4.1.INTRODUÇÃO:OSIMPACTOS DO TURISMO

O turismo é um elemento importante associado à globalização, e as suasconsequências, positivas ou negativas, incidem sobre pessoas que não são sujeitospassivos de mudança (Santana, 1997:67). O turismo permite ao local abrir-se aomundo e promover a sua identidade cultural num mundo global, mas esteprocesso não está isento de consequências sobre o emprego, a estrutura deautoridade da comunidade receptora, as práticas sociais (ex.: novos modelos dehospitalidade), os significados das actividades tradicionais ou as relaçõesinterétnicas (Chambers, 2000: 54). O turismo acelera as mudanças, mas o motordas mesmas é a globalização e a exposição às mesmas. Além do mais, podemosafirmar que o turismo não é o único elemento a causar impactos sociais eculturais.Geralmente, pensa-se que o turismo é sempre sinónimo dedesenvolvimento, o que não é totalmente certo, e quando se medem os impactosdo turismo, as estatísticas costumam ser a única forma de os medir, realizando-seafirmações sem explicar o modelo interpretativo (Callejo et al., 2003). Em todo omodelo de impactos, é preciso ter em conta a referência à metodologia e ao modelo

modelos turísticos responsáveis adaptados a cada contexto e com base emindicadores de carga turística (Gascón e Cañada, 2005: 111-115).Nesta linha e de acordo com o modelo de Pearce (1986), os passos a seguirno estudo e planificação dos impactos turísticos seriam:1. Estudar o contexto de desenvolvimento: meio ambiente, sociedade, cultura,economia.2. Testar quantitativa e qualitativamente o desenvolvimento do turismo.3. Realizar previsões futuras de desenvolvimento do turismo.4. Delimitar as diferenças entre o passado e o futuro.Quando falamos em impactos turísticos estes são (Santana, 1997: 69):1.

Impactos económicos

: Custos e benefícios que resultam do desenvolvimento euso dos bens e dos serviços turísticos. Também tem em conta a riqueza indirectagerada, as oportunidades e as desigualdades que possam vir a ser consequentes.2.

Impactos físicos e ambientais

: Alterações espaciais e do meio ambiente.3.

Impactos socioculturais

: Mudanças na estrutura colectiva e na forma de vidados residentes nas áreas de destino, mas também nas relações interpessoais e nosmodos de viver dos visitantes.É destacável não poder esquecer que na realidade social exista uma fusãoentre os tipos de impactos e de certa forma uma divisão artificial (Mathieson eWall, 1990: 11). Este artifício permite-nos considerar analiticamente umfenómeno complexo e multifacetado. Observemos pois de seguida e de formaconcisa, os tipos de impacto do turismo.

4.2. OS IMPACTOS ECONÓMICOS DO TURISMO

O que são?

Manifestam-se nas mudanças da estrutura económica dos destinos, maisconhecidos a nível nacional e internacional, e menos no nível local e regional. Oimpacto económico é fácil de medir em relação aos outros, e temos dados fiáveisdesde 1930.

As características gerais dos impactos económicos são:- Aumento de benefícios económicos nas áreas de destino.- Desenvolvimento de bens e serviços turísticos.- Contributo para a balança de pagamentos.E em termos de custos e benefícios, estes são (Santana, 1997: 71):- Impactos primários: entrada de divisas estrangeiras.- Impactos secundários: contactos do sistema turístico com outros sectores.- Impactos no sector dos serviços: estimulação dos investimentos.De acordo com Figuerola Palomo (1990), os impactos económicos são: A) Os serviços e os atractivos para os turistas.B) O volume e intensidade das despesas dos turistas no destino.C) O nível de desenvolvimento e a base económica da área de destino.D) O grau de reincircularização (re-distribuição) dos ganhos ao interior da áreade destino.E) O grau de ajustamento à sazonalidade da procura turística.Um impacto económico muito importante é o das despesas do turista(Santana, 1997: 74), que se distribuem geralmente entre alimentação,alojamento, transporte, compras e outras.Em linhas gerais, podemos afirmar que os efeitos económicos do turismodependem dos modelos de desenvolvimento adoptados. Dois são os grandesmodelos a considerar: um modelo de economia de dependência face ao turismo eum modelo de economia dual ou poliactiva.O primeiro é um modelo de

"economia de dependência do turismo"

que temo risco de uma maior instabilidade, sazonalidade e pode suplantar os ganhos deoutras actividades tradicionais. Neste modelo, os residentes locais podem perdero controlo sobre os seus recursos e os ganhos podem conduzir-se para o exteriordas comunidades. A dependência do turismo aumenta o subdesenvolvimentoestrutural, a inflação, os preços e as finanças, o descontrolo local sobre o turismo(passa para as mãos de capitais estrangeiros), a desarticulação de sectoresprodutivos tradicionais, e o aumento do consumismo local.

UTAD

O segundo modelo é o de uma

"economia dual ou poliactiva",

isto é, tentaacrescer as receitas e crescimento económico através da procura do equilíbrioentre as actividades turísticas e as actividades produtivas tradicionais. Estaeconomia dual –ou plural- implica um comportamento de adaptação positivo paraa economia local, pois evita excessivas dependências face à actividade turística. Orisco está sempre em que o feitiço se vire contra o feiticeiro. Neste segundo casotambém devemos ter em atenção o conceito de “integração horizontal”, um termoutilizado pelos economistas para definir a coordenação e articulação cooperativaentre actividades e organizações, na procura de objectivos comuns e negociandoas diversidades de interesses.

O turismo e o risco de dependência económica

O turismo é para alguns autores uma forma de imperialismo (Nash, 1992),no sentido em que interesses de sociedades estrangeiras se impõem a umasociedade alheia. Este fenómeno implica a aceitação da imposição por parte dealguns sectores da população. Assim entendido, os efeitos do turismo são (Mathieson e Wall, 1990.

Dependência das novas condições nacionais e internacionais para areprodução, menos auto-suficiência.

Nova estratificação social: classes médias locais ligadas à actividadeturística.

Aparecimento de desequilíbrios sociais e territoriais.

Dependência exagerada a respeito dos hábitos de consumo internacionais,os preços, a disponibilidade energética, etc.

Perda de controlo sobre a terra, os negócios e a rentabilidade.

Principais beneficiários do sistema turístico: operadores turísticos dospaíses geradores, que maximizam os benefícios à custa do endividamentodos outros actores turísticos.

O turismo enquanto gerador de emprego

Quais os tipos de emprego? (Santana, 1997: 76):

1. Emprego directo Hotéis, apartamentos, ... É o que gera mais emprego2. Emprego indirecto Transportes, banca, agências, ...3. Emprego induzido Resultado dos efeitos multiplicadores do turismo (ex.: trocade moeda, comércio,...).

Geralmente, o turismo precisa de serviços que são ocupados por pessoal deidade não superior aos 45-50 anos, mas, apesar do turismo ser um fenómenomundial, a força de trabalho não é toda ela igual, logo podemos colocar asseguintes questões (Mathieson e Wall, 1990):

  1. Quem são os empregados?B) Que tipo de empregos?C) Que grau de especialização?D) Que distribuição geográfica têm os empregos gerados?E) Que investimento de capital requer a criação destes empregos?F) Que contributos têm os empregos para a economia local, regional e nacional?G) Que importância futura tem a actividade turística como geradora de emprego?

4.3. OS IMPACTOS MEIO AMBIENTAIS DO TURISMO

Há cada vez mais consciência do facto de que o turismo gera impactossobre o meio ambiente. Estes podem ser positivos ou negativos, sendo muitoimportante adoptar uma perspectiva relacional entre os humanos e o ambiente.Os turistas, os tipos de turismo e os locais são diversos e o ambiente variasegundo os contextos geográficos e culturais (Vera, 1997).

Impactos sobre o meio ambiente

A maioria dos turistas mora em cidades com um ritmo exigente, compressão externa que conduz à acumulação de tensões. Os turistas vão ao lugar deférias para “esquecer os seus problemas” e variar os padrões de comportamento.Para satisfazer essa necessidade começa a construção de infra-estruturas dealojamento e serviços:“… lo más frecuente y rápido para la promoción de una ciudad turística de playaen España ha sido así: un vecino del pueblo, generalmente ni pescador nilabrador, pone en la planta baja de su casa, situada cerca de la playa, un bar; alaño siguiente levanta una planta y construye habitaciones; al año siguiente

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