Terapia Transfusional

A transfusão de sangue é uma prática médica que consiste na transferência de sangue ou de um componente sanguíneo de uma pessoa (doador) para outra (receptor). É um tipo de terapia que tem se mostrado muito eficaz em situações de choque, hemorragias ou doenças sanguíneas. Frequentemente usa-se a transfusão em intervenções cirúrgicas, traumatismos, hemorragias digestivas ou em outros casos que tenha ocorrido uma grande perda de sangue.

Sistema Rh

O sangue é classificado em grupos (positivo e negativo) pela presença ou ausência de um antígeno de superfície da hemácia que foi encontrado em um macaco “RH’essus”, dando assim o nome ao fator Rh. O sangue Rh negativo não apresenta esse antígeno na sua superfície e o Rh positivo apresenta. Trata-se de um fator hereditário.

  • Rh+: Sangue aglutinina pelos anticorpos ANTI Rh (maioria).

  • Rh-: Sangue não reage com anticorpos ANTI Rh (minoria).

Sistema ABO

O sangue também é classificado como A, B, AB ou O. Essa classificação teve origem na descoberta de dois antígenos de superfície, par quais foram dadas o nome de A e B. Quando a hemácia possuía o antígeno A era chamada de sangue tipo A, quando possuía B, tipo B, quando possuía os dois, tipo AB e quando não possuía nenhum dos dois era sangue assinalado com o número zero (0). As pessoas começaram a ler o zero como a letra O, dando origem ao sistema ABO.

  • AA ou Ia, Ia: grupo A.

  • BB ou Ib, Ib: grupo B.

  • AO ou Ia, i: grupo A.

  • BO ou Ib,i: grupo B.

  • AB ou Ia, Ib: grupo AB.

  • OO ou ii: grupo O.

Compatibilidade sanguínea

  • Pessoas com o sangue Rh positivo podem receber sangue Rh negativo, já pessoas com o sangue Rh negativo não podem receber sangue Rh positivo.

  • Pessoas do grupo O só podem receber hemácias do grupo O.

  • Pessoas do grupo AB podem receber hemácias do grupo A, B e O

  • Pessoas do grupo B podem receber hemácias do grupo B e O.

  • Pessoas do grupo A podem receber hemácias do grupo A e O.

Tipos de Transfusão

Os tipos de transfusão são Autóloga, Heteróloga e Dirigida

A transfusão autóloga consiste em um processo de colheita de sangue de uma ou mais unidade pré-operatoriamente a um doente e que, posteriormente vão ser administradas durante ou após a cirurgia. Transfusão heteróloga o receptor recebe o sangue aleatoriamente de doadores voluntários e já na transfusão dirigida o receptor recebe o sangue e pessoas encaminhadas, com o mesmo ABO e Rh.

Indicações Transfusional

  • Transfundir quando perda.

  • Menos de 40 % do volume sanguíneo.

  • Oxigenação tecidual adequada.

  • Autotransfusão (em situações eletivas).

  • Cirúrgias cardíacas.

  • Transfundir quando Hb < 6g/dl em regime de quimioterapia com sinais e sintomas de anemia.

  • Transfundir quando Hb < 10g/dl em regime de radioterapia (anemia causa hipóxia tumoral que pode promover resistência à radioterapia).

  • Transfundir em quadros crônicos de anemia quando há prejuízo da oxigenação tecidual, principalmente em idosos e paciente com cardiopatias.

Tipos de exames realizados no sangue

Os exames realizados são classificação por tipo sanguíneo e fato Rh, testes para identificar sífilis, doenças de chagas, hepatite B e C, HTLV I e II (vírus relacionado a leucemia) e AIDS TGP/TGO (alterações do fígado).

Critérios para doação

Levar documento oficial de identidade com foto (identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira do concelho profissional ou carteira nacional de habilitação), estar bem de saúde, ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 kg, não estar em jejum e evitar apenas alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem e doação.

Impedimentos temporários

Febre, gripe ou resfriado, gravidez, puerpério (parto normal): 90 dias, cesariana: 180 dias, uso de alguns medicamentos, pessoas que adotarem comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis, cirurgias e prazos de impedimentos, extração dentária: 72 horas, ingestão de bebida alcoólica no dia, apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses, colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, poli traumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia : 6 meses, transfusão de sangue: 1 ano, tatuagens: 1 ano e vacinação: o tempo de vacinação varia de acordo com o tipo de vacina.

Impedimentos definitivos

Hepatite após os 10 anos de idade, uso de drogas ilícitas injetáveis, malária, evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatite B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas ao vírus HTLD I ou II e doença de chagas.

Sangue total

  • A cada doação são coletados 450 ml (+/-50) de sangue total.

  • Cada coleta é desdobrada em aproximadamente 1 unidade de concentrado de hemácia (300 ml), 1 unidade de concentrado de plaquetas e 1 unidade de plasma

Concentrado de hemácias

  • Obtido a partir da centrifugação do sangue total.

  • Indicação criteriosa e individual: anemia aguda.

Concentração de plaquetas

  • As plaquetas são derivadas dos megacariócitos, que se encontram na medula óssea,

  • Indicação absoluta: leucemia aguda.

Plasma fresco congelado

  • Obtido após o fracionamento do sangue total.

  • Indicações: hemorragias por doenças hepáticas.

Cuidados de Enfermagem na hemotransfusão

Verificar o tipo sanguíneo e o Rh do paciente e analisar se está compatível com o doador, manter atenção para todos os sinais e sintomas do paciente, proporcionar o maxímo de conforto físico e espiritual para o paciente, monitorar constantemente a temperatura do paciente, suspender a hemotransfusão ao menor sinal de reação do paciente, verificar se o paciente apresenta pruridos generalizados ou sibilos. estar atendo para os sinais como dispneia, ortopnéia, cianose ou ansiedades súbitas, calafrios, lombalgias, cefaleias, hipotensão, opressão torácica, náuseas e hipertermia.

Processo Morte-Morrer

A classificação internacional para a prática de enfermagem define a morte como um fenômeno pertencente ao desenvolvimento físico com as seguintes características especifica: cessação da vida, diminuição gradual ou súbita das funções orgânicas, levando ao fim dos processos de manutenção da vida, a cessação da vida manifesta-se pela ausência dos batimentos cardíacos, da respiração e da atividade cerebral. A morte traz consigo outros fenômenos associados que exigem a nossa atenção como seja o luto e o coping (como a negação ou aceitação) do doente da família.

Fases no processo de luto

Nesse processo vão surgir múltiplas manifestações: sentimentos como a tristeza, solidão, saudade, iria, reprovação, culpabilidade; sensações físicas como estômago vazio, pontadas, hipersensibilidade aos ruídos, sentido de despersonalização, boca seca; pensamentos como incredulidade, confusão, preocupação, presença do falecido, alucinações visuais e auditivas, comportamentos e condutas como sonhar com o falecido, perturbações no apetite como defeito ou excesso;

  • Negação: Ao tomar consciência com a situação de fase final da vida, o doente tende a negar a eminência de morte.

  • Raiva: o doente começa a experimentar um sentimento de revolta, interrogando-se: “Porque eu ?”.

  • Negociação: Neste estádio, constatam-se com o frequência o desejo que os doentes manifestam em realizar acordo por um pouco mais de tempo de vida.

  • Depressão: Nesse momento o doente toma consciência das consequências reais da situação. Ele passa a viver um mundo a parte: isola-se.

  • Aceitação: A aceitação surge em um período em que o doente é capaz de entender a sua situação, com todas as suas consequências. É nesse momento que o doente começa a falar claramente da monte.

Cuidados de Enfermagem ao processo morte-morrer

  • Toda equipe deve ter um comportamento e linguagem coerente, em relação a informação dada ao paciente para não existir contradições.

  • Comunicar a situação terminal do doente, conforme a capacidade e aceitação do paciente.

  • Compartilhar, deixar a pessoa expressas os seus tremores e desejos.

  • Auxiliar corretamente o doente a assumir a morte com experiência que só ele pode viver.

  • O doente raramente pode estar isolado, os familiares podem ajudar ou perturbar.

  • Diminuir a dor, o sofrimento e a angústia.

  • Apoio espiritual.

  • Apoio à família.

  • Solicitar que o médico que plantão faça o diagnóstico da morte e de o atestado de óbito.

  • Avisar ao médico do paciente do ocorrido.

  • Comunicar a família.

  • Retirar todos os pertences que por ventura o paciente estiver usando: relógios, anéis...

  • Retirar todos os instrumentos invasivos como: S.N.G, S.V cateter de O2.

  • Faz-se o tamponamento que é o fechamento de todas as cavidades: narina, ouvido, ânus, vagina, boca.

  • Identificar o corpo com dados da internação: nome, sobrenome, hora do óbito.

  • Após encaminha o corpo para o necrotério junto com os pertences pessoais devidamente indentificado.

Amanda Cristina Andreatta dos Santos.

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