Resenha do Livro : LIVRO: “SER PROFESSOR: UM OFÍCIO EM RISCO DE EXTINÇÃO?”

Resenha do Livro : LIVRO: “SER PROFESSOR: UM OFÍCIO EM RISCO DE EXTINÇÃO?”

(Parte 1 de 2)

Universidade Federal de Roraima

Centro de Ciência e Tecnologia

Componente curricular: Prática de ensino 1 Professora: Maria Lúcia Taveira

LIVRO: “SER PROFESSOR: UM OFÍCIO EM RISCO DE EXTINÇÃO?” (Resenha)

LIVRO: “SER PROFESSOR: UM OFÍCIO EM RISCO DE EXTINÇÃO?” (Resenha)

Resenha apresentada para obtenção de créditos da disciplina Prática de ensino 1, do curso de Licenciatura Plena em Química. Ministrada pela Educadora Maria Lúcia Taveira

1. BIOGRAFIA

Luiza Cortesão, portuguesa e cidadã do mundo, é professora catedrática da

Faculdade de Psicologia e de Ciência da Educação da Universidade do Porto, em Portugal, e primeira presidente do recém-criado (2001) Instituto Paulo Freire daquele país. Graduada em Ciências Biológicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (1954), doutorou-se em Psicologia e de Ciências da Educação da mesma universidade (1988), na área de Inovação e Formação.

Além da docência na graduação e Mestrados em Ciência da Educação, desenvolve vários projetos de pesquisa, sobretudo na área de Educação Inter- Multicultural.

Como consultora, tem prestado serviços a organizações internacionais, como a UNESCO e a OCDE/CERI.

É autora de varias obras e, por um largo tempo, vem desenvolvendo uma profícua parceria com Stephen Stoer, com quem escreveu vários livros.

2. INTRODUÇÃO

O livro trata-se de uma obra tão importante para a reflexão dos educadores brasileiros, envolvendo a contextualização da profissão de professor, incrementando alguns contextos históricos e a problemática que os ameaçam no cotidiano.

A profissão de educador citada nesta obra trata-se de uma fundamentação da análise do ensino quem vem sendo aplicado nas escolas de Portugal, porem tais fatores se confundem muito com a problemática da educação brasileira, podendo aplicar os mesmos parâmetros.

Com pensamento pedagógico contemporâneo de Luiza Cortesão é basicamente a tentativa de respostas para as questões, sobre a “morte do professor” na sociedade contemporânea. A autora constrói uma tipologia dos comportamentos docentes possíveis, deles destacando os que estão, verdadeiramente ameaçados de extinção pelos modernos meios que a tecnologia põe, hoje, à disposição da comunidade de informação.

3.1 POR DETRÁS DO “MAL-ESTAR” EDUCATIVO OU A FLORESTA QUE NÃO DEIXA VER A ÁRVORE

Um dos contributos mais significativos que, dada a sua própria natureza, a

Sociologia na linha da Teoria Crítica tem vindo a proporcionar a quem trabalha em educação consiste no alerta que faz para a importância do exercício de uma constante vigilância crítica: vigilância sobre análises e sobre decisões que, em diferentes níveis, se vão tomando relativamente a diversidade dos problemas que a educação vai tendo de enfrentar.

Numa tentativa de contribuir para a constatação de que este mal-estar é só a ponta(visível) de um iceberg e, portanto, para um compreensão mais ampla e mais profunda destas situações, em um nível que procura ultrapassar as correntes explicações construídas exclusivamente com base no senso comum e que, portato, recorrem à tal “suprema afronta” do “como é óbvio”, ir-se-á-começar por refletir sobre algumas condições do contexto histórico e socioeconômico que enquadram estes problemas.

3.2 O “MAL -ESTAR” EDUCATIVO

Os professores também se sentem mal, e também se interrogam sobre qual é o seu papel nesta escola. Perderam aquilo que, em tempos, foi um “público garantido” submisso, disponível para aprender o que lhe era exigido (ou para interiorizar, humildemente, que não eram capazes de aprender e enfrentar alunos que não gostam de estar na escola, até porque, fora dela, têm acesso a divertimentos e mesmos a fontes de informação muito mais aliciantes do que as que podem ser oferecidas pelos professores. Por seu turno, os professores, mais ou menos pacientemente, geralmente em situações de grande isolamento profissional, tentar manter a ordem, tentam transmitir saberes e explicar as lições que preparam (de acordo com currículos bastantes cristalizados). Procuram ainda classificar os resultados de aprendizagens obtidos pelos seus alunos.

É assim fácil de perceber que o “mal-estar” na escola é uma realidade que, nos diferentes niveis de ensino, tem realmente vindo a aumentar. Parece até ser de prever que aumentará cada vez mais enquanto se mantiver, ou até acentuar, este fosso entre as características, interesses e saberes dos alunos que chegaram à escola e aquilo que professores e instituição escolar oferecem e exigem, em última análise, ou submeter-se a um determinado projeto de modelo de desenvolvimento.

3.3 A “CULPA” DA EDUCAÇÃO – diferentes colaborações solicitações a escola

Todas estas situações evidenciam claramente que, nem a nível do discurso e muito menos a nível da filosofia ou das práticas, nunca nesta época a educação foi encarada em Portugal de forma semelhante ao que se explicitava nos regimes sociais democratas do Norte da Europa Ocidental, como instrumento que poderia e deveria colaborar na construção de uma democracia (aliás totalmente inexistente em Portugal).

Ao contrário, a maior procura que o ensinamento apresar de tudo ia registando era até, oficialmente, constatada com alguma preocupação, pela ameaça potencial de “baixa de qualidade de educação” que este fluxo de alunos poderia desencadear e pelo “sério risco de estrangulamento ou abafamento do escol intelectual” que ele poderia representar.

preocupação de associar a educação a um projeto democrático que nunca existiu

Se considerar, portanto, o período que se segue ao fim da 2ªGuerra Mundial( e aliás aquele que vigorou durante todo Estado Novo), poderá afirmar-se que a

3.4 CRÍTICAS IGUALMENTE VIOLENTAS SOBRE SITUAÇÕES BEM DIVERSAS

Ora, nas polêmicas atualmente travadas sobre educação, e ao contrário do que acontece no Reino unido, ninguém pode acusar a generalidade dos professores portugueses de usarem métodos demasiado progressistas. Por sua vez, os currículos em Portugal sempre foram e ainda são altamente centralizados.

Embora compare situações diversas de nossa realidade, em países europeus, em especial Portugal, as acusações a professores e pesquisadores são as mesmas, tornando suas missões intencionais bastantes perturbados no contexto da educação brasileira.

Quanto às críticas que, no Reino Unido e em Portugal, incidem sobre os investigadores, elas são muito semelhantes.

3.5 O OBJETO DA IRA DE ORIENTAÇÕES NEOLIBERAIS

A “histeria política” abate-se sobre a educação, tentando encontrar nela um bode expiatório para o problema que, afinal, parecem ser de origem bem mais complexa e que são aquelas com que a globalização das economias se debate atualmente.

A crescente ênfase na importância da exigência de orientações reguladoras e disciplinadoras da educação, que só aparentemente iriam reconduzir a escola para a sua vocação uniformizadora e de manutenção de um saber erudito de caráter mais universal. E, para além disso, como se irá também ver, este tipo de orientação poderá construir um contributo para um problema muito grave, anunciado por Lyotard, e que consiste na eminência de um processo de “morte do professor”.

3.6 CONCEITO (VARIÁVEL) DE “BOM PROFESSOR” E DE “EDUCAÇÃO DE QUALIDADE”

Para tentar desenvolver estas questões, para não cair em enganadoras explicações, parece realmente importante proceder ainda a algumas outras análises de problemas que rodeiam a temática central deste trabalho.

A escola tradicional Portuguesa considera-se habitualmente que o bom professor, que em trabalhos anteriores se designou de “professor monocultural”, é aquele que é competente, portanto “sabe”, que domina conteúdos científicos que (arbitrariamente) são considerados curriculamente imprescindíveis. É ainda alguém que explica bem e com clareza, os conteúdos disciplinares, numa ordenação e ao ritmo adequado ao nível etário médio dos alunos.

uma sociedade

Este professor que pretende contribuir para o funcionamento harmonioso do sistema, esperando que o trabalho aí realizado se articule de forma positiva com

3.7 A ANTENÇÃO E A INDIFERENÇA À DIFERENÇA

Recorde-se que com o advento da escola o sistema educativo se propunha pelo menos ao nível da retórica, oferecer situações de igualdade de oportunidade a todas as crianças dos diferentes grupos socioculturais.

Ora, se se pretender que determinada consciência da heterogeneidade (obtida em consequências de identificar a presença de grupos de alunos com características por vezes muito divergentes) ultrapasse um nível em que pouco mais se consegue sublinhar as diferenças que existem, terá que se exigir que ocorram certas mudanças significativas. Terá de se conseguir a compreensão da necessidade de encontrar respostas variadas mais adequadas aos aspectos socioculturais e aos problemas sentidos por cada um desses grupos. Terá, sobretudo de fazer com que esteja atento a relação do poder, sempre complexas, que se estabelecem entre grupos dominantes e minoritários.

Em relação aos conhecimentos, porem, não é suficiente se a escola e os professores estão realmente interessados em não contribuir para uma distribuição desigual do sucesso educativo. Os professores terão de usar esses conhecimentos para repensar formas de trabalhos que possam ir ao encontro dos interesses, que valorizem os saberes, que não desrespeitam os valores, que aproveitam as competências que os alunos sempre tem, seja qual for a sua origem social e étnica, mas que a sociedade e a escola atuais nem aproveitam nem valorizam, e nem aceitam.

3.8 A DUPLA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO

Se trabalharem de acordo com esse tipo de preocupações, e tal como se procurou evidenciar mais desenvolvidamente em trabalhos anteriores, poderá ver-se que os professores ultrapassam claramente o papel que lhes é atribuído.

Tradicionalmente pensava-se ser apenas necessário que explicasse bem, com clareza, os conteúdos bem curricularmente fixados como importantes de torná-los inteligíveis aos alunos. Atribuía-se portanto ao professor somente o papel de tradução, simplificação, ritmagem de recolocação no contexto pedagógico de conteúdos científicos produzidos por outros, sendo, portanto um trabalho desenvolvido por delegação, de estatuto menor. Assim sendo a formação desenvolvia-se de acordo com um quando teórico que lhe é adequado: trata-se de um enquadramento que defende a neutralidade do ato de educativo, que valoriza a estabilidade, bem como a prioridade de manter e transmitir uma cultura erudita e nacional, e que se admite, pelo menos a nível do discurso explicito, a ideia de que a igualdade de oportunidade de acesso e a massificação de ensino constituem uma base adequada e suficiente para garantir a justiça na oferta de um processo de formação normalizador. Este processo de formação visa sobretudo contribuir para o aumento, nos alunos, de competências necessárias para enfrentar o mercado de trabalho.

3.9 QUE PRÁTICAS DO PROFESSOR? – UM POSSÍVEL QUADRO DE ANÁLISE

A fim de se poder abordar a questão da possibilidade de sobrevivência, no contexto atual, da figura do professor tal como ele é concebido tradicionalmente, propõe-se agora que se recorra ao Quadro 3 (pag.80), cuja a estrutura poderá ajudar a que, de algum modo se caracterizem formas de ação do professor na sua prática educativa. Trata-se de um instrumento em que se propõe que para analisar as práticas dos docentes, se considere simultaneamente, o tipo de conhecimento e o modo como se tem acesso ao tal; a forma como ele mobiliza e apresenta esse conhecimento aos alunos a esse conhecimento, propõe-se ainda que se cruzem estes “quê” e “como” com um “onde”.

Os tipos de conhecimentos e os diferentes modos a que o professor poderá recorrer para adquirir esses conhecimentos que vai utilizar nas suas aulas estão, neste quadro, registrados no eixo da reprodução/produção.

3.10 CRUZANDO O “QUÊ”, O “COMO” COM O “QUANDO”

Os professores que produzem conhecimento na sua área disciplinar

(Física, Química, Biologia, História etc.), e este tipo de docente está bastante mais confinado aos professores que fazem investigação no Ensino Superior, poderão geralmente, através de um ensino expositivo, transmitir esses conhecimentos, não tendo grande preocupação em traduzi-los numa linguagem que os descomplexifique, sobretudo porque se encontra num nível de ensino em que é habitualmente aceite, à partida, estar-se entre pares (quer sobre ponto de vista sociocultural quer etário) e em que as preocupações de tipo pedagógico não são tradicionalmente valorizadas.

Mas este poderá ser também o caso do professor universitário, que sendo embora um bom investigador, é, às vezes considerado pelos alunos um professor difícil, incompreensível ou menos inacessível. Porém alguns docentes poderão procurar recontextualizar os seus textos, poderão suscitar a participação dos alunos, abrir-se ao debate com eles, ou recorrer alguma metodologia que lhes ofereçam a possibilidade de terem um certo protagonismo. Poderá tratar-se por exemplo, da situação em que proporciona antes da aula a leitura de textos científicos.

4. ANÁLISE CRÍTICA

A obra analisa questões de produção e reprodução do saber pelos professores e pelos investigadores, ela faz uma relação do atual contexto socioeconômico e cultural inserido no cotidiano. Neste contexto, caracterizado pela complexidade, se apresenta diante das diversidades culturais que se afirmam a um ritmo crescente. Abordando uma análise os possíveis papéis de atuação desses profissionais.

Dando ênfase ao contexto histórico, envolvendo a educação e política na

Europa e em especial em Portugal, a problemática se confunde com as mesmas encontradas no Brasil, também podendo ser relacionadas com a realidade do nosso país (Brasil).

Tais expressões que relaciona o professor são abordadas, como educação bancária (Paulo Freire), professores tradutores (Bernstein), professores treinados de atletas de alta competição (Beurdieu).

A expressão “morte do professor” aborda vários contextos, e situações de possíveis ameaças a profissão, dando uma ênfase em professores de caráter tradicional. Tal situação é baseada na ideia de que o professor seja um instrumento de transmissão do conhecimento; ora, se esse é o papel básico do professor, os tais que adotam de metodologias tradicionais, tais como os professores “expositivos”, estariam ameaçados pela tecnologia, pois a mesma põe hoje, à disposição da comunidade a indiscutível e variável informação.

Não vejo que a tal “morte ao professor” tenha muito respaldo, tendo em vista que um profissional, professor, mestre, educador, tem um papel mais amplo, alem de transmitir o conhecimento, mas o mais importante, o de educar; a educação vai muito mais alem da “educação bancária” de Freire.

A autora aborda um Quadro de análise docente, especialmente aplicado ao ensino superior, porem, o mesmo poderia ser mais didático, pois apresenta uma complexidade para análise. Em alguns capítulos, a autora se ocupa em citar muitas vezes a mesma referencia, dando um “ar” que não estávamos lendo sua obra.

Dentre esses pontos positivos e negativos, o livro tem seu respaldo, tanto nas áreas pedagógicas quanto para reflexões em práticas de ensino.

Fecha o livro com uma indagação, assim como começou um livro, sugerindo ser uma semelhança à utopia; sim uma utopia de ensino, na realidade da problemática, mas também, com vários eixos de sugestões positivas.

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