Teresina é a terceira cidade do Brasil em incidência de raios

Teresina é a terceira cidade do Brasil em incidência de raios

Teresina é a terceira cidade do Brasil em incidência de raios

24/03/2008 10:08 por Francisco Leal

Teresina, conhecida como Chapada do Corisco, é a terceira cidade do Brasil em incidência de raios, ficando atrás apenas de São Paulo e Belém. No período chuvoso, o problema se agrava e os prejuízos aumentam, inclusive com a morte de pessoas vítimas de descargas elétricas. Estudiosos dos fenômenos atmosféricos revelam que a cada segundo caem sobre a terra cerca de 100 mil raios, produzidos por duas mil tempestades. A ação do raio é fulminante, ocorrendo em curtíssimo tempo e aleatoriamente, surgindo daí as dificuldades para se manter um laboratório específico de observação. Além de mortes, a ação e o efeito do raio causam incêndios em florestas, campos e prédios; destruição de estruturas e árvores; colapso na rede de energia elétrica, interferência na rádio transmissão; acidentes na aviação, em embarcações e torres e plataformas marítimas. O meteorologista Mainar Medeiros, chefe da Gerência de Hidrometeorologia da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) e mestre em Dinâmica e Sinótica da Atmosfera pela Universidade Federal da Paraíba, tem publicado vários trabalhos sobre raios e descargas atmosféricas, onde explica o fenômeno de maneira didática e faz recomendações para que as pessoas possam evitar e se proteger do perigo. Ele explica que as descargas atmosféricas estão intimamente ligadas com as atividades de trovoadas que por si estão associadas com nuvens cumulonimbus, que são diferentes das outras nuvens, por ter maior extensão vertical (sua base está situada a 2km de altura do solo, enquanto o topo fica 18km acima) que geram chuvas fortes, trovões, raios e, ocasionalmente, granizos. Isto acontece, quando o ar quente e úmido se eleva num ambiente instável, ocasionando o nascimento a uma trovoada. A causa necessária para iniciar o movimento de ar ascendente pode ser a desigualdade da superfície se aquecendo, o efeito do terreno, ou a ascensão do ar quente juntamente com a zona de frente. Uma região favorável para o desenvolvimento de trovoada é ocasionada por uma divergência em altos níveis, pois conseqüentemente haverá uma convergência em baixos níveis. Vários destes mecanismos normalmente trabalham juntos para gerarem trovoadas severas. Há milhares de anos os raios são observados e estudados, mas apesar de todo o avanço tecnológico deste século, pouco progresso foi obtido no conhecimento do fenômeno. Ainda hoje persistem muitas dúvidas, entre elas, o mecanismo de carregamento de cargas positivas e negativas nas nuvens. Segundo Mainar Medeiros, a ação do raio é fulminante, ocorrendo em curtíssimo

Foto: Divitempo Raios tempo, daí a grande dificuldade de observação. Além do mais, raio ocorre aleatoriamente na superfície da Terra, sendo muito dispendioso manter um laboratório específico de observação, registro e captação do raio. “Este laboratório correria o risco de ficar sem funcionamento, com a possibilidade de, durante sua vida útil, nunca estudar um raio pelo simples fato de ali nunca ter caído um”. Apesar de todos os esforços, não se consegue evitar que um raio caia sobre determinado prédio. No entanto, todos os cuidados são no sentido de disciplinar a sua queda, obrigando-o a seguir um caminho pré-determinado para a Terra, através do pára-raio e seus componentes. O Raio - No trabalho Descargas atmosféricas, Medeiros esclarece que o raio sempre existiu, fazendo parte da própria evolução e formação da Terra. No início, há milhões de anos, no processo de resfriamento do planeta, tempestades violentas existiam em abundância. Com o resfriamento da Terra, as tempestades se estabilizaram, mantendo-se num equilíbrio natural. Hoje, devido principalmente à ação humana, alterações rápidas neste equilíbrio estão sendo observadas, podendo produzir modificações no conteúdo da bagagem histórica até então registradas, alterando os parâmetros empíricos nos estudos estatísticos dos raios. Como a ação do raio é acompanhada pela luminosidade e trovoada, sua presença sempre foi respeitada e observada, tendo-se encontrado registros em 2000 a.C., na Mesopotâmia. Na antiguidade, o raio estava sempre associado a deuses e divindades, sendo fartamente apresentado na literatura grega de 700 a.C., onde os registros mitológicos mostram Zeus como sendo o deus do raio. Na mitologia chinesa, a deusa Tien Mu cuidava das trovoadas e Lien Tsu era o deus do trovão. Com o decorrer dos anos, os registros de raios passaram a ser rotinas, sendo citados, inclusive, na Bíblia, e em outros documentos. Antigamente, os efeitos destrutivos dos raios eram associados às pedras incandescentes que violentamente caíam do céu na ponta do raio. Só no século XVIII começaram os pesquisadores a associar o raio aos fenômenos da descarga elétrica das cargas acumuladas nas nuvens. Deste modo, o arco elétrico associado à descarga explicou a luminosidade do raio, sendo o ruído (trovoada) produzido pelo rápido aquecimento e expansão súbita do ar. Neste mesmo século, as experiências de Benjamin Franklin (1706-1790) e Romas mostraram através de uma pipa a existência de cargas elétricas nas nuvens. A experiência foi feita durante uma tempestade, onde uma pipa foi içada conectada a um fio condutor. Frankilin registrou que sentiu pequenas descargas elétricas intermitentes pelo seu corpo. Já o pesquisador russo G. W. Richman não teve a mesma sorte, pois ao repetir a experiência de Franklin, morreu fulminado pelo raio que caiu em sua pipa. Após este fato, vários pesquisadores amarravam balões e pipas a animais, como cavalos e ovelhas, para estudar o efeito e reação muscular devido ao raio. Hoje, para estudar o raio, usa-se processo mais sofisticado, como o de criar entre o laboratório e a nuvem um caminho de ar ionizado produzido pelo lançamento de foguetes. Através do caminho de ar ionizado, a probabilidade do raio escoar para a Terra é maior. Desta maneira, pode-se examinar melhor o raio através de máquinas fotográficas rotativas especiais de alta velocidade, que foram desenvolvidas para congelar várias tomadas sucessivas do raio, e oscilógrafos especiais podem acompanhar sua performance. Classificação - A maioria dos raios ocorre dentro da nuvem, enquanto que mais ou menos 20% ocorrem entre a nuvem e solo. Uma descarga pode aquecer o ar até 30.000° C, o que é cinco vezes mais quente do que a superfície solar. Esta quentura extrema causa a expansão explosiva do ar. Isso inicia uma onda de choque que se torna trovão que sai em todas as direções de um relâmpago. Os raios são classificados como:

a) Os raios em nuvens - São assim chamados por iniciarem dentro de uma nuvem. Eles são menos perigosos para o humano. Apenas os pilotos de aeronaves recebem treinamento especial caso enfrentem uma nuvem de tempestade durante o vôo e sejam atingidos por essa descarga elétrica. Nesse caso, o avião está protegido com pára-raios. Os relâmpagos que esses raios geram podem ser vistos e fazem cerca de 70% do total que atingem o planeta. O fato de estarem escondidos pelas nuvens impossibilita que se saiba detalhes sobre sua formação. Suas descargas podem ocorrer de três maneiras: no interior das nuvens (chamados de descargas intra-nuvem), entre duas ou mais nuvens (as descargas nuvem-nuvem) e para fora da nuvem, sem atingir o solo (denominadas de descargas para o ar). b) Os raios entre nuvem e solo - Este tipo de raio inicia na superfície de uma nuvem ou no chão, abaixo ou próximo de uma nuvem de tempestade. Sua denominação é feita de acordo com o sentido de movimento da carga que o origina. Dessa maneira, os raios entre nuvens e solo podem ser do tipo nuvem-solo ou solo-nuvem. Eles também se classificam quanto ao sinal da carga líder que inicia uma descarga, podendo ser negativos ou positivos. A maioria das descargas nuvem-solo é negativa. Esses raios são os que realmente preocupam os homens. Estimativas indicam que cerca de 100 milhões de raios nuvem-solo ocorrem no Brasil todo ano e a maior parte deles acontecem na Amazônia, talvez pelo fator climático da região. Nas cidades, já se comprovou que a poluição aumenta a quantidade de descargas elétricas na atmosfera. A formação de raios entre nuvens e solo é bem conhecida. Os nuvem-solo correspondem a quase 9% dessas descargas, enquanto que os solo-nuvem são raros, ocorrendo geralmente no topo de montanhas ou em estruturas altas (como torres e edifícios). Um solo-nuvem pode até ser "criado" por foguetes lançados na direção da nuvem de chuva. Isso, aliás, tem permitido o estudo dos relâmpagos e melhorado as técnicas de proteção. c) Os misteriosos relâmpagos de bola - Uma forma rara de relâmpagos, não incluída nas categorias acima, é o relâmpago de bola, onde quase nada se sabe sobre o desenvolvimento desses relâmpagos raros, ou relâmpagos relacionados a vulcões, tempestades de neve ou poeira. Este nome foi dado a uma esfera luminosa que geralmente ocorre perto das tempestades, mas não necessariamente simultaneamente a um relâmpago normal. Elas são, em geral, vermelhas, amarelas, azuis, laranjas ou brancas, tem um diâmetro de 10cm a 40cm, aparecem próximo ao solo ou na atmosfera e mantêm um brilho relativamente constante durante sua vida. Elas podem mover-se rápida ou lentamente ou ficar paradas, podem ser silenciosas ou produzir estalos, duram de segundos a minutos (média de 4 segundos) e desaparecem lenta ou subitamente em silêncio ou produzindo um ruído. Embora elas tenham sido observadas por mais de um século, não são bem conhecidas e permanecem como mistério. Maior incidência - Para Mainar Medeiros, ao procurar um caminho para sua descarga, o raio atinge pontos mais altos e pontiagudos, onde existe maior concentração de cargas, como topo de morros, montanhas, sobre árvores isoladas, na ponta de pára-raios, em casa, entre outros. Assim ele pode cair em um lugar várias vezes. “Diferentemente do que se imagina, o raio prefere terrenos maus condutores, como os graníticos ou xistosos, ao invés dos bons condutores, como os calcários e de aluvião. Consta que nos terrenos isolantes, há liberação de cargas elétricas para a superfície e essas cargas propiciam a queda do raio em terrenos maus condutores”. A localização de áreas onde ocorrem descargas elétricas é determinada pela natureza dos seus solos e subsolos. Esses solos podem conter elementos magnéticos, condutores e radioativos, sendo o mais vulnerável o que contiver os três. É o efeito magnético que atrai os elétrons da superfície da Terra para um local especifico, enquanto que a condutibilidade do subsolo os ajuda a chegar a este local. Precauções contra os raios - Algumas regras de segurança devem ser observadas durante as tempestades com raios:

Permanecer dentro de casa, só saindo se for absolutamente necessário; Manter-se afastado de portas e janelas abertas, de fogões, aquecedores centrais, ferramentas, canos, pias e objetos metálicos de grande massa;

Não usar telefone, pois um raio pode atingir as linhas e chegar até quem o estiver utilizando; Não recolher roupas estendidas no varal;

Não trabalhar em cercas, telefone ou linhas de força, encanamentos metálicos ou em estruturas de aço durante a tempestade; Não lidar com material inflamável contido em recipiente aberto;

Não manusear varas de pesca com carretilhas ou outros objetos metálicos;

Interromper imediatamente o trabalho com tratores, especialmente quando estiver puxando equipamentos metálicos; Não permanecer na água ou em barcos pequenos.

Relâmpagos - O meteorologista Mainar Medeitos também alerta para o perigo dos relâmpagos. Quando estão caindo próximo, a pessoa está sujeitao a ser atingido diretamente por eles. A chance de uma pessoa ser atingida por um relâmpago é algo em torno de 1 para 1 milhão. Entretanto, a maioria das mortes e ferimentos não são devido a incidência direta e sim a efeitos indiretos associados a incidência próximas ou efeitos secundários dos relâmpagos. Os efeitos indiretos incluem tensões induzidas, sobretensões, tensões de toque e de passo. Tensões induzidas são produzidas em pontos no solo próximos ao local da queda do relâmpago quando o líder escalonado aproxima-se do solo. A tensão induzida sobre uma pessoa pode causar a ocorrência de uma descarga para cima a partir da cabeça da pessoa, o que pode algumas vezes resultar em sua morte. Sobretensões são causadas por diferenças de tensão entre o objeto percorrido pela corrente da descarga e objetos próximos, resultando em descargas laterais. Tais descargas laterais são comum de ocorrer a partir de árvores próximas ou de uma pessoa que é atingida diretamente por uma descarga. Tensões de toque e de passo referem-se a diferenças de tensões induzidas por descargas próximas ao longo da direção vertical e ao longo do solo ou de superfícies horizontais, respectivamente. Essas tensões estão normalmente presentes entre diferentes pontos de um condutor ou pontos de diferentes condutores na vizinhança do local de queda de uma descarga. Os efeitos secundários estão normalmente associados com incêndios ou queda de linhas de energia induzidos por descargas. A corrente do relâmpago pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo através de aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A extensão dos danos depende sobre a intensidade da corrente, as partes do corpo afetadas, as condições físicas da vítima, e as condições específicas do incidente. Cerca de 20% a 30% das vítimas de relâmpagos morrem, a maioria delas por parada cardíaca e respiratória, e cerca de 70% dos sobreviventes sofrem por um longo tempo de sérias seqüelas psicológicas e orgânicas. As seqüelas mais comuns são a diminuição ou perda da memória, diminuição da capacidade de concentração e distúrbios do sono. No Brasil, estima-se que cerca de 100 pessoas morrem por ano atingidas por relâmpagos. De modo a evitar os acidentes descritos acima, as regras de proteção pessoal listadas abaixo devem ser seguidas.

Se possível, não saia para a rua ou não permaneça na rua durante tempestades, a não ser que seja absolutamente necessário. Nesses casos, procure abrigo nos seguintes lugares:

Carros não conversíveis, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis; Moradias ou prédios que possuem proteção contra relâmpagos;

Abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis;

Em grandes construções com estruturas metálicas;

Barcos ou navios metálicos fechados;

Em desfiladeiros ou vales.

Se estiver dentro de casa, evite:

Usar telefone, a não ser que seja sem fio; Ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas;

Tocar em qualquer equipamento elétrico ligado a rede elétrica.

Se estiver na rua, evite:

Segurar objetos metálicos longos, tais como varas de pesca, tripés e tacos de golfe; Empinar pipas e aeromodelos com fio;

Andar a cavalo;

Nadar;

Ficar em grupos.

Se possível, evite os seguintes lugares que possam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra relâmpagos:

Pequenas construções não protegidas, tais como celeiros, tendas ou barracos; Veículos sem capota, tais como tratores, motocicletas ou bicicletas;

Estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica.

Se possível, evite também certos locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, tais como:

Topos de morros ou cordilheiras; Topos de prédios;

Áreas abertas, campos de futebol ou golfe;

Estacionamentos abertos e quadras de tênis;

Proximidade de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos;

Proximidade de árvores isoladas;

Estruturas altas, tais como torres, linhas telefônicas e linhas de energia elétrica.

Se você estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir seus pêlos arrepiados ou sua pele coçar, indicando que um relâmpago está prestes a cair, ajoelhe-se e curve-se para a frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não deite no chão.

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