ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA PRÉ - HOSPITALAR.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA...

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FACULDADES INTEGRADAS DO EXTREMO SUL DA BAHIA

FREDERICO SANTOS SAMPAIO

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA PRÉ - HOSPITALAR.

EUNÁPOLIS

2012

FREDERICOS SANTOS SAMPAIO

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA PRÉ - HOSPITALAR.

Trabalho acadêmico apresentado à disciplina de TCC II, das Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia, sob. Orientação da professora Maria Cristina.

EUNÁPOLIS

2012

Título

Assistência de Enfermagem no atendimento ao paciente em parada cardiorrespiratória no serviço de emergência pré-Hospitalar.

Problema

O conhecimento técnico – cientifico da equipe de Enfermagem pré-hospitalar esta de acordo com os protocolos internacionais de atendimento do paciente em parada cardiorrespiratória?

Hipótese

Provável despreparo teórico e pratico dos profissionais de enfermagem na assistência pre- hospitalar para o atendimento da parada cardíaca.

INTRODUÇÃO

De acordo Boaventura (2010), a PCR Parada Cardiorrespiratória é considerada como situação onde ocorre um déficit absoluto de oxigenação tissular podendo ser por ineficácia ou cessação da função circulatória ou respiratória, onde o individuo pode encontrar-se com ausência de movimentos respiratórios e do debito cardíaco. Relata ainda que este é um acontecimento com elevado índice de mortalidade, mesmo atendimentos considerados como ideais.

Profissionais de saúde frequentemente tem se deparado com situações que exigem uma ação imediata e rápida, pois podem resultar em risco ao paciente. A parada cardiorrespiratória (PCR) pode ser citada com exemplo, pois as chances de sobrevida após o ocorrido variam de 2% a 49% dependendo do ritmo cardíaco inicial e do início precoce da reanimação. (BELLAN; ARAÚJO; ARAÚJO, 2010)

Para Assunção (2005 apud, Capovilla 2002), a certos princípios que orientam o desenvolvimento técnico cientifico e tecnológico nas ciências voltadas a saúde, e estes estão interligados pela luta contra a morte biológica e o favorecimento da manutenção da vida. Entre todos os eventos e situações que podem contribuir para ameaça a vida dos indivíduos, a mais temida é a parada cardiorrespiratória (PCR).

As doenças cardiovasculares tem mostrado taxas consideravelmente preocupantes de mortalidade no Brasil. A Organização Mundial de Saúde em dados publicados apontam cerca de 341 óbitos por 100.000 brasileiros em 2004,estes relacionados com doenças cardiovasculares, esses números chegam a ser o dobro da taxa de mortalidade por câncer no Brasil no mesmo período, e três vezes mais que a taxa de mortalidade por DCV nos EUA. (DUARTE; FONSECA, 2010).

Bertelli; Bueno; Souza, (1999 apud, ROGOVE et al), realizando seguimento de 6 meses de 774 pacientes que apresentaram PCR observou nesse período mortalidade de 81%.

Costa; Araújo ;Barros (2006), no âmbito do atendimento pré-hospitalar a assistência de enfermagem deve atuar visando a manutenção e preservação da vida contribuindo para a restauração das funções fisiológicas até que o s cuidados definitivos possam ser tomado, se tratando de PCR inicialmente o atendimento consiste na liberação de vias aéreas obstruídas, compressões torácicas, e reversão das seguintes situações: apneia, habilidade motora ineficaz, ausência de pulsação arterial, incapacidade ou ausência respiratória. O enfermeiro de uma equipe de Atendimento Pré-Hospitalar (APH), deve estar apto a identificar um paciente em parada cardiorrespiratória, assim como saber intervir de forma a evitar e/ou reduzir os danos causados pela hipóxia.

Após ter notado a baixa sobrevida dos pacientes que entram em parada cardiorrespiratória, e sendo esta a mais grave emergência clinica que um profissional de saúde pode-se deparar, o meu interesse como acadêmico de Enfermagem foi em saber como um enfermeiro atua frente a PCR.

Este trabalho tem como objetivo mostrar a importância do conhecimento Técnico-Científico da equipe de Enfermagem do Serviço Pré-Hospitalar na assistência ao paciente com parada cardiorrespiratória e seu agir de acordo protocolos internacionais. Para isso faz-se necessário os seguintes objetivos específicos: revisar a anatomia e a fisiologia do coração, conceituar a PCR, apresentar os protocolos internacionais de PCR, conhecer o serviço médico de atendimento Pré-Hospitalar (aspectos históricos), apresentar atuação de Enfermagem em uma parada cardiorrespiratória.

Inserir metodologia

ANATOMIA DO CORAÇÃO

O coração é um órgão oco, composto por músculos, e que funciona como uma bomba contrátil propulsora. Este órgão é formado por um tecido muscular especial chamado de musculo estriado cardíaco que também constitui a sua camada média o miocárdio (DANGELO; FATTINI, 2007).

Considerando suas disposições anatômicas o coração encontrasse na cavidade torácica, estando apoiado sobre o musculo diafragma, próximo da linha média o mediastino; e entre as pleuras pulmonares. Aproximadamente 2/3 de toda a massa do coração ficam dispostos a esquerda da linha média do corpo (SOBOTTA, 2006).

O coração é composto por dois átrios e dois ventrículos que são câmaras internas que são encontradas na cavidade cardíaca, entre os átrios e os ventrículos podem ser visualizados orifícios que serves como orientadores do fluxo sanguíneo e estes são chamados de valvas ( DANGELO; FATTINI, 2006).

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

De acordo Douglas (2006), os vasos sanguíneos formam a árvore circulatória que se inicia, para a circulação maior, na artéria aorta. A sequência geral na disposição dos vasos sanguíneos é artéria, artérias musculares, arteríolas, metarteríolas, esfíncteres pré-capilares, capilares, esfíncteres pós-capilares, vênulas, veias.

Para que se ocorra o ciclo cardíaco normal precisa-se que os dois átrios se contraiam, enquanto os dois ventrículos se relaxem, e vice e versa. A sístole é o termo utilizado para a fase de contração, e a do relaxamento é designada diástole. Um ciclo cardíaco único inclui todos os eventos associados a um batimento cardíaco ( PORTO, 2009).

O coração possui um suprimento nervoso extrínseco, que age sobre o seu tecido nodal e nos seus prolongamentos, exerce controle sobre os vasos coronários, esse suprimento é autônomo aferente e eferente. As fibras parassimpáticas alcançam o coração através do nervo vago, as simpáticas por meio do tronco simpático. Isso faz com que o ciclo cardíaco seja harmonizado no ritmo, força e debito (WILLIAMS et. al, 1995).

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

FISIOLOGIA DO CORAÇÃO

Segundo Douglas (2006), o nó sino atrial é quem determina a ritmicidade normal do coração, pois ele possui alta excitabilidade, a maior nos termos de excitação e condução relacionados ao sistema cardíaco, e isto contribui para que o nó sino atrial seja de extrema importância na fisiologia cardíaca, por isso o ritmo cardíaco é um ritmo sinusal, pois o potencial de ação que gera a contratibilidade do musculo cardíaco se origina do nó sino atrial.

Ainda segundo mesmo autor, o processo contrátil do musculo cardíaco pode se dar apenas por estímulos elétricos que chegam até o miocárdio. Para que se ocorra o fenômeno elétrico é necessário que se tenha uma movimentação iônica, esse deslocamento de íons irá produzir um fenômeno químico nas moléculas musculares, que por sua vez fara o processo mecânico que se da pelo deslizamento e actina com miosina.

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

De acordo Gyton e Hall (2006), o coração é inervado por nervos do segmento parassimpático como também por simpáticos, os nodos sino atrial e átrio ventricular são nervos simpáticos que estão dispostos majoritariamente tanto para a musculatura atrial quanto para a ventricular. Já os nervos parassimpáticos são distribuídos por todas as partes do coração, com representação forte no musculo ventricular, bem como em outras áreas.

O sistema de Punkinje tem seu inicio no nodo sino atrial, esse sistema transmite impulsos numa velocidade cerca de 5 vezes maior em relação a do musculo cardíaco normal. São chamadas vias intermodais todos os vários feixes delicados de fibras de Purkinje que saem do nodo sinoatrial, e estes passam pelas estruturas das paredes dos átrios até chegarem ao nodo atrioventricular, que também se localiza na parede atrial direita. Todo esse sistema de condução através das fibras de Purkinje seve para transmitir o impulso cardíaco de forma rápida pelos átrios, tendo uma pequena pausa no nodo átrio ventricular (GUYTON E HALL, 1988).

Ganong (2006), diz que a única via de condução de impulsos cardíacos entre os dois átrios e os ventrículos se da por modo do nodo AV. É contínuo como feixe de His que da origem a um ramo esquerdo do feixe no topo do septo interventricular e continua como ramo do feixe direito. O ramo do feixe esquerdo divide-se em um fascículo anterior e um fascículo posterior. Os ramos e os fascículos correm subendo cardicamente para baixo por um dos lados do septo e entram em contato como sistema de Purkinje, cujas fibras propagam se para rodas as partes do miocárdio ventricular.

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

ANATOMIA SISTEMA RESPIRATORIO

Para Dangelo e Fattini (2007), os pulmões, esquerdo e direito, estão contidos na cavidade torácica e estão envoltos por um saco seroso, chamado de pleura, tendo forma de cone, apresentam um ápice superior e uma base inferior e possuem as faces costal e mediastinal, e ainda são compreendidos como os principais órgãos do sistema respiratório, por sua vez esses órgãos realizam a captação de oxigênio inalado proveniente do ar atmosférico e desprezam o dióxido de carbono.

De acordo com Dangelo e Fattini (2006), o sistema respiratório apresenta-se dividido em duas porções, condução e respiração, a primeira é compreendida como os órgãos tubulares cuja função é transportar o ar inalado ate a parte respiratória, que encontra-se representada pelos pulmões, e destes conduzir o ar expirado, ocasionando a eliminação CO2. Em suma o ar expirado pelos pulmões é conduzido pela traqueia e brônquios, que realizam apenas a função de condução de ar.

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Segundo Porto (2009), as vias aéreas inferiores são compreendidas como traqueia, arvore brônquica e ductos alveolares.

A laringe é um tubo que fica situado no pescoço em frente ao final da faringe, suas parede são formadas por anéis cartilaginosos, é também conhecida como o órgão da fonação pois internamente possui duas dobras musulomenbranosas chamadas de cordas vocais, onde ocorre a produção da voz (MARQUES; PORTO, 1994).

A traqueia localiza-se no mediastino superior, é representa o tronco da arvore brônquica, sendo bifurcada em seu ângulo esternal em brônquios principais ou primários, que segue um para cada pulmão (MOORE; DALLEY, 2007).

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Em sua estrutura a traqueia é constituída de aproximadamente 20 anéis cartilaginosos incompletos para trás, sendo denominados como cartilagens traqueais. A carina da traqueia é a saliência anteroposterior que ocupa a parte inferior da junção dos brônquios, e esta serve para realizar a separação e acentuação dos brônquios (GUYTON E HALL, 1988).

FISIOLOGIA SISTEMA RESPIRATORIO

Para Ganong (2006), a respiração se da por dois processos, a respiração externa que absorve o O2 e remove o CO2 do organismo, e a respiração interna, que é onde ocorrem as trocas gasosas entre as células assim como a utilização de O2 e produção de CO2.

Chama-se ventilação pulmonar o processo em que o ar contido nos pulmões sofre constantemente e periodicamente renovação. A renovação é realizada pela inspiração onde o fluxo de ar do meio ambiente passa para o interior dos pulmões, ou, ao contrario, onde pela expiração o fluxo de ar sai do interior dos pulmões para o meio ambiente. (DOUGLAS, 2006).

Ganong (2006), ainda diz que a quantidade de ar que entra nos pulmões a cada inspiração (ou a quantidade que sai a cada expiração) é conhecida como volume corrente. O ar inspirado por um esforço inspiratório máximo mais do que o volume corrente é o volume reserva inspiratória. O volume exalado por um esforço respiratório ativo depois da expiração passiva é o volume de reversa expiratório, em quanto ar que permanece dos pulmões depois do esforço expiratório máximo é o volume residual. O espaço das vias respiratórias de condução que é ocupado pelos gases que não participam da troca sanguínea nos vasos é conhecido como espaço morto.

O mesmo autor ressalta que os pulmões são nutridos por dois tipos de circulação, a primeira tem como objetivo nutrir somente alvéolos e ductos alveolares, a principal função desse sistema é condicionar o sangue por meio das trocas gasosas que normalmente se da por grande fluxo e resistência e pressões baixas a nível alvéolo-capilar. A segunda é a circulação brônquica, que realiza a nutrição das estruturas capilares.

As trocas gasosas realizadas pelo sistema respiratório acontecem pela difusão de O2 e CO2 nos tecidos periféricos e no próprio pulmão. O O2 é transferido do gás alveolar para o sangue dos capilares do pulmão e, finalmente, levado aos tecidos, onde se difunde do sangue dos capilares sistêmicos para as células. O CO2 passa do tecidos para o sangue venoso, a partir dai para o sangue dos capilares do pulmão e posteriormente para o gás alveolar, para ser expirado (COSTANZO, 2007).

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

PCR (PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA)

Para Araújo; Araújo (2000) a parada cardiorrespiratória é uma situação inesperada que acontece de forma súbita onde ocorre deficiência absoluta de oxigenação tissular, ou por ineficácia circulatória ou cessação da função respiratória.

CAPOVILLA (2002 apud, Araújo 2000) relata a PCR como a perca inesperada da função respiratória e circulatória associado à deficiência da oxigenação tissular.

A parada cardíaca súbita é o acontecimento com maior índice de mortalidade na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá. No solo brasileiro as doenças relacionadas ao aparelho circulatório são as principais causas de mortes somando (32%), seguidas de causas externas (15%) e de neoplasias (15%) (SARDO; SASSO, 2008).

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