Zoneamento Geoambiental do Maranhão

Zoneamento Geoambiental do Maranhão

(Parte 3 de 8)

A soja é a granífera predominante na região. A produtividade está em torno de 2.700Kg por hectare e é comercializada em Balsas e após transportada para Açailândia. Grandes projetos a exemplo das Fazendas Nova Holanda e Batavo encontram-se em instalação na região

O município de Tasso Fragoso é o maior produtor de grãos em área de sequeiro no Maranhão, porém vem sendo prejudicado pela inexistência de posto fiscal, ficando a arrecadação sobre a produção desse município com Balsas, que é considerada a capital da soja no Maranhão.

O Programa Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados

(PRODECER I) é o mais ambicioso projeto em implantação na região e provavelmente no Estado do Maranhão. Localiza-se na margem esquerda do rio das Balsas, na divisa com o Estado do Tocantins, a 200km de Balsas, englobando uma área de 40.0 hectares dos quais 20.0 serão cultivados e os restantes mantidos como reserva.

A pecuária também se mantém como uma atividade importante no município de Balsas. Seguindo a BR-230 em direção a Carolina observa-se uma região dominada pela pecuária intensiva, intercalada com o cultivo modernizado de grãos. Os pastos neste local são extremamente bem cuidados.

As áreas situadas no litoral encontram exploradas com atividades extrativas, nos mangues (cata de mariscos e crustáceos), e desenvolvimento de atividades pecuárias com espécies rústicas como o gado bubalino nas demais áreas, inclusive sujeitas a alagamentos. As fazendas camaroneiras que chegaram a se instalar no município de Rosário, nas áreas próximas à baía de S. José sofreram uma queda havendo praticamente o desaparecimento desta atividade.

A atividade extrativa do babaçu, embora economicamente não seja uma atividade lucrativa, apresenta-se com elevada importância social porque se constitui numa renda alternativa para a população de baixa renda de todo o Estado, já que esta cultura se desenvolve em toda a área de predomínio de vegetação secundária existente.

Existem ainda outras atividades se desenvolvendo no Estado, porém espacialmente são atividades localizadas como a mineração e a exploração da canade-açúcar.

3.9 - TURISMO E LAZER

O lazer que até a algum tempo atrás era considerado como uma simples forma de diversão, vem adquirindo maior relevância pela comprovação de sua importância para o equilíbrio psicossocial. O Estado do Maranhão apresenta vários locais destinados ao lazer da população.

Em São Luís o turismo é facilitado pelas condições de acomodação e acesso, e além de suas praias que se estendem pelo município de São José do Ribamar, destaca-se o casario da época colonial. Já a beleza do conjunto arquitetônico da cidade de Alcântara e seu artesanato, tem atraído a atenção de turistas do Estado e de todo o país.

Na área litorânea, além das praias e dos passeios de barco pelos manguezais, o visitante tem a oportunidade de conhecer os Lençóis Maranhenses, com a beleza de suas dunas e lagoas de águas escuras.

Os demais municípios do Estado apresentam como atração turística o ciclo de festas religiosas, as praias fluviais, e os rios das diversas regiões constituem-se indubitavelmente em uma das formas de lazer mais utilizadas pelas populações locais.

No município de Rosário, o Forte do Calvário, apesar de representar uma fase áurea da conquista do Itapecuru, encontra-se em ruínas e em completo abandono. A restauração dessas ruínas e a criação de uma infra-estrutura mínima de atendimento, onde o visitante possa saborear os crustáceos e mariscos da região e desfrutar do clima tranqüilo da cidade, por certo atrairão visitantes da capital, gerando mercado de trabalho para a população.

No leste do Estado, Caxias é sem sombra de dúvida o município com maior potencial turístico. A proximidade de Teresina, cidade sem muitas condições de lazer cria um mercado potencial para o desenvolvimento do turismo regional. Localizada às margens da BR-316, rodovia que liga Teresina a São Luís reforça esse potencial. Além desse fator Caxias possui diversos atrativos turísticos, como o Morro de Alecrim, onde, além de uma vista panorâmica da área, encontram-se ruínas do forte onde se efetuou a resistência dos balaios, as ruínas do quartel general das forças de Duque de Caxias e o Balneário Veneza.

O município de Carolina, a sudoeste do Estado, apresenta potencial para tornar-se um município turístico, principalmente na época do meio de ano, período seco, quando o rio Tocantins mostra diversas praias, além de existirem na região diversos pontos pitorescos como os balneários da Pedra Caída e do Ribeirão das Lajes, as cachoeiras do Prata e do Itapicuru, entre outros.

4. RECURSOS HÍDRICOS

4.1 RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS

O Maranhão é, dos Estados Nordestinos, o que menos se identifica com a característica maior dessa região: a escassez de recursos hídricos. Com efeito, o Maranhão é detentor de uma invejável rede hidrográfica, com, pelo menos, dez bacias perenes, podendo ser individualizadas as seguintes bacias hidrográficas: Gurupi, Turiaçu, Maracaçumé-Tromaí, Uru-Pericumã-Aurá, Mearim, Itapecuru, Tocantins, Parnaíba, Munim e pequenas bacias do norte ( Fig. 3 ). Cinco são as vertentes hidrográficas principais do Maranhão: a Chapada das Mangabeiras, a Chapada do Azeitão, Serra das Crueiras, Serra do Gurupi e Serra do Tiracambu.

A malha hidrográfica maranhense inicia-se com o rio Gurupi, formado pela união dos rios Açailândia e Itinga. O primeiro, provindo da região a norte de Alfredo Lisboa, na serra do Gurupi, tem como principal afluente o rio Pequiá. O rio Itinga deságua no rio Gurupi próximo a Cajuapara e estabelece durante um percurso de quase 50 km o limite com o Estado do Pará. A serra do Tiracambu constitui o principal divisor d’águas da bacia do rio Gurupi, estabelecendo o limite com as bacias do Pindaré e Turiaçu, sendo responsável pelos maiores afluentes maranhenses, destacando-se os rios Surubim, Tucamandiua, Cajuapara, Panemã, Apará e Jararaca .No baixo curso, ao cortar os metamorfitos do Grupo Gurupi e os gnaisses e migmatitos do Complexo Maracaçumé, o rio Gurupi corre sobre um leito rochoso com várias cachoeiras, como: Lavadeira, Madalena, Jacurecoaga, Canindé- Açu, Maria Suprema, Itapera, Mamuira, Maguari, Omelar e Algibeira. Após cumprir um percurso de mais de 400 km, onde desde a confluência com o rio Itinga constitui a linha limítrofe entre os Estados do Pará e do Maranhão, deságua no Oceano Atlântico, na baía de Gurupi.

As bacias hidrográficas do Turiaçu, Maracaçumé-Tromaí e Uru-

Pericumã-Aurá, reúnem, além desses cursos principais, rios de curtos trajetos, porém bastante caudalosos e piscosos, como o Iririmirim, o Iriaçu, o Negra Velha, o Anajatuba, o Cabelo da Velha, o Licondé, o Arapiranga e o Cururupu, que apresentam características amazônicas e deságuam numa costa de inúmeras rias. Todos esses rios vivem sob constante influência das marés - que influenciam até o ritmo de vida da população - e apresentam, próximo a foz, grandes larguras e são orlados pela exuberante vegetação de mangue.

O rio Tocantins, que banha a região sudoeste, recebe no Maranhão alguns afluentes de porte, como os rios Manuel Alves Grande, Farinha, Gameleira, Água Boa, Lajeado, da Posse e Bananal. São notáveis as várias cachoeiras e corredeiras que tornam essa região uma das de maior beleza cênica do Estado e de indiscutível potencial para o turismo. São dignas de registro, as cachoeiras do Itapicuru ( no rio homônimo, 20 km a sudeste de Carolina ), Pedra Caída e as mais surpreendentes delas: a do Prata e a do Romão - duas cachoeiras magníficas no rio Farinha, com mais de 30m de altura. No rio Tocantins, entre Porto Franco e

Imperatriz, podem ser mencionadas as de Saco Grande, da Corda, Santo Antônio e São Domingos.

Toda a rede hidrográfica das porções leste e sudeste do Maranhão pertence à bacia do rio Parnaíba, cujo curso estabelece o limite com o Estado do Piauí. Integram-se os afluentes e subafluentes da margem esquerda, entre os quais destaca-se como o de mais longo curso e maior caudal o rio das Balsas, que nasce na Chapada das Mangabeiras, na fronteira com o Estado de Tocantins.

A bacia hidrográfica do rio Mearim possui uma área de aproximadamente 96.0 km2 , se considerados o rio Pindaré, que deságua a apenas 20 km de sua foz e o Grajaú, que flui para o Mearim através do canal de Rigó, já no Golfão Maranhense. O rio Mearim provém da serra da Menina, próximo a Fortaleza dos Nogueiras, a 650 m de altitude, sob a denominação de ribeirão Água Boa. Assume, durante longo trajeto, direção sudoeste-nordeste, até proximidades de Esperantinópolis, onde, após receber o afluente Flores, direciona-se para norte, persistindo mais ou menos neste rumo até desembocar na baía de São Marcos, entre São Luís e Alcântara, depois de percorrer mais de 930 km. O alto Mearim possui uma bacia modesta, com pequena contribuição de seus afluentes, como os ribeirões Bem Aceito, da Barra, Prata, Brejão, Água Boa, Midubim, Poção e dos Ovos, que apresentam descargas reduzidas e são, em sua maioria, intermitentes. O próprio rio Mearim e seus afluentes só começam a ter maior volume d’água após 160 km de percurso ao receberem a contribuição de afluentes perenes. Neste trecho, destacam-se os rios Corda e Enjeitado. O rio Corda ou Capim, com uma bacia hidrográfica 4700 km2 , é o mais importante tributário do alto curso. Nasce nas vertentes da serra Branca, a cerca de 450 m de altitude e, com suas águas límpidas e rápidas, percorre aproximados 240 km até confluir com o rio Mearim, em Barra do Corda. No médio Mearim, entre Barra do Corda e Porto Seco das Mulatas, as larguras são variáveis, desde 40 m em Barra do Corda até 90 m em Bacabal. O baixo Mearim estende-se desde Porto Seco das Mulatas até a foz, na baía de São Marcos, onde se bifurca em dois braços que contornam a ilha dos Caranguejos, sendo sua maior característica neste trecho a meandricidade. A partir de Arari, no Golfão Maranhense, suas margens tornam-se alagadiças e pantanosas. A extensão da propagação das marés se estende a mais de 200 km, sendo responsável pelo alargamento do rio.

O rio Pindaré coleta as contribuições de afluentes provindos das serras do Gurupi e Tiracambu. Nasce a leste de Montes Altos e tem como principais afluentes os rios Buriticupu, Negro, Paragominas, Zutiua, Timbira, Água Preta e Santa Rita. Suas descargas sofrem pronunciadas variações entre os períodos chuvoso e seco, decaindo para 30,2 m3/s no trimestre setembro-outubro-novembro e atingindo 493,7 m3/s no trimestre março-abril-maio, em Pindaré-Mirim.

O rio Grajaú é o mais extenso curso d’água da bacia do Mearim.

Provém da serra da Cinta, no extremo sudoeste do Estado e desloca-se em sentido sudoeste-nordeste, drenando a porção central da bacia do Mearim. Sua descarga média, ao passar em Grajaú, é de 32 m3/s, atingindo 131 m3/s em Aratoi Grande, no baixo curso.

As variações fluviais sazonais do rio Mearim e seus afluentes ocorrem em ritmo mais ou menos freqüente. As cheias acontecem geralmente nos mesmos períodos do ano ( Tab.5 ). O Mearim possui um regime hidrológico simples, com duas estações bem definidas: a das águas máximas - cheias - que vão de fevereiro a maio e a das mínimas - estiagens ou vazantes - que se prolongam de agosto a novembro ( Figs.4 e 5 ). Em direção ao baixo curso, ocorrem pequenas mudanças nesses períodos, com certo retardo do período chuvoso.

Segundo os dados dos postos fluviométricos existentes no Mearim

(Faz. Remanso, Osório, Barra do Corda, Santa Vitória, Pedreiras e Bacabal ) as médias mensais das cotas fluviométricas variam de 0,18 m a 1,81 m, verificando-se as máximas geralmente em março/abril e as mínimas em setembro/outubro. As mais altas cheias verificam-se, tanto em Barra do Corda como em Bacabal, no mês de abril. A máxima mensal verificada em Barra do Corda foi de 5,42 m, em 1985, e a mínima de 1,01 m, em 1983. Em Bacabal, no baixo curso, onde os efeitos das cheias são muito mais pronunciados, esses valores atingiram 9,86 m e 1,74 m, nos anos referidos. As descargas mensais totais variaram, no período 1964/1983, no posto de Barra do Corda, de 31,4 m3/s ( setembro/83 ) a 322 m3/s ( março/74 ). Em Bacabal, no período 1976/1983, a mínima observada foi de 38,6 m3/s, em setembro de 1983 e a máxima de 337 m3/s, em março de 1980.

O rio Itapecuru nasce a sul do Estado, no sistema formado pelas serras de Crueiras, Itapecuru e Alpercatas, a cerca de 530 m de altitude. A superfície total de sua bacia hidrográfica é de aproximadamente 52.970 km2 . Partindo de suas nascentes, corre inicialmente na direção oeste-leste até Várzea do Cerco, onde toma rumo norte até a barra do rio Alpercatas. Deste ponto em diante, muda de direção para nordeste, persistindo até encontrar o rio Correntes, onde, subitamente, inflete para noroeste. Nas proximidades de Caxias assume direção geral nor-noroeste. Deságua na baía do Arraial, a sudeste da ilha de São Luís, através de dois braços denominados Tucha e Mojó. Os principais afluentes pela margem direita são os rios Correntes, Pirapemas e Itapecuruzinho e os riachos Seco, do Ouro, Gameleira, Cachimbo e Guariba. Pela margem esquerda, destacam-se os rios Alpercatas, Peritoró, Pucumã, Codozinho, dos Porcos e Igarapé Grande, além dos riachos São Felinho, da Prata e dos Cocos.

O controle de toda a rede de drenagem da bacia do rio Itapecuru é feito através de 14 postos fluviométricos, controlados pelo DNAEE, sendo metade no rio principal e outra metade em seus principais afluentes ( Tabs. 6 e 7 ).

Na região do Itapecuru a dominância é do regime fluvial tropical, explicado pela existência de uma estação de águas abundantes, de fevereiro a maio, e outra de águas escassas, de agosto a novembro. As transformações chuva/deflúvio se efetuam com maior rendimento na alta bacia, em função da maior regularidade das precipitações e da presença de sedimentos mais porosos e permeáveis. Na média e baixa bacia, a ocorrência de sedimentos impermeáveis compromete a realimentação dos aqüíferos, acentuando as diferenças entre vazões extremas ( Figs. 6 e 7 ). Decorre um período crítico, onde ocorrem pronunciadas diferenças no deflúvio entre as estações seca e chuvosa. Na época de depleção as descargas de base dos pequenos riachos atingem os seus mínimos e a maioria deles seca.

O rio Itapecuru tem seus primeiros registros a partir da estação fluviométrica de Mirador. Neste posto, o rio apresenta uma vazão média anual de 17,7 m3/s. Na estação de Colinas, situada 60 km a jusante da anterior, as descargas médias apresentam um incremento surpreendente, em virtude da contribuição do rio Alpercatas, que conta com uma vazão média de 3,8 m3/s. Na estação de Caxias, que abrange uma área de drenagem de 32.700 km2 , o rio Itapecuru apresenta uma vazão média anual de 74,7 m3/s. Neste ponto, denota-se uma grande discrepância entre as vazões mínima ( média de 41,6 m3/s no trimestre mais seco ) e máxima ( média de 132,3 m3/s no trimestre mais chuvoso ). Em Codó, a vazão média anual atinge 103 m3/s, sendo a média das máxima de 529 m3/s e a média das mínimas de 41,3 m3/s. Em Cantanhede, última estação fluviométrica do rio Itapecuru, a vazão média atinge 209 m3/s, sendo a máxima registrada de 2020 m3/s, em maio de 1974, e a mínima de 36,0 m3/s, em novembro de 1972.

O rio Munim nasce nos tabuleiros da Formação Barreiras, a nordeste de Caxias, na porção extremo-leste do Estado do Maranhão. Tem como principais afluentes os rios Muquém, Iguara, Preto, Mocambo, Prata, Pirangi, Costa e Santana e deságua na baía de São José, entre Axixá e Icatu, após um percurso de mais de 320 km. Bastante assoreado, sofre as conseqüências dos desmatamentos e do uso indiscriminado do solo, que tornam suas águas escassas e turvas, só adquirindo maior volume no baixo curso, já próximo à costa.

As pequenas bacias do norte reúnem rios de pequeno trajeto, a maior parte deles perenes, entre os quais destacam-se o Preguiças, o Barro Duro, o Piriá, o Mapari, o Grande, o Negro, o Formiga, o Carrapato, o Axuí, o da Ribeira e o Coqueiro. Algumas dessas artérias fluviais constituem micro-bacias endorréicas e não possuem escoamento até o mar, desembocando em lagoas ou dissipando-se nas areias dos Lençóis Maranhenses. Outros rios menores dispõem-se, sem nenhuma estruturação, com padrões de drenagem indefinidos, em função da intensa atividade dunária, caracterizando bacias tipicamente arréicas.

4.2 RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS

O Estado do Maranhão está quase totalmente incluído na Bacia

Sedimentar do Parnaíba, considerada uma das mais importantes províncias hidrogeológicas do país. A estrutura tectônica da bacia é em geral simples, devido a atitude monoclinal das camadas, que mergulham suavemente das bordas para o interior. O pacote de sedimentos da bacia alcança uma espessura de 3000 metros, dos quais 2550 são de idade paleozóica e os restantes 450 metros, mesozóica. Por se tratar de uma área de rochas quase exclusivamente sedimentares, o Estado do Maranhão apresenta possibilidades promissoras de armazenamento e exploração de águas subterrâneas.

Acima do embasamento cristalino, que constitui o fundo impermeável geral de toda a bacia, desenvolvem-se três principais aqüíferos: Serra Grande, Cabeças e Poti-Piauí. Os dois primeiros são aqüíferos em carga, postos em confinamento, respectivamente, pelas formações semi-permeáveis Pimenteiras e

Longá, que funcionam como aquitards. Repousando sobre a seqüência anterior, seguese outro conjunto hidrogeológico composto, principalmente, pelos aqüíferos Sambaíba, Motuca, Corda, Grajaú e Itapecuru, separados, entre si, por aquitards constituídos pelas formações Pedra de Fogo, Pastos Bons, Codó e derrames basálticos. A série termina com os aqüíferos da Formação Barreiras e sedimentos do Quaternário ( dunas e aluviões ). As formações Serra Grande, Pimenteiras e Longá, por só ocorrerem em subsuperfície e a grandes profundidades, não foram abordadas no presente estudo.

Com base nas espessuras dos pacotes sedimentares, podem ser individualizadas três principais zonas de captação de água subterrânea ( Tab. 8 ): Zona 1: Captação em profundidades superiores a 1000 metros. Zona de exploração dos aqüíferos Sambaíba e Poti-Piauí, de características litológicas predominantemente arenosas, com amplas áreas de realimentação em suas zonas aflorantes. Previsão de vazões acima de 100 m3/h. Exploração recomendada para empreendimentos de maior vulto populacional, industrial ou de irrigação.

Zona 2: Captação dos aqüíferos Corda, Grajaú e Itapecuru, que ocupam mais de 50% da área. Constituem aqüíferos livres a subconfinados, em geral satisfatórios para atender pequenos empreendimentos, com poços de até 250 metros de profundidade e vazões entre 5 e 20 m3/h. Área recomendável para exploração de água subterrânea para abastecimento público, pequena irrigação, pequena e média indústria, pecuária e serviços em geral.

Zona 3: Captação dos aqüíferos da Formação Barreiras e sedimentos do Quaternário. Na Formação Barreiras, poços com profundidades médias de 80 metros chegam a produzir 100 m3/h. Os sedimentos do Quaternário são representados principalmente por dunas e aluviões, altamente porosos e permeáveis. Recomendáveis para exploração de água subterrânea como suporte a empreendimentos de baixo e médio porte.

O aqüífero Cabeças ocorre em subsuperfície, de forma contínua, sob toda a área, com espessuras em torno de 100 metros e uma profundidade em alguns locais superior a 1500 metros. É formado essencialmente por arenitos porosos e permeáveis, constituindo-se em um excelente reservatório de água subterrânea.

O aqüífero Poti-Piauí é dominante na porção sul da área, onde em vários locais é recoberto pela Formação Pedra de Fogo, formando extensos chapadões de topo plano, com bordas intensamente dissecadas. Hidrogeologicamente, as formações Poti e Piauí constituem uma única unidade aqüífera, não havendo entre elas unidade impermeável que as separe hidraulicamente. Apresentam uma espessura média, respectivamente, da ordem de 200 metros e 280 metros, representando, portanto, um pacote sedimentar de grande importância hidrogeológica.

A Formação Pedra de Fogo consiste litologicamente de siltitos e folhelhos arroxeados, micáceos, arenitos muito finos e freqüentes lentes de silexitos. Ocorre no extremo-sul da área, desde Carolina até a região sul de Alto Parnaíba, aparecendo com destaque na Serra do Penitente. Sua litologia pelítica torna-a uma unidade de fraco potencial hidrogeológico.

A Formação Motuca dispõe-se segundo uma faixa irregular, desde a cidade de Carolina até São Félix de Balsas. Possui reduzido potencial hidrogeológico, em função do domínio de siltitos argilosos, folhelhos e arenitos muito finos. É explorada principalmente por poços manuais ( 10 a 15 m ) que atingem apenas o lençol mais superficial.

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