Por Edinei Messias - Resenha: A psicopedagogia transformando a aprendizagem em prazer

Por Edinei Messias - Resenha: A psicopedagogia transformando a aprendizagem em...

FACULDADE DE ARTES DO PARANÁ - FAT

PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICO E INSTITUCIONAL

RESENHA:

A PSICOPEDAGOGIA TRANSFORMANDO A APRENDIZAGEM EM PRAZER E O PRAZER EM APRENDIZAGEM

Irecê

2011

EDINEI MESSIAS ALECRIM

RESENHA:

A PSICOPEDAGOGIA TRANSFORMANDO A APRENDIZAGEM EM PRAZER E O PRAZER EM APRENDIZAGEM

Trabalho solicitado na disciplina História da Educação no Ensino Superior como requisito avaliativo do Módulo do Curso de Complementação no Magistério Superior.

Irecê

2011

  1. Referência Bibliográfica

BARBOSA, Laura Monte Serrat. A Psicopedagogia transformando a aprendizagem em prazer e o prazer em aprendizagem. In _______A Psicopedagogia no Âmbito da Instituição Escolar. Curitiba: Expoente, 2001. P. 125-130.

  1. Apresentação da autora

Laura Monte Serrat Barbosa é paranaense, nascida em Curitiba, no ano de 1949, cidade que serviu de paisagem para a maior parte de sua vida profissional. Marília e Campinas, cidades do interior paulista, também contextualizaram muito de sua experiência e aprendizagem.

Seus pais, Paulo de Tarso Monte Serrat e Isís Sanson Monte Serrat, contribuíram muito para sua formação e para as atividades que desempenha hoje.

A capacidade de se comunicar com facilidade, de escrever, de estudar, de pesquisar são aprendizagens ligadas, principalmente às atividades desempenhadas por seu pai na comunidade; já a capacidade de criar, de diversificar, de criticar são características que aprendeu com a mãe, hoje artesã e artista plástica; a capacidade de coordenar grupos, de compreender movimentos grupais, pode estar ligada, também, ao fato de ser a segunda prole de 9 filhas, na qual assumia o papel de responsável pelo departamento infantil, composto pelas sete irmãs menores. Sua primeira formação profissional, uma das mais importantes, foi realizada na Escola Normal Prof. Lysímaco Ferrerira da Costa, na qual aprendeu a ensinar. Superada somente pela experiência de ser professora de verdade e de ser mãe, esta formação é até hoje aprimorada no cotidiano.

Além disso, Laura especializou-se no ensino de pessoas deficientes visuais; formou-se em Pedagogia; especializou-se em Psicologia Escolar e da Aprendizagem; fez a formação em Psicopedagogia e em Teoria e Técnica de Grupos Operativos. É Mestre em Educação e já escreveu um livro intitulado “ O Projeto de Trabalho – uma forma de atuação psicopedagógica”.

Laura trabalha na síntese consultórios; é conselheira do Conselho Nacional da ABPp; é docente do Centro de Estudos Psicopedagógicos de Curitiba e de Bueno Aires, Argentina; é professora convidada por várias instituições de ensino superior no país; é voluntária; desempenha as funções de supervisora de profissionais, coordenadora de grupos de estudos, assessora em instituições educacionais e supervisora em uma instituição escolar.

Sua história e o cotidiano da atualidade permitiram que Laura pudesse transformar em livro sua vivência como estudiosa e como fazedora.

  1. Breve síntese da obra

A obra aqui resenhada traça de forma peculiar a concepção psicopedagógica do sentido da aprendizagem aliada às questões do prazer, pois este é o que desperta o desenvolvimento das aprendizagens, movidas sempre pelo desejo. Assim, o homem é um ser biológico, que em contato com a realidade palpável, vai se desenvolvendo culturalmente.

A interação do sujeito com o mundo vai desenvolvendo capacidades e apropriando-se de conhecimentos que o tornará autor de sua própria história. Neste contexto, a aprendizagem é algo que se dá sempre relacionada ao estado anterior em que o sujeito se encontra.

A autora refere-se a Jean Piaget para melhor explicar os esquemas mentais que favorece o processo de aprendizagem. Assim, Piaget sinaliza que a ação de aprender ocorre a partir do desequilíbrio nestes esquemas de aprendizagem já existentes no sujeito. E é na busca do equilíbrio que a aprendizagem verdadeiramente acontece.

Durante muitos anos a aprendizagem foi vista como algo distante do prazer, sempre entendida como necessidade exterior ao sujeito. Também, os castigos, que em muitas instituições de ensino ainda persiste em continuar sendo estratégias de ensinar, se tornaram formas de disciplinar os alunos. Porém, muitos educadores, preocupados com tais questões, pensando em diminuir o tamanho destes sofrimentos, buscaram formas e metodologias que introduzisse o gosto e o desejo na ação de educar.

A partir desta situação, preocupou-se em encontrar pretextos para que o ensino e a aprendizagem, se revestisse enquanto possibilidade agradável para que os sujeitos pudessem aprender com prazer.

A autora ainda salienta de forma importante que desenvolver o prazer pelo ensino não se encontra nas práticas que visa melhorar os instrumentos de ensino, mas mudança do próprio ato de ensinar e aprender. Sendo assim, transformar a aprendizagem em prazer não significa realizar atividades educativas de forma prazerosa, mas descobrir que o prazer está no ato de relacionar o conhecimento com a vida; compartilhar descobertas; integrar ação, emoção e cognição; usar a reflexão sobre o conhecimento e a realidade.

Uma das maiores dificuldades da escola e do educador é criar possibilidades de despertar nos sujeitos o desejo de sentir prazer no ato de aprender. Assim, como o sujeito sentirá prazer se nele não existe o desejo? Aqui nasce a concepção de que é necessário a inquietação como ferramenta de modificação de postura do sujeito. Nesse sentido, a inquietação surge enquanto mecanismo que percebe que existe algo que ainda não se sabe o que realmente é, e que existe uma possibilidade de buscar respostas, diante de dúvidas e incertezas levantadas, por meio de atitudes investigativas.

Uma das grandes tarefas dos educadores seria a de provocar a inquietação. Possibilitar a inquietação num sistema tradicional de ensino, quebrando paradigmas que insiste em não aceitar que alunos ousem, mas que permaneça a reprodução. Nesse tocante, apesar de tantos discursos modernos em educação, provocar a inquietação nos sujeitos, ainda continua sendo o objetivo essencial das nossas escolas.

A Psicopedagogia entra nesta discussão, enquanto área que estuda o ensino e a aprendizagem, como fomentadora da missão escolar de resgatar o prazer pelo aprender. Pois para a psicopedagogia, aprender significa ter condições cognitivas para discutir o conhecimento, condições afetivas para se relacionar a ele, condições criativas para colocá-lo em prática e condições associativas para socializá-lo.

  1. Principais teses desenvolvidas na obra e suas implicações

A obra de Laura Monte Serrat Barbosa, intitulada “A Psicopedagogia no âmbito da instituição escolar”, que traça um pouco da história da Psicopedagogia e seu caminho até as instituições de ensino, focando a escola como fomentadora da parceria com a proposta psicopedagógica.

No que se refere ao ser humano, o sujeito em desenvolvimento, a autora, concebe “a inteireza do ser humano” e a sua relação com a psicopedagogia no âmbito da instituição escolar e consequentemente com a aprendizagem, reforçando que é na interdependência com o meio ambiente que se constrói a sua história cultural. Assim, ainda menciona que a construção cultural do sujeito está atrelada às compreensões de que estes indivíduos são em essência afetivos, cognitivos e sociais e que é na relação estabelecida com a natureza que vai formulando sua produção humana em sociedade. Aqui, o artigo resenhado intitulado “a psicopedagogia transformando a aprendizagem em prazer e o prazer em aprendizagem”, reforçado pela idéias de Piaget, que compreende a aprendizagem enquanto possibilidade de manipulação do objeto. Essa manipulação é o foco do trabalho que exerce influência no desenvolvimento mental das crianças, que atrelada às idéias de Vygotsky, reforça que o educador se torna o mediador entre o sujeito que manuseia e o objeto a ser manuseado, transformando as experiências em conhecimento.

Em outro ponto da obra, Laura traz de forma teórica e prática reflexões sobre a importância do diagnóstico psicopedagógico dentro de instituições escolares, enfatizando o olhar do emergente e do latente, como ferramentas de reflexões que vai desde o sujeito que aprende, ao sujeito que ensina. Nesse tocante, discute-se formalmente a importância do conhecimento e as relações que o processo metodológico, o corpo técnico e administrativo, bem como os familiares, pode favorecer enquanto fomentadores de práticas possíveis de serem realizadas dentro da instituição escolar.

Ainda, a autora traça de forma contundente a importância da Teoria de Pichon-Rivière, que foca o atendimento psicopedagógico em grupo como ferramenta operativa para pais, professores e psicopedagogos adotarem no desenvolvimento de seus filhos e alunos, sendo esta uma ação que parte do ensinar até o aprender nas instituições de ensino e nos grupos pelos quais se interagem.

  1. Avaliação crítica da obra

A obra fornece a compreensão de que o aspecto biológico do sujeito é algo decisivo para a concretização da aprendizagem, bem como o prazer que está interno ao sujeito transforma a aprendizagem em conhecimento de forma significativa.

Com vasto conhecimento sobre o tema, a autora tece reflexões sobre a importância da interação do sujeito com o objeto, para que este conhecimento aconteça e ainda reforça que esta relação se torna significativa quando relacionada aos esquemas mentais anteriores desses sujeitos.

As reflexões descritas pela autora exige em alguns aspectos leitura prévia para sua total compreensão e a releitura de conceitos históricos sobre tendências pedagógicas, emergem a partir da necessidade de esclarecimentos e de posturas dos mais variados pensadores em educação.

De forma clara e focando objetivos específicos, a autora fornece subsídios peculiares para a compreensão do sentido da aprendizagem, impulsionando criticamente maiores reflexões críticas sobre os fundamentos que organizam o conhecimento.

Ao citar alguns exemplos, a autora auxilia na compreensão científica a partir do confronto com idéias de outros pensadores em educação, que de forma significativa auxilia na fundamentação teórica que direcionará pesquisas e trabalhos em educação.

Contudo, ao confrontar com este trabalho, a sua leitura, trouxe o amadurecimento conceitual de aspectos do processo de desenvolvimento do prazer pelo aprender, e acima de tudo criou o gosto e o desejo de reflexões críticas em torno do tema.

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