Trabalho helicoverpa armigera

Trabalho helicoverpa armigera

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ANÁPOLIS – UNIEVANGÉLICA

FACULDADE EVANGÉLICA DE GOIANÉSIA

AGRONOMIA

Helicoverpa armigera

GILMAX C. RODRIGUES GUERRA

ENTOMOLOGIA AGRÍCOLA

GOIANÉSIA

MAIO/2013

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ANÁPOLIS – UNIEVANGÉLICA

FACULDADE EVANGÉLICA DE GOIANÉSIA

AGRONOMIA

Atividade apresentado à Faculdade Evangélica de Goianésia-Go, sob a orientação da Profª Klenia, para obtenção de parte da nota de Entomologia agrícola.

GOIANÉSIA

MAIO/2013

INTRODUÇÃO

A ocorrência de lagartas do gênero Helicoverpa na região do Cerrado foi observada a partir de fevereiro de 2012 em níveis populacionais nunca antes registrados, causando sérios prejuízos econômicos em milho, algodão, soja, feijão comum, caupi, milheto e sorgo. No país, há também relatos de ataques em tomate, pimentão, café e citros, dentre outras plantas.

A taxonomia desse gênero é complexa e requer conhecimentos muito específicos de sua estruturas reprodutivas. Na safra 2012/2013, em amostras originárias de lavouras de soja, milho e algodão, nos estados da Bahia, Paraná, Mato Grosso e Distrito Federal, a Embrapa identificou, com base na genitália masculina e análise molecular de adultos, a espécie exótica quarentenária Helicoverpa armigera Protocolo de Notificação da Embrapa ao MAPA N° 70570.000355/2013-2).

Essa situação tem causado perdas econômicas significativas aos sistemas de produção, a exemplo do que ocorreu na safra de algodão 2012/2013. Torna-se, portanto, necessário restabelecer o equilíbrio dos Sistemas de Produção Agrícola, antes que outros insetos, além da Helicoverpa armigera, oportunamente se adaptem, aumentando os prejuízos nas safras agrícolas que se seguem. Para a Embrapa além de medidas emergenciais a serem adotadas para restabelecimento desse equilíbrio torna-se fundamental a adoção dos conceitos e práticas do Manejo Integrado de Pragas, já desenvolvidos pela pesquisa.

De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo, as perdas causadas pela lagarta Helicoverpa armigera chegam a 80% no feijão e 60% na cultura do algodão.

Entre as ações emergenciais tomada pelo governo, o MAPA autorizou no dia 04/04/2013 a importação e aplicação de defensivos para combater a quarentenária A-1 Helicoverpa armigera. A autorização publicada no Diário Oficial da União libera produtos que tenham como ingrediente ativo único a substância Benzoato de Emamectina, e sejam registrados em outros países.

A utilização de produtos mais seletivos aos inimigos naturais (parasitóides e predadores) e polinizadores (abelhas) deve ser priorizada na escolha dos inseticidas para minimizar os desequilíbrios biológicos observados para Helicoverpa armigera. Dessa forma, os produtos devem ser utilizados em ordem de preferência: 1) inseticidas biológicos ou liberação de inimigos naturais devidamente registrados; 2) inseticidas do grupo dos reguladores de crescimento de insetos; 3) Inseticidas dos grupos das diamidas ou espinosinas; 4) Inseticidas bloqueadores de Na; 5) Inseticidas do grupo das evermectinas; 6) Carbamatos.

MONITORAMENTO CONTÍNUO DE PRGAS

Os dados relativos aos diferentes pontos de coleta a serem definidos pelo Consórcio Manejo Helicoverpa deverão alimentar um sistema de alerta no site específico, que poderá ser gerenciado pela Embrapa. A partir da emissão do alerta pelo Consórcio, confirmando a presença de adultos de Helicoverpa armigera regionalmente, o agricultor deve realizar amostragem nas plantas de sua lavoura para determinar a necessidade de controle da praga. A realização desta amostragem pelo agricultor é de extrema importância, pois o sistema de alerta irá indicar apenas a presença de adultos e é necessário considerar a mortalidade de ovos e lagartas em campo devido a fatores ambientais e ação de inimigos naturais, como predadores, parasitoides e patógenos.

PROCEDIMENTO DE AMOSTRAGEM DE Helicoverpa spp. PARA AGRICULTORES

A amostragem direta consiste na vistoria de plantas para estimativa da densidade populacional da praga na lavoura.

A vistoria deve ser realizada de forma direcionada para estruturas como brotos novos, flores e outras estruturas reprodutivas onde comumente a praga é encontrada.

Adicionalmente, nas culturas de soja e feijoeiro, a amostragem deverá ser realizada utilizando o método do pano-de-batida.

Adicionalmente, armadilhas com feromônio podem ser utilizadas pelos agricultores 8 para monitoramento populacional nas diversas culturas e para indicar o momento mais adequado para a liberação de parasitóides de ovos tais como o Trichograma pretiosum. As armadilhas de feromônio devem ser instaladas de acordo com a recomendação do fabricante para cada cultura, observando procedimentos de instalação, distância entre armadilhas, freqüência de vistoria e freqüência de substituição das armadilhas em campo.

UTILIZAÇÃO DO CONTROLE BIOLÓGICO

Os sistemas de produção do milho e da soja são bastante propícios ao uso de controle biológico para controle de pragas porque o uso de produtos químicos é menos freqüente. O sistema de produção do algodoeiro, ao contrário, devido à diversidade de pragas e o uso intensivo de inseticidas dificulta a utilização de controle biológico. Na cultura do milho o controle biológico deve ser a estratégia preferencial para o manejo da praga, pois esta fica abrigada na espiga do milho reduzindo a sua exposição à pulverização de inseticidas.

PRODUTOS BIOLÓGICOS PARA CONTROLE DE Helicoverpa

PARASITOIDES

Recomenda-se a liberação inundativa do parasitóide de ovos, Trichogramma pretiosum associada ao monitoramento da população de adultos via uso de armadilhasiscadas com feromônio sexual sintético (1 armadilha a cada 5 hectares). A utilização dearmadilha contendo feromônio deve ser utilizada para detectar a chegada da mariposa naárea alvo. A captura das primeiras mariposas (em média três mariposas por armadilha) indicao início da oviposição e a necessidade de liberar o agente de controle biológico. A liberação dos parasitoides, geralmente, é realizada pela distribuição nas plantas de cartelas de papelão contendo ovos de um hospedeiro alternativo parasitado ou liberação direta dos adultos de Trichogramma. Já existe no Brasil tecnologia para produção massal dos parasitóides. Biofábricas privadas, como por exemplo, Bug em Piracicaba, SP e ABR – Controles Biológicos em Uberlândia, MG, já se encontram com processos de registros em andamento junto ao MAPA. Como medida emergencial há a necessidade de autorização imediata pelo MAPA para comercialização e liberação desses parasitóides. O controle biológico com o parasitóide de ovos pode ser utilizado tanto no milho como na soja e no algodão. Obviamente, deve-se considerar o efeito negativo dos inseticidas químicos não seletivos sobre o agente de controle biológico na mesma época de liberação do parasitóide.

AGENTES MICROBIANOS

VÍRUS: Recomenda-se a aplicação de produtos para controle das lagartas à base de baculovirus. Existe registro comercial para uso desse vírus no mercado internacional. Nos EUA está registrado o produto Gemstar produzido pela CERTIS à base de Helicoverpa zea NPV que controla lagartas do complexo Helicoverpa/Heliothis (Helicoverpa zea, Helicoverpa armigera e Heliothis virescens). Na China existe um produto registrado à base de Helicoverpa armigera NPV. O uso do baculovirus é recomendado para o controle de lagartas na fase inicial de desenvolvimento (aproximadamente com 1 cm, ou seja, aproximadamente 10 dias após a colocação dos ovos na planta) quando elas são susceptíveis ao ataque do microrganismo. Antes desse tamanho, as pragas poderão ser controladas pela ação de inimigos naturais. Para maior eficiência da tecnologia é necessário o monitoramento da população de adultos (conforme indicado para liberação do parasitóide de ovos) com armadilhas iscadas com feromônio.

BACTÉRIA: Recomenda-se a aplicação de produtos a base de Bacillus thuringiensis (Bt) para controle de lagartas desfolhadoras. Existem produtos comerciais produzidos pelas empresas Sipcam, Biocontrole, Iscas Tecnologia, Ihara, Sumitomo em fase de registro. Existem ainda dois outros produtos a base de Bt, desenvolvidos pela Embrapa em processo de registro. Um deles em parceria com a empresa Bthek, chamado Ponto Final e outro chamado Best com a empresa Farroupilha. Esses produtos contêm toxinas além das que estão presentes nas plantas transgênicas. Sugere-se que os produtos à base de Bt não sejam utilizados nas áreas de refúgio, até que estudos sobre os seus mecanismos de ação sejam concluídos. Ressalta-se que para a obtenção de uma pulverização com qualidade dos produtos a base de vírus ou de Bt será necessário ajustar o volume de aplicação (litros/hectare) que pode ser definido com o auxílio de papeis sensitivos a água onde se deve obter um número mínimo de 30 gotas/cm2. Devem-se aplicar esses produtos biológicos preferencialmente no final da tarde e à noite.

REGISTRO EMERGENCIAL E USO DE INSETICIDAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS

O uso correto de táticas de controle químico e biológico é de crucial importância para o sucesso do controle da Helicoverpa armigera e de outras pragas. Sendo assim, o uso de agrotóxicos sem a realização do monitoramento das pragas e sem a adoção de níveis de ação é inaceitável, pois tem ocasionado uso abusivo, uma das principais causas dos desequilíbrios ecológicos de artrópodes nos sistemas de produção agrícola. Considerando a ausência de níveis de ação para controle de Helicoverpa armigera para as condições brasileiras, os inseticidas químicos devem ser utilizados de forma emergencial respeitando os níveis de controle disponíveis na literatura internacional. Esses níveis de controle devem ser posteriormente (através de pesquisas científicas) referendados ou modificados pela pesquisa nacional de acordo com a cultura alvo. Deve-se ainda observar as dosagens recomendadas dos inseticidas, não usando superdosagens ou subdosagens, uma vez que a eficiência de controle pode ser reduzida, além de poder contribuir para a seleção de populações resistentes aos inseticidas aplicados.

Aplicações múltiplas em uma dosagem média geralmente são mais eficazes do que uma única aplicação em superdosagem. Recomenda-se também a rotação de inseticidas de diferentes modos de ação para evitar seleção de populações resistentes. A utilização de produtos mais seletivos aos inimigos naturais (parasitóides e predadores) e polinizadores (abelhas) deve ser priorizada na escolha dos inseticidas para minimizar os desequilíbrios biológicos observados para Helicoverpa armigera. Dessa forma, os produtos devem ser utilizados em ordem de preferência: 1) inseticidas biológicos ou liberação de inimigos naturais devidamente registrados; 2) inseticidas do grupo dos reguladores de crescimento de insetos; 3) Inseticidas dos grupos das diamidas ou espinosinas; 4) Inseticidas bloqueadores de Na; 5) Inseticidas do grupo das evermectinas; 6) Carbamatos.

CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS

As medidas de controle contextualizadas nas ações emergenciais propostas somente terão o sucesso esperado se adotadas de forma integrada. Também é fundamental que seja restabelecido o equilíbrio ecológico do ambiente agrícola através da redistribuição das áreas agrícolas e da preservação ambiental. Torna-se necessário um reordenamento do plantio sucessivo e contíguo dessas culturas o que pode requerer, inclusive, a suspensão ou exclusão de determinadas espécies com o propósito de reverter o desequilíbrio nas regiões produtoras. Esta medida deverá contribuir para o aumento da biodiversidade funcional desse ambiente agrícola com a preservação dos inimigos naturais das pragas; reduzir drasticamente a disponibilidade de alimento às pragas no tempo e no espaço; reduzir o número de gerações das pragas e conseqüentemente sua pressão em cada sistema de cultivo.

Segundo o site da Agrolink o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi autorizado no dia 04/04/2013 a importação e aplicação de defensivos para combater a quarentenária A-1 Helicoverpa armigera. A autorização publicada no Diário Oficial da União libera produtos que tenham como ingrediente ativo único a substância Benzoato de Emamectina, e sejam registrados em outros países. A medida tem caráter emergencial, e foi negociada entre os Ministério da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, no âmbito do Comitê Técnico para Assessoramento de Agrotóxicos (CTA).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ações emergenciais propostas pela Embrapa para o manejo integrado de Helicoverpa spp. Em áreas agrícolas. http://www.embrapa.br/alerta-helicoverpa/Manejo-Helicoverpa.pdf/view ACESSADO 15/05/2013.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO SECRETARIA DA DEFESA AGROPECUÁRIA, ISTRUÇOES DAS Nº 12, DE 18 DE ABRIL DE 2013.

http://www.agrolink.com.br/noticias/liberado-defensivo-para-combater-lagarta-helicoverpa-armigera_168587.html ACESSADO 14/05/2013.

http://www.apassul.com.br/noticias/ver_mais/94#.UZLVaaI3ubs 13/05/2013.

http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/119661-pesquisadores-da-fundacao-mt-estudam-controle-da-helicoverpa-armigera.html#.UZLZ-aI3ubs 13/05/2013.

http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=92805 13/05/2013.

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