sistema eletrico automotivo

sistema eletrico automotivo

(Parte 4 de 5)

• Se a bateria for selada não há muito que fazer, além da limpeza e a checagem do visor de carga.

• Se durante uma viagem ou um longo tempo de uso do carro aparecer um cheiro ácido, pare o carro e verifique se a bateria está muito quente. Se estiver é possível que o alternador esteja enviando excesso de carga para a bateria, podendo fazer com que a bateria exploda. O problema pode estar no regulador de voltagem.

• O motor de arranque pode apresentar alguns dos sintomas de bateria fraca, como por exemplo, você dar a partida e o motor virar pesado. Este sintoma pode indicar algo de errado com o motor de arranque e não com a bateria. Portanto, verifique se a bateria tem carga suficiente.

• Verifique também o ponto de ignição do motor, já que um motor muito atrasado vai parecer sintoma de bateria fraca. • Geralmente quando há problemas de voltagem, a luz indicadora de bateria no painel se acenderá denunciando problema de alternador com o veículo em movimento.

• Nunca faça um carro pegar no tranco, pois essa “mania” pode trazer um sério prejuízo ao sistema de câmbio e diferencial (tração traseira). Em carros dotados de catalisador, ao fazê-los pegar no tranco, pode-se correr o risco de queimar a parte interna do mesmo, já que a gasolina não queimada e a alta temperatura do escapamento podem ocasionar um incêndio interno comprometendo o uso do catalisador e portanto trazendo mais prejuízo.

• Carros dotados de injeção eletrônica, nem adianta tentar, pois com menos de 9 volts a centralina simplesmente não funciona.

• Um cuidado muito importante, é não inverter em hipótese alguma a polaridade dos cabos da bateria, pois isso provoca a queima do módulo de injeção e de outros componentes eletrônicos.

Com essas dicas é possível que você não tenha maiores dores de cabeça com o sistema elétrico responsável pela partida do seu carro. Basta ficar de olho em alguns componentes e ficar atento aos sintomas do carro para poder descobrir o defeito.

Sistema de Ignição

Muito tem se falado a respeito de motores e dos diversos recursos e sistemas empregados neles, nas diversas matérias do Envenenado, porém muitas vezes esquece-se que certos subsistemas do motor são de vital importância e que de seu adequado funcionamento, dependem o rendimento e correto funcionamento do próprio motor. Por esta razão, abordaremos aqui o sistema de ignição.

Para que você compreenda corretamente o papel deste sistema, vamos dividi-lo em alguns componentes principais, detalhando suas funções e como operam a fim de produzir o resultado final.

Timing de Centelha

A correta sincronização da emissão da centelha ou faísca produzida pela vela em cada cilindro é um dos principais aspectos a se observar, sob pena de que uma emissão em um momento errado comprometerá o correto funcionamento do motor e poderá até mesmo provocar sua quebra. A ignição do combustível no momento adequado não apenas irá produzir o máximo de "trabalho" (energia), como também o melhor rendimento e menor nível de emissão de poluentes.

Quando a mistura de ar e combustível queima dentro do cilindro, produzem-se gases à elevadas temperaturas que se expandem e desta transformação é que se gera a pressão responsável por deslocar o pistão para baixo, acarretando o movimento. Para se conseguir então, mais potência e torque do motor é necessário alcançar-se maiores níveis de pressão dentro do cilindro, o que se traduz também em melhores níveis de consumo. A eficácia deste processo depende diretamente do timing da faísca.

Há um pequeno intervalo de tempo entre a emissão da faísca e a queima completa da mistura, momento em que se atinge o maior nível de pressão. Desta forma, se a produção da faísca pela vela ocorrer quando o pistão atingir o ponto mais elevado do seu curso, o pistão já terá descido parte do seu curso quando os gases gerados atingirem o nível mais elevado de pressão, trazendo como consequência, entre outras coisas, perda de rendimento. Para fazer com que o aproveitamento do combustível se dê em seu nível máximo, a faísca deve acontecer um pouco antes do pistão atingir seu nível mais alto, de forma que quando a pressão for a mais elevada, ele esteja iniciando o curso para baixo.

Os conceitos de pressão e trabalho (energia) neste caso, precisam ser compreendidos, para que se perceba o quanto influem no resultado. A pressão é uma função de força pela área em que é aplicada e, trabalho é resultado da força vezes o deslocamento (distância) produzido por esta força, assim no caso de um motor em que a distância (curso do pistão) e área (superfície da cabeça do pistão) são valores fixos, só se consegue mais trabalho (energia), produzindo-se mais pressão. Portanto, esta é a razão de se procurar gerar a centelha no momento exato!

Mas o processo não é tão simples como pode parecer a primeira vista e outros fatores

existem. Durante o funcionamento do motor, este tem alterações em sua velocidade de funcionamento e, portanto, a velocidade com que o pistão se move dentro do cilindro também se altera. Assim, conforme aumenta a velocidade do motor, a produção da faísca deve ser antecipada e retardada, se a velocidade cair. Outro objetivo é reduzir o consumo e a emissão de poluentes, quando os níveis máximos de potência não forem necessários, o que se consegue retardando o tempo da faísca, produzindo menos calor no processo.

A Vela

Em teoria, trata-se de um componente muito simples. Seu papel é de gerar uma diferença de potencial no espaço (da mesma forma que um raio) e assim produzir a faísca que irá realizar a ignição do combustível. Esta diferença de potencial deve ser bastante elevada a fim de se conseguir uma faísca bastante intensa e a consequante queima adequada do combustível. A voltagem que percorre a vela geralmente é da ordem de 40.0 à 100.0 volts.

Atualmente espera-se que uma vela de boa qualidade seja capaz de transferir quase sem perdas a eletricidade até o eletrodo e daí para o bloco do motor onde será aterrada. Além disto deve ter boas características de resistência térmica e mecânica, para suportar as elevadas temperaturas e pressões no interior dos cilindros. Geralmente usa-se em seu corpo uma cerâmica isolante, assegurando que a centelha ocorra no ponto adequado. Devido ao fato da cerâmica ser uma mau condutor térmico, a temperatura na extremidade da vela é bastante alta, o que ajuda a evitar depósitos no eletrodo, contribuindo para uma faísca mais intensa.

Basicamente podem existir dois tipos de velas quanto ao seu grau térmico: as velas "quentes" e as "frias". Essencialmente elas diferem entre si pela quantidade de cerâmica no isolamento do eletrodo. Desta forma uma vela "quente", é menos suscetível ao acúmulo de depósitos. Entretanto, geralmente costuma-se usar velas mais frias em motores de alto desempenho devido às temperaturas mais altas que estes motores produzem.

A Bobina

Outro dispositivo conceitualmente muito simples, cujo papel é fornecer as elevadas voltagens necessárias a produção da faísca pela vela. Basicamente é feita por dois conjuntos de enrolamentos de fios, da mesma forma que em um transformador e fazendo com que a pequena voltagem fornecida pela bateria, seja multiplicada diversas vezes.

O Distribuidor

Este elemento tem múltiplas funções. A principal delas é fazer com que a eletricidade gerada na bobina e transmitida pelo cabo da bobina, chegue até a adequada vela de cilindro. Dentro do distribuidor o elemento responsável por isto é o rotor, que faz a ligação elétrica que possibilita a eletricidade atingir cada vela. Conforme o rotor gira, sua extremidade faz o contato (na verdade passa muito próximo) com a extremidade de cada cabo de vela, fechando o circuito da bobina até a vela.

No corpo do distribuidor, localiza-se o "comando" do distribuidor. Este comando gira na mesma fase do rotor, acionando um contato com o módulo do sistema (platinado). Toda vez que este contato é acionado, ele abre um dos pontos da bobina, que perde seu aterramento e gera um pulso elétrico, que é o que vai ser transmitido via cabo ao rotor, daí via cabo também para a vela. Perceba que este é o elemento responsável pela intermitência da corrente elétrica e o que controla o avanço ou o retardo da faísca.

Nos motores modernos este elemento não existe. Sua função é substituída por um sensor de um módulo eletrônico, que informa a exata posição dos pistões e assim o momento de produzir a centelha. Este mesmo módulo eletrônico é que controla a abertura e o fechamento da bobina.

Alguns tipos de motores também apresentam um esquema geral diferente deste explicado nesta matéria. Nestes casos não existem distribuidores e uma única bobina para todas as velas. São motores de ignição direta, onde bobinas individuais são ligadas diretamente em cada vela e o módulo eletrônico é o responsável pelo comando de cada bobina.

Diagnóstico das velas

Você sabia que alguns dos problemas do motor podem ser identificados por um simples exame do estado das velas? Pois é isso mesmo, nesta matéria abordaremos as velas, um item vital mas que poucas pessoas verificam. Pelo aspecto e cor das velas é possível descobrir se seu motor está funcionando em perfeitas condições ou se está acontecendo algo de errado.

Existem diversos tipos de velas, cada qual servindo a um determinado tipo de motor, já que de um para outro existem diferentes roscas de cabeçote, grau térmico, etc. A seguir daremos algumas dicas e as prováveis causas do que está acontecendo com seu motor.

Problema - O motor falha em altas rotações ou em razão de sobre cargas elevadas.

Aspecto da vela - Resíduos de coloração avermelhada, marrom, amarela, verde e branca incrustados no bico isolador e nos eletrodos.

Causas - Impurezas ou aditivos (chumbo tetra-etílico e outros) na gasolina ou no óleo, que não são queimados totalmente, depositam-se na ponta ignífera das velas. Em altas temperaturas, esses depósitos tornam-se condutores elétricos e provocam falhas no centelhamento.

Solução - As incrustações nesse caso podem ser facilmente removidas. Se a vela estiver em boas condições, pode ser usada novamente, após a devida limpeza. Em caso de resíduo de chumbo substituir a vela.

Problema - Dificuldade na partida. O motor falha em marcha lenta.

Aspecto da vela - Ponta da vela totalmente coberta por resíduos de carvão.

Causas

1. Ignição atrasada. 2. Mistura ar/gasolina demasiadamente rica. 3. Filtro de ar obstruído. 4. Deficiência de energia para ignição. 5. Uso excessivo do afogador. 6. Funcionamento do motor em marcha lenta, ou baixa velocidade durante longo tempo. 7. Vela de ignição muito fria.

Soluções

1. Causas 1 a 6 - Fazer as regulagens necessárias. 2. Causa 7 - Substituir as velas por tipo correto (procure no manual do seu carro ou em uma tabela de velas atualizada).

Problema - Dificuldade na partida. O motor falha em marcha lenta.

Aspecto da vela - A ponta da vela apresenta um brilho oleoso, úmido e preto.

Causas

1. Anéis do pistão ou cilindro desgastados. 2. Falta do assentamento do pistão/anéis/cilindro.

Principalmente em motores retificados. 3. Se o motor for 2 tempos, a proporção óleo/combustível está muito alta.

Soluções

1. Substituir os anéis ou retificar os cilindros. 2. Revisar o estado dos pistões, anéis e cilindro. 3. Corrigir a proporção óleo/combustível.

Problema - Dificuldade na partida, marcha lenta irregular ou falha no motor.

Aspecto da vela - Ponta da vela encharcada de combustível.

Causas - Motor afogado, problemas na carburação, umidade ou água no sistema de alimentação ou no combustível, folga dos eletrodos fora do padrão, problemas no sistema de ignição.

Solução - Verificar e corrigir a anormalidade, se as velas estiverem em boas condições efetuar uma boa secagem e regular as folgas dos eletrodos dentro das especificações.

Problema - O motor bate pino e apresenta perda de desempenho em altas velocidades, em subidas ou com cargas elevadas.

Aspecto da vela - O bico isolador apresenta-se esbranquiçado com grânulos na superfície.

Causas

1. Ponto de ignição adiantado. 2. Mistura ar/combustível muito pobre. 3. Deficiência no resfriamento do motor. 4. Aperto insuficiente de vela. 5. Combustível com baixa octanagem. 6. Vela de ignição muito quente.

Soluções

1. Causas 1 a 4 - Efetuar as regulagens necessárias. 2. Causa 5 - Utilizar combustível adequado ao motor. 3. Causa 6 - Substituir as velas por tipo correto.

RESÍDUOS/ÁLCOOL Problema - O motor falha principalmente na aceleração.

Aspecto da vela - Resíduos de coloração vermelha, marrom ou amarela no bico do isolador.

Causas - Impurezas ou aditivos no álcool ou lubrificantes que não se queimam em determinadas condições.

Solução - Substituir a vela, porque os resíduos são de difícil remoção.

Problema - Falha e baixo desempenho do motor.

Aspecto da vela - O bico isolador apresenta-se quebrado ou trincado.

Causas - É causada normalmente pela expansão térmica ou choque térmicos, originados por aquecimento e resfriamento brusco ou pelo choque mecânico da detonação (batida de pino). Uso de ferramenta inadequada para a calibragem da folga.

Soluções - Evitar sobrecarga no veículo e revisar a regulagem do motor. Utilizar calibrador adequado.

Problema - Há grande perda de potência no motor. A temperatura na câmara de combustão sobe rapidamente causando danos no pistão.

Aspecto da vela - Eletrodos fundidos. Nos casos extremos, o eletrodo desaparece completamente na ponta ignífera, ocorrendo também a fusão do isolador.

Causas

1. Ignição excessivamente adiantada. 2. Deficiência no resfriamento do motor. 3. Resíduos de impurezas superaquecidos na câmara de combustão. 4. Vela de ignição muito quente.

Soluções

1. Causas 1 e 2 - Regular o ponto de ignição e revisar o sistema de arrefecimento do motor. 2. Causa 3 - Remover todos os resíduos de impurezas que se acharem incrustados na câmara de combustão. 3. Causa 4 - Substituir as velas por tipo correto.

Aspecto da vela - Com depósitos de coloração marrom, marrom claro, cinza ou cinza claro.

Causas - A vela está cumprindo normalmente sua função e o motor apresenta desempenho e consumo de combustível satisfatório.

Solução - Para assegurar essa operação de maneira contínua e satisfatória, limpe as velas e regule as folgas dos eletrodos a cada 3.0 km e troque-as conforme a especificação no manual do proprietário.

Problema - Dificuldade na partida. Perda de desempenho do motor e aumento de elementos poluentes nos gases de emissão.

Aspecto da vela - Folga dos eletrodos aumentada. Eletrodos arredondados.

Causas - A vela se desgastou normalmente e, nesse estado, provoca sobrecarga no sistema de ignição requerendo voltagem maior, além de aumentar o consumo de combustível porque sua vida útil acabou.

Solução - Coloque velas novas.

As velas praticamente surgiram junto com os motores de combustão interna e tem um papel de extrema importância na queima da mistura ar e combustível.

Para que haja a combustão, são necessários três elementos que formam o triângulo do fogo: o combustível, o comburente e o calor.

O combustível é formado basicamente por hidrogênio e carbono, sendo denominados de hidrocarbonetos ou carboneto de hidrogênio. Como exemplo podemos citar: a gasolina, o álcool etílico hidratado, o metano, etc.

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