Gravidez: alterações embrionárias por medicamentos

Gravidez: alterações embrionárias por medicamentos

Gravidez: alterações embrionárias por medicamentos

A gestação ou gravidez é compreendida pelo período que vai da fecundação do óvulo ao parto, há uma importante mudança emocional para a mulher, com grande aumento do stress e de ansiedade. Várias pesquisas apontam que as mulheres grávidas com ansiedade e depressão devem ser vigorosamente examinadas e tratadas para reduzir o risco da mãe e do bebê. Apesar de que o ideal é não utilizar nenhum medicamento durante a gravidez, entretanto, quando for inevitável seu uso, deve ser bem medida a relação risco x benefício. A informação é parte integrante do medicamento, imprescindível ao seu emprego terapêutico.

O uso de medicamentos por mulheres grávidas encontra-se associado a:

  • exposição inadvertida, quando uma mulher

  • em idade fértil fica inesperadamente grávida enquanto faz

  • algum tipo de medicação; doenças crónicas; intercorrências

  • agudas sintomáticas durante a gravidez.

Quando abordamos o tema da gestação, um dos principais aspectos que deve ter em conta é a provável alteração de características farmacocinéticas dos medicamentos neste período, a principal razão disto é que a mãe e o feto formam uma unidade funcional inseparável. Porém, ainda são necessárias muitas pesquisas para completar as lacunas existentes sobre as alterações fisiológicas que ocorrem na gestação e suas implicações sobre a farmacocinética dos medicamentos.

Entende-se que estes estudos, desde que executados com rigor metodológico, possam oferecer informação balizada, geradora de hipóteses, essenciais para a prática clínica.

Os medicamentos que conseguem atravessar o trato gastrointestinal são de baixo peso molecular. Assim, com facilidade também passam a barreira placentária. Prontamente, a maior parte dos medicamentos ingeridos pela mãe alcança o concepto, invalidando o conceito de barreira placentária.

Na placenta, o sangue materno passa pelo espaço (espaço intervilosidades) que rodeia as pequenas projeções (vilosidades) que os vasos sanguíneos do feto contêm. O sangue materno, que se encontra no espaço intervilosidades, está separado do sangue fetal que se encontra nas vilosidades por uma fina membrana (membrana placentária). Os fármacos que se encontram no sangue materno podem atravessar esta membrana até chegar aos vasos sanguíneos das vilosidades e atravessar o cordão umbilical até chegar ao feto.

Durante o período gestacional ocorrem profundas alterações fisiológicas no corpo materno envolvendo todos os sistemas. O primeiro trimestre da gravidez é a fase que ocorrem as principais transformações embriológicas, chamadas de organogênese, consiste na formação dos órgãos, isto é, a cabeça, o abdômen, os braços e as pernas, além do sistema neurológico, incluindo o cérebro e a medula espinhal, os sistemas circulatório e gastrintestinal básico (boca e dentes) e um sistema respiratório rudimentar.

No segundo trimestre, embora o risco diminua os rins e o fígado do bebé, ainda estão a ser formados, e os medicamentos podem provocar graves danos no feto. Para além destes órgãos, também os ouvidos, a estrutura óssea e as cordas vocais estão a iniciar a sua formação.

Afirmar a inocuidade de determinada medicação é extremamente difícil. Além do mais, depois do grave incidente com a talidomida na década de 1960, as autoridades de saúde de distintos países passaram a determinar uma rotina de experimentos animais com todos os agentes terapêuticos disponíveis, para uma tentativa de detectar possíveis efeitos teratogênicos, que significa a capacidade de produzir malformações congênitas, principalmente durante o primeiro trimestre. Se uma medicação deve ser dado, a mais baixa dose efetiva deve ser prescrita pelo mais curto tempo de duração possível.

Ao prescrever uma medicação na gestação, o medico deveria ter conhecimento da classificação de risco e levar em conta que as pesquisas em animais não podem ser totalmente generalizados para a espécie humana. Por isto a FDA (Food and Drug Administration) elaborou uma tabela. São consideradas cinco categorias designadas pelas letras A, B, C, D e X:

Risco A

Não há evidência de risco em mulheres. Estudos bem controlados não revelam problemas no primeiro trimestre de gravidez e não há evidências de problemas nos segundo e terceiro trimestres.

Risco B

Não há estudos adequados em mulheres. Em experiência em animais não foram encontrados riscos.

Risco C

Não há estudos adequados em mulheres. Em  experiências animais ocorreram alguns efeitos colaterais no feto, mas o benefício do produto pode justificar o risco potencial durante a gravidez.

Risco D

Há evidências de risco em fetos humanos. Só usar se o benefício justificar o risco potencial. Em situação de risco de vida ou em caso de doenças graves para as quais não se possa utilizar drogas mais seguras, ou se estas drogas não forem eficazes.

Risco X

Estudos revelaram anormalidades no feto ou evidências de risco para o feto. Os riscos durante a gravidez são superiores aos potenciais benefícios. Não usar em hipótese alguma durante a gravidez.

Os medicamentos que uma mulher toma durante a gravidez pode afetar o feto de várias maneiras:

a) Por atuar diretamente no feto, causando dano, desenvolvimento anormal ou morte.

b) Por alterar a função da placenta, usualmente pela constrição dos vasos sanguíneos e uma redução da troca de oxigênio e nutrientes entre o feto e a mãe.

c) Por causar contração intensa dos músculos uterinos, prejudicando indiretamente o feto pela redução do suprimento sanguíneo.

Ademais, de acordo com o tempo de ocorrência das malformações, designam-se os defeitos como ocorridos no:

- Período pré-concepcional: quando a droga atua sobre os gametas ensejando o aparecimento de concepto com defeitos;

- Tempo ovular: sucedendo desde a formação do blastócito e seu período de pré-implantação, até a formação somitos;

- Tempo embrionário: os defeitos determinados pelas drogas atuam na 3ª a 8ª semana;

- Tempo fetal: quando a ação teratogênica ocorre no início da 9ª até a 40ª semana da vida intra-uterina.

Para facilitar o estúdio algumas substâncias estão seriamente relacionadas a prejuízos do feto. São elas:

Medicamentos quimioterápicos (para o câncer)

Talidomida (para enjoo)

Isotretinoína e etretinato (contra a acne).

Hormônios: androgênios e tiroideanos.

Medicamentos antitiroideanos.

Anticonvulsivantes (alguns).

Vacinas com vírus vivos (por exemplo, para rubéola).

Antidiabéticos orais

Alguns analgésicos.

Alguns antibióticos (tetraciclinas, estreptomicina, gentamicina, cloramfenicol, sulfas). As penicilinas parecem ser seguras.

Anticoagulantes orais (a heparina, por sua vez, não atravessa a placenta e é o anticoagulante de escolha durante a gravidez).

Segue uma lista de medicamentos que as grávidas devem ter atenção antes de usá-los:

Aspirina - deve ser evitada, pois afeta a coagulação do sangue.

Antibióticos – nem todos os antibióticos são nocivos, por isso o seu médico irá prescrever-lhe um que não seja nocivo.

Paracetamol – em baixas doses pode ser tomado, mas em maiores doses pode provocar problemas no fígado e nos rins do bebê.

Ibuprofeno – tem vindo a ser associado a deficiências cardíacas no feto, por isso deve ser evitado.

Codeína – deve sempre consultar o seu médico, pois medicamentos que contenham este composto podem provocar deficiências congênitas.

Medicamentos para a gripe ou tosse – usualmente contêm codeína ou ibuprofeno. Por isso deve consultar o seu médico antes de ingerir algum destes medicamentos.

Medicamentos para a cistite – têm um teor de sal muito elevado, logo não são aconselhados.

Medicamentos para as dores de cabeça – usualmente contêm codeína, deve sempre aconselhar-se com o seu médico acerca da sua ingestão.

Medicamentos para a diarreia – estes medicamentos tornam o movimento dos intestinos e do estômago mais lento, já por si lento devido à gravidez, por isso não são aconselhados.

Laxantes – se tiverem na sua composição cáscara, sene ou bisacodilo não são aconselhados; estes componentes podem atravessar a placenta, podendo também privar o bebê de nutrientes.

Suplementos vitamínicos – devem apenas ingerir os que o médico receitar, específicos para a gravidez.

Vaporub – vaporizador é seguro.

Antidepressivos – atualmente existem medicamentos cuja toma é segura durante a gravidez, no entanto deve sempre aconselhar-se com o seu médico, para que ele a ajude a ajustar a medicação de forma a não prejudicar o bebê.

Todo tratamento odontológico pode ser feito durante a gravidez, desde que tomados os devidos cuidados, como proteção com avental de chumbo, para o caso de Raio-X, e anestesia própria para gestantes (sem adrenalina). 

Para informações mais detalhadas sobre o uso de drogas na gravidez e lactação os seguintes websites podem ser consultados :

http://www.perinatology.com/exposures/druglist.htm

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