Doenças de Bovinos

Doenças de Bovinos

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Doenças de bovinos

Autoria: Wallace Vieira Contato:wallacevieira.zoo@gmail.com Fonte: HTTP: w.valle.com.br

1. Carrapatose5
1.1. Carrapato do bovino5
1.1.1. Como reconhecer5
1.1.2. Como tratar6
1.1.3. Como evitar6
1.2. Carrapato dos equídeos6
1.2.1. O que é6
1.2.1.1. Anocentor nitens6
1.2.1.2. Amblyomma cajennense7
1.3. Como reconhecer7
1.4. Como tratar7
1.5. Como evitar7
2. Aborto9
2.1. Como reconhecer9
2.2. Como tratar9
2.3. Como prevenir10
3. Acidente Ofídico (Picada de Cobra)10
3.1. Como reconhecer10
3.2. Como tratar1
3.3. Como evitar1
4. Acidose1
4.1. Como reconhecer12
4.2. Como tratar12
5.1. Como reconhecer14
5.2. Como tratar14
5.3. Como evitar14
6. Actinomicose14
6.1. Como reconhecer14
6.2. Como tratar15
7. Berne15
7.1. Como reconhecer15
7.3. Como evitar16
8. Bicheira16
8.1. Como reconhecer17
8.2. Como tratar17
8.3. Como evitar18
9. Botulismo18
9.1. Como reconhecer19
9.2. Como tratar20
9.3. Como evitar20
10. Brucelose20
10.1. Como reconhecer21
10.2. Como tratar21
10.3. Como evitar21
1. Carbúnculo Sintomático2
1.1. Como reconhecer2
1.2. Como tratar2
1.3. Como evitar2
12. Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina (CIB)23
12.1. Como reconhecer23
12.2. Como tratar23
12.3. Como evitar23
13.2. Como tratar25
13.3. Como evitar25
14. Dermatofilose26
14.1. Como reconhecer26
14.2. Como tratar27
14.3. Como evitar27
15. Dermatomicose27
15.1. Como reconhecer28
15.2. Como tratar28
15.3. Como evitar29
16. Diarréia Viral Bovina (BVD)29
16.1. Como reconhecer30
16.2. Como tratar30
16.3. Como evitar30
17. Vacinação31
17.1. Vacinas Inativadas31
17.2. Vacinas Atenuadas31
18. Diarréias31
18.1. Como reconhecer3
18.2. Como tratar34
18.3. Como evitar35
19. Doença Digital Bovina (DDB)35
20. Edema Maligno - Gangrena Gasosa36
21. Eimeriose ou Coccidiose37
2. Encefalite por Herpesvírus Bovino - Tipo 539
23. Enterotoxemia40
24. Febre Aftosa41
25. Febre Catarral Maligna42
26. Fotossensibilização43

13.1. Como reconhecer ............................................................................ 24 27. Hemoglobinúria Bacilar (HB) ............................................................. 45

29. Intoxicação por Uréia48
30. Intoxicações50
31. Laminite52
32. Leptospirose53
3. Leucose Bovina5
34. Língua Azul56
35. Listeriose58
36. Mosca-dos-chifres59
37. Neosporose60
38. Onfalites61
39. Papilomatose62
40. Pneumonias63
41. Poliencefalomalácea (PEM)65
42. Raiva6
43. Reticuloperitonite Traumática68
4. Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR)69
45. Tétano71
46. Toxoplasmose73
47. Tricomonose74
48. Tristeza Parasitária Bovina75
49. Tuberculose7

1. CARRAPATOSE

Carrapatose é uma das parasitoses mais importantes que afetam os rebanhos brasileiros é a carrapatose, que causa enormes prejuízos ao produtor e grande desconforto para os animais, prejudicando o seu desenvolvimento e produção.

Em geral, cada carrapato tem afinidade com o hospedeiro que parasita, por exemplo, a espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus é parasita dos bovinos, o Rhipicephalus sanguineus tem predileção pelos canídeos e o Amblyomma cajennense parasita os equídeos. Entretanto, o A. cajannense não é tão específico como o Boophilus sp. e o Rhipicephalus sp., podendo parasitar muitos hospedeiros, incluindo os bovinos e o homem.

1.1. Carrapato do bovino

O que é

No Brasil, a espécie Rhipicephalus microplus, ocorre em praticamente todas as regiões, devido às condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. Esses ácaros causam muitos prejuízos aos seus hospedeiros, por ação direta espoliadora de ingestão de sangue ou por lesões na pele dos animais, nos locais de sua fixação. Neste último caso, facilita a instalação de miíases (bicheiras) e podem servir de porta de entrada para bactérias que infeccionam o local, e conseqüentemente ocorre a desvalorização do couro pelas imperfeições que apresenta. Causa perda de apetite em função da irritação, anemia e transmite doenças como a Tristeza Parasitária.

São também responsáveis por elevados custos indiretos com produtos carrapaticidas, mãode-obra e equipamentos necessários para o seu controle e, além disso, estes produtos tóxicos podem causar sérios danos aos animais, ao homem e ao meio ambiente. As estratégias de ação fundamentam-se no conhecimento da biologia do parasito (ciclo de vida), sua relação com o meio ambiente e os hospedeiros e os instrumentos disponíveis para o controle (carrapaticidas, manejo, etc.).

No Brasil, as perdas econômicas causadas pelo carrapato Rhipicephalus microplus no ano de 1983 estavam na ordem de 1 bilhão de dólares. Atualmente, estima-se que, com o aumento do rebanho bovino, este prejuízo tenha dobrado de valor.

1.1.1. Como reconhecer

O diagnóstico da doença se faz pela constatação da presença dos carrapatos. Os animais parasitados tornam-se inquietos e não se alimentam satisfatoriamente. Ocorre então emagrecimento, queda na produção de carne e leite, irritação da pele no local da picada e anemia em decorrência da perda de sangue.

1.1.2. Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização, aspersão ou imersão (piretróides, organofosforados e amidinas), pour on (piretróides, organofosforados, avermectinas) ou injetáveis (avermectinas e milbemicinas) e derivados dos fenilpirazóis (fipronil).

1.1.3. Como evitar

Através da realização do controle estratégico, evitando-se o uso de tratamentos curativos realizados de forma indiscriminada, que geram o aparecimento de cepas de carrapatos resistentes às drogas. O controle estratégico deve ser empregado de acordo com os dados epidemiológicos de cada região. Não é conveniente que os carrapatos sejam totalmente eliminados numa propriedade. Deve-se manter um nível tolerável de infestação que proporcione equilíbrio entre a resistência do animal e as doenças por ele transmitidas.

Para manter o parasita em nível satisfatório é necessário estabelecer uma estratégia de controle, concentrando os banhos carrapaticidas (3 a 6 banhos/ano com intervalos de 19-21 dias entre eles) no início da estação chuvosa. No início da aplicação do controle estratégico na propriedade podem ser necessários tratamentos táticos quando a infestação por carrapatos fêmeas adultas for maior do que 10 a 20 em um dos lados do corpo do animal, dependendo de sua raça e faixa etária. Podem ser usados também produtos inibidores do crescimento (Fluazuron). A vacina associada a produtos químicos também é uma estratégia de controle.

1.2. Carrapato dos equídeos 1.2.1. O que é

Carrapatos são indiscutivelmente os ectoparasitos de equinos mais importantes no Brasil. Diretamente, eles espoliam o sangue, abrem porta de entrada para miíases e infecções secundárias, irritam os animais e podem causar dermatites. São também vetores dos agentes causais da Babesiose equina (Babesia equi e Babesia caballi), sendo esta doença um fator limitante para o desempenho de cavalos de esporte, além de restringir o comércio internacional desses animais. Pelo menos três espécies de carrapatos são comumente encontradas em equinos no Brasil: Anocentor nitens, Amblyomma cajennense e Rhipicephalus microplus.

1.2.1.1. Anocentor nitens

No Brasil, é encontrado parasitando cavalos e outros equídeos, estando amplamente difundido pelo país. Parasita principalmente o pavilhão auricular, embora possa ser encontrado em outros sítios de fixação como na narina, base da crina, região perineal e ao longo da linha ventral média do corpo. É responsável por muitas doenças, incluindo lesões na orelha como: quebra da mesma (cavalo troncho), miíases e babesiose equina (Babesia caballi).

O parasitismo por A. nitens determina inúmeros prejuízos para os equinos do Brasil, através dos gastos com carrapaticidas e problemas na saúde dos animais. O A. nitens é uma espécie com um único hospedeiro no seu ciclo e quase sempre adota equinos e muares como hospedeiros, mas é algumas vezes encontrado em outros animais como jumentos, bovinos, ovinos, veados e búfalos.

A duração da fase parasitária do ciclo no cavalo é de 24 a 28 dias. Em bovinos, o ciclo do parasito é mais longo que em equinos, ocorrendo o massivo desprendimento de fêmeas de 25 a 36 dias pós-infestação. São observadas 3 a 4 gerações anuais de A. nitens no Brasil, que decorrem de mudanças climáticas e também são devidas ao estado fisiológico do cavalo, dependendo de seu nível de resistência ou susceptibilidade.

1.2.1.2. Amblyomma cajennense

O A. cajennense, o carrapato do corpo dos cavalos, conhecido no Brasil como "Carrapato Rodoleiro" ou "Carrapato Estrela" na sua fase adulta, “Vermelhinho” na fase ninfal e “Micuim” na fase larvar, tem sido considerado como uma praga de importância emergente nas áreas de produção animal, como espoliador dos rebanhos equinos e bovinos e, de saúde pública como importante transmissor da riquetsiose nos humanos (Febre Maculosa). Vários animais domésticos e ampla diversidade das espécies silvestres, mamíferos e aves, podem albergar algum estádio parasitário deste carrapato. O A. cajennense é um carrapato trioxeno, ou seja, necessita de três hospedeiros de espécies iguais ou diferentes para completar seu ciclo de vida.

1.3. Como reconhecer Presença do carrapato no corpo do animal.

1.4. Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização (piretróides)

1.5. Como evitar

Baseado no estudo da dinâmica sazonal das fases parasitárias e não parasitárias, são sugeridas medidas de controle estratégico para A. nitens no Brasil, similarmente àquelas adotadas para B. microplus. Os tratamentos carrapaticidas devem ser mais intensivos na primavera e verão com pulverização de todo o corpo dos equinos, inclusive dentro da narina e da orelha, em intervalos mínimos de 24 dias, cobrindo um período de pelo menos 4 meses ininterruptos no ano. Devem ser utilizados 4 a 5 litros da calda por animal adulto e, após o tratamento, os animais devem voltar para o mesmo pasto. Em muitas propriedades é comum o uso de carrapaticidas tópicos na orelha como única medida de controle de A. nitens. No entanto, este controle tem se mostrado ineficiente, devido às populações encontradas em outras regiões do corpo do animal.

Para o controle do A. cajennense deve-se evitar a presença de pastagens sujas (mato + pastagem). Outra medida recomendada para o controle de A. cajennense é o uso de tratamentos carrapaticidas a cada sete a dez dias, durante o período larval e ninfal de todos os equinos da propriedade, num intervalo máximo de 3 dias para todo o plantel. É também fundamental que os animais sejam retornados ao pasto de origem. Isto porque se espera que cada animal vire uma “armadilha viva” durante o intervalo entre tratamentos.

A dificuldade está no controle da população adulta, pois além de se necessitar de um produto com uma concentração 1,8 vezes superior à concentração indicada para o controle dos carrapatos dos bovinos, na época do tratamento (primavera e verão) temos grande quantidade de éguas em segundo e terceiro estágios de gestação. O uso intensivo e indiscriminado de carrapaticidas neste período pode ocasionar intoxicações e abortos absolutamente indesejáveis para estes animais.

Para controlar estes problemas em rebanhos pequenos, indica-se que, no período de primavera e verão, todas as fêmeas ingurgitadas sejam diariamente retiradas dos animais. Alguns ganhos resultarão desta ação. Em primeiro lugar, para cada fêmea repleta retirada estarão sendo retiradas do campo 5000 prováveis larvas que comporão a geração no ano seguinte. Em segundo lugar, se o controle das fases larval e ninfal forem bem feitos, reduziremos drasticamente a necessidade de banhos carrapaticidas neste período. Em terceiro lugar, a manipulação diária destes animais produzirá um comportamento dócil altamente desejável nos animais do rebanho.

Para o controle do B. microplus nos equídeos a providência imediata que deve ser tomada em um plantel infestado é a prática de separação de pastos destinados aos equinos e aos bovinos. Deve-se ter muito cuidado nas prescrições de carrapaticidas de bases fosforadas ou misturas piretróides + fosforados. Seu uso intensivo pode resultar em quadros de intoxicações em animais e operadores. Por isso, na atualidade, recomenda-se que os programas de tratamento intensivos sejam realizados com produtos das bases piretróides puras na forma de concentrados emulsionáveis para banhos de aspersão ou imersão.

Baseado em todos esses estudos podemos dizer que o meio mais eficiente para evitar a infestação por B. microplus em equinos é criar cavalos completamente separados de bovinos. A infestação por A. cajennense pode ser controlada usando acaricidas recomendados nas dosagens adequadas, mantendo as pastagens uniformes e em condições limpas através da roçagem, pelo menos uma vez ao ano, durante as estações chuvosas (primavera e verão), quando o crescimento da forragem é favorecido. Infestações pelo A. nitens podem ser controladas através da pulverização de todos os equinos com acaricida por todo o corpo nos intervalos corretos e nas diluições adequadas, principalmente no período da primavera e verão.

Métodos eficientes para o combate desse parasita são: Absolut, Ranger, Ranger LA, Ranger 3,5% LA, Lancer LA, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Controller CTO Pour-On.

Produtos Vinculados: Absolut, Ranger, Ranger LA, Ranger 3,5% LA, Lancer LA, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Controller CTO Pour-On

2. ABORTO

O aborto trata-se da interrupção da gestação decorrente de uma infecção placentária e/ou fetal ou fatores ambientais não infecciosos. A determinação das causas do aborto infeccioso é de fundamental importância para o controle sanitário em uma propriedade.

O aborto pode ocorrer por diversas causas, como, por exemplo, os agentes infecciosos ( Brucella sp, Leptospira sp, Mycoplasma sp, Listeria monocytogenes, Haemophilus sp, Corynebacterium pyogenes, Staphylococcus aureus, vírus da língua azul, vírus da febre aftosa, vírus da IBR, vírus da BVD, Neospora caninum, Tritrichomonas foetus , Campylobacter foetus subesp. venerealis, Chlamydophila sp., Aspergillus sp.); fetos com defeitos genéticos, mumificados ou macerados; desequilíbrios hormonais na gestação; toxinas; estresse; uso impróprio de medicamentos; desequilíbrios nutricionais, principalmente de vitamina A, vitamina E, selênio, iodo e magnésio; manejos inadequados (transportes); prenhez gemelar; acidentes traumáticos (porteiras de mangueiros, quando dos apartes e até mesmo os provocados, etc.); intoxicações por nitratos, plantas tóxicas, micotoxinas, etc.; fatores hereditários; hidrocefalia, etc. O feto abortado constitui-se no melhor material para a análise.

O controle de abortos em um rebanho baseia-se no diagnóstico do fator ou fatores responsáveis pelo mesmo. Tal diagnóstico deve ser feito por médico veterinário, se possível com o apoio de um laboratório de análises.

Estudos evidenciam que em 90% dos casos de abortamento com etiologia esclarecida, esta é de origem infecciosa. Assim, o aprimoramento nas práticas diagnósticas em casos de abortamento é elemento chave para se conhecer a(s) verdadeira(s) causa(s) de ocorrência do processo, para a adoção de medidas profiláticas e terapêuticas, possibilitando o aumento da produtividade do rebanho. Na maioria das condições de abortamento são comprometidos o tecido uterino, a placenta e o feto.

2.1. Como reconhecer

Ocorrência freqüente de aborto nos animais da propriedade não é normal. O índice esperado de abortamentos em um rebanho bovino é de 1 a 2%. Índice de 3% é um sinal de alerta, sendo níveis superiores indicativos de processos mórbidos.

2.2. Como tratar

Fazer o diagnóstico da causa do aborto e, se possível, fazer o tratamento adequado.

Geralmente a causa dos abortamentos é múltipla, existindo em alguns casos a associação de diferentes agentes.

2.3. Como prevenir

Definir o diagnóstico da causa do aborto é essencial para determinar o destino da matriz e as medidas profiláticas aplicáveis ao rebanho, caso sejam necessárias para a sua prevenção.

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