Doenças de Bovinos

Doenças de Bovinos

(Parte 4 de 10)

9.2. Como tratar

Não existe tratamento. Para os animais com intoxicação crônica recomenda-se o tratamento sintomático, que visa dar condições, quando possível, para que o animal resista ao quadro clínico apresentado.

9.3. Como evitar

Para evitar o botulismo, três medidas são inevitavelmente necessárias:

1. Vacinação dos animais. A vacina deve ser aplicada em todo o rebanho, em duas etapas, com um mês de intervalo entre as mesmas. Recomenda-se que a primeira dose da vacina seja feita um mês antes das águas e da entrada do animal no confinamento.

2. Mineralização do rebanho, pois a deficiência mineral é o principal responsável pelo hábito dos animais roerem ossos. A mistura mineral deve estar formulada para atender às necessidades da categoria animal para a qual será destinada, de acordo com as condições de solo e pastagens da propriedade. É importante também um correto esquema de distribuição, com cochos em quantidade suficiente (1 metro de cocho para 50 animais, no mínimo), de preferência cobertos ou em local de fácil acesso para os animais (próximos aos bebedouros, em áreas de descanso ou de maior pastejo).

3. Eliminação das fontes de intoxicação, dando aos cadáveres um destino adequado: cremálos e o que sobrar enterrar em local onde os bovinos não tenham acesso (longe de córregos e rios). Fazer um correto armazenamento do feno, da silagem e da ração, a fim de evitar material em decomposição. Evitar o consumo de águas rasas e paradas aos animais. Fazer inspeção e limpeza de bebedouros constantemente.

Produto Vinculado: Botulina, Poli-Star.

10. BRUCELOSE

A brucelose bovina é uma doença infecciosa de caráter crônico, causada pela Brucella abortus. É uma zoonose (doença que é transmitida dos animais para o homem) de distribuição mundial que afeta o sistema reprodutivo dos animais (bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos e cães).

Os principais meios de transmissão da doença são os alimentos contaminados com Brucella sp (pastos, rações, água) por líquidos e tecidos fetais de abortos. A transmissão, também, pode ocorrer pelo sêmen não tratado adequadamente de animal infectado.

A brucelose no homem é de caráter principalmente profissional, estando mais sujeitos a infectar-se as pessoas que trabalham diretamente com os animais infectados (tratadores, proprietários, veterinários) ou aqueles que trabalham com produtos de origem animal (funcionários de matadouros, laboratoristas).

No Brasil, a situação de brucelose não é diferente da maioria dos países. É uma doença endêmica que ocasiona perdas econômicas consideráveis ao produtor e à pecuária nacional. Estudos epidemiológicos e econômicos da doença são escassos, porém, há estimativas de que a doença em bovinos cause queda de 20 a 25% na produção de leite, 15% na produção de carne e 15% de perdas de bezerros por ano, decorrente dos abortamentos, sem contar as perdas genéticas e a desvalorização do rebanho.

10.1. Como reconhecer

Deve-se suspeitar de brucelose em uma propriedade quando há ocorrência de aborto em vacas prenhes a partir do 6º mês de gestação. Outros sintomas ocorrem, como: nascimentos de bezerros fracos ou mortos, retenção de placenta, repetição de cio, metrite, aumento do intervalo entre partos, mastite atípica, infertilidade, queda na produção de leite, aumento de volume nas articulações e inflamação no ligamento da nuca.

Nos touros, a brucelose causa aumento no tamanho de um ou dois testículos com inflamação, causando infertilidade e diminuição do apetite sexual.

10.2. Como tratar A legislação brasileira proíbe o tratamento de animais positivos para brucelose.

10.3. Como evitar

Para a prevenção da Brucelose bovina deve-se obedecer ao programa de vacinação de caráter obrigatório, com uma vacina elaborada com amostra viva atenuada B19 de Brucella abortus, e realizar testes sorológicos que levam ao diagnóstico da doença.

De acordo com o estabelecido pelo Ministério da Agricultura e para cumprimento do PNCEBT, o programa de vacinação, deverá ser feito semestralmente, com duas campanhas anuais, cobrindo assim a maior parte dos nascimentos ocorridos durante o ano, vacinando as fêmeas entre 3 e 8 meses de idade. No Brasil, vacinam-se apenas bovinos.

Outras medidas de controle devem ser implantadas em uma propriedade, como: adquirir animais livres da infecção (teste negativo de brucelose). O ideal é adquirir animais apenas de rebanhos livres da doença; evitar o contato com animais de outras propriedades; descartar filhas de mães infectadas.

Produto vinculado: Brucelina B-19

1. CARBÚNCULO SINTOMÁTICO

Carbúnculo sintomático é uma doença infecciosa endógena, conhecida também como "Manqueira", "Mal de Ano", "Peste de Ano", "Peste de Manqueira", "Quarto Inchado", que acomete principalmente animais jovens (de 6 meses a 2 anos de idade), geralmente bovinos e ovinos, mas também caprinos.

Pode acometer bovinos de até 3 anos de idade, não vacinados ou vacinados há muito tempo, transferidos de áreas onde a doença não ocorre para áreas contaminadas. Pode ocorrer, também, ocasionalmente em bezerros de 2-6 meses de idade. Tem como agente o Clostridium chauvoei presente no meio ambiente. Ele coloniza o intestino dos animais e espalha-se para o corpo através da circulação sanguínea, alojando-se na musculatura. A doença se desenvolve devido à ativação de esporos latentes na musculatura, associada a fatores como traumatismos musculares em geral.

São altas as taxas de acometimento de bovinos em todo o Brasil e com elevada mortalidade, sendo comum a sua ocorrência após as chuvas.

1.1. Como reconhecer

Doença que aparece rapidamente e mata, também sem demora, bovinos de até 2 anos de idade é sugestiva de carbúnculo sintomático, assim como a claudicação (manqueira) e a tumefação (inchaço) crepitante à palpação de grupos musculares, depressão, apatia e febre. O quadro clínico geralmente evolui para a morte do animal que pode acontecer em 1-2 dias.

1.2. Como tratar

Os bovinos afetados podem ser tratados com altas doses de penicilina, mas como a doença tem um curso agudo, a maioria morre apesar do tratamento.

1.3. Como evitar

Vacinar todos os bezerros de 4-6 meses de idade anualmente. Quando se vacina animais antes de 6 meses de idade, uma segunda dose deve ser realizada 30 dias após a primeira.

Todos os animais que morreram acometidos por essa enfermidade devem ser retirados dos pastos, cremados com óleo diesel e madeira e os restos mortais enterrados profundamente para evitar a contaminação dos pastos e disseminação da doença.

Produtos Vinculados: Monovacina, Poli-R, Poli-Star, Polivacina.

12. CERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA BOVINA (CIB)

A Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina, também conhecida por "olho branco", é a doença ocular mais importante dos bovinos. É causada por uma bactéria denominada Moraxella bovis.

Pode apresentar curso agudo, subagudo ou crônico, afetando apenas um ou ambos os olhos, caracterizada por conjuntivite, lacrimejamento e ceratite.

12.1. Como reconhecer

Seus primeiros sinais são lacrimejamento intenso, com corrimento de líquido pela goteira lacrimal e fotofobia, seguidos de opacidade no centro da córnea (mancha esbranquiçada) um a dois dias após, que pode evoluir até ulceração, ocasionando cegueira temporária ou permanente e ruptura da córnea.

A CIB não é uma doença fatal, mas seu impacto econômico é enorme, decorrente da perda da visão, a qual é responsável pela perda de peso, redução na produção de leite, dificuldades de manejo e custo de tratamentos.

12.2. Como tratar

O tratamento consiste na administração de antimicrobianos via parenteral ou em forma tópica no saco conjuntival. Para isso é necessário fazer um antibiograma para saber qual produto é mais efetivo. Esse tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após o aparecimento dos sintomas, como forma de impedir as lesões irreparáveis da córnea. No início da lesão é recomendável a aplicação de corticosteróides juntamente com antibióticos de aplicação tópica no saco conjuntival diariamente, até a cura do animal.

12.3. Como evitar

O controle da doença deve ser realizado através de vacinas que contenham antígenos de fímbria e/ou impedimento da ação dos vetores (moscas). A vacina deve ser aplicada antes do aparecimento dos casos clínicos, em todos os animais do rebanho a partir dos 4 meses de idade. Nos animais primovacinados deve-se repetir uma segunda dose 21 dias após a primeira.

13. CETOSE

A Cetose é uma doença metabólica dos ruminantes que ocorre em consequência de um desequilíbrio energético, com a formação de ácidos graxos por metabolização de gordura que se transformam em corpos cetônicos.

O incremento destes na circulação intoxica o animal e deprime o sistema nervoso central. Geralmente está associada a dois eventos: fêmeas com grande volume abdominal (gêmeos ou crias grandes) e alimentação de má qualidade.

Clinicamente a doença em bovinos (acetonemia) e em ovinos (toxemia da prenhez) ocorre em períodos diferentes do ciclo gestação-lactação, porém o distúrbio que a desencadeia é o mesmo e ocorre em condições de manejo que levam ao estado de balanço nutricional negativo. A Cetose em bovinos é conhecida como Acetonemia e em ovinos como Toxemia da Prenhez.

A doença ocorre pelo aumento das necessidades de glicose no organismo ou pela diminuição brusca da ingestão de carboidratos. Ocorre em vacas de alta produção leiteira em regime de confinamento, geralmente no primeiro mês após o parto quando os animais estão em ótimas condições corporais e são alimentados com rações de boa qualidade.

Em bovinos de corte, ocorre no terço final de gestação de novilhas e de vacas falhadas, que por não terem tido cria no ano anterior, apresentam-se em ótimo estado nutricional no início da seca, sendo a doença desencadeada pela súbita restrição alimentar a que são submetidas e pela escassez de forragem que normalmente ocorre. Em ovelhas, a enfermidade ocorre principalmente naquelas gestantes de dois fetos, criadas em sistema intensivo, usualmente no último mês da gestação, sendo desencadeada por curtos e súbitos períodos de restrição alimentar a que são submetidas, principalmente por erros de manejo.

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