Curso de resgate veicular

Curso de resgate veicular

(Parte 1 de 4)

CURSO DE RESGATE VEICULAR Vitória, 13 de maio de 2008.

Introdução

Instrutor: Cap Ribeiro Assistente: 1º Sgt Mendes Tempo previsto: 1 h/a

Lição 1 Introdução

Objetivos: Ao final da lição os participantes serão capazes de:

• Identificar os participantes, os instrutores e o pessoal de apoio do curso.

• Identificar as explicativas do grupo em relação ao curso.

• Descrever a finalidade, o método de ensino, objetivos de desempenho e de capacitação e a forma de avaliação do curso.

• Identificar os princípios operacionais do CBMES

• Identificar os aspectos de agenda e logística do curso.

Nome do Curso: Resgate Veicular Local de Funcionamento: 1ºBBM Período de Funcionamento:

Cap BM Rodrigo Nascimento Ribeiro Alves Cap BM Anderson Augusto G. Pimenta 2º Ten BM Lucas Sossai Valdetario 1º Sgt BM Roberto Maziolli 2º Sgt BM Carlos Alberto Mendez 2º Sgt BM Élson Curto Jurnior

Dinâmica de identificação das expectativas do grupo

Proporcionar aos participantes os conhecimentos e técnicas necessárias para a realização do resgate em acidentes automobilísticos com vítimas presas em ferragens, determinando e implementando as técnicas e táticas para estabelecer o comando, dimensionar a cena, gerenciar os riscos, obter acesso, desencarcerar e extrair as vítimas com rapidez e segurança, utilizando equipamentos e ferramentas específicas.

O curso utiliza o método de ensino interativo valorizando a participação, a troca de experiências e o alcance dos objetivos préestabelecidos.

Dado um simulacro de uma situação de acidente automobilístico com vítima presa em ferragem, os participantes deverão demonstrar a forma correta de utilização das técnicas e táticas para estabelecer o comando, dimensionar a cena, gerenciar os riscos da cena, obter acesso, desencarcerar e extrair as vítimas de forma segura em tempo inferior a 12 minutos.

OBJETIVOS DE CAPACITAÇÃO Ao finalizar o curso o participante deverá ser capaz de:

• Determinar os mecanismos de dinâmica dos acidentes automobilísticos de uma cena de acidente, enumerando as principais conseqüências para as vítimas e para os veículos.

• Utilizar com segurança e eficiência as ferramentas específicas para o resgate veicular, executando a manutenção preventiva, as principais operações e a resolução dos principais problemas.

• Identificar e gerenciar os principais riscos encontrados na cena de um acidente automobilístico: Tráfego, presença de curiosos, eletricidade, produtos perigosos, vazamento de combustível, incêndio em veículos, posição instável do veículo e riscos do veículo.

• Executar as principais técnicas de resgate veicular com segurança e eficiência: estabilizar veículos, quebrar vidros, retirar portas, rebater e retirar tetos, rolar painel e fazer a terceira porta.

• Demonstrar a execução das etapas de uma operação de resgate veicular: Estabelecer o comando, dimensionar e gerenciar os riscos da cena, obter acesso, desencarcerar e extrair as vítimas.

• Demonstrar a triagem de múltiplas vítimas utilizando o sistema START

AVALIAÇÃO Instrumentos

• Uma prova teórica no quarto dia de curso, envolvendo todo o conteúdo ministrado até o momento, com um valor total de 10 pontos e peso 4.

• Uma prova prática com valor total de 10 pontos e de peso 6 composta de 3 questões; uma envolvendo um simulacro de acidente automobilístico com a vítima presa em ferragem valendo 5 pontos; outra valendo 2,5 pontos envolvendo a estabilização de um veículo capotado e por último uma série com cinco questões verbais num total de 2,5 pontos.

CONDIÇÕES PARA APROVAÇÃO Para serem aprovados os participantes deverão obter:

• 100% de freqüência ao curso com participação em todos os exercícios.

• Total de 7 pontos na prova teórica.

• Tempo inferior a 12 minutos na prova prática e nota superior a 7.

AVALIAÇÃO DO CURSO Avaliação diária

• Ao final de cada dia o instrutor organizará um brainstorming (tempestade de idéias) para identificar os pontos positivos e pontos a melhorar, observados durante o dia Avaliação final

• Ao final do curso os participantes entregarão uma avaliação escrita do curso.

Durante este curso, e sempre que você estiver em operação, você precisará praticar ou trabalhar duramente. Faça o seu melhor.

Os cinco procedimentos listados abaixo irão ajudar você a se manter no caminho para ser um bombeiro completo, realizado e orgulhoso.

• Seja seguro: Segurança sempre deve ser seu primeiro pensamento.

Mantenha-se seguro. Mantenha seus companheiros seguros. Mantenha a população a qual você serve segura.

• Siga as ordens: Ordens devem ser seguidas exatamente como foram dadas. Se você não entendeu exatamente o que esperam de você, pergunte. Se você for bom cumpridor das ordens você virá a ser alguém em quem sua equipe pode confiar.

• Trabalhe como um time: combater incêndios e fazer salvamentos requer um esforço combinado de cada membro do CBMES. Trabalho em equipe é essencial para o sucesso e sua parte neste esforço é uma parte essencial para o time

• Pense. Vidas dependerão de suas escolhas. Ponha seu cérebro em funcionamento. Pense sobre o que você esta estudando.

• Siga a regra de ouro: Trate qualquer pessoa, paciente ou vitima como uma pessoa importante ou membro de sua família. Qualquer um é importante ou membro da família de alguém e digno de seus melhores esforços.

ORIENTAÇÕES GERAIS 1. Horário das refeições, sistema utilizado para servir, etc. 2. Uso do local: banheiro, alojamento, estabelecimento, etc. 3. Interrupções, uso de telefones e rádios; 4. Proibição de fumar; 5. Materiais a utilizar: MP, MC e ER; 6. Quebra de segurança; 7. Procedimentos de emergência; 8. Team Leader no curso.

Local:_ Data:_ NOTA: Estas avaliações são parte fundamental do processo de monitoramento e aperfeiçoamento do curso. Solicitamos seu preenchimento com atenção e critério. As Lições do Curso: Utilizando o formulário abaixo, preencha os espaços com sua impressão sobre o curso realizado. Inicialmente preencha os aspectos relativos ao conteúdo da lição e, em seguida, avalie o instrutor da matéria, atribuindo uma nota de 0 a 10.

01 .Introdução Cap Ribeiro 02. Princípios de resgate Cap Ribeiro 03. Dinâmica dos acidentes Ten Sossai

04. Elementos estruturais dos automóveis Cap Ribeiro

05. Gerenciamento de risco Cap Ribeiro 06. Ferramentas de resgate Ten Pimenta 07. Técnicas de resgate Cap Ribeiro

08. Operações de resgate veicular Cap Ribeiro

Ten Sossai

09. Sistema de Comando e Operações

O curso: Agora pedimos que você avalie o curso como um todo. Utilize a escala de valores desde 1 (péssimo) até 10 (excelente), circulando o número correspondente.

Instrutor: Cap Ribeiro Tempo previsto: 2 h/a

LIÇÃO 2

Princípios de resgate veicular

Objetivos: Ao final da lição os participantes serão capazes de:

• Conceituar resgate veicular, distinguindo desencarceramento de extração.

• Enumerar e descrever os princípios de atuação em resgate veicular.

• Descrever o ciclo de operações.

deste atendimento inicial

Resgate é uma atividade séria e, muitas vezes, arriscada. O desencarceramento de vítimas em de vítimas em acidentes automobilísticos, em especial, envolvendo um trabalho em equipe e extremamente complexo, técnico e importante, sob condições extremas de stress causadas pela urgência do tempo, presença de curiosos, riscos no ambiente e pressão emocional em função da ânsia de salvar a vítima. Sua importância é muitas vezes negligenciada por profissionais que ignoram primeiramente o impacto da morbimortalidade por trauma decorrente de acidentes automobilísticos no perfil da saúde, depois a importância do atendimento inicial ao traumatizado na redução da mortalidade e seqüelas decorrentes do trauma e, finalmente, a importância da rapidez no atendimento e remoção de vítimas poli traumatizadas para o sucesso

Por isto, a preparação de uma equipe de salvamento deve envolver algo mais do que a simples habilidade de manusear as ferramentas peculiares à atividade de desencarceramento, mais deve englobar o conhecimento da doutrina de resgate veicular, aprendizagem das rotinas, estabelecimento de uma capacidade decisória e o desenvolvimento da capacidade para trabalhar em equipe.

1. CONCEITOS 1.1 Resgate Veicular

Resgate veicular é o procedimento utilizado para localizar, acessar, extrair, estabilizar e transportar vítimas que estejam presas às ferragens de um veículo acidentado. O resgate veicular envolve principalmente:

1.2 Desencarceramento

Movimentação e retirada das ferragens que estão prendendo a vítima e/ou impedindo o acesso dos socorristas e a obtenção de uma via de retirada da vítima. Dizemos que desencarcerar é retirar as ferragens da vítima. 1.3 Extração

É a retirada da vítima desencarcerada do interior do veículo. Dizemos que extrair é retirar a vítima das ferragens.

2. PRINCÍPIOS DE ATUAÇÃO

Para que se complete da forma mais rápida e segura possível, alguns princípios de atuação em todas as operações de resgate veicular.

• Sistema de Comando em Operações (SCO)

• Procedimentos Operacionais Padronizados (POP)

• Abordagem integrada (AI)

2.1 Sistema de Comando em Operações – SCO

emprego seguro e racional dos recursos envolvidosNo CBMES o

Como as operações de Resgate Veicular envolvem múltiplas equipes e até múltiplas agências, é importante que elas sejam gerenciadas utilizando um Sistema de Comando de Operações pré-estabelecido para permitir o sistema preconizado é o SCO, baseado no Incident Command System norte – americano.

2.2 Procedimentos Operacionais Padronizados - POP

Todas as unidades de bombeiros devem possuir procedimentos padronizados para as suas principais atividades. Estes procedimentos são conhecidos como POP – Procedimento Operacional Padrão e estabelecem as estratégias, táticas e técnicas a serem utilizados na operação, principalmente nos momentos iniciais, garantindo a rapidez no desdobramento das ações preparatórias da operação, e na seqüência a ser seguida. O POP não pode ser absoluto na cena, nem tem por objetivo substituir a avaliação e a experiência do Comandante da Operação.

2.3 Abordagem Integrada

Uma das formas de se reduzir o tempo perdido na cena do resgate é uso de uma abordagem em equipe do problema. O pré-planejamento, prédesignação de responsabilidade e treinamento das principais atividades desempenhadas em uma operação de resgate veicular aumentará a capacidade de resposta rápida e eficiente da equipe. Segundo a filosofia da abordagem em equipe cada elemento da equipe de resgate deve ter uma tarefa previamente designada e treinada, a fim de que múltiplas tarefas sejam desempenhadas de forma seqüencial, lógica e, quando possível, simultânea.

3. CICLO OPERACIONAL

A operação pode ser organizada em quatro fases, cada uma delas igualmente importante para o sucesso da operação, formando um ciclo.

• Prontidão

• Acionamento

• Resposta

• Finalização

3.1 Prontidão

A fase inicial da operação tem inicio quando o Corpo de Bombeiros aceita o desafio de prover um sistema de resgate veicular de qualidade. Esta fase inclui todas as medidas tomadas com o objetivo de que os recursos estejam preparados para o acionamento. É preciso que estejam prontos:

• Pessoal

• Material (equipamentos e veículos)

• Técnicas • Planejamento prévio

3.2 Acionamento

Uma vez que ocorra um acidente, há o acionamento dos recursos em prontidão. Esta fase inclui:

• Recebimento da chamada

• Obtenção das informações necessárias

• Despacho de recursos compatíveis

• Orientações preliminares ao solicitante

3.2.1 O trem de socorro

A principio, em todos os acidentes de trânsito com vítimas que envolvem veículos com quatro ou mais rodas o trem de socorro despachado deve possuir a capacidade de prestar o socorro pré-hospitalar (Resgate), de gerenciar todos os riscos e fazer o desencarceramento das vítimas (ABTS ou ABS + ABT).

3.2.2 Guarnição de salvamento

A guarnição de salvamento deverá ter três integrantes além do Chefe de Guarnição (que poderá ser o 4º elemento), assim distribuídos:

• OP01 – Operador 01, que é o mais experiente e responsável pelo circulo interno (sentido horário), pela tática de resgate e pela operação das ferramentas.

• OP02 - Operador 02, que é o auxiliar do OP01 e responsável pelo círculo externo (sentido anti-horário), pelo isolamento do local e pelo apoio ao primeiro.

• COV – Condutor Operador de viatura, que além de dirigir a viatura é o responsável pela sinalização do local sinalização do local, montagem do palco de ferramentas e verificação das ferramentas e equipamentos na cena.

• ChGu. – Chefe de Guarnição, que pode ser o comandante da guarnição de resgate ou chefe de socorro é responsável por todas as atividades de comando na cena da emergência. É o elemento mais graduado da equipe, que deve ser identificado facilmente como tal e responsável por todas as atividades de comando na cena da emergência. È também o responsável pela manutenção do nível de segurança nas operações.

O chefe da equipe, face ao cenário real, distribui as tarefas, de modo a garantir uma atuação rápida e segura, transmitindo as ordens de forma concisa, clara, utilizando frases curtas e garantindo que estas foram convenientemente compreendidas. Numa primeira fase, logo que chegue ao local, deve:

• Fazer o reconhecimento, acompanhado pelo elemento de segurança, quando existir;

• Aproximar-se e verificar qual o tipo de acidente e avaliar a sua extensão;

• Identificar os perigos existentes;

• Identificar o número, condições e posicionamento das vítimas, estabelecendo contato visual com as mesmas;

• Formular o plano de ação;

• Informar a situação à central do Corpo de Bombeiros;

• Decidir sobre as manobras a executar, em coordenação com o responsável pela equipe pré-hospitalar;

• Garantir, permanentemente, a segurança da equipe;

• Fazer a ligação com outras agencias no local.

3.3 Resposta

Uma vez que os recursos deslocam à cena do acidente inicia a fase de resposta, em que são implementadas as ações de resgate propriamente ditas, denominadas rotina de resgate. 3.4 Finalização

Nesta fase são tomadas todas as medidas necessárias para que os recursos empregados retornem à situação de prontidão, fechando assim o ciclo operacional.

3.4.1 Análise pós-incidente.

O melhor caminho para a preparação para um novo chamado é a

Análise pós incidente. Rever o ultimo chamado e identificar os pontos fortes e fracos. O que foi bem feito? Qual equipamento tornou o resgate mais fácil ou seguro.

este chamado e fará o próximo mais satisfatório

Rever um resgate veicular com os envolvidos os levará a aprender com

4. ROTINA DE RESGATE

Chamamos de rotina de resgate o conjunto de etapas que desenvolvemos na cena de emergência durante a fase de resposta da operação de resgate. A rotina de resgate deve seguir uma seqüência préestabelecida: 1. Estabelecer o comando 2. Dimensionar a cena 3. Gerenciar os riscos 4. Obter acesso às vítimas 5. Realizar a avaliação inicial das vítimas 6. Desencarcerar 7. Extrair 8. Execução a avaliação dirigida 9. Transporte e transferência 10. Garantir a segurança da cena

4.1 Estabelecer o Comando

O componente mais graduado da primeira unidade de emergência no local deverá assumir formalmente o comando da operação assim que chegar ao local. Desta forma, estará sendo dado início ao SCO. Seguindo o princípio da modularidade, a operação poderá prosseguir até o final apenas com uma estrutura simples, composta pelo Chefe de Guarnição e seus recursos, ou ir aumentando de complexidade, incluindo Chefe de Operações, segurança, relações públicas, ligações, estacionamento, logística, planejamento, etc.

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