Relatório II - Levantamento da medicina popular

Relatório II - Levantamento da medicina popular

(Parte 1 de 2)

Universidade Federal do ABC

Etnofarmacologia - NH1007 Relatório I - Levantamento da medicina popular

Discentes: Bárbara Molina Mourad

Fernanda Veronezi Franzotti

Deise Alves Vitorino Afonso Henrique

Docente: Prof. Dr.º Fúlvio Rieli Mendes

Documentário: “Mestres da Cura”. Questão 1 – Assista ao documentário “Mestres da Cura” e identifique: a) Pelo menos três plantas medicinais e seus usos citados no vídeo.

Algumas plantas medicinais citadas no vídeo foram: aroeira branca que serve segundo os entrevistados contra a diabetes; a babosa que usada ao lavar os cabelos e que atua contra a caspa; o alecrim e a rosa que devem ser utilizados juntos em um banho e agirá contra a constipação.

b) Como você chamaria os entrevistados que aparecem no vídeo? Quais religiões e elementos culturais podem ser identificados?

No documentário, os entrevistados são identificados como: rezadeiras, erveiros, pais de santo de jarê. A religião seria uma variação do candomblé presente em cidades da Chapada Diamantina, notadamente em Lençois. Pode ser considerado um amálgama das nações bantu e nagô, as quais se uniram o culto aos caboclos. Nota-se também a presença de elementos cristãos católicos como as imagens de São Cosme e São Damião.

c) Localize uma das plantas citadas em livros disponíveis e enumere/compare com aquelas citadas no vídeo.

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é uma das plantas citadas no vídeo. Indicado para asma, queda de cabelo, diurético, digestivo, exaustão física e intelectual, febre, feridas, gripe, cansaço, hemicrania, hidropsia, intestino (catarro), reumatismo [1].

Questão 2 – Verificar entre receitas e descrição do uso das plantas medicinais contidas nos livros, diferentes formas de preparação e suas características. Sugira formas de reproduzir estes usos populares em laboratório, dentro da rigidez científica.

Algumas formas de preparação populares são: decocção, tisana, vinho/garrafada, infusão, tinturas, cataplasma, xarope. Ao reproduzir uma decocção, por exemplo, em laboratório, precisa-se pesar a quantidade de planta medicinal a ser usada e medir a quantidade de água destilada também. Colocar a planta medicinal na água e aquecer-se controlando a temperatura de ebulição por um período de tempo. Depois, deixar esfriar e medir a temperatura até atingir a temperatura ambiente. Em seguida, separar a planta medicinal da água, por meio de filtração e armazenar o chá obtido para consumo. Já para tinturas, pesaria também a quantidade de planta medicinal a ser utilizada e mediria também a quantidade do solvente a ser usada. Para se identificar o melhor solvente, se faria testes com vários tipos de solventes, por exemplo. Colocaria num erlenmeyer a planta medicinal e o solvente e vedaria com parafilm. Armazenaria a mistura e após uma semana, filtraria, obtendo-se a tintura.

Questão 3 – Encontre três plantas utilizadas para cada uma das seguintes finalidades: a) Problemas respiratórios (tosse, dor de garganta, asma, pneumonia...).

Alecrim (Rosmarinum officinalis): Com folhas coriáceas e resinosas, o alecrim possuí diversas utilizações dentro da farmacologia, dentre as quais estão o combate a doenças do rim, epilepsia e a estimulação da memória. Para o combate de doenças respiratórias como a asma recomendasse o fumo do alecrim ou a infusão direta após as refeições.

Alfazema (Lavandula angustifólia): Pequenos arbustos perenes que crescem em jardins. São por vezes usados em arranjos por possuírem fragrâncias suáveis e flores púrpuras. Na farmacologia a alfazema pode ser utilizada como antiinflamatória, calmante, carminativa, cicatrizante entre outros. Suas propriedades antipasmódicas ajudam no combate a doenças respiratórias.

Hortelã (Mentha spicata): Ligeiramente aveludada, planta herbácea perene.

Muito utilizada na culinária, extração de seu óleo essencial ou simplesmente cultivada como planta ornamental, é uma das ervas mais utilizadas no mundo. Na farmacologia seu uso é diverso como em flatulência, dispepsias nervosa e útil no combate ao catarro nos brônquios estimulando a expectoração.

b) Problemas gastrointestinais (úlcera, dor de estomago, diarreias...).

Camomila (Matricaria chamomilla): Planta da família das Arteráceas, popularmente conhecida também como margaça, camomila-vulgar, macelanobre, dentre outros nomes. A camomila é um ótimo calmante, cicatrizando além de ser uma poderosa planta medicinal para espasmos e problemas digestivos como úlceras, náuseas, vômitos e gastroenterites.

Camêndrio (Teucrium chamaedrys): Planta da família das Lamiaceae, utilizadas na farmacologia como adstringente, antiescrofuloso, antipirético, entre outras mais. Amplamente utilizado para combater afecções de estômago e problemas no sistema digestivo.

Ameixeira (Prunus domestica): Ameixieira e ameixoeira são os nomes populares pelas quais algumas espécies de árvore de fruto do subgénero Prunus são conhecidas. A ameixeira tem seu uso medicinal relacionado ao combate de enfermidades causadas por ácidos e associadas a hiperlidemias. É um poderoso “desintoxicante” do aparelho digestivo, nas afecções febris do estômago e do intestino.

c) Estresse e problemas do sono (insônia, ansiedade, nervosismo).

Erva cidreira (Melissa oficinallis): Planta da família da menta e da hortelã, perene e herbácea ela é nativa da Europa. Muito utilizada na aromaterapia e na medicina tradicional por ser antipasmódica, antinevrálgica e um poderoso calmante, auxiliando no sono de pessoas com problemas de insônia.

Girassol (Helianthus annuus): Planta da família das Asteraceae. Dos seus frutos, chamados popularmente de sementes, é extraído o óleo de girassol que é comestível e que já em uma produção mundial ultrapassando a casa dos 20 milhões de toneladas anuais de grão. Na medicina natural suas flores e folhas podem ser usadas para tratar da cicatrização de feridas e machucados além de servirem como calmantes, combatendo problemas cardíacos, dores de cabeça e doenças do sono.

Papoula (Papaver somniferun): Flor da família das Papaveraceae. A papoula foi muito conhecida nos tempos remotos, era de grande prestigio dos médicos da Grécia antiga e muito relacionada a Hipnos, deus do sono. É uma flor poderosa no combate a insônia e constipação intestinal.

Questão 4 – Selecionar outras três plantas medicinais quaisquer, descrevendo o uso medicinal e todas as informações disponíveis importantes para um trabalho etnofarmacologico (nome científico, família, descrição, ocorrência/habitat, sinonímias, nomes populares, usos medicinais, partes empregadas, formas de preparo, posologia, contraindicações, estudos fotoquímicos, farmacológicos e toxicológicos).

Gengibre: [2, 3, 4]. Nome científico: Zingiber officinale Roscoe.

Família: Zingiberacea.

Ocorrência/Habitat: Original da Ásia, mas hoje é encontrada mundialmente. É cultivada no cerrado e no nordeste.

Nomes populares: Gengibre-de-jamaica, gengibre-africano, gengibre-de-cochim, mangarataia e marangatiá.

Usos Medicinais: Combate gases intestinais, vômito, rouquidão, traumatismo, reumatismo, rinite, faringite, laringite, redução do colesterol, alergias respiratórias, diabete, asma, bronquite, amigdalite, tosse.

Partes empregadas: Rizoma.

Formas de preparo: Infusão (para chás), comprimido, cápsula, suco, xarope, óleos e tintura.

Posologia: Adultos: 8g de sementes torradas (1 colher de sopa para cada xícara de água) em decoto 2 vezes ao dia com intervalos menores que 12hs: 2 a 59 do pó ao dia. Fricções do óleo em articulações dolorosas e peles ásperas. Massagem sobre a pele ressecada e gotas aplicadas diretamente no ouvido; Crianças: tomam de 1/3 a 1 dose em uso interno.

Contraindicações: Pessoas com calculo biliar, gestantes e pessoas com sangramentos ou menstruação excessiva não devem fazer o uso, pois o gengibre tem uma ação antiplaquetária, comprovada em trabalhos científicos. Em doses altas produz gastrite. O uso da tintura (alcoólica) é desaconselhado por ser irritante para o estômago. O uso externo pode provocar queimaduras.

Nome científico: Glycyrrhiza glabra L.

Família: Papilionáceas

Ocorrência/Habitat: É nativa da Europa e Ásia. Aparece também no Iraque.

Nomes populares: Raiz doce

Usos Medicinais: Propriedades antiespasmódicas, diuréticas, anti-inflamatórias, antissépticas e expectorantes. Auxiliar no tratamento de úlceras de estômago, bronquites e tosses catarrais, rouquidão, feridas e furúnculos. Bochecho para inflamações bucais com infuso, compressas de infusão da raiz acalmam conjuntivite aguda.

Partes empregadas: Rizoma e caules.

Formas de preparo: infusão e decocção para chás, xarope e balas de alcaçuz.

Posologia: Adultos: 10 a 20 ml de tintura divididos em 2 ou 3 doses diárias, diluídos em água 2g de erva seca (1 colher de sopa para cada xícara de água) de raízes em decocto até 3 vezes ao dia, com intervalos menores que 12hs; Crianças de 2 a 5 anos: 2ml 3 vezes ao dia. De 5 a 8 anos: 3 ml 3 vezes ao dia. De 8 a 12 anos: 4 ml 3 vezes ao dia.

Contraindicações: não é recomendado para diabéticos; se consumido regularmente pode causar retenção de sódio e potássio no organismo e contribuir para a hipertensão e a hipotassemia (baixa de potássio). Não deve ser usado por pessoas com história de hipertensão ou problema renal grave.

Nome científico: Uncaria tomentosa (Willd. Ex Roem. & Schult.) DC.

Família: Rubiaceae

Ocorrência/Habitat: Floresta Amazônica e regiões tropicais da América so Sul e América Central, principalmente na Amazônia Peruana.

Sinonímias: Uncaria surinamensis, Nauclea aculeata, N. tomentosa, Ourouparia tomentosa.

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