Manejo de Pacientes Vítimas de Trauma Raquimedular

Manejo de Pacientes Vítimas de Trauma Raquimedular

Manejo de Pacientes Vítimas de Trauma Raquimedular

Introdução

  • Toda vítima de trauma, a primeiro instante, deve ser considerada como portadora de lesão raquimedular. Uns pacientes sofrem lesões imediatas; em outros a lesão surge em consequencia ao movimento que se faz na coluna (lesão secundária).O TRM é considerado uma das principais causas de morte e/ou sequelas graves nas vítimas traumatizadas. Pacientes com lesão medular têm de 2 a 16 vezes maior probabilidade de morte do que aquelas vítimas de trauma sem esse tipo de lesão.

Dados

  • 48% dos casos são por colisões de veículos automotores;

  • 21% por quedas;

  • 15% Armas de fogo(grandes centros urbanos);

  • 14% atividades esportivas( águas rasas);

  • 2% por outros mecanismos de trauma.

Anatomia

  • A coluna cervical é um conjunto de elementos individuais(vértebras), unidos por articulações e ligamentos que formam um eixo firme, porém flexível. Normalmente encontramos 33 vértebras: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e 4 ou 5 ossículos que formam o cóccix.

TRM – Traumatismo Raquimedular

  • Paraplegia – paralisia de ambas as pernas(lombar)

  • Quadriplegia ou Tetraplegia – paralisia de ambos os braços e pernas(torácicas).

  • Hemiplegia – paralisia do braço e perna do mesmo lado

Manifestações Clínicas

  • Deformidade

  • Edema

  • Laceração ou contusão

  • Paralisia ou anestesia

  • Incontinência

  • Dor

  • Formigamento, amortecimento ou

fraqueza

  • Dor com movimentação

  • Dificuldade de respirar

  • Em casos graves podem ocorrer choque medular, onde há perda temporária da função medular. Isto leva à perda imediata da movimentação e sensibilidade nos segmentos abaixo do local da lesão.

  • Quando a lesão ocorre em níveis cervicais( abaixo de C3), a vítima pode perder a capacidade de expandir a caixa torácica, mas preserva a movimentação do diafragma que tem seus núcleos na coluna alta (C3,C4,C5).

Em casos de TRM mais altos, acima de C3, a apnéia ocorre quase que imediatamente após o acidente, levando a vítima à morte em minutos.

  • Em casos de TRM mais altos, acima de C3, a apnéia ocorre quase que imediatamente após o acidente, levando a vítima à morte em minutos.

  • Nas primeira Torácicas ( acima de T12), ocorre choque neurogênico pela lesão do sistema nervoso simpático(SNS).

Fisiopatologia

  • A equipe de APH( Atendimento Pré-hospitalar) deve descrever os mecanismos do trauma, esclarecendo: tipo de acidente; a posição que a vítima foi encontrada no veículo; se usava sinto; se foi ejetada; enfim, toda cinemática do trauma.

De acordo com a incidência das forças de impacto e movimentos realizados pela coluna, podemos encontrar 7 mecanismos que podem provocar o TRM.

  • De acordo com a incidência das forças de impacto e movimentos realizados pela coluna, podemos encontrar 7 mecanismos que podem provocar o TRM.

Carga Axial- compressão sofrida pela coluna quando a força de impacto é exercida no ápice do crânio.

Hiperflexão- A coluna é exageradamente fletida(mergulho em águas rasas).

Hiperextensão- o crânio tende a estender a coluna para trás(colisões entre face e pára-brisas).

Tração- ocorre quando forças envolvem o traumatismo em posições opostas, caudal e cranialmente( enforcamento em que o peso do corpo distende o pescoço.

Tração- ocorre quando forças envolvem o traumatismo em posições opostas, caudal e cranialmente( enforcamento em que o peso do corpo distende o pescoço.

Rotação- rotação exagerada do pescoço(acidentes do moto).

Rotação- rotação exagerada do pescoço(acidentes do moto).

Ferimentos penetrantes- O tecido nervoso é lesado diretamente( arma de fogo/arma branca).

  • Ferimentos penetrantes- O tecido nervoso é lesado diretamente( arma de fogo/arma branca).

Suspeitar de TRM nos seguintes casos:

· Mecanismo de lesão sugestivo (causas de TRM), mesmo sem sintomas politraumatizado;

· Vítimas inconscientes que sofreram algum tipo de trauma.

· Dor ou deformidade em qualquer região da coluna vertebral.

· Traumatismo facial grave ou traumatismo de crânio fechado.

· "Formigamento" (anestesia) ou paralisia de qualquer parte do corpo abaixo do pescoço.

· Mergulho em água rasa.

Atendimento

  • O atendimento inicial na emergência, deve ser realizado com o paciente na maca da ambulância ou prancha rígida.

  • Nos casos de o paciente receber um adequado atendimento pré-hospitalar, chegando com colar cervical instalado, a imobilização deve ser mantida.

  • O restabelecimento dos SSVV deve acontecer concomitantemente ao exame físico e determinações das lesões associadas.

Avaliação Clínica

1. Anamnese

  • Dor na coluna;

  • Perda de sensibilidade e/ou mobilidade em MM;

  • Perda de consciência secundária ao trauma;

2. Exame físico (ATLS)

  • Respiração abdominal;

  • Priapismo (sem estímulo sexual);

  • Sinal de lesão na face ou pescoço.

3. Exame neurológico

3. Exame neurológico

- Perda de resposta aos estímulos dolorosos abaixo da lesão;

- Incapacidade de realizar movimentos voluntários nos membros;

- Alterações no controle de esfíncteres;

- Choque neurogênico;

- Queda de PA e bradicardia.

Indicações de imobilização

  • 1- Alteração do nível de consciência (Glasgow menor que 15);

  • 2- Dor ou sensibilidade na coluna (deformidade, falta de sensibilidade em um ponto);

  • 3- Déficit ou sintoma neurológico (paralisias bilateral, parcial, paresia, dormência,...);

  • 4- Deformação anatômica.

Técnicas Específicas

  • Ao imobilizar o paciente, o socorrista sempre deve:

1-Alinhar a cabeça do paciente em posição neutra (a menos que haja contra indicação), manter o alinhamento com estabilização manual todo o tempo;

2- Realizar as análises primárias e proceder às intervenções necessárias;

3- Avaliar condições motora, resposta sensitiva e o pulso nas 4 extremidades se as condições permitirem;

4- Examinar o pescoço e aplicar o colar cervical ideal;

5- Dependendo da situação, colocar em prancha curta, ou longa e colete de imobilização;

6- Imobilizar o tronco de modo em que não mova para cima, para baixo, esquerda ou direita;

7- Avaliar a necessidade de acolchoar a área que se encontra atrás da cabeça, em adultos, ou do tórax em crianças;

7- Avaliar a necessidade de acolchoar a área que se encontra atrás da cabeça, em adultos, ou do tórax em crianças;

8- imobilizar a cabeça do paciente no dispositivo, mantendo posição alinhada neutra;

9- com o paciente em prancha longa, imobilizar as pernas para evitar movimentos anteriores ou laterais;

10- Fixar os braços na prancha longa;

11- Reavaliar a análise primária e as funções motora, sensitiva e a pulsação nas extremidades, se as condições do paciente permitir.

Erros mais comuns

  • 1- Imobilização Inadequada;

  • 2- Imobilização com a cabeça hiperestendida;

  • 3-Imobilização da cabeça antes do tronco ou reajuste dos tirantes torácicos após a fixação da cabeça;

  • 4- Acolchoamento inadequado.

Cuidados de enfermagem

  • Identificar a presença das necessidades humanas básicas afetadas nos pacientes internados;

  • Diagnósticos classificados e respectivas intervenções de enfermagem estabelecidas;

  • Restaurar vias aéreas;

  • Ventilação adequada;

  • Controle de hemorragia

  • Atenção ao choque medular ou neurogênico – hipotensão, bradicardia, vasodilatação

  • Imobilização antes mesmo de qualquer mobilização

  • Todos pacientes com suspeita de TRM devem receber O2

  • Lesões cervicais e torácicas podem causar paralisia da musculatura da parede torácica e a respiração ser apenas diafragmática

  • Encaminhar a centro especializado

Referências Bibliográficas

  • Pavelqueires, Shirlene

MAST: manobras avançadas de suporte ao trauma e emergência cardiovascular - Shirlene Pavelqueires, Arlete Aparecida Marçal, Carla Pedrosa Marega Luciano Gomes, Patrícia do Amaral Oishi - 7ª ed.

Marília: Manual do curso, 2009.

278p., 29cm.

1. Enfermagem em Emergência 2. trauma. 3. Protocolo de Trauma e emergência Cardiovascular.

  • ALFARO, D.; MATTOS, H. Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado Básico e Avançado PHTLS. Tradução. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

  • OLIVEIRA, B.F.M.; PAROLIN, M.K.F.; TEIXEIRA Jr, E.V. Trauma Atendimento Pré-hospitalar. São Paulo: Atheneu, 2001.

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