E-Apostilas e manuais - Bombeiros-Desencarceramento e extricação-Curso de resgate veicular

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LIÇÃO 2

Princípios de resgate veicular

Objetivos: Ao final da lição os participantes serão capazes de:

• Conceituar resgate veicular, distinguindo desencarceramento de extração.

• Enumerar e descrever os princípios de atuação em resgate veicular.

• Descrever o ciclo de operações.

deste atendimento inicial

Resgate é uma atividade séria e, muitas vezes, arriscada. O desencarceramento de vítimas em de vítimas em acidentes automobilísticos, em especial, envolvendo um trabalho em equipe e extremamente complexo, técnico e importante, sob condições extremas de stress causadas pela urgência do tempo, presença de curiosos, riscos no ambiente e pressão emocional em função da ânsia de salvar a vítima. Sua importância é muitas vezes negligenciada por profissionais que ignoram primeiramente o impacto da morbimortalidade por trauma decorrente de acidentes automobilísticos no perfil da saúde, depois a importância do atendimento inicial ao traumatizado na redução da mortalidade e seqüelas decorrentes do trauma e, finalmente, a importância da rapidez no atendimento e remoção de vítimas poli traumatizadas para o sucesso

Por isto, a preparação de uma equipe de salvamento deve envolver algo mais do que a simples habilidade de manusear as ferramentas peculiares à atividade de desencarceramento, mais deve englobar o conhecimento da doutrina de resgate veicular, aprendizagem das rotinas, estabelecimento de uma capacidade decisória e o desenvolvimento da capacidade para trabalhar em equipe.

1. CONCEITOS 1.1 Resgate Veicular

Resgate veicular é o procedimento utilizado para localizar, acessar, extrair, estabilizar e transportar vítimas que estejam presas às ferragens de um veículo acidentado. O resgate veicular envolve principalmente:

1.2 Desencarceramento

Movimentação e retirada das ferragens que estão prendendo a vítima e/ou impedindo o acesso dos socorristas e a obtenção de uma via de retirada da vítima. Dizemos que desencarcerar é retirar as ferragens da vítima. 1.3 Extração

É a retirada da vítima desencarcerada do interior do veículo. Dizemos que extrair é retirar a vítima das ferragens.

2. PRINCÍPIOS DE ATUAÇÃO

Para que se complete da forma mais rápida e segura possível, alguns princípios de atuação em todas as operações de resgate veicular.

• Sistema de Comando em Operações (SCO)

• Procedimentos Operacionais Padronizados (POP)

• Abordagem integrada (AI)

2.1 Sistema de Comando em Operações – SCO

emprego seguro e racional dos recursos envolvidosNo CBMES o

Como as operações de Resgate Veicular envolvem múltiplas equipes e até múltiplas agências, é importante que elas sejam gerenciadas utilizando um Sistema de Comando de Operações pré-estabelecido para permitir o sistema preconizado é o SCO, baseado no Incident Command System norte – americano.

2.2 Procedimentos Operacionais Padronizados - POP

Todas as unidades de bombeiros devem possuir procedimentos padronizados para as suas principais atividades. Estes procedimentos são conhecidos como POP – Procedimento Operacional Padrão e estabelecem as estratégias, táticas e técnicas a serem utilizados na operação, principalmente nos momentos iniciais, garantindo a rapidez no desdobramento das ações preparatórias da operação, e na seqüência a ser seguida. O POP não pode ser absoluto na cena, nem tem por objetivo substituir a avaliação e a experiência do Comandante da Operação.

2.3 Abordagem Integrada

Uma das formas de se reduzir o tempo perdido na cena do resgate é uso de uma abordagem em equipe do problema. O pré-planejamento, prédesignação de responsabilidade e treinamento das principais atividades desempenhadas em uma operação de resgate veicular aumentará a capacidade de resposta rápida e eficiente da equipe. Segundo a filosofia da abordagem em equipe cada elemento da equipe de resgate deve ter uma tarefa previamente designada e treinada, a fim de que múltiplas tarefas sejam desempenhadas de forma seqüencial, lógica e, quando possível, simultânea.

3. CICLO OPERACIONAL

A operação pode ser organizada em quatro fases, cada uma delas igualmente importante para o sucesso da operação, formando um ciclo.

• Prontidão

• Acionamento

• Resposta

• Finalização

3.1 Prontidão

A fase inicial da operação tem inicio quando o Corpo de Bombeiros aceita o desafio de prover um sistema de resgate veicular de qualidade. Esta fase inclui todas as medidas tomadas com o objetivo de que os recursos estejam preparados para o acionamento. É preciso que estejam prontos:

• Pessoal

• Material (equipamentos e veículos)

• Técnicas • Planejamento prévio

3.2 Acionamento

Uma vez que ocorra um acidente, há o acionamento dos recursos em prontidão. Esta fase inclui:

• Recebimento da chamada

• Obtenção das informações necessárias

• Despacho de recursos compatíveis

• Orientações preliminares ao solicitante

3.2.1 O trem de socorro

A principio, em todos os acidentes de trânsito com vítimas que envolvem veículos com quatro ou mais rodas o trem de socorro despachado deve possuir a capacidade de prestar o socorro pré-hospitalar (Resgate), de gerenciar todos os riscos e fazer o desencarceramento das vítimas (ABTS ou ABS + ABT).

3.2.2 Guarnição de salvamento

A guarnição de salvamento deverá ter três integrantes além do Chefe de Guarnição (que poderá ser o 4º elemento), assim distribuídos:

• OP01 – Operador 01, que é o mais experiente e responsável pelo circulo interno (sentido horário), pela tática de resgate e pela operação das ferramentas.

• OP02 - Operador 02, que é o auxiliar do OP01 e responsável pelo círculo externo (sentido anti-horário), pelo isolamento do local e pelo apoio ao primeiro.

• COV – Condutor Operador de viatura, que além de dirigir a viatura é o responsável pela sinalização do local sinalização do local, montagem do palco de ferramentas e verificação das ferramentas e equipamentos na cena.

• ChGu. – Chefe de Guarnição, que pode ser o comandante da guarnição de resgate ou chefe de socorro é responsável por todas as atividades de comando na cena da emergência. É o elemento mais graduado da equipe, que deve ser identificado facilmente como tal e responsável por todas as atividades de comando na cena da emergência. È também o responsável pela manutenção do nível de segurança nas operações.

O chefe da equipe, face ao cenário real, distribui as tarefas, de modo a garantir uma atuação rápida e segura, transmitindo as ordens de forma concisa, clara, utilizando frases curtas e garantindo que estas foram convenientemente compreendidas. Numa primeira fase, logo que chegue ao local, deve:

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