ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA PRÉ - HOSPITALAR.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO AO PACIENTE EM PARADA...

(Parte 2 de 2)

A PCR é considerada com uma situação dramática, que tem altos índices de morbimortalidade, mesmo nas situações onde o atendimento é realizado de forma ideal. Na PCR, o tempo é fator importante, estimativas apontam que a cada minuto que o individuo permanece em PCR, 10% da probabilidade de sobrevida são perdidos ( FILHO, et. al, 2003).

Duarte e Fonseca (2010), dizem que a demora na identificação e na solicitação de ajuda estão relacionados com a relutância em admitir que existe uma emergência ou até mesmo na falta de conhecimento de que uma situação de emergência esta ocorrendo, por isso o diagnostico da parada cardiorrespiratória se faz fundamental para a sucessão de etapas de reanimação.

Bertelli; Bueno; Souza, (1999 apud, ROGOVE et. al) mostram em seus estudos que no que se diz respeito a PCR um tempo maior que 5 minutos é um fator predisponente a mortalidade assim como, curto período de PCR é preditor independente de boa recuperação neurológica. Corroborando com esses resultados (BEREK et al, 2005), apontaram que o mais importante determinante das consequências após PCR é o tempo de anóxia.

Os mesmos autores afirmam que mostra que 20 minutos de isquemia causa lesão cardíaca, e após 40 minutos de persistência dessa condição ocorre dano grave.

Causas da PCR

As causas da parada cardíaca são variadas, podendo ser resultantes de doenças cardiovasculares, traumas, eletrocussão, intoxicação, transtornos metabólicos, dentre outros (FORTES, 2008).

A parada cardíaca pode apresentar-se sob forma de fibrilação ventricular, taquicardia ventricular sem pulso periférico palpável, assistolia ventricular e dissociação (atividade elétrica sem pulso) (PORTO, 2005).

Segundo o mesmo autor na fibrilação ventricular ocorrem apenas movimentos incoordenados dos ventrículos, bastante irregular e totalmente ineficazes, relata que o diagnostico deve ser eletrocardiográfico, mas a ausência de bulhas cardíacas é indicativa desse tipo de arritmia.

A principal causa de PCR, no adulto, é a fibrilação ventricular (FV). Esse distúrbio do ritmo cardíaco é ocasionado por mecanismo de reentrada, ocasionando contrações desordenadas e inefetivas das células cardíacas. É o distúrbio do ritmo cardíaco mais comum nos primeiros dois minutos de PCR, no adulto. Evolui, rapidamente, para assistolia, caso não sejam estabelecidas medidas de SBV . O único tratamento disponível para o controle desse distúrbio do ritmo cardíaco é a desfibrilação ( FILHO, et. al, 2003).

O afirma ainda que a assistolia corresponde à ausência total de qualquer ritmo cardíaco. É a situação terminal. Evidências cada vez mais contundentes apontam que a identificação de assistolia deva corresponder ao término dos esforços, não devendo ocorrer a desfibrilação.

Sobre o termo AESP, foram agrupados todos os outros possíveis ritmos cardíacos, que podem ser identificados numa PCR, excluídos apenas FV/TV sem pulso e a assistolia. Pode compreender ritmos bradicárdicos ou taquicárdicos, com complexo QRS estreito ou alargado, sinusal, supraventricular ou ventricular. O importante é identificar que, apesar de existi um ritmo organizado no monitor, não existe acoplamento do ritmo com pulsação efetiva (com débito cardíaco). ( FILHO, et. al, 2003).

A identificação dessas causas deve ser pautada, exclusivamente, pela história fornecida por acompanhantes, sobre as condições em que a vítima foi encontrada, e por dados de exame físico sumário, executado pelo socorrista ( FILHO, et. al, 2003).

RCP (REANIMAÇÃO CARDIO PULMONAR)

As manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) constituem um conjunto de procedimentos após uma PCR que contribuem para restaurar a circulação de sangue oxigenado ao cérebro até o retorno da circulação espontânea e com isso melhorar o índice de sobrevida e a qualidade de vida das vitimas pós-PCR. (BOAVENTURA, 2010).

Após a PCR, o conjunto de procedimentos que visam ao restabelecimento da circulação de sangue oxigenado para o cérebro e outros órgãos vitais é conhecido como RCP. A iniciação rápida das manobras é critica, visto que se trata de uma medida que melhora a sobrevida desses pacientes. (tratado de cardiologia 2 edicao,carlos v.Serrano jr., ari timerman, edson Stefanini,pag,1713.2009)

De acordo com Assunção (2006 apud Araújo (1999), Araújo, I. e Araújo, S. 2003) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2003), a chance de sobrevivência depende, na maioria das vezes, da aplicação imediata, competente e segura das manobras de reanimação que precisam ser imediatas, cujo objetivo é evitar a lesão cerebral.

Bellan; Araújo; Araújo (2010), ressaltam que com o progressivo aumento na frequência da PCR em áreas não críticas, há necessidade de capacitação de todos os profissionais de saúde, pois a sobrevivência do paciente depende da competência e instituição imediata das manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) .

Suporte Básico de Vida (Basic Life Support - BLS) é um curso criado pela American Heart Association (AHA) que lida com o ensino da emergência cardíaca, particularmente com a ressuscitação cardiopulmonar (MIOTTO et. al., 2010).

A massagem cardíaca externa compreende compressões torácicas, realizadas sobre a porção central do esterno. Tais compressões empurram o esterno para o interior do tórax, comprimindo o coração contra a coluna e favorecendo o seu esvaziamento. São capazes de restabelecer apenas 10 a 20% do débito cardíaco ( FILHO, et. al, 2003).

Ganong (2006), diz que nos pacientes cujo o coração parou ou está fibrilando, o debito cardíaco e a perfusão das coronárias podem ser parcialmente mantidos através de massagem cardíaca. É importante lembrar que, quando o coração para subitamente, as veias pulmonares, o coração esquerdo e as artérias ficam cheios de sangue oxigenado, de modo que a atenção deve ser primeiramente direcionada para a circulação.

A desfibrilação é constituída pela aplicação de corrente elétrica contínua, no tórax, através do coração, em seu maior eixo, cuja finalidade é promover a despolarização simultânea do maior número possível de células cardíacas. Espera-se que, como o nó sinusal é o primeiro a se despolarizar, ele assuma o comando, quando as células se repolarizarem após a desfibrilação ( FILHO, et. al, 2003).

O mesmo autor ressalta que o conceito de desfibrilação precoce, como único tratamento disponível para a FV, fomentou a criação de Desfibriladores Externos Automáticos (DEAs) para levar o recurso ao ambiente pré-hospitalar onde a PCR é mais freqüente.

A decisão de terminar o suporte avançado de vida é individualizada e muito influenciada pelas condições pré-PCR, pela qualidade do atendimento da atual PCR e até mesmo por desejos manifestados pelo paciente antes da perda de consciência(FEITOSA- FILHO et.al., 2006).

ATUAÇÃO DA EQUIPE

Os profissionais da saúde que trabalham no ambiente hospitalar devem possuir conhecimento em suporte básico de vida (SBV) para poder atender prontamente uma PCR e realizar a desfibrilação externa automática caso seja necessária (MOSSESO et al., 2002; MOULE & ALBARRAN, 2002; KENWARD et al., 2002; MATTEI et al., 2002; HALLSTROM et al., 2004; SANTOMAURO et al., 2004). (OVALLE, 2006).

O trabalho dessa equipe, por ser em situação de emergência, é norteado pela questão do tempo que se revela nos discursos como algo importante, onde tudo tem que ser feito rapidamente, com agilidade e precisão. Esse tempo envolve tanto o de reanimação como aquele necessário para que os profissionais cheguem até o local da parada. As falas ressaltam também a necessidade de que o trabalho de reanimação tem que ser feito rapidamente e no momento certo para evitar que o paciente tenha uma sequela, obtendo-se o sucesso da reanimação. (SALOUM; BOEMER, 1999).

O atendimento da parada cardiorrespiratória (PCR) é conhecimento prioritário de todo profissional de saúde, independente de sua especialidade. (FEITOSA-FILHO,2006).

Para Cristina (2006 apud, Liberman et al. 2000), a manobra de ressuscitação cardiopulmonar está sujeito à habilidade técnica cientifica do profissional que intervém na situação, e ainda relata que o sucesso destas manobras está ligado ao tempo entre a PCR e o inicio da execução da RCP.

Almeida (2008), afirma que o déficit de conhecimento técnico-científico podem gerar falhas que tornam cada vez mais frequente a ocorrência de iatrogênica, e com isso o atendimento prestado deixa de ser sistematizado e qualificado.

As habilidades dos profissionais de saúde influenciam na mortalidade e morbidade em RCP, e estão associados ao conhecimento e ao capacidade em executar as manobras de RCP. (MIOTTO et. al., 2010).

A abordagem à vítima de PCR ainda na comunidade e a rápida chegada de socorro médico ou paramédico, são decisivos até a admissão à unidade de pronto atendimento. É essencial que estas unidades médicas disponibilizem profissionais capacitados, treinados e atualizados em procedimentos de reanimação cardiopulmonar, com ênfase no papel do médico no rápido reconhecimento da causa da PCR e do ritmo cardíaco e no uso do desfibrilador externo (DUARTE; FONSECA, 2010).

O profissional de saúde devera estar capacitado para realizar uma avaliação sistematizada, pautada em bases cientificas durante a RCP beneficiando, assim a qualidade da assistência prestada aos pacientes, bem como garantindo respaldo legal das ações desenvolvidas durante o atendimento PCR/RCP (ASSUNÇÃO, 2005).

O treinamento das manobras de RCP deve estar voltado para a aquisição de conhecimento teórico, habilidades práticas e atitudes dos profissionais, trabalhados concomitantemente, e dentro do contexto da prática dos participantes, para facilitar sua atuação (BELLAN; ARAÚJO; ARAÚJO, 2010).

Os mesmos autores ainda afirmam que, a padronização das condutas na RCP ajuda na adoção de linguagem única dos profissionais de saúde para executar as manobras com eficácia.

Duas partes novas nas Diretrizes da AHA 2010 para RCP é a de Cuidados Pós-PCR e treinamento, implementação e equipes. A importância dos cuidados Pós-PCR e enfatizada pela inclusão de um novo quinto elo na Cadeia de Sobrevivência de Adultos. Sendo elas as principais recomendações os cuidados Pos-PCR e Treinamento, implementação das equipes.(AHA 2010)

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO

Segundo (Assunção, 2005 apud Capovilla (2002), das diversas situações de emergência vividas num ambiente hospitalar, a PCR pode ser entendida como o evento de maior gravidade, devido as serias consequências que essa pode acarretar a vida do individuo. Entendendo-se esse evento como um momento peculiar, é imprescindível a atuação do enfermeiro na tomada de decisões rápidas e precisas para garantir o suporte básico de vida e a organização da equipe de atendimento.

Para Saloum e Boemer (1999), o trabalho de reanimação de um doente é partilhado na equipe entre as especialidades, ou seja, o anestesista é responsável pelo acesso às vias aéreas, o cirurgião pelo acesso venoso, o clínico pela administração das drogas e a enfermagem pela monitorização do paciente.

Perante este panorama várias Escolas de Enfermagem englobam nos seus currículos conteúdos para aprendizagem relacionados com o Suporte Básico de Vida (SBV) e o Suporte Avançado de Vida (SAV). No entanto nossa experiência diz-nos que a maior parte dos enfermeiros não se sentem com capacidades efetivas para atuarem em situações de emergência, principalmente em casos de Parada Cárdio-pulmonar (PCP) (SARDO; SASSO, 2008).

De acordo Fernandes et. al. (2010), constantemente a avaliação primaria e o inicio das manobras de RCP ficam sobre a responsabilidade do enfermeiro, portanto é dever do mesmo registrar de forma completa e detalhada as informações pertencentes a ele, exigindo deste profissional competência e conhecimento.

Na formação do enfermeiro, os conteúdos teóricos e práticos relacionados à PCR e manobras de RCP têm sido ministrados de forma superficial, limitados, e muitas vezes não supre as necessidades dos alunos. As dificuldades refletirão na prática do enfermeiro, pois só a experiência profissional não oferece subsídios e embasamentos teóricos suficientes para suprir este déficit (BELLAN; ARAÚJO; ARAÚJO, 2010).

Boaventura (2010) entende que o sucesso no atendimento de uma vitima de parada cardiorrespiratória (PCR) está relacionado às manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) que devem ser precocemente instituídas. Para isso, o treinamento das pessoas que realizarão tal atendimento e a disponibilidade e funcionalidade dos equipamentos de reanimação são primordiais.

Para que a RCP seja bem sucedida, a equipe de enfermagem envolvida necessita ter conhecimento cientifico, treinamento de habilidades técnicas, trabalho harmonioso e sincronizado, o que pode garantir a recuperação do paciente (ASSUNÇÃO, 2005).

ASPECTOS HISTORICOS DO ATENDIMENTO PRÈ- HOSPITALAR NO BRASIL

Em 1975, foi publicado o primeiro manual de RCP no Brasil, com o titulo “Manual de Ressuscitação Cardiopulmonar” pelos Drs. Ari Timerman e José Feher. Com a co-autoria de Peter Safar, considerado por muitos o “pai” da reanimação cardiopulmonar cerebral,o primeiro livro texto sobre RCP, em português, foi publicado em 1981 ( JR;TIMERMAN; STEFANINI, 2009).

Segundo o mesmo autor a primeira Comissão Nacional de Ressuscitação e Emergências Cardíacas foram constituídas em 1986, no Congresso Brasileiro de Cardiologia, em Belo Horizonte.

O atendimento de urgências e emergências em nosso país segue os padrões de avaliação e tratamento inicial dos pacientes dos pacientes vitima de trauma desenvolvido pelo Colégio Americano de Cirurgia dos EUA, que tem o seu programa ATLS-Advanced Trauma Life Suport disseminado em diversos países da América Latina e do mundo. Tem como foco o atendimento na primeira hora após o trauma, estabelecendo as avaliações e intervenções de forma ordenada, dando prioridade ás lesões que colocam em risco a vida do paciente (FORTES, 2008).

De acordo com a PORTARIA Nº 2.026, DE 24 DE AGOSTO DE 2011 em seu Art. 2º considera o SAMU 192 como um componente assistencial móvel da Rede de Atenção às Urgências que tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras) que possa levar a sofrimento, a sequelas ou mesmo à morte, mediante o envio de veículos tripulados por equipe capacitada, acessado pelo número "192" e acionado por uma Central de Regulação Médica das Urgências.(MINISTERIO DA SAUDE Aprova as diretrizes para a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e sua Central de Regulação Médica das Urgências, componente da Rede de Atenção às Urgências)

No DECRETO N°5.055, DE 27 DE ABRIL DE 2004, institui nos municípios e regiões do território nacional, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU, visando a implementação de ações com maior grau de eficácia e efetividade na prestação de serviço de atendimento à saúde de caráter emergencial e urgente. Para fins do atendimento pelo SAMU, fica estabelecido o acesso nacional pelo número telefônico único – 192, que será disponibilizado pela ANATEL exclusivamente às centrais de regulação médica vinculadas ao referido Sistema.( Institui o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU, em Municípios e regiões do território nacional, e dá outras providências).

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