou nada!”.

Les Demoiselles d’Avignon, 1907.

Quadro pré-cubista, obra mais importante que Picasso pintara até então. Antes de chegar a finalização, este fez diversos esboços e durante o trabalho, inúmeras modificações que julgou necessárias. Na imagem há cinco prostitutas representadas de forma cubista. Os rostos das personagens refletem o “período negro” utilizado por Picasso quando este sofre grande influência do primitivismo, pintando os rostos como se fossem máscaras africanas. É extremamente revolucionária, pois quebra as tradições naturalistas ocidentais; é a obra-prima do cubismo mundial.

A partir de então, encantado com a nova liberdade de expressão que aboliu a perspectiva tradicional, Pablo Picasso adentra em sua fase mais conhecida: o Cubismo.

Juntamente com o artista francês Georges Braque criou o cubismo – movimento artístico que desconstrói o mundo real em seus componentes geométricos, suscitando assim, um acréscimo individual do artista à obra ao passo que esta deixa de ser imitação do mundo real.

Para fundar este novo estilo, Pablo valeu-se dos conselhos de Cézanne, pintor pós-impressionista francês, quando este aconselhava os pintores em atividade a observarem a natureza em suas formas puras, geométrica: cones, esferas e cilindros.

Segundo Gombrich, Picasso deve ter pensado da seguinte forma:

Abandonamos a muito a pretensão de que representamos as coisas tal como as veem os nossos olhos. Trata-se de um fogo-fátuo que é inútil querer explorar. Não queremos fixar na tela a impressão imaginária de um momento fugaz. Sigamos o exemplo de Cézanne e construamos um quadro de nossos motivos, com tanta solidez e tão duradouro quanto pudermos. Por que não ser coerente e aceitar o fato de que nosso objetivo real é construir algo, em vez que copiar algo? (...)” (GOMBRICH 1999, p. 573,574)

Picasso, então, passou por dois períodos cubistas: o analítico (1909 a 1912) e o sintético (1912 a 1919). Naquele, pintou usando uma paleta marrom monocromática; já neste, utilizou-se de fragmentos de papel colados. Foi o primeiro uso de colagem nas artes plásticas.

Retrato de Ambroise Vollard, 1910.

Ma Jolie, 1911.

Ma Jolie era o refrão de uma música tocada em um local parisiense frequentado por Picasso. Também era o apelido dado á sua amante Marcelle Humbert, cuja figura é vagamente construída pelos traços do cubismo analítico.

Violino e Uvas, 1912.

O quadro acima faz parte do período cubista sintético vivido por Pablo Picasso. Apesar da aparência de confusão, a obra está em perfeita harmonia, pois o artista utilizou-se de formas mais ou menos uniformes. Há um retorno aparente aos princípios antigos egípcios: o de representar os objetos a partir do seu ângulo mais característico, melhor visível. Porém, há um inconveniente nesta nova forma de representação: é necessário que o observador conheça bem o objeto desenhado a fim de que possa reconhecê-lo e então, relacionar as partes “desconexas”. É preciso conhecer a estrutura de um violino para compreender que a voluta e a cravelha são representadas de lado, a abertura do tampo harmônico é vista de frente, o arco e as cordas são flutuantes, entre outros detalhes.

Os Três Músicos, 1921.

Tida como a obra-prima do período sintético, Os Três Músicos toma formas inclinadas, deslizantes, num estilo solto, independente uns dos outros. O resultado é de um grande efeito de movimento na tela, devido á irregularidade das formas. Na obra, a vivacidade se dá pela variação, chamando a atenção do observador a diversas direções.

Guernica, 1937.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Picasso pintou uma de suas obras mais famosas: Guernica, em resposta ao bombardeio da referida cidade espanhola por tropas alemãs. A obra é um painel pintado para o Palácio do Governo Espanhol na Feira Mundial de Paris. Picasso havia sido contratado para este fim, mas ainda não havia começado o trabalho. Foi quando soube do ocorrido e inspirou-se para pintar o painel expressando todo o seu descontentamento com o massacre. As próprias cores utilizadas – preto e branco – fazem referência ao repúdio sentido pelo artista. A cabeça feminina olhando para a esquerda, leva o espectador a ver um braço decepado que carrega um lampião aceso e, posteriormente, a uma bomba explodindo. A figura humana ao lado direito, com os braços levantados aos céus, pode está recorrendo a ajuda divina ou simplesmente demonstrando total rendição aos inimigos, indefeso. Os cavalos pisoteiam os infelizes e a imagem mais comovente da pintura é uma flor ainda viva que um braço segura com força, juntamente com sua espada quebrada. Sobre a imagem, Picasso afirmou: “Não, a pintura não está feita para decorar casas. Ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo.”.

Ao contrario do que se pensa, Picasso não foi apenas pintor. Ele envolveu-se tanto em gravura quanto em escultura. Também trabalhou com cerâmica, projetou cenários para teatros e escreveu poemas. Em 1920, esboçou o interior de um teatro para Igor Stravinsky e em 1924 projetou uma cortina para Jean Cocteau e Darius Milhaud.

Pássaro, 1948.

Picasso faleceu em 8 de abril de 1973, aos 91 anos de idade, em Mougins – França. Seu corpo está sepultado no Castelo de Vauvenargues.

CONCLUSÃO

É fato que Pablo Picasso foi um grande artista. Suas obras tinham a característica de demonstrar o que se passava em seu íntimo. Isso foi extremamente perceptível através de suas mudanças de fases, nas quais expressava sempre seus sentimentos em suas telas, dando-lhes novas características. Picasso pintou obras expressionistas, cubistas, surrealistas e até neoclássicas. Não bastasse, também esboçou teatros, trabalhou com cerâmica e escultura e escreveu poemas. Uma alma extremamente nobre, vestida de sentimentalidade, que se abriu para o mundo querendo mostrar a este uma nova realidade. A pintura já não era a cópia de uma imagem. A pintura era agora aquilo que artista pudesse ver. Como o próprio Picasso afirmou: “Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela. Há pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol.”.

REFERÊNCIAS

GOMBRICH, E.H.. A HISTÓRIA DA ARTE. 16° ed. LTC, 1999. 688.

http://codigodacultura.wordpress.com/2010/05/31/pablo-picasso-obras/

http://turomaquia.com/museu-picasso-barcelona-guia-pratico-f-a-q/

http://www.webexhibits.org/colorart/mood.html

http://www.sunrisemusics.com/arte09.htm

http://www.pintoresfamosos.com.br/?pg=picasso

http://arteehistoriaepci.blogspot.com.br/2012/06/pablo-picasso-m9.html

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