O serviço social e a questão social

O serviço social e a questão social

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

bacharel em serviço social

edinei messias alecrim

o serviço social e a questão social

considerações sobre a relação entre serviço social e a questão social

Irecê

2008

EDINEI MESSIAS ALECRIM

o serviço social e a questão social

considerações sobre a relação entre serviço social e a questão social

Trabalho apresentado ao Curso (nome do curso) da UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para as disciplinas Fundamentos Históricos, Teóricos e Metodológicos do Serviço Social II; Oficina de Formação II; Sociologia II: Psicologia Social e Filosofia.

Orientadores: Adarly Rosana; Giane Albiazzetti; Daniela Sikorski; João Vicente e Lisnéia Rampazzo

Irecê

2008

o serviço social e a questão social

Tais iniciativas revelam que o aprofundamento do capitalismo busca, para se processr, uma nova racionalidade, em que o atendimento da ‘questão social’ carece de aparato assistencial e educativo mais eficiente ao que vinha sendo realizado pela caridade cristã ( BARBOZA, 2008, p. 134)

O capitalismo sempre foi objeto de dissiminação dos ideais de aceleração da concentração da renda e em consequência, o aumento das mazelas sociais. A expansão da ideologia capitalista, em toda América, especialmente no Brasil, acabou por criar um fértil terreno para incialmente articular uma política de reconhecimento das urgentes necessidades de melhoria da vida do povo.

Desde 1945, com o final da II Guerra mundial que as atenções do mundo se voltaram para a resolução dos conflitos pós –guerra. A reconstrução dos países atingidos pelos bombardeios foram alvos ditos “assistenciais” por países como os Estados Unidos, uma forma de aproveitar as crises de alguns povos para implantar o modelo imperialista de socorrer os paises, para depois dominá-los financeiramente. Aqui se articula o capitalismo na sua roupagem selvagem.

A ideologia do desenvolvimentismo no Brasil trouxe uma discussão crítica que favorece a percepção de que a sociedade tem naquele momento histórico como atores, sujeitos do desenvolvimento, o próprio indivíduo e o Estado. Assim sendo, a concepção desenvolvimentista afirma que:

Ao imputar-se ao Estado a força dinamizadora, exclui-se a luta de classe, aceitando-se o Estado existente como neutral. O autor-indivíduo é isolado do seu contexto de produção e de sua classe social, quer dizer, isolado da sociedade como totalidade e como estrutura (BARBOZA, 2008, p. 140).

A ideia de mudança proposta pelo desenvolvimentismo concebe uma visão em que o consenso deve prevalecer, na busca de uma eficiência para que o sistema funcione melhor em seu conjunto, na sua totalidade. Tal consenso refere-se também à aceitação aparente da mudança e partir do conflito, ou seja, objetiva-se o consenso e o controle das classes “ditas” contestatórias. Assim afirma Barbosa (2008) “ O Estado se impõe na condição de comunidade dos homens, está sempre vinculado à classe dominante e constitui o seu órgâo de dominação”.

A ideologia dominante nas suas mais variadas formas se instalou definitivamente dentro do corpo da sociedade e permanece imutável, favorecendo o agravamento e a produção de mazelas sociais. O descaso do poder público com a educação, as desigualdades sociais, a violência são frutos do poder e do capitalismo e as consequências são as crises na vida cotidiana de milhares de pessoas.

Sendo assim, é importantye aqui questionar: o que são questões sociais? Quais são as questões sociais visíveis? Nesse sentido, determina-se como questão social os problemas que transcendem a vida do indivíduo, que estão presentes nas suas relações como explica Tomazzi apud Barboza (2008):

(...) considera que, se, numa cidade de 100 mil habitantes, somente um home está sem emprego, isso é seu problema pessoal, entretanto, se, em uma nação com 50 milhões de trabalhadores não encontram emprego, configura-se uma questão pública, que não pode ser resolvida da mesma forma como se resolve um problema individual.

Aqui se configura novas demandas para a questão social, pois verifica-se, muitas são as questões que derivam do servico social, que ao mesmo tempo requisita a compreensão do significado das novas questões propostas para os assistentes sociais.

A relação entre servico social e a questão social se insere nessa discussão a partir da análise histórica em que a sociedade a qual participamos nasceu da crise da sociedade feudal, que consequentemente não aboliu a escravidão e carrega traços e mazelas irreparáveis ao longos dos séculos.

Segundo Barboza (2008), ao longo de nossa história, as diferenças sociais e pessoais têm sido transformadas em desigualdades e os indivíduos rotulados dentro de uma escala que vai do inferior ao superior, tendo como parâmetro sua condição social.

O homem por ser um ser social, e na medida em que realiza suas relações sociais, tendo a efetuar conquistas fantásticas na era tecnológica, no campo humano, mas mesmo assim este mesmo homem sofre com a desumanização que a cada dia se enraiza nas sociedade globais. Assim, que perspectivas temos do processo de construção da cidadania do indivíduo hoje na sociedade?

Atualmente constatamos que a questão social se configura como um dos graves problemas enfrentados pelos paíse no mundo todo. Nesse todante, o desemprego no atual momento contemporâneo, aparece como agravante no que se refere à melhoria das condições de vida do povo. A importância do trabalho para a vida de cada cidadão é algo reconhecível, real. Porém, a sociedade como se encontra configurada, determina que no grande mercado capital todos são iguais, mas na produção são diferentes, ou seja, alguns são proprietários da produção e outros são os trabalhadores, parcela essa explorada.

Para Barboza (2008, p. 145):

A fragilidade da consciência social dos profissionais e a ausência de metodologias especifica, decorrente de pouco mais de um decênio de existência, tornam a participação nestes programas, a concretização do aprimoramento dos procedimentos de intervenção, incorporando os progressos do Serviço Social norte-americano que, desde 1929, segundo Martinelli (2007), havia desenvolvido um novo método de trabalho com grupo.

Todavia, as intervenções demonstradas no aparato social, pelos profissionais Assitentes Sociais configurava atuações isoladas e separadas da estrutura social, ou seja, era preciso intervir, mas sem contradizer interesses dominates e de reprodução social.

Aqui se faz necessário enfatizar a corrente filosófica que anesteziou os assistentes sociais durante muito tempo. A posição ideológica considerada “funcionalista” tinha como objetivo a neutralidade, que para o sistema da época, consistia na aceitação do sistema vigente. Nesse período histórico, as Escolas de Serviço social tinha como conteúdo os conceitos de normalidade, anormalidade, ajustamento e desajustamento, uma concepção sociológico que segundo Comte, denomina-se de positivismo.

Necessariamente com o passar dos tempos, já com o advento da industrialização e da urbanização crescente das cidades desencadeia-se nas grandes metrópoloes um crescente aumento da pobreza, requerendo urgentemente formas de intervenção de profissionais. Assim, auamenta-se a clientela dos profissionais de assistência social que passam neste período a serem instrumentos sociais do estado, legitimados a serviço do estado.

A desigualdade e a injustiça enquanto mazelas sociais são uma das questões sociais definidas por Barboza (2008) em que:

No fundo, aquestão sociao brasileira, em sua variadas formas, tem na desigualdade e na injustiça social ligadas à organização do trabalho e à cidadania, seu núcleo orgânico. Resulta da estrutura social produzido pelo modo de produção e reprodução vigentes e pelos modelos de desenvolvimento que o pais experimentou: escravista, industrial desenvolvimentista; fordista-taylorista e de reorganização produtiva (p. 167).

Assim, as desigualdades sociais enquanto questão social teve dois momentos históricos em que tais questões eram tratadas sem nenhuma preocupação essencialmente social: parimeiro na conhecida República Velha, a questão social era tida como “caso de polícia; segundo, já nos anos 30, a qustão social tinha caráter, ou seja, era compreendida como “caso de política”, ambas não foram na sua essência encaradas como questão social a ser resolvida humanamente.

A questão social já nos anos 70 toma outro corpo sob o olhar do serviço social. Novos problemas sociais, novas formas de pobreza, outras formas de exclusão social, aumento gradativo do desemprego, causando enormemente uma vulnerabilidade social em camadas cada vez mais pobres da sociedade. Por esta nova visão, o serviço social passa a conceber a questão social sob uma outra roupagem, sai da percepção da “moral” ainda enraizada nos ideais cristãos, e passa a incorporar métodos de observação e estudo, pesquisas do coletivo social, iniciando assim, uma nova forma de atuar.

Todavia, o serviço social neste novo contexto passa a visualizar sua intervenção a partir dos problemas oriundos do processo de industrialização, vendo o indivíduo como participante do todo da sociedade e não isolado das situações que o oprimiam.

A construção da criticidade a partir das novas análises sobre as questões sociais, bem como suas formas de intervir na roblemática social em que estavam mergulhados, os assistentes sociais atualmente incorporam a luta não mais pela reprodução do poder do estado, mas na defesa de seus usuários, que se encontram mergulhados na questão social.

No atual paradigma social, Barbosa (2008) salienta que:

Como toda categoria arrancada do real, nós não vemos a questão social, vemos suas expressões: o desemprego, o analfabetismo, a fome, a favela, a falta de leitos nos hospitais, a violência, a inadimplência, etc. Assim é que a estão social apresenta-se a nós nas suas objetivações, em situações concretas que sintetizam as determinações prioritáriasa do capital sobre o trabalho, em que o objetivo é acumular capital, e não garantir condições de vida para toda a população (p. 177).

Assim sendo, a partir das expressões visíveis da questão social em nosso meio, a postura do profissional de assistência social enquanto técnico e representante de seus usuários passa a ser de enfrentamento dessa problemática. Necessário se faz uma outra modalidae de intervenção, além da caridade. Nesse sentido, um novo projeto ideológico nasce na luta dos assistentes sociais, a partir do rompimento com o Estado centralizador.

Pois conclui Barboza: (...) “ Esse projeto aponta para o exercício profissional, uma direção social voltada para atender as classes subalternas na defesa de seus direitos, no sentido de garantir a efetivação da democracia e da cidadania “ (2008, p. 207)

Portanto, romper com o assitencialismo, o clientelismo e o autoritarismo que ainda imperam nos mecanismos de poder do Município, do Estado e da União, são lutas essenciais dos assistentes sociais pela implementação de políticas públicas e universalização dos direitos dos usuários.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BARBOZA. Sérgio de Goes. Formação básica: fundamentos teórico-metodológicos e a questão social. Londrina: Editora Unopar, 2008.

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