SEMIOLOGIA 03 - Semiologia do Aparelho Respiratório Aplicada

SEMIOLOGIA 03 - Semiologia do Aparelho Respiratório Aplicada

(Parte 8 de 9)

Achados Semiológicos.

O principal sintoma da enfisema é a dispnéia, que pode ser após grandes esforços ou pequenos esforços. Em casos mais graves, a dispnéia acontece mesmo no repouso.

O enfisematoso em geral é magro, não só pelo esforço constante que apresenta para conseguir respirar, mas também pela alimentação com pacimônia, uma vez que refeições abundantes lhe trazem desconforto.

Por meio da inspeção, observa-se a postura e deformação torácica característica do paciente enfisematoso: fácies que demonstra sofrimento crônico; ao sentar-se apóia-se com os braços sobre o leito para facilitar a ação da musculatura acessória; em decúbito-dorsal, apresenta respiração torácica.

Nos portadores de DPOC de grau discreto ou médio, a ausculta pode ser normal. Nas formas graves da

DPOC, tanto o murmúrio vesicular como os roncos e sibilos podem estar inaudíveis ou ausentes. Estertores finos podem estar presentes durante toda a expiração.Na percussão, é claro a hipersonoridade produzida devido ao aumento no volume aéreo intra-pulmonar, caracterizando uma síndrome de hiperaeração pulmonar.

As veias do pescoço distendem-se durante a expiração (diferentemente do que ocorre na ICC, que distendemse durante todo o ciclo respiratório) e se acompanham de pulso paradoxal. As bulhas cardíacas são hipofonéticas ou inaudíveis, por causa do parênquima pulmonar insuflado que se interpõe entre o esterno e o mediastino. O baqueamento digital está por muitas vezes presentes devido à hipoxemia associada.

OBS: Tendo em conta o aspecto geral dos pacientes com DPOC, chama a atenção um grupo de doentes magros e outros gordos. Baseando-se nesta característica, Dornhost e Filley classificaram estes pacientes em dois tipos: o Pink Puffer (soprador rosado), que é o magro, e o Blue Bloater (azul pletórico), que é o gordo.

Pink PufferBlue Bloater

Magro, idoso, longilíneo Fácies angustiada

Dispnéia intensa

Pouca expectoração e infecção

Apresenta aspecto radiológico de enfisema

Gordo, brevelíneo Fácies sonolenta

Expectoração com infecção

Sem evidência radiológica de enfisema

Biótipo: Longilíneo Idade: Idoso

Emagrecimento: acentuado

Face: angustiada

Cianose: ausente

Tosse: discreta

Expectoração: escassa

Percussão: Hipersonoridade

Ausculta: MV diminuídos

Gasometria quase normal

Histopatologia: Panlobular

Prognóstico: Grave

Biótipo: Brevilíneo Idade: Meia-idade

Emagrecimento: ausente

Face: pletórica

Cianose: presente

Tosse: acentuada, periódica

Expectoração: abundante

Percussão: Normal

Ausculta: roncos e sibilos

PA: aumentada.

Histopatologia: Centrolobular

Prognóstico: muito grave

Aspectos radiológicos do enfisema pulmonar. Hipertransparência dos campos pulmonares.

Rebaixamento dos hemidiafragmas.

Alargamento dos seios costofrenicos.

Coração em aspecto comprido entre os dois pulmões.

ASMA Aasmaé uma doençainflamatória crônica caracterizada por obstrução crônica ao fluxo de ar nas vias respiratórias (e não na parte mecânica da respiração, diferentemente da miastenia).

Sua fisiopatologiaestá relacionada ao edema da mucosabrônquica, a hiperprodução de muco nas vias aéreas e a contração da musculatura lisa das vias aéreas, com conseqüente diminuição de seu diâmetro (broncoespasmo)e edema dos brônquios e bronquíolos.

Isto resulta em vários sintomas, como: dispnéia, tosse e sibilos, principalmente à noite. O estreitamento das vias aéreas é geralmente reversível, porém, em pacientes com asma crônica, a inflamação pode determinar obstrução irreversível ao fluxo aéreo. As características patológicas incluem a presença de células inflamatórias nas vias aéreas, exsudação de plasma, edema, hipertrofia muscular, rolhas de muco e descamação do epitélio. O diagnóstico é principalmente clínico e o tratamento consta de medidas educativas e drogas que melhorem o fluxo aéreo na crise asmática e antiinflamatórios, principalmente a base de corticóides e broncodilatadores.

Os principais fatores precipitantes e agravantes da asma brônquica são: alérgenos inaláveis, condições irritantes, condições climáticas, infecções, exercícios físicos, refluxo gastroesofágico e uso de drogas.

Fisiopatologia.

A fisiopatologia da asma está relacionada com o edema de mucosa brônquica; hiperprodução de muco nas vias aéreas; hipercontração da musculatura lisa das vias aéreas; edema dos brônquios; obstrução irreversível ao fluxo aéreo; etc. Esses efeitos associados dificultam a saída do ar rico em

CO2 dos pulmões, o que dificulta a entrada adequada de ar oxigenado.

Achados Semiológicos.

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