A física de Aristóteles

A física de Aristóteles

CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA

FILOSOFIA E HISTÓRIA DA FÍSICA CLÁSSICA

PROF. DR. AWDRY FEISSER MIQUELIN

24 Dez. 2012

FERNANDO NILLSSON CIDADE

FICHAMENTO: A FÍSICA DE ARISTÓTELES: UMA CONSTRUÇÃO INGÊNUA?

PORTO, C.M. A Física De Aristóteles: Uma Construção Ingênua? Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 4, 4602 (2009). www.sbfisica.org.br

Trata-se de um elaborado e sistêmico conjunto de teorias relacionadas ao movimento, de seres (conforme definições de existência), e corpos celestes, porém abrange um âmago central mais amplo e definido no que se refere à física dos movimentos de acordo com Aristóteles, observando uma teoria construtiva sobre a mecânica do universo e da Terra, interagindo com o fluxo deste sistema geocêntrico.

Para Aristóteles, mesmo todo ser sendo constituído de alguma matéria, tal não o define completamente, é a rigorosa percepção das caraterísticas e adjetivos deste ser que fazem deste um princípio determinante para sua definição. Portanto, a matéria era dividida em duas e ambas distintas, uma em que a matéria era a fonte intrínseca da corruptibilidade, ou seja, era a fonte de mutabilidade (potencialidade), existente na realidade sensível terrestre; A outra seria da qual os corpos celestes são feitos e embora não fosse perceptível pelos nossos sentidos não eram dotados desta mutabilidade, eram incorruptíveis.

Também trabalha a questão do movimento estando dividida em modalidades de mudança: Nascimento e destruição, mudanças de qualidade, mudanças de tamanho e deslocamento. Para Aristóteles, toda forma de movimento (mudança) possui uma causa, estabelecida em quatro causas: Causa formal – onde as coisas são de caráter incorruptível, imutável; Causa material – do que é feita a coisa; Causa eficiente – sobre o agente que produz o resultado; Causa final – finalidade da mudança, para que a coisa tende. Intrinsicamente relacionada à passagem daquilo que está em “potência” para o “ato”. O Cosmo aristotélico era compreendido de acordo da qual não era possível existir vácuo, que a natureza não suporta a existência deste, sempre agindo para evitar a formação do vácuo. Também, não aceitava a possibilidade da idéia de uma extensão material infinita, sendo o cosmo aristotélico finito e limitado a uma esfera ligando estrelas e a Terra. O grego Eudoxo definiu o modelo das esferas cristalinas, com um modelo matemático próprio para demonstração das trajetórias celestes. Logo, Aristóteles aperfeiçoou este modelo, elaborando a base da teoria aristotélica dos “movimentos naturais”. Assim, uma vez mudado de seu local natural, as partes tendem espontaneamente a retornar a ele, fazendo movimentos chamados de naturais, no sentido de conformidade a sua natureza, isto se aplicaria a todos os corpos do universo. Como a Terra sendo de matéria pesada seria natural ela cair em direção ao centro do universo, mais assume um movimento antinatural, de subida, de afastamento da Terra, e sua causa não poderia ser encontrada na essência do próprio ser, mas seria exterior. Para explicar isto, Aristóteles dizia que para realizar este movimento existia a interação de uma força externa, exercida por algum outro corpo, definida como movimento violento, sendo assim, o movimento violento era causado pelo éter, pois caso não fosse, a Terra se movimentaria com uma velocidade infinita no vácuo.

Foi somente com o surgimento da astronomia heliocêntrica de Copérnico que a ciência de Aristóteles teve seu cerne fatalmente atingido, com posteriormente o abandono da antiga concepção de mundo, que se mantivera por tantos séculos, e a aquisição de uma nova. Muito desta nova teoria se deve a Galileu que a reinterpretou com a aquisição da inércia dos corpos, portanto, fez-se uso da linguagem matemática para expressar os fenômenos físicos, assumindo um caráter quantitativo. Abandonando também a idéia de Cosmos por um espaço representável por conceitos geométricos abstratos, juntamente com as idéias de algumas causas, formal e final, em prol de uma abordagem mecanicista.

Esta obra é indicada ao universo acadêmico, faz-se necessário o conhecimento prévio de história da ciência, filosofia Aristotélica, e física antiga.

  1. O que ocorreria com o sistema de movimentos se a Terra não estivesse sobre o efeito do movimento violento?

  2. Como que os corpos colidem com a Terra, se esta não está no centro do Universo, sendo este o centro, e por ser considerado como o fogo empurra a Terra para fora, exercendo o nosso planeta o movimento de subida?

  3. O que ocorreria se o Universo realizasse o movimento natural e violento em relação à Terra?

  4. Para Aristóteles, todos os seres estavam sobre os mesmos efeitos de movimento?

  5. Não estaria cada ser interligado com os mesmos movimentos?

  6. Copérnico não leva em consideração a correlação entre seres e os estados de mudanças?

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