Calderaria - Noções Básicas de Processos de Soldagem e Corte

Calderaria - Noções Básicas de Processos de Soldagem e Corte

(Parte 3 de 3)

Através de variadoras, pode-se ter velocidades de corte na faixa de 100 a 1000mm/minuto.

Máquina de corte portátil

1. Suporte do maçarico 2. Escala do corte 3. Chapa de proteção do calor 4. Regulagem lateral do maçarico

5. Regulagem fina da altura do maçarico

6. Bloco de ligações 7. Mangueiras de acetileno e oxigênio 8. Válvula de regulagem para oxigênio 9. Válvula de regulagem para acetileno 10. Válvula de oxigênio de corte

1. Condutores de corrente da rede 12. Conexão da mangueira de acetileno 13. Conexão da mangueira de oxigênio 14. Botão de regulagem da velocidade 15. Partida do motor 16. Rolo de guia para cortes retos 17. Rolo para cortes curvos 18. Regulador de altura do maçarico

19. Cabeça do bico do maçarico de corte

20. Placa de fixação do maçaricos

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Tipos de cortes em chanfros por máquinas

Chanfro simples

Neste tipo de corte, usam-se dois maçaricos: o primeiro posicionado na vertical, aparando a borda da chapa; o segundo com o ângulo de indicação que se deseja executar o corte. O maçarico que executa o corte do ângulo deve ter uma chama de preaquecimento mais intensa porque, em função da inclinação, ocorre perda de rendimento que deve ser compensada (Fig. 49).

Tipo de corte

Chanfro duplo

Para a execução deste chanfro, utilizam-se três maçaricos: o primeiro cortando verticalmente; o segundo fazendo o corte de fundo e o terceiro executando o corte de topo (Fig. 50).

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Departamento Regional do Espírito Santo 41

A distância entreos dois primeiros maçaricos deve ser

suficiente para separar os jatos de oxigênio e de corte (Figs. .51 e 52).

No caso de a temperatura abaixar após o primeiro corte, será formado um filme de óxido solidificado pelo calor dos dois primeiros, podendo o corte, portanto, ficar mais atrasado.

Para o início do segundo e terceiro cortes, não é necessário parar a máquina. Em chapas finas (até 3/4”), a distância será de 10 a 12mm. Quando a chapa for de espessura maior, a distância entre o maçarico será menor.

Nos casos em que o corte do segundo maçarico é feito fora da zona aquecida pelo primeiro, pode-se posicionar os dois no mesmo alinhamento (perpendicular à direção do corte), dando porém mais inclinação ao segundo maçarico, fazendo com que o jato do oxigênio passe por trás do jato do primeiro (Fig. 53).

Dessa forma, os dois primeiros maçaricos aquecem a mesma área e beneficiam o terceiro, que pode iniciar o corte sem que a máquina seja parada (Fig. 54).

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Fig. 54 Defeitos típicos em corte a gás

Um corte bem executado assegura uma face lisa, sem oxidação excessiva e no esquadro com as faces da chapa ou peça.

Os erros de seleção dos parâmetros dão os efeitos mostrados em seguida.

Defeitos nas arestas Canto superior arredondado

Pode ocorrer por utilização muito lenta do avanço do maçarico; distância do bico excessiva ou insuficiente; bico grande demais para o corte; ou ainda, pressão excessiva do oxigênio ou acetileno (Fig. 5).

Canto inferior arredondado

Pode ocorrer por excesso de velocidade ou excesso de oxigênio (Fig. 56).

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Indentação do canto inferior

Pode ser provocado por excesso de velocidade ou excesso de oxigênio (Fig. 57).

Fig. 57 Mordedura no canto superior com escória

Pode ocorrer quando a chama está forte demais (Fig. 58).

Defeitos na face de corte no sentido vertical

Processo no canto superior

Pode ocorrer quando se utilizam bico sujo ou pressão excessiva de oxigênio (Fig. 59).

Defeitos na face de corte

Rasgo convergente

Ocorre quando a distância entre o bico e a peça ou a pressão de oxigênio são excessivas (Fig. 60).

Defeitos na face de corte

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Rasgo divergente

Normalmente ocorre quando se utiliza excesso de oxigênio (Fig. 61).

Defeitos na face de corte

Fig. 61 Concavidade a concavidade pode ocorrer ao se utilizar bico muito pequeno, obstruído ou danificado também por oxigênio insuficiente (Fig. 62).

Defeitos na face de corte

Ondulação

Pode ser ocasionada pela utilização de bico sujo ou oxigênio insuficiente (Fig. 63).

Defeitos na face de corte

Desvio angular

Ocorre através do posicionamento incorreto do bico ou jato de oxigênio desviado por rebarbas ou sujeiras (Fig. 64).

Defeitos na face de corte

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Defeitos na face de corte no sentido longitudinal

Ondulação recurvada para trás no fundo

Ocorre devido à velocidade excessiva, bico muito pequeno ou oxigênio insuficiente (Fig. 65).

Defeitos na face do corte

Ondulação recurvada para frente no centro

Ocasionada por jato de oxigênio prejudicado pela sujeira ou pela rebarba ou bico inclinado para frente (Fig. 6).

Defeitos na face do corte

Ondulação em S

Pode ser provocada por sujeira, desgaste ou rebarba no bico (Fig. 67).

Defeitos na face do corte

Ondulação desuniforme

Pode ser provocada por aplicação de velocidade não uniforme ou, ainda, existência de incrustações na chapa (Fig. 68).

Defeitos na face do corte

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Profundidade excessiva

Normalmente causada por distância insuficiente do bico ou chama muito forte. É algo comum se o material é um aço-liga (Fig. 69).

Defeitos na face do corte

Profundidade desuniforme

Ocorre por variação na velocidade de condução do maçarico (Fig. 70).

Defeitos na face do corte

Indentações ocasionais

Ocorrem quando há crepitações (pulsação) da chama, ferrugem ou sujeira na chapa (Fig. 71).

Defeitos na face de corte

Indentações contínuas

Podem ser ocasionadas pela distância insuficiente do bico, chama muito fraca, sujeira ou ferrugem na chapa (Fig. 72).

Defeitos na face de corte

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Indentação na parte inferior

Ocorrem por deformação da chama devido a sujeira ou bico danificado (Fig. 73).

Defeitos na face de corte

Corte incompleto Corte incompleto no final

Ocorre quando o jato de oxigênio não é uniforme devido a rebarba ou sujeira no bico (Fig. 74).

Defeitos na face de corte

Corte perdido

Ocorre se a distância do bico à chapa é excessiva; por bico sujo, gasto ou com rebarbas; por chapa suja ou com ferrugem. Pode ocorrer também em chapas com alto teor de carbono ou com separações internas.

Defeitos por escória Escorrimento

Normalmente ocorre quando se utilizam chama fraca ou oxigênio insuficiente (Fig. 75).

Defeitos por escória

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Crosta adesiva

Este caso é possível de ocorrer quando a chapa de aço cortada é de aço-liga (Fig. 76).

Defeitos por escória

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Defeitos por trincas

As trincas podem ocorrer na face do corte, tanto na região superior, como inferior da chapa (Fig. 7).

Trincas na face do corte

Ocorrem com mais freqüências nos aços de alto teor de carbono, de altas ligas ou temperado, devido à insuficiência do preaquecimento ou ainda motivadas por um resfriamento rápido demais.

Corte com arco elétrico

É um processo de corte em que os metais a serem cortados são fundidos pelo calor de um arco elétrico entre o eletrodo e a peça. Após a fusão, um jato de ar comprimido remove o metal fundido. Normalmente é um processo usado em todas as posições, porém pode ser operado automaticamente.

O processo pode ser utilizado em metais ferrosos e em alguns não-ferrosos. É comumente utilizado na goivagem de soldas e para reparos de fundição. O processo requer uma habilidade de corte relativamente alta.

A qualidade da superfície de corte deixa a desejar. A Figura 78, apresenta o processo simplificado.

Corte com eletrodo de carvão e jato indireto

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Fig. 78 Corte a arco elétrico com eletrodo metálico

A Figura 79 apresenta o processo simplificado, no qual o arco elétrico é gerado com a peça através de um eletrodo metálico, que possui um orifício central por onde flui o jato de ar comprimido ou oxigênio a elevada velocidade.

Corte com eletrodo metálico com jato direto

A ação do jato diretamente no arco elétrico e, consequentemente, na região de fusão, oferece melhores condições de corte, obtendo-se superfície de qualidade melhor que no processo anterior.

Corte a plasma

O corte a plasma se utiliza do calor de um arco elétrico combinado com um gás ionizado (plasma, que é o quarto estado da matéria). O arco obtido atinge a temperatura de até 20.000ºC, sendo, dessa forma, utilizado para o corte de qualquer metal ferroso.

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