Relatório Final de Estágio - Paulo Arnaldo

Relatório Final de Estágio - Paulo Arnaldo

(Parte 1 de 3)

RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Schaeffeler Brasil Ltda.

Relatório Final de Estágio apresentado como parte dos requisitos para aprovação na disciplina de Estágio Supervisionado no Curso de Graduação em Tecnologia Sucroalcooleira da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

ESTAGIÁRIO: Paulo Arnaldo Machado ORIENTADOR: Prof. Daniel Braatz Antunes de Almeida Moura

ITAPETININGA 2012

Dados do aluno Nome: Paulo Arnaldo Machado RA: 311332 Curso/Ano: Tecnologia Sucroalcooleira/ano 2012 Polo: Itapetininga Empresa: Schaeffeler Brasil Ltda. Área de estágio: Estação de Tratamento de Água e Efluentes (ETAE)

Dados do Supervisor de Estágio (Empresa) Nome: Jorge Luiz de Oliveira e Luciana H. Lisboa Cargo: Operador responsável ETAE e Técnica da Qualidade Tel.: (15) 3335-1500 Endereço: Av. Independência, 3500-A. Bairro Éden. Sorocaba – SP. CEP 18087-101

Dados do Professor Responsável (UFSCar) Nome: Daniel Braatz Antunes de Almeida Moura Tel.: (16) 3351-9535 Endereço: Rod. Washington Luís, km 235. DEP-UFSCAR. São Carlos-SP. CEP 13565-905.

1. INTRODUÇÃO4
2. EMPRESA5
3. ATIVIDADES OBSERVADAS7
4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS20
5. CONCLUSÃO28

SUMÁRIO 6. BIBLIOGRAFIA................................................................................................................ 30

1. INTRODUÇÃO

Este presente relatório foi elaborado pelo aluno PAULO ARNALDO MACHADO, graduando do curso de TECNOLOGIA SUCROALCOOLEIRA, na empresa SCHAEFFLER BRASIL LTDA, especificamente no setor de Estação de Tratamento de Água e Efluentes (ETAE), no período entre 03/12/2012 e 1/01/2013.

Apesar de o estágio ter sido realizado em empresa metalúrgica do setor automotivo, um processo industrial que a torna comum com o setor sucroalcooleiro e com várias outras indústrias de outros segmentos é a questão da utilização da água em seus processos, de onde a necessidade de setor específico, comumente denominados ETA (Estação de Tratamento de Água). Neste setor específico é possível a observação e aplicação dos conceitos aprendidos no decorrer do curso de Tecnologia Sucroalcooleira, cuja carga disciplinar extrapola a qualificação da mão de obra específica para o segmento.

As ETAs das indústrias se responsabilizam pela captação, tratamento e armazenamento, não sendo raros os casos do mesmo setor cuidar também da questão do tratamento de efluentes, tendo em vista a necessidade de se servir de águas que atendam seus processos industriais e a legislação que fornece parâmetros para o descarte adequado.

Durante a realização do estágio, foi possível verificar na prática como se faz para atender a esses critérios, qual o maquinário utilizado para trazer a água até a indústria, como se controla a qualidade da mesma, segundo os parâmetros estabelecidos pela legislação e necessidade do processo industrial, como ela é armazenada, enfim, tudo que envolve a utilização deste recurso natural que, além de insumo industrial, é imprescindível para o consumo das pessoas que estão trabalhando em suas instalações.

Além disto, no estágio foi possível verificar também como se faz o descarte adequado da água utilizada, agora denominada de efluente, dentro dos critérios legislativos que visam controlar o impacto ambiental das atividades industriais.

Outro aspecto observado foi recuperação de óleo, através do processo de briquetagem, fundamental para a economia da empresa e de recursos naturais.

2. EMPRESA

A Schaeffler é uma empresa fundada pelo Dr. George Schaeffler e Wilhelm Schaeffler em 1946 na Alemanha, onde hoje o grupo Schaeffler tem sua matriz na cidade de Herzogenaurach.

O grupo possui 80 fábricas espalhadas pelo mundo todo, contando com aproximadamente 76 mil colaboradores, que gerou mais de 10 bilhões de euros de vendas em 2011. No Brasil, suas atividades começaram praticamente em 1958, com a inauguração da Rolamentos Schaeffler, fábrica em Santo Amaro.

A Schaeffler desenvolve e produz rolamentos, rótulas, buchas e produtos lineares de alta qualidade no mundo todo sob as marcas INA e FAG. Aplicações em mais de 60 áreas da indústria e um grande número de aplicações automotivas estão cobertas por cerca de 40.0 produtos de catálogo fabricados em série. Sistemas de embreagem, sistemas de transmissão e amortecedores torcionais da marca LuK são um sinônimo de força inovadora, foco no cliente e qualidade para numerosos produtos em transmissão automotiva. Além do segmento automotivo, a Schaeffler atua no segmento industrial e aeroespacial.

O estágio se desenvolveu na fábrica de Sorocaba, onde, a partir de 1997 a Rolamentos Schaeffler transferiu toda a produção, e onde o grupo produz produtos das três marcas.

Figura 1: Vista aérea da fábrica do grupo em Sorocaba-SP (Fonte: w.schaeffler.com.br)

A empresa possui uma estrutura organizacional do tipo mista, juntando as características da estrutura funcional, que aloca no mesmo departamento especialistas de determinada área, com a estrutura por produto, que segue um agrupamento setorial com base nos produtos que oferece. Tal análise se faz a partir do que observa Guimarães, 2009 (Apostila de Teoria das Organizações da Prof.ª. Márcia Regina Neves Guimarães, para o curso de Tecnologia Sucroalcooleira da UAB/UFSCar, páginas 24-31). No organograma (Figura 2) podemos visualizar que o setor de ETAE, subordinado ao departamento de engenharia de materiais, está vinculado ao setor de qualidade da empresa, que por sua vez, está ligado diretamente ao presidente da mesma na América do Sul.

Figura 2: Organograma da empresa, com logotipos das marcas (Adaptado de apresentação institucional)

O setor de ETAE possui oito colaboradores, sendo uma responsável pela ETAE (cargo de Técnica da Qualidade), um operador responsável, quatro operadores que trabalham em turnos de 12 horas a cada 2 dias e dois operadores que trabalham em no 1º e 2º turno (6:0 às 14:0H, 14:0 às 2:0H segunda a sexta-feira e aos sábados das 06:0 às 12:0H e 12:0 às 18:00H). É um dos setores da fábrica que não param, mantendo pelo menos um colaborador nas vinte e quatro horas do dia.

3. ATIVIDADES OBSERVADAS

Estação de Tratamento de Água: vista geral das instalações, onde é realizado o tratamento da água para uso industrial. Por exigência de normas ambientais a captação, que é feita de águas superficiais, é limitada em até 100 m³ por dia, imposta pelo DAE (Departamento de Água e Esgoto de SP). A ETA é composta por: 01 tanque de armazenagem de água bruta (sem tratamento), com capacidade de 23,3 m³, 01 tanque de armazenagem de água tratada, também com capacidade de 23,3 m³, um tanque em que a realizada a decantação de sólidos suspensos, um filtro de areia (retrolavável), 01 tanque misturador de sulfato de alumínio, 01 tanque de hipoclorito de sódio, responsável pela sanitização da água potável e 02 bombas dosadoras para os tanques. Sob o mesmo galpão, ao lado das instalações da ETA, encontra-se o maquinário responsável pela recuperação de óleo mineral (briquetadeira). A ETA também possui área administrativa e um laboratório para análises físico-químicas e microbiológicas de monitoramento da água e dos efluentes. Anexo à ETA há o tratamento de efluentes, formando o setor de ETAE (Estação de Tratamento de Água e Efluentes). As tarefas da ETAE estão definidas dentro da empresa conforme descrição abaixo: Tratamento e controle de descarte de efluentes;

Tratamento e controle de água da nascente;

Controle da água potável e industrial;

Acompanhamento de tratamento das torres de resfriamento e águas geladas;

Recuperação do óleo de lapidação (briquetagem);

Tratamento e controle de descarte de efluentes do Corrotec (setor de galvanoplastia).

Descrição dos equipamentos do laboratório, nome e função, conforme tabela 1:

Tabela 1: Equipamentos utilizados laboratório ETAE Schaeffler

Descrição Função

Aparelho para ensaios Jar-Test de bancada Milan JT 102

Ensaios piloto de floculação em escala de bancada (Testes de Jarro)

Balança analítica Mettler-Toledo AB 204Pesagem em escala bem menor que 0,1 g, ou seja, mais precisas

Capela exaustora Proj-LabPreparo de soluções e análises envolvendo gases voláteis

Conjuntos aquecedores QuimisAquecimento de balões de fundo chato em conjunto Soxhlet

Espectrofotômetro Xion 500 Dr LangeMedir a concentração de substâncias, que absorvem energia radiante, em um solvente

Estufa cultura com T° controlada V-100RCultivo de microrganismos em temperatura controlada

Estufas para esterilização e secagem Visomes Plus Secar e esterilizar vidrarias em geral

Geladeira bancada com temperatura controlada Binder

Armazenamento de kits de leitura espectrofotométricos em temperaturas baixas (até 8°C)

Medidor portátil de oxigênio dissolvido DO6 HACH Sension6

Mede a quantidade de oxigênio dissolvido (OD) numa amostra em porcentagem de saturação

Termostato digital Lange 2000Mantém eletronicamente a temperatura de uma amostra por tempo pré-determinado

Rotina das análises efetuadas no laboratório da ETAE, que monitora qualitativamente toda a água servida nas instalações da indústria, seja pela captação ou abastecimento terceirizado. Também analisa o efluente descartado, para saber se está dentro dos parâmetros legislativos; Rotina de preenchimento dos relatórios de análises;

Tratamento de efluentes da empresa: o complexo estrutural que faz o tratamento de efluentes industriais está dividido em duas linhas, de acordo com as características destes. Essas linhas são denominadas de: oleosos e clarificados. É comum encontrar nas águas residuárias industriais grandes quantidade de óleos e graxas (PASOTTO, 2010, p. 2), daí a necessidade de separadores de óleo específicos, que é o caso da linha de oleosos:

Figura 3: Fluxograma detalhado da linha de tratamento de oleosos

O fluxograma acima representa a sequência de tratamento que é descrito abaixo: a)O efluente da linha denominada oleosos segue primeira para uma peneira onde são retirados sólidos sedimentáveis e outras impurezas grosseiras; b)Depois é recebido em um tanque onde será bombeado para dois tanques de recebimento onde recebe a adição de um rompedor de emulsão, que separa o óleo deste efluente. Nesses tanques, que funcionam em sistema de batelada intermitente, o óleo se aglutina graças à ação do aditivo e flota (sobrenada), formando uma camada de efeito cumulativo que será retirada semanalmente por uma empresa contratada que reutilizará o óleo. O efluente segue para continuar o tratamento; c)No tanque equalizador o efluente sofre um descanso para posterior retirada de óleo residual presente. Depois segue para o processo de clarificação, recebendo no caminho até os tanques dessa etapa mais dois aditivos, responsáveis pela decantação de sólidos solúveis e metais; d)Depois da etapa de clarificação, o lodo depositado no fundo é bombeado para ser desidratado e o efluente tratado segue para um tanque de armazenagem. Após análise laboratorial do efluente, onde se verifica se o mesmo atende aos padrões exigidos por lei, segue para descarte na rede coletora de esgoto da cidade.

Figura 4: Fluxograma detalhado da linha de clarificação dos demais efluentes da indústria

O fluxograma acima representa a sequência de tratamento que é descrito abaixo: a)O efluente que procede de linhas de produção não oleosas é recebido por um tanque onde será bombeado para dois tanques de recebimento, onde é decantado os sólidos e partículas mais densas. O decantado (lodo) é enviado para outros dois tanques (tanques de lodo) e o efluente segue para o processo de clarificação; b)Antes de chegar ao tanque de floculação, são adicionados aditivos com o propósito de acelerar e aperfeiçoar o processo. Esses aditivos são: o sulfato de alumínio não ferroso, que faz a floculação propriamente caracterizada, um polímero eletrolítico para melhorar a floculação e ácido para correção de pH. No tanque se faz a mistura dos aditivos no efluente a ser tratado; c)Depois do tanque de floculação, o efluente vai para o decantador, que é responsável pela retirada do lodo contendo os sólidos solúveis floculados pela parte inferior do mesmo. Livre da maior parte dos sólidos solúveis o efluente segue para um tanque de deságue, que o encaminhará para a filtragem em filtros de areia que reterá partículas menores que não decantaram; d)Após a filtragem, parte do efluente tratado será armazenado para a operação de retro lavagem dos filtros e a maior parte seguira para o tanque de descarte. Após análise, o efluente, agora clarificado, seguirá para a rede coletora de esgoto da cidade.

Figura 5: Fluxograma do desaguamento do lodo a)O lodo que é gerado no processo de tratamento de efluentes para clarificação (nas duas linhas descritas anteriormente) é encaminhado através de bombas denominadas Nemo para a retirada de água ainda presente em filtros do tipo prensa, que funcionam por processos de batelada, aplicado a suspensões cuja formação de torta seja incompressível (PASOTTO, 2009, p. 16-17). O filtro prensa funciona pela pressão mecânica que se faz em placas e quadros em seu interior. O meio filtrante é colocado de forma a recobrir o quadro, retendo o sólido e permeando o líquido; b)A água retirada dos filtros prensa é recebida num tanque que a bombeia para o começo do processo de tratamento de oleosos, visto que a água está contaminada com resíduos de óleo que precisam ser retirados antes de seu descarte para a rede coletora de esgoto. O lodo seco é armazenado em caçambas e retirado por empresa terceirizada, que o conduzirá para queima em fornos siderúrgicos.

O que podemos observar dos fluxogramas apresentados é que se coadunam com o conceito de tratamento primário relatado por Pasotto (2010), cujo objetivo é a remoção de sólidos grosseiros, gordura, areia, terra e outros particulados através de operações de decantação, flotação e até filtragem, no caso da linha de clarificados.

Observação da distribuição de água da torre, de acordo com sua destinação final, conforme esquema representativo abaixo:

Figura 6: Esquema representativo da caixa d'água industrial da empresa

A maior parte da água é abastecida por empresa terceirizada, uma vez que existe a limitação de captação que a ETA pode tratar. A água tratada pela estação é bombeada para o reservatório abaixo da caixa d'água (com capacidade de 70 m³), cuja finalidade é de uso industrial (máquinas e equipamentos).

Estudo da lei 8468 de 08/09/76 Cap. I Seção I, artigos 18 e 19A, que trata dos parâmetros do efluente a ser descartado na rede coletora de esgotos da cidade, que é a principal legislação da qual se ocupa os procedimentos analíticos no laboratório da ETAE, principalmente os parâmetros elencados no artigo 19A, transcrito abaixo: “Art. 19-A - Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados em sistema de esgotos, provido de tratamento com capacidade e de tipo adequados, conforme previsto no § 4º deste artigo se obedecerem às seguintes condições:

I - pH entre 6,0 (seis inteiros) e 10,0 (dez inteiros); I - temperatura inferior a 40º C (quarenta graus Celsius); I - materiais sedimentáveis até 20 ml/l (vinte mililitros por litro) em teste de 1 (uma) hora em "cone Imhoff"; IV - ausência de óleo e graxas visíveis e concentração máxima de 150 mg/l (cento e cinquenta miligramas por litro) de substâncias solúveis em hexano; V - ausência de solventes, gasolina, óleos leves e substâncias explosivas ou inflamáveis em geral; VI - ausência de despejos que causem ou possam causar obstrução das canalizações ou qualquer interferência na operação do sistema de esgotos; VII - ausência de qualquer substância em concentração potencialmente tóxica a processos biológicos de tratamento de esgotos; VIII - concentrações máximas dos seguintes elementos, conjuntos de elementos ou substâncias: a) arsênico, cádmio, chumbo, cobre, cromo hexavalente, mercúrio, prata e selênio - 1,5 mg/l (um e meio miligrama por litro) de cada elemento sujeitas à restrição da alínea e deste inciso; b) cromo total e zinco 5,0 mg/l (cinco miligramas por litro) de cada elemento, sujeitas ainda à restrição da alínea e deste inciso; c) estanho - 4,0 mg/l (quatro miligramas por litro) sujeita ainda à restrição da alínea e deste inciso; d) níquel - 2,0 mg/l (dois miligramas por litro), sujeita ainda à restrição da alínea e deste inciso; e) todos os elementos constantes das alíneas "a" a "d" deste inciso, excetuando o cromo hexavalente - total de 5,0 mg/l (cinco miligramas por litro); f) cianeto - 0,2 mg/l (dois décimos de miligramas por litro); g) fenol - 5,0 mg/l (cinco miligramas por litro); h) ferro solúvel - (Fe2+) - 15,0 mg/l (quinze miligramas por litro) i) fluoreto - 10,0 mg/l (dez miligramas por litro) j) sulfeto - 1,0 mg/l (um miligrama por litro); l) sulfato - 1.0 mg/l (mil miligrama por litro)”

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