toyota e kanban

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Universidade Federal de Ouro Preto – Escola de Minas Departamento de Engenharia de Produção, Administração e Economia – DEPRO

Sistema Toyota de Produção e Kanban: uma abordagem prática aos resultados esperados e às dificuldades inerentes à sua implantação

Monografia de Graduação em engenharia de Produção

Thiago Giacchero Spósito

Ouro Preto, Julho / 2003 Thiago Giacchero Spósito

Sistema Toyota de Produção e Kanban: uma abordagem prática aos resultados esperados e às dificuldades inerentes à sua implantação

Monografia apresentada ao curso de Engenharia de

Produção da Escola de Minas da Universidade Federal de

Ouro Preto como parte dos requisitos para a obtenção de grau em Engenheiro de Produção.

Orientadora: MSc. Jacqueline Elisabeth Rutkowski Co-orientador: MSc. João Esmeraldo Silva

Ouro Preto

Escola de Minas – UFOP Julho / 2003

Monografia defendida e aprovada em 08 de maio de 2003 pela comissão avaliadora constituída pelos professores:

MSc. Jacqueline Elisabeth Rutkowski Professora orientadora

_ MSc. João Esmeraldo Silva

_ MSc. Jorge Luiz Brescia Murta Professor convidado

A economia mundial tem apresentado um crescimento lento, fazendo com que as empresas desenvolvam e busquem melhores maneiras de administrar seus recursos. Atualmente, as empresas estão tentando se tornar “enxutas”, eliminando os desperdícios encontrados nos diversos tipos de indústrias para obter vantagens competitivas. Isso vem ocorrendo através da implantação dos conceitos do Sistema

Toyota de Produção, também conhecido como Sistema de Produção Enxuta.

Esse trabalho discute as inovações desse sistema em relação aos métodos anteriormente adotados pela produção em massa, mostrando as possíveis vantagens obtidas por sua implantação bem sucedida. Após uma revisão bibliográfica desses conceitos, é apresentado um estudo de caso da utilização do Kanban, o método utilizado pelo Sistema Toyota de

Produção para programar a produção e atingir os objetivos do Just in Time. Analisando os resultados obtidos, pode-se afirmar que o Kanban é uma excelente técnica para reduzir os estoques e organizar o sistema de produção. Entretanto, existem muitas dificuldades a serem enfrentadas pelas empresas ocidentais

Palavras chave: Sistema Toyota de Produção; Kanban; Produção Enxuta; Estudo de Caso; Just in Time

The world economy has been presenting a slow growth, forcing the companies to develop and look for better ways to administer their resources. Nowadays, the companies are trying to become “lean”, eliminating the wastes found in the several industries to obtain competitive advantages. That is happening through the implantation of the Toyota Production System, also known as

Lean Production.

This work discusses the inovations of the Toyota Production System, comparing with the methods adopted by the mass production, showing the possible advantages obtained by the sucessfull implementation. After a bibliographic revision of those concepts, it is presented a case study of the use of Kanban, the technique used by the Toyota Production System to program the production and to reach the objectives of Just in Time. Analyzing the results of the case study, it can be affirmed that Kanban is an excellent technique to reduce the stocks and to organize the production system. However, there are many difficulties to be faced by the western companies trying to implement those Japanese techniques.

Key words Toyota Production System; Kanban; Lean Production; Case study; Just in Time

Os sistemas e métodos de produção têm evoluído e se adaptado à realidade econômica contemporânea de acordo com as dificuldades enfrentadas e oportunidades de desenvolvimento observadas. Com a atual estagnação da economia mundial e o conseqüente declínio dos resultados apresentados por empresas que aplicavam os princípios do Sistema de Produção em Massa, estabeleceu-se uma busca aos conhecimentos difundidos pela

Produção Enxuta, já que as empresas precursoras deste sistema pareciam não estar sendo tão fortemente impactadas pela nova realidade de crescimento econômico lento. Para uma melhor compreensão dos sistemas de produção existentes e das causas que originaram o desenvolvimento de novas metodologias e práticas, explanaremos sucintamente a respeito do Sistema de Produção Artesanal, o Sistema de

Produção em Massa e o Sistema de Produção Enxuta, inicialmente conhecido como

Sistema Toyota de Produção. O Sistema de Produção Artesanal apresentava uma força de trabalho altamente qualificada, utilizando ferramentas flexíveis para produzir exatamente o que o consumidor desejava.

Dessa forma, através de organizações descentralizadas, são atingidos baixos volumes de produção e o custo dos produtos torna-se elevado. Além disso, esses custos não são reduzidos de acordo com o número de itens produzidos.

Nesse contexto surge o Sistema de Produção em Massa, desenvolvendose na indústria automobilística após a Primeira Guerra Mundial e sendo impulsionado pela intensa utilização de avanços tecnológicos.

A responsabilidade pelo desenvolvimento do Sistema de Produção em Massa é atribuída a Henry Ford, que descobriu a maneira de superar os problemas inerentes à produção artesanal. As novas técnicas de Ford, dentre elas a linha de montagem em movimento contínuo, reduziriam drasticamente os custos, aumentando ao mesmo tempo a produtividade e a qualidade do produto.

O Sistema de Produção em Massa utiliza mão de obra pouco qualificada, máquinas dispendiosas e especializadas em uma única tarefa. Esses equipamentos produzem itens padronizados em elevadas quantidades. Esse fato torna-se atrativo para os consumidores, pois apesar da restrição de variedade de produtos, os custos são reduzidos.

De acordo com os princípios deste sistema, o custo de um produto diminui drasticamente em proporção ao aumento das quantidades produzidas. Esse fato foi inteiramente comprovado na era de crescimento elevado. Womack (1990) afirma que a história poderia ter prosseguido na trilha norte-americana se os preços dos combustíveis tivessem continuado a cair. Porém, com a ocorrência da crise do petróleo de 1973 e o conseqüente aumento vertiginoso do preço do combustível, houve uma drástica redução nas atividades econômicas mundiais.

Tal situação de estagnação na produção em massa norte-americana e européia teria prosseguido indefinidamente, não tivesse uma nova indústria automobilística emergido no Japão.

Os japoneses estavam desenvolvendo uma maneira inteiramente nova de se produzir, conhecida como produção enxuta.

A produção enxuta, segundo Womack (1990), unia as vantagens da produção artesanal, com trabalhadores altamente qualificados e ferramentas flexíveis para produzir exatamente o que o consumidor deseja, às vantagens da produção em massa, com elevada produtividade e baixo custo. Este sistema inovador objetivava produzir muitos modelos em pequenas quantidades sem elevar os custos de produção.

Fabricantes de todo o mundo tentam agora, enfrentando uma época de crescimento lento, adotar a produção enxuta como uma forma de diferencial competitivo. Assim, espera-se eliminar de maneira consistente os desperdícios causados pelas práticas da produção em massa e produzir de acordo com a demanda.

O trabalho originou-se da observação da importância dos sistemas de produção para a evolução das indústrias de uma forma geral e as consequências trazidas pela escolha de determinado sistema como forma de diferencial competitivo. A partir daí, pesquisou-se os sistemas de produção existentes e a evolução dos mesmos, de acordo com a conjuntura econômica de cada época. Em virtude da disseminação de um desses sistemas de produção, o sistema de produção enxuta, por diversos tipos de indústrias, procurou-se focar o surgimento, desenvolvimento e aplicabilidade deste sistema. Essa metodologia prevê a mudança de paradigmas surgidos durante a expansão do sistema de produção em massa, quando a economia apresentava um elevado ritmo de crescimento, e busca a eliminação dos desperdícios encontrados nas indústrias como forma de adaptação à nova realidade econômica mundial de crescimento lento.

A transição do sistema de produção em massa para a produção enxuta e a aplicabilidade dos princípios deste último puderam ser observados através do estudo de caso demonstrado posteriormente neste trabalho.

Este trabalho torna-se relevante pela enorme influência da definição do sistema de gestão da produção de uma companhia sobre os resultados obtidos pela mesma. Procura-se insistentemente métodos inovadores que demonstrem a melhor maneira de se aplicar os recursos financeiros e humanos de uma empresa. Womack (1990), ao esclarecer por que é tão importante os fabricantes em todo o mundo se livrarem de décadas de produção em massa em prol da produção enxuta, afirma:

a adoção da produção enxuta, na medida em que inevitavelmente se expanda além

da indústria automobilística, resultará em mudanças globais em quase todas as indústrias: nas alternativas para os consumidores, na natureza do trabalho, no destino das companhias.

Essa constatação torna-se verdadeira à medida que a produção enxuta orienta suas atividades de acordo com as necessidades dos clientes, fornecendo uma maior variedade de produtos. Além disso, um dos objetivos deste sistema é trazer a responsabilidade para a base da pirâmide organizacional, motivando os funcionários a desenvolver suas habilidades e trabalhar em equipe.

Inúmeras companhias ocidentais compreendem hoje a produção enxuta.

Entretanto, sobrepor os métodos da produção enxuta aos sistemas existentes de produção em massa traz grandes problemas e transtornos. Isso porque, segundo

Womack (1990), a produção em massa de Henry Ford orientou a indústria automobilística por mais de meio século, e acabou sendo adotada em quase toda atividade industrial na Europa e América do Norte. Atualmente, porém, essas mesmas técnicas, tão arraigadas na filosofia de fabricação, estão frustrando os esforços de muitas companhias ocidentais no salto para a produção enxuta.

Dessa forma, o presente trabalho diferencia-se por, além de demonstrar os resultados obtidos pela adoção da produção enxuta, enfatizar as dificuldades de uma empresa tipicamente direcionada para a produção em massa em adotar esses novos conceitos e as conseqüências da implantação parcial dos princípios do Sistema Toyota de Produção.

Após a contextualização e demonstração da importância dos temas a serem abordados, apresenta-se o objetivo geral e os objetivos específicos do presente trabalho.

O objetivo geral do presente estudo é demonstrar os conceitos e princípios inovadores do Sistema Toyota de Produção, contrapondo às práticas do Sistema de Produção em Massa. Objetiva-se ainda analisar, através de um estudo de caso, as dificuldades e os resultados obtidos decorrentes da implantação desses conceitos em determinada empresa de manufatura.

1.4.2 Objetivos específicos

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