Texto - Cabanagem - Uma inversão de mundos - Trabalho acadêmico

Texto - Cabanagem - Uma inversão de mundos - Trabalho acadêmico

(Parte 1 de 2)

1 APRESENTAÇÃO4
2 INTRODUÇÃO5
3 OBJETIVO10
4 METODOLOGIA10
5 RESULTADO E DISCUSSÃO10
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS14

4 1. APRESENTAÇÃO

Este trabalho abordará o tema: Cabanagem – Uma inversão de mundos, do autor Luis Balkar Sá Peixoto Pinheiro, publicado na Scientific American Brasil Amazônia. Trata-se de um resumo de um fato histórico brasileiro inusitado que ocorreu na Amazônia no séc. XIX. A população pobre composta em sua maioria por índios, mestiços e negros, aliados a uma minoria de integrantes da elite branca indignada com as condições que a província do Grão-Pará se encontrava devido ao abandono da região pelo reino de Portugal, revoltaram-se contra o governo local provocando perseguições e mortes. Pessoas de grande influência política regional, contrários ao domínio português mobilizaram uma parcela significativa da população de baixa renda ao movimento que marcou a história política da Amazônia. Este trabalho tem como objetivo analisar os fatos proeminentes e relevantes desta revolta, buscando ressaltar as informações das consequências e ou benefícios causados na sociedade amazônida. O tipo de pesquisa realizada foi a bibliográfica cujas informações são oriundas de revistas, artigos e textos virtuais de historiadores e autores afins com o assunto.

4 2. INTRODUÇÃO

Logo após a proclamação da Independência do Brasil deu-se uma divisão política significativa. De um lado os liberais moderados defendiam uma monarquia forte e centralizada. Por outro lado, os liberais exaltados, representantes das classes médias urbanas e proprietários rurais, desejavam uma monarquia federativa com ampla autonomia provincial. E mais tarde, depois de 1831, ainda havia os restauradores que reivindicavam o retorno de D. Pedro I ao trono brasileiro (Fausto, 2003: 7-78).

A província do Grão-Pará, desvinculada do Maranhão desde 1775, compreendia toda a área Amazônica, abrangendo os atuais estados do Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rio Branco e Rondônia, tendo suas fronteiras externas não exatamente delimitadas. A população concentrava-se nos arredores de Belém, à margem dos rios e igarapés ou em pequenas ilhas isoladas, em lugares secos, longe de inundações periódicas (Reis, 1965:23).

A maioria dos habitantes do norte brasileiro eram índios, vistos como rebeldes pelos poucos colonos que habitavam aquela região. O lugar geográfico onde deu-se a revolta da Cabanagem abrange uma boa parte do litoral paraense, passando pelo arquipélago de Marajó, litoral do Amapá até o baixo Amazonas pelo Tocantins e Xingu, incluindo ainda Santarém e Tapajós e Borba no Madeira, Manaus, além de ter atingido o rio Solimões, Tabatinga e Rio Negro (Reis, 1965: 24).

A Cabanagem paraense se deu dentro de uma estrutura social que não era estável, uma vez que a região estava diretamente, mas fracamente ligada ao Rio de Janeiro. A maioria dos produtos extraídos da região norte era enviada para o Rio Janeiro. A sociedade nortista da época da revolução da Cabanagem era composta principalmente por índios, trabalhadores escravos e os dependentes de uma minoria branca, formada por comerciantes portugueses e alguns franceses e ingleses. Essa minoria branca se concentrava em Belém, com cerca de 12 mil habitantes, e possuía uma pequena produção de tabaco, cacau e arroz (Fausto, 2003: 80).

A Cabanagem paraense foi um confronto entre grupos da elite local, objetivando a liderança da província, abrindo caminho para uma rebelião popular. A partir dessa rebelião é proclamada a independência do Pará. Uma tropa composta por índios, negros e mestiços ataca Belém e conquista a cidade após vários dias de luta. Em seguida a revolta Cabana eclode no interior da província do Grão-Pará. O principal líder dos Cabanos paraenses foi Eduardo Angelim, que tentou organizar um governo alternativo no Pará, atacando os inimigos estrangeiros, promovendo a emancipação econômica e a defesa dos índios e dos escravos africanos (Fausto, 2003: 80).

Os principais participantes da

Revolução da Cabanagem na Amazônia foram os Tapuios ou tapuias negros, mestiços, índios e uma minoria de brancos (Cruz, 1960: 166; Chiavenato, 1984: 12; Fausto, 2003: 80; Ribeiro, 2007: 290). A origem do nome Cabanagem vem do tipo de habitação em que os índios, mestiços e negros habitavam, localizadas normalmente nas margens dos rios da Amazônia e cobertas de palhas de palmeiras. (Alencar, 1979: 131).

Em julho de 1831 estourou uma rebelião na guarnição militar de Belém do

Pará, sendo decretada a prisão de Batista Campos como uma das lideranças. O presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, desencadeou uma política repressora, na tentativa de conter os inconformados. Batista Campos começou a lançar suas críticas, contra o governo. Conseguiu, inclusive, uma pastoral do bispo Dom Romualdo Coelho contra Lobo de Sousa. Nesta altura, chegava ao Pará o jornalista Vicente Ferreira de Lavor Papagaio, vindo do Maranhão a pedido de Batista Campos. Aquele vinha fundar um jornal para fazer oposição à Presidência da Província. O título do jornal, Sentinela Maranhense na Guarita do Pará. Sua linguagem, logo na edição inaugural, foi tão violenta, que Lobo de Sousa ordenou a prisão de Papagaio e Batista Campos.

Em 1834, quando Batista Campos publicou uma carta do bispo do Pará,

Romualdo de Sousa Coelho, criticando alguns políticos da província. O cônego foi logo perseguido, refugiando-se na fazenda de seu amigo Clemente Malcher, no rio Acará, reunindo-se aos irmãos Vinagre (Manuel, Francisco Pedro e Antônio) e ao seringueiro e jornalista Eduardo Angelim. Antes de serem atacados por tropas governistas, abandonaram a fazenda que foi destruída. Contudo, no dia 3 de novembro, as tropas conseguiram matar Manuel Vinagre e prender Clemente Malcher. Batista Campos morreu nos últimos dias do ano.

Em 7 de janeiro de 1835, liderados por Antônio Vinagre, os rebeldes (tapuios, cabanos, negros e índios) tomaram de assalto o quartel e o palácio do governo de Belém, nomeando Félix Antonio Clemente Malcher presidente do Grão-Pará. Os cabanos, em menos de um dia, atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Lobo de Souza e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico. O governo cabano não durou por muito tempo, pois o novo presidente, Félix Malcher - tenente-coronel, latifundiário, dono de engenhos de açúcar - mais identificado com os interesses do grupo dominante derrotado, foi deposto e preso em 19 de fevereiro de 1835. Assumindo a Presidência Francisco Vinagre em 21 de fevereiro de 1835.

Em maio de 1935 chegou ao porto de Belém a fragata “Imperatriz”, enviada pelo presidente do Maranhão, a fim de terminar com o Governo revolucionário. Francisco Vinagre concordou em entregar a Presidência a Ângelo Custódio; mas, sobre pressão de Antônio Vinagre e Eduardo Angelim, recuou.

Em 20 de junho de 1935, na baía de Guajará, aportou outra fragata com o novo presidente do Pará (nomeado pela Regência), Marechal Manoel Jorge Rodrigues fazendo Francisco Vinagre entregar o poder.

Na noite de 14 de agosto de 1835, tiveram início novos combates. A invasão de Belém se deu pelos bairros de São Braz e Nazaré. Desta forma, Belém caía novamente em poder dos revoltosos. Em 23 de agosto as forças legais no palácio foram expulsas e aos 21 anos de idade, Eduardo Angelim assumiu a Presidência da Província do Grão-Pará.

Começa um movimento autofágico, diversos grupos rebeldes começaram a se enfrentar diretamente, recusando as ideias conciliadoras e reformistas de Angelim. Alguns grupos revoltosos compostos por maioria de negros defendiam o rompimento com o Reino Brasileiro, a alforria geral e até mesmo a criação de uma república de negros.

Durante o enfraquecimento do movimento cabano por suas contradições a

Regência armava soldados no Rio de Janeiro e nas principais cidades do Nordeste.

Em abril de 1836 chegava o Marechal Francisco Soares d’Andrea, novo presidente, nomeado pela Regência. Andrea intimou os cabanos a abandonarem Belém, isolando a cidade e impedindo a chegada de suprimentos. Angelim e seus auxiliares negociaram uma anistia, mas sem o apoio popular e sob a pressão das forças do Reino Brasileiro, acabou fugindo para Acará.

A última fase da Cabanagem se deu com a tomada de Belém por Andréa em 13 de maio de 1836. Gradativamente, todas as vilas da província foram reconquistadas. Em meados de 1840 o último grupo do movimento cabano depôs as armas na vila de Borba no rio madeira.

A crueldade da revolução se deu com a repressão desumana dos prisioneiros. Centenas de pessoas foram privadas em porões de navios, onde sucumbiram no calor e fome em poucos dias.

Alguns historiadores relatam que o número de mortos na Cabanagem foi em volta de 40 mil pessoas, cerca de um terço da população total da Província do Grão- Pará.

Os pesquisadores Gusmão (2001:1), Cleary (2002: 15) e Ricci (2007: 6) mostram em suas publicações que a Revolução da Cabanagem que eclodiu em Belém do Pará em 1835, provocou a morte de milhares de pessoas, principalmente de mestiços, índios e africanos pobres ou escravos, mas também dizimou boa parte da elite da Amazônia. O principal alvo dos cabanos eram os brancos, especialmente os portugueses e seus descendentes mais abastados.

Eduardo Angelim e Francisco Vinagre foram deportados por 10 anos para a ilha de Fernando de Noronha, retornando posteriormente ao Pará para reconstruir suas vidas.

3 OBJETIVO

Analisar os fatos proeminentes e relevantes da revolta conhecida como

Cabanagem, buscando ressaltar as informações das consequências e ou benefícios causados na sociedade amazônida.

Explorar documentos que relatam o contexto histórico da Amazônia no século XIX.

4 . METODOLOGIA

A metodologia de pesquisa adotada foi a bibliográfica, analise e comparação de informações provindas de textos de revistas, artigos, blogs e demais documentos virtuais elaborados por estudiosos da área de história.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A designação “Uma inversão de mundos” utilizada no texto referencial deste trabalho está relacionado ao fato do movimento conhecido como Cabanagem ter provocado uma profunda mudança na estrutura social da província do Grão-Pará, escravos surraram senhores e índios recrutados à força atacaram seus comandantes, vestiram suas fardas e assumiram suas patentes (Pinheiro, 1998.).

A Cabanagem é a única Revolução onde o Povo, embora por pouco tempo, assume o poder no Brasil. Ocorreu na Província do Grão- Pará e de acordo com obras oficiais sobre a história brasileira, entre os anos de 1835 até 1840, sendo os maiores envolvidos neste processo histórico a elite portuguesa representada pelos colonos, assim chamados os habitantes estrangeiros que habitavam a região norte, e os subalternos representados pelos índios e a classe de trabalhadores escravos.

A cabanagem era o crescimento do movimento popular contra os portugueses e uma verdadeira independência. A cabanagem era para acabar com a humilhação da escravidão. Eram nativistas, querendo assumir a independência dos portugueses. A luta dos Cabanos era para melhores condições de vida para o povo. Legalidade para o povo, sem arbítrio, para o povo que viveu oprimido aos grandes da época. (Thorlby, 1988: 59).

A Revolução da Cabanagem na Amazônia é vista por Chiavenato (1984) como uma grande revolta política e social, que foi liderada pelo povo oprimido. A ralé ou camada mais baixa da sociedade assume o poder, acabando com quase todo o tipo de opressão, liquidando a hierarquia social vigente naquela época. Embora tenha sido um momento historicamente curto, se realizou no Grão-Pará uma grande rebelião social em prol de melhores condições de vida para o povo oprimido (Chiavenato, 1984:12).

Segundo o historiador Salles (1992: 129-130) a Cabanagem foi uma manifestação de massa, liderada por representantes da pequena burguesia. Para esse historiador, tudo não passou de um episódio secundário, manifestado em circunstâncias especiais, sem nenhuma conotação nacionalista ou patriótica. Ao enfatizar a secundariedade da revolução dos cabanos, ele afirma ainda que a Cabanagem paraense foi um movimento cheio de contradições e limitado aos interesses pessoais e, por isso, também podemos encontrar o verdadeiro conteúdo do movimento nas diversas contradições existentes, que ocasionaram um separativismo político na região Amazônica.

A cabanagem é observada por Del Priore & PintoVenâncio (2006), não apenas como uma revolta política, mas uma guerra de rebeldes que contribuíram para a destruição da população.

Para o pesquisador Harris (2009: 2) da Universidade de Saint-Andrews na

Escócia, uma das principais causas da Cabanagem paraense foi a ocupação das terras da região Amazônica e o monopólio das atividades econômicas, numa época em que inúmeros trabalhadores índios, negros e mestiços não tinham sequer o direito a sepultura, tendo seus corpos jogados para os urubus ou na floresta da amazônica.

Observamos que os autores são unânimes em dizer que a Cabanagem foi uma revolução de índios, caboclos e mestiços em prol de melhores condições sociais, embora alguns autores descrevam ter sido uma disputa de poder entre as elites de origem portuguesa e os dirigentes nacionais. O fato é que historicamente a região amazônica, desde a época de colonização sofreu tanto com as constantes lutas em função do poder, quanto com a formação dos seus habitantes, não só provocando uma significativa mistura de raças mas também grande desequilíbrio político, social e econômico. Como analisa Ribeiro (2007) no livro O Povo Brasileiro, no capítulo O Brasil Caboclo :

A história da região Amazônica é marcada pela violência desde os início de sua colonização, o encontro dos índios nativos com o branco colonizador foi de constantes conflitos, que na maioria das vezes eram ganhas pelos colonizadores, resultando com isso a escravidão do índio Amazônico. (Ribeiro, 2007: 278-279).

A ideologia de uma sociedade mais justa, não agradava na época e certamente não agradaria as gerações autoritárias ou ditatoriais vindouras, nem poderia servir de exemplo para a manutenção da segurança do poder. Era mais cômodo escondê-la, mascará-la como uma guerra feita por bandidos e assassinos do que explicitar suas razões de maneira imparcial, e mesmo na própria época do acontecido. No que respeita a Cabanagem os jornais sugeriram objetivos parcializados pela parte dos historiadores importantes como, por exemplo, Rayol que estava envolvido diretamente em um dos lados, no caso os “legalistas”, e era contrário aos cabanos (Reis, 1965: 35-36).

O descontentamento social foi apenas um dos fatores que levaram à

Revolução dos Cabanos, assim como a independência do Brasil e os ideais de liberdade propagados pela região Amazônica. Mas mesmo antes de tudo isso, os motivos de hostilidade já se ampliavam com um grande clamor pela justiça social e pela liberdade, e que sem nenhuma resposta para essas reinvidicações culminaram numa explosão, a Revolução da Cabanagem.

Di Paolo acredita que não houve uma derrota total dos Cabanos, mas sim o surgimento de uma nova era na Amazônia.

A Revolução Cabana marca o nascimento da “Amazônia Brasileira”, tendo como resultados principais o término do colonialismo português, a desintegração do escravagismo e a consagração da pátria comum: o sangue dos mártires cabanos avermelhou de vergonha o rosto dos colonizadores e os obrigou a adotar, ao menos formalmente, o nome “brasileiro”. (Di Paolo, 1990: 379)

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