Caderno de Atenção Básica - Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama - 2013

Caderno de Atenção Básica - Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama -...

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CADERNOS de

Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde w.saude.gov.br/bvs

CONTROLE DOS CÂNCERES DO COLO DO ÚTERO E DA MAMA 2ª edição

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

2ª edição Cadernos de Atenção Básica, n° 13

Brasília – DF 2013

© 2006 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: <http://w.saude.gov.br/bvs>. O conteúdo desta e de outras obras da Editora do Ministério da Saúde pode ser acessado na página: <http://w.saude.gov.br/editora>.

Tiragem: 2ª edição – 2013 – 50.0 exemplares

Elaboração, distribuição e Informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica SAF Sul, Quadra 2, lotes 5/6, Ed. Premium, bloco I, subsolo CEP: 70070-600 – Brasília/DF Tels.: (61) 3315-9090 / 3315-9044 Site: http://dab.saude.gov.br/portaldab/ E-mail: dab@saude.gov.br

Editor Geral: Hêider Aurélio Pinto

Editor Técnico: Patrícia Sampaio Chueiri

Revisão Técnica: Fernanda Ferreira Marcolino Fernando Henrique de Albuquerque Maia

Autores: Anke Bergman Bruna Maria Limeira Rodrigues Ortiz Célia Regina de Andrade Costa Cláudia Naylor Edneusa Mendes Nascimento Ellyete Canella Fernando Henrique de Albuquerque Maia Flávia de Miranda Corrêa Gilmara Lúcia dos Santos Jeane Gláucia Tomazelli Luciana Ferreira Bordinoski Maria Beatriz Kneipp Dias Maria de Fatima Gonçalves Enes Mônica de Assis Ronaldo Corrêa Ferreira da Silva Solange da Silva Malfacini Teresa Reis

Autores da 1ª Edição: Celina Márcia Passos de Serqueira e Silva Edenice Reis da Silva Fátima Meireles Pereira Gomes Giani Silvana Schwengber Cezimbra

Colaboradores: Ana Maria Ramalho Ortigão Farias Arn Migowski Rocha dos Santos Patty Fidelis de Almeida

Coordenação Editorial: Marco Aurélio Santana da Silva

Normalização: Marjorie Fernandes Gonçalves

Editora responsável: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria-Executiva Subsecretaria de Assuntos Administrativos Coordenação-Geral de Documentação e Informação Coordenação de Gestão Editorial SIA, Trecho 4, lotes 540/610 CEP: 71200-040 – Brasília/DF Tels.: (61) 3315-7790 / 3315-7794 Fax: (61) 3233-9558 Site: w.saude.gov.br/editora E-mail: editora.ms@saude.gov.br

Equipe editorial: Normalização: Daniela Ferreira Barros da Silva Revisão: Khamila Silva e Mara Soares Pamplona Diagramação: Kátia Barbosa de Oliveira Supervisão editorial: Débora Flaeschen

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha catalográfica

Controle dos cânceres do colo do útero e da mama / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção
124 p.: il. (Cadernos de Atenção Básica, n. 13)
ISBN 978-85-334-1991-9
1. Atenção básica. 2. Saúde da Mulher. 3. Câncer do Colo do Útero. 4. Câncer de Mama. I. Título. I. Série.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Básica. – 2. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013. CDU 618.146-006.6

Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2013/0067

Títulos para indexação: Em inglês: Control of the uterine cervix cancer and breast cancer Em espanhol: Control de los cánceres de cuello uterino y de mama

Figura 2 – Linha de cuidado no câncer25
Figura 3 – Relações anatômicas do útero41
Figura 4 – Localização da Junção Escamocolunar (JEC)41
Figura 5 – Consultório ginecológico61
Figura 6 – Espátula de Ayre, escova endocervical62
Figura 7 – Coleta ectocervical64
Figura 8 – Coleta endocervical64
Figura 9 – Colocação do material na lâmina65
Figura 10 – Mama humana83
Figura 1 – Inspeção estática96
Figura 12 – Inspeção dinâmica96
Figura 13 – Inspeção dinâmica – alteração do contorno da mama97
Figura 14 – Palpação da mama97
Figura 15 – Palpação da axila97
Figura 16 – Material necessário para a realização da PAG102
Figura 17 – Pistola de Cameco, suporte para a realização da PAAF102

Gráfico 1 – Distribuição percentual do intervalo da realização de citologia anterior .......58

faixa etária59

Gráfico 2 – Distribuição percentual dos exames citopatológicos, segundo a

Gráfico 3 – Taxas de mortalidade específicas por idade, para o câncer de mama feminino, por 100 mil mulheres. Brasil, 1995 a 2000 ............................................................86

Rastreamento do Câncer do Colo do Útero)47

Quadro 1 – Força da recomendação (adaptado das Diretrizes Brasileiras para o

escamosas e suas equivalências67

Quadro 2 – Nomenclaturas citopatológicas e histopatológicas utilizadas desde o início da realização do exame citopatológico para o diagnóstico das lesões cervicais Quadro 3 – Recomendações iniciais após resultado de exame citopatológico anormal ...71

mulheres, em países selecionados, em 200885

Tabela 1 – Taxas de incidência e mortalidade por câncer de mama, por 100 mil

câncer de mama93

Tabela 2 – População-alvo e periodicidade dos exames no rastreamento de

Tabela 3 – Categorias BI-RADS® no exame mamográfico, interpretação e recomendação de conduta ................................................................................................... 9

1 Introdução15
2 Organização da Rede de Atenção ao Câncer do Colo do Útero e da Mama19
2.1 Humanização e acolhimento à mulher2
2.2 Políticas de saúde de relevância para o controle do câncer do colo do útero e da mama23
2.3 Linha de cuidado para o controle dos cânceres do colo do útero e da mama24
2.3.1 Estrutura operacional das linhas de cuidado28
mama32
2.4.1 Atribuição dos profissionais da Atenção Básica32
REFERÊNCIAS37
3 Controle do Câncer do Colo do Útero39
3.1 O colo do útero41
3.2 Câncer do colo do útero42
3.2.1 Magnitude42
3.2.2 História natural da doença43
3.2.3 Manifestações clínicas45
3.3 Promoção da Saúde45
3.4 Prevenção primária46
3.5 Prevenção secundária: detecção precoce46
3.5.1 Rastreio de lesões precursoras do câncer do colo do útero47
3.5.2 Coleta do material para o exame citopatológico do colo do útero59
3.6 Recomendações diante dos resultados de exames citopatológicos6
3.6.1 Nomenclatura citológica brasileira6
3.7 Sistema de informação para as ações de controle de câncer do colo do útero73
REFERÊNCIAS74
4 Controle do Câncer da Mama81
4.1 Glândula mamária83
4.2 Câncer de mama84
4.2.1 Magnitude85
4.2.2 História natural86
4.2.3 Fatores de risco87
4.2.4 Manifestações clínicas8
4.3 Promoção da Saúde e prevenção primária89
4.4 Detecção precoce90
4.4.1 Diagnóstico precoce90
4.4.2 Rastreamento91
4.4.3 Participação da mulher94
4.5 Investigação diagnóstica95
4.5.1 Exame Clínico das Mamas95
4.5.2 Métodos de imagem9
4.5.3 Métodos invasivos101
4.6 Condutas103
4.6.1 Lesões palpáveis103
4.6.2 Lesões não palpáveis103
4.7 Tratamento104
REFERÊNCIAS107
5 Cuidados Paliativos109
5.1 Princípios fundamentais dos cuidados paliativos112
5.2 Integração das ações de cuidados paliativos com a Rede de Atenção à Saúde113
5.2.1 Como abordar o paciente em cuidados paliativos113
5.2.2 Controle de sintomas do paciente em cuidados paliativos114
5.3.2 A produção do cuidado em Atenção Domiciliar118
5.3.3 Identificação da necessidade de Atenção Domiciliar118
5.3.4 Processo de trabalho construído em equipe119
5.3.5 Pactuação da Atenção Domiciliar com a família120
5.3.6 Cuidador120

A importância epidemiológica do câncer no Brasil e sua magnitude social, as condições de acesso da população brasileira à atenção oncológica, os custos cada vez mais elevados na alta complexidade refletem a necessidade de estruturar uma rede de serviços regionalizada e hierarquizada que garanta atenção integral à população.

Os elevados índices de incidência e mortalidade por câncer do colo do útero e da mama no

Brasil justificam a implantação de estratégias efetivas de controle dessas doenças que incluam ações de promoção à saúde, prevenção e detecção precoce, tratamento e de cuidados paliativos, quando esses se fizerem necessários. Portanto, é de fundamental importância a elaboração e a implementação de Políticas Públicas na Atenção Básica, enfatizando a atenção integral à saúde da mulher, que garantam ações relacionadas ao controle dos cânceres do colo do útero e da mama como o acesso à rede de serviços quantitativa e qualitativamente, capazes de suprir essas necessidades em todas as regiões do País.

Este Caderno busca contribuir com a organização da Rede de Atenção ao Câncer do Colo do

Útero e da Mama no Sistema Único de Saúde (SUS) considerando a Política Nacional de Atenção Básica, a Política Nacional de Humanização e a Política Nacional de Atenção Oncológica.

Dentro dessa perspectiva, o Ministério da Saúde apresenta a 2ª edição do Caderno de Atenção

Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama, elaborado com a finalidade de orientar a atenção às mulheres subsidiando tecnicamente os profissionais da Atenção Básica em Saúde, disponibilizando conhecimentos atualizados de maneira acessível, que lhes possibilitem tomar condutas adequadas em relação ao controle dos cânceres do colo do útero e da mama.

Secretaria de Atenção à Saúde

A Atenção Básica (AB) ou Atenção Primária à Saúde (APS) é realizada em todo o País, de forma descentralizada, próxima ao usuário, sua família, seu território e suas condições de vida. As unidades básicas de saúde (UBS), onde trabalham as equipes de Saúde da Família (ESF) ou de Atenção Básica tradicional (EAB), são a principal porta de entrada do sistema e o ponto de contato preferencial do usuário.

A AB tem, entre suas atribuições, o papel de coordenadora do cuidado e ordenadora das redes de atenção à saúde. Nesse sentido, ela acompanha os usuários longitudinalmente, mesmo quando ele demanda de um serviço especializado ou de uma internação, e é responsável pela coordenação das ações dos diversos serviços sobre os profissionais. Ela ainda é responsável pela articulação dos diversos serviços e unidades de saúde que compõem as redes, participando na definição de fluxos e elenco das necessidades de saúde de determinada população.

Entre as ações desenvolvidas pelas equipes de Atenção Básica, destacam-se as ações relacionadas ao controle dos cânceres do colo de útero e da mama. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2008, ocorreram 1.384.155 casos novos de câncer da mama em todo o mundo, o que torna o tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Nesse mesmo ano, foram registrados cerca de 530 mil casos novos de câncer do colo do útero (WHO, 2008). No Brasil, para o ano de 2012, são estimados 52.680 casos novos de câncer de mama feminino e 17.540 casos novos de câncer do colo do útero (INCA, 2012).

Considerando a alta incidência e a mortalidade relacionadas a essas doenças, é responsabilidade dos gestores e dos profissionais de saúde realizar ações que visem ao controle dos cânceres do colo do útero e da mama e que possibilitem a integralidade do cuidado, aliando as ações de detecção precoce com a garantia de acesso a procedimentos diagnósticos e terapêuticos em tempo oportuno e com qualidade. Nesse intuito, o Caderno de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do Útero e da Mama – elaborado pelo Ministério da Saúde, é um dos instrumentos para auxiliar na qualificação dessas ações.

Este material vem para apoiar os profissionais que atuam na Atenção Básica, na sistematização de ações para o controle dos cânceres do colo do útero e da mama. É realizada uma ampla abordagem sobre os cânceres do colo do útero e da mama, destacando-se ações de promoção, detecção precoce e controle com enfoque na atenção básica.

As ações de promoção ocorrem sobremaneira na atenção básica, que está mais próxima do cotidiano das mulheres e as acompanha ao longo da sua vida. As abordagens educativas devem estar presentes no processo de trabalho das equipes, seja em momentos coletivos, como grupos, atividades do Programa de Saúde na Escola, outras abordagens grupais da equipe, seja em momentos individuais de consulta. É fundamental a disseminação da necessidade dos exames e da sua periodicidade, bem como dos sinais de alerta que podem significar câncer.

Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção Básica

Com relação à detecção precoce, a maior parte dessas ações também ocorre na atenção básica. Tanto as ações de rastreamento, que consistem em realizar sistematicamente testes ou exames em pessoas sadias, quanto as ações de diagnóstico precoce, que consistem em captar precocemente alguém que já tem sintomas ou alterações no exame físico, devem ser realizadas no cotidiano das equipes.

Após o recebimento de um exame "positivo", cabe a AB realizar o acompanhamento dessa usuária, encaminhar ao serviço de referência para confirmação diagnóstica e realização do tratamento. Nesse processo, é fundamental a avaliação da usuária, avaliar a compreensão que a mesma tem sobre sua doença e estimular a adesão ao tratamento. O sistema logístico da rede (sistema de informação) deve permitir que a AB tenha acesso a relatórios do tratamento, durante a sua realização, bem como à contrarreferência, quando o serviço especializado realizar a alta dessa usuária. Muitas vezes, mesmo após a alta, a usuária demanda cuidados especiais, principalmente na periodicidade de acompanhamento.

Também cabe destacar o papel da Atenção Básica no que tange aos cuidados paliativos. O tratamento dos cânceres nem sempre é curativo. Mesmo diante de todo o aporte tecnológico atual, existem falhas terapêuticas, que ocorrem com mais frequência quando o quadro é mais avançado no diagnóstico. Nesse sentido, muitas vezes o tratamento visa diminuir o tumor existente e aumentar a sobrevida e a qualidade de vida, e a usuária passará a conviver com a doença por um período de tempo variado. O tratamento paliativo não se resume ao doente terminal, acamado, mas envolve graus variados de acometimento orgânico e qualidade de vida. Muitas vezes o usuário pode demandar apenas medicações intravenosas ou analgésicos mais potentes, enquanto que em outros casos ele pode demandar a atenção domiciliar.

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