RSC e Terceiro Setor

RSC e Terceiro Setor

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Art. 18 - Compete ao Conselho Fiscal: I - Examinar os livros contábeis e papéis de escrituração da Associação, o estado do caixa e os valores em depósito, devendo os demais órgãos administrativos fornecer as informações e os elementos que forem solicitados;

I - Lavrar em livro próprio, as atas de seus trabalhos; I - Apresentar anualmente à Assembleia Geral Ordinária, parecer sobre as atividades econômicas da Associação tomando por base o inventário, o balanço e as contas;

IV - Denunciar a Assembleia Geral os erros, fraudes ou crimes que descobrir, sugerindo as medidas que reputar úteis à Associação.

V - Convocar a Assembleia Geral Ordinária se o Presidente da entidade retardar por mais de um mês, a sua convocação, e a extraordinária, sempre que ocorrerem motivos graves e urgentes.

4.2 Práticas de recrutamento, seleção, desenvolvimento de pessoal, etc. – principais desafios.

O recrutamento e a seleção são organizados pela própria instituição. No entanto, segundo relato da presidente, há dificuldades em encontrar no município profissionais para os cursos; isso porque não se trata apenas de ministrar aulas, mas de desenvolver laços de convívio com os alunos. Muitos dos discentes são crianças e jovens em situações de risco ou mulheres com quadro de depressão. “É difícil encontrar profissionais que saibam trabalhar com esse tipo de desafio. Além disso, alguns professores visam apenas à questão financeira. Mas há também aqueles que se engajam, felizmente”, relata Geyirlane.

Para amenizar a dificuldade em encontrar os profissionais certos, ela faz uma capacitação sobre o tema com os novatos, que em alguns casos são trabalhares informais, como as artesãs, por exemplo. “A intenção é que nossos alunos sejam futuros professores da instituição, e já há exemplos desse efeito multiplicador”, afirma a presidente e coordenadora de projetos. Além disso, faz parte da programação mensal as reuniões de gestores na qual são debatidos os resultados e os principais desafios encontrados, bem como o compartilhamento de soluções.

Outra prática interessante no EVAS é permitir que as próprias famílias escolham os temas que serão trabalhados nas palestras com pais/responsáveis e em sala de aula com os alunos. É uma maneira de orientar o trabalho dos professores para ajudar na superação de problemas familiares.

4.3 Programa ou estratégia de gestão empregada (gestão por competências, qualidade total, alianças estratégicas, terceirização, gestão por projetos, etc.) – principais desafios.

A gestão é por projeto. Primeiramente é feita pesquisa de campo para verificação da demanda e elaboração do projeto, em seguida é preciso participar de seleção norteada pelo edital do órgão beneficente. Quando conquistada a aprovação é feita a execução do projeto sempre acompanhando rotineiramente os resultados. “As instituições doadoras também fiscalizam tudo, até o cardápio deve obedecer ao estabelecido no orçamento; o que nós entendemos ser importante para a manutenção da credibilidade junto aos parceiros”, declara Tintin, o idealizador dos projetos.

Além de registrar os avanços de aprendizagem dos alunos, são feitas visitas nas casas dos discentes, quando crianças ou adolescentes, para fazer análise de estrutura familiar e poder fornecer apoio específico aos alunos e famílias. É realizada, ainda, visitas nas escolas dos alunos para coleta de dados sobre o desempenho escolar. “Nós precisamos acompanhar o comportamento dos alunos fora do EVAS para saber se estamos avançando ou não na integração social deles”, diz a psicopedagoga. “Nesse ponto, encontramos dificuldades, já que alguns diretores consideram um trabalho a mais ter de nos fornecer essas informações; alguns reclamam e dificultam nosso trabalho. Ainda falta conscientização”, acrescenta ela.

Ainda sobre os resultados, o núcleo gestor, por meio de reuniões e administração participativa, analisa a resposta da comunidade aos trabalhos e os avanços obtidos. Alguns projetos não são renovados, pois é preciso haver uma boa relação de custo benefício para mantê-los. “É preciso fornecer exatamente aquilo em que a comunidade está disposta a participar”, afirma Tintin.

5 PRODUTOS/SERVIÇOS E PARCERIAS

5.1 Produtos e/ou serviços sociais disponibilizados (processo produtivo e parcela da sociedade alcançada)

Por meio do Educandário Luzia Lopes Gadelha mais de 300 crianças, da Pré-

Escola ao 9º ano do Ensino Fundamental são assistidas com educação em tempo integral. Já no Espaço de Vivência e Apoio Social - EVAS, são realizados os projetos da Associação Beneficente Luzia Lopes Gadelha. Já foram desenvolvidos junto com a comunidade: Projeto Elo, Clube de Mães, Alfabetização de Adultos, Horta Comunitária, Projeto Caldeirão das Artes, Projeto Mulheres em Ação, Projeto Capoeira Olho d’água, Projeto Colônia de Férias, dentre outros.

5.2 Principais usuários ou beneficiários, fornecedores e entidades que atuam na mesma área social.

de vulnerabilidade social

Os usuários são crianças, jovens e mulheres, em especial aqueles em situação 5.3 Principais afiliações e parcerias.

Parcerias financeiras: Convênio de ajuda de custo com a Prefeitura Municipal de Horizonte; Projetos aprovados pelo BNDS; Projetos aprovados pela Unesco; Projetos aprovados pela Coelce; Projetos aprovados pelo Governo do Estado.

Parcerias pedagógicas: Comunidade; Toda a rede de ensino de Horizonte; CRAS e CREAS; Conselho Tutelar;

6 VALORES, TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA 6.1 Autorregulação da conduta (práticas considerando indicadores Ethos)

Declaração de Valores da ABLLG

Cremos: na necessidade de lutar por uma sociedade para todos, que celebre as diferenças, apoie a aprendizagem, o crescimento e que corresponda às necessidades individuais; na conquista de organização indispensável ao desenvolvimento; no seu papel de agente de mudanças humanas; na integridade e propósito de oferecer oportunidades para a redução das desigualdades sociais.

Na didática do Educandário e no EVAS é estabelecida relação de respeito com os discentes e educadores. Geralmente, os alunos destinados à escola são crianças com problemas de aceitação nas demais unidades do município. Portanto faz-se preciso uma educação diferenciada e eficaz. É um trabalho de inserção desses alunos na sociedade.

6.2 Relações transparentes com a sociedade (práticas considerando indicadores Ethos)

As reuniões com a participação da comunidade são utilizadas para divulgar resultados e esclarecer o andamento ou descontinuidade dos projetos. Além disso, as fiscalizações das empresas doadoras são feitas às vistas de todos que frequentam as unidades da associação.

10 7 PÚBLICO INTERNO 7.1 Diálogo e participação (práticas considerando indicadores Ethos)

O diálogo interno é bastante valorizado, tanto com as crianças e jovens, quanto com as famílias. Para isso, mensalmente são realizadas reuniões nas quais são abordadas as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias.

7.2 Respeito ao indivíduo (práticas considerando indicadores Ethos)

Sobre a compreensão e o respeito às pessoas que de algum modo se envolvem com a ABLLG, a psicopedagoga Geyirlane afirma: “O ser humano não é apenas o que observamos num momento, ele é a representação do conjunto de fatores com os quais convive”. Dessa forma, o respeito é colocado como uma das condições para a reintegração dos alunos; seja uma criança com problemas na escola ou uma mulher que enfrente problemas psicológicos.

7.3 Trabalho decente (práticas considerando indicadores Ethos)

Além de fornecer emprego conforme a CLT, a Associação investe em oficinas de capacitação para seus profissionais. O objetivo é promover verdadeiro crescimento pessoal no grupo.

8 MEIO AMBIENTE E COMUNIDADE

8.1 Responsabilidades com as gerações futuras

Provavelmente a maior contribuição da ABLLG é a formação de cidadãos conscientes. Isso também engloba a responsabilidade ambiental praticada e repassada pela instituição.

8.2 Gerenciamentos do impacto ambiental

Alguns dos projetos são voltados exatamente a praticas de reciclagem e confecção de artesanato a partir de garrafas pet, jornais e retalhos. Isso tem efeito significativo na comunidade à medida que acontece o despertar para as possibilidades de empreendimentos e geração de renda com práticas sustentáveis.

8.3 Relações com a comunidade local

Visto que a participação das famílias é uma das condições para a permanência das crianças e adolescentes nos projetos, é estabelecida relativa proximidade com a comunidade local.

9 CONCLUSÃO

9.1 Diagnóstico e impressão geral sobre a ONG (ou OS ou Entidade Filantrópica)

A Associação Beneficente Luzia Lopes Gadelha apresenta-se como instituição fortalecida pelo tempo e pelas parcerias que desenvolve. Para cumprir sua missão de fortalecer a cidadania e minimizar as desigualdades sociais, por meio de uma gestão com foco nos resultados, a instituição tem buscado compreender e solucionar os fatores que levam ao desencadeamento de problemas sociais. A abordagem praticada é ampla e envolve crianças, famílias, escolas e a associação.

9.2 Pontos fortes e pontos fracos / ameaças e oportunidades

Verificamos os seguintes pontos fortes:

Líderes com formação acadêmica voltada para o terceiro setor; Forte laço afetivo entre alunos, funcionários e pais;

Orientação assertiva para os funcionários;

Participação dos pais/responsáveis na elaboração dos planos de trabalho;

 Projetos que incentivam o empreendedorismo local, permitindo

Devido acompanhamento dos alunos no âmbito escolar e familiar, por meio de visitas e preenchimento de fichas; melhoria na qualidade de vida da comunidade; Bons resultados nas fiscalizações das instituições beneficentes;

Recente aprovação de projetos junto ao Governo do Estado;

Gestão participativa e por resultado.

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